19 novembro 2006

Fábula

(Perdão pela mediocridade do estilo, mas vá lá...)

Diz a lenda que, um dia, no setor de controle de entrada de estrangeiros de um certo país latino-americano, se deu o seguinte episódio:

- Passaporte, por favor.
- Aqui está.
- Seja bem-vinda senhora... O que? Você de novo! Sra. Meritocracia, o que devemos fazer para deixar claro que a senhora é persona non grata "nestepaís"?
- Mas ainda?!
- Ainda, não! Sempre! Figuras como a senhora em nada se enquadram na nossa sociedade, muito pelo contrário: podem minar nossos valores mais prezados!
- Ah, mas eu queria tanto me estabelecer "nestepaís" um pouquinho. Eu acho que poderia ser tão útil aqui.
- De onde a senhora tirou essas idéias absurdas?
- Eu acompanho um pouco a mídia local e não pude deixar de perceber que, mesmo timidamente, algumas pessoas afirmam que gostariam da minha companhia.
- Deve ter havido algum engano. Provavelmente a senhora deve ter lido panfletos de propaganda dos inimigos do nosso maior ícone, a Sra. Mediocridade. Pessoalmente, eu gostaria de perseguir esses subversivos mas detalhes burocráticos me impedem. Ainda bem que eles são minoria. Posso garantir que sua companhia não é bem-vinda aqui.
- Puxa, mas tantos outros países apreciam minha companhia. Fazem de tudo para que eu continue por lá, cultivam minha presença.
- Azar o deles, minha senhora. Aqui temos outras prioridades.
- E o que eu faço agora?
- A senhora tem duas alternativas: voltar no mesmo pé ou entrar na Sala de Conversão.
- Sala de Conversão?!
- É, um projeto piloto resultado do esforço unificado das nossas maravilhosas universidades públicas.
- É o único jeito?
- Sim.
- Bem, então eu topo. Já venho querendo visitar "estepaís" faz tanto tempo. Não vou voltar daqui.

A Sra. Meritocracia entra na Sala de Conversão. Trata-se de um cubículo com um alto-falante na parede que cita repetidamente trechos de trabalhos dos intelectuais mais importantes "destepaís".

Cinco horas depois:

- A Sra. já pode sair.
- Já? Como o tempo passou rápido!
- Aqui está seu passaporte. Boa estada.

Pouco depois, chegando ao hotel:

- Bom dia, eu tenho uma reserva.
- Bom dia, senhora. Qual seu nome, por favor?
- Sra. Indolência.

Se a realidade desmente suas convicções...

... que se mude a realidade, ora bolas!

It's often preached and taken as gospel that the only way black people can progress is through racial politics and government programs, but how true is that? Let's look at it.

In 1940, poverty among black families was 87 percent and fell to 47 percent by 1960. Would someone tell me what anti-poverty program or civil-rights legislation accounted for this economic advance that exceeded any other 20-year interval? A significant chunk of that progress occurred through migration from rural areas in the South to big Northern cities. Between 1960 and 1980, black poverty fell roughly 17 percent and fell one percent during the '70s. Might this have been a continuation of a trend starting much earlier, or was it a miracle of the civil-rights movement or President Johnson's War on Poverty?

Dr. Thomas Sowell's research points out that in various skilled trades, the incomes of blacks relative to whites more than doubled between 1936 and 1959. What's more, the rise of blacks in professional and other high-level occupations was greater during the five years preceding the Civil Rights Act of 1964 than the five years afterward.

Ao ler um texto desses há quatro alternativas possíveis:

1) Confrontar os números e, caso eles se confirmem, concordar com o fato de que negros não precisam de políticas públicas especiais para se desenvolver;

2) Confrontar os números e, caso eles estejam errados, mostrar que somente através de políticas públicas especiais os negros conseguiram se desenvolver, logo tais políticas devem ser mantidas e ampliadas;

3) Ignorar completamente os argumentos e chamar Walter Williams e Thomas Sowell de racistas, nojentos e imundos. Aviso que essa alternativa tem falhas: ambos são negões!

4) Ignorar completamente os argumentos e chamar Walter Williams e Thomas Sowell de negros vendidos e lacaios dos brancos.

Ainda Friedman

É sério: a entrevista que eu mencionei no post anterior vai te ensinar mais sobre economia do que boa parte dos colunistas de economia dos nossos jornais.

Milton Friedman e porque estamos ferrados

Trecho de uma estrevista publicada no Estadão (via De Gustibus...):

Mas é verdade que um mercado competitivo não significa o conjunto todo da sociedade. Grande parte depende das qualidades da população e da nação na forma como organizam os aspectos da sociedade que não estão ligados ao mercado.

Ou seja, temos muito que trabalhar!

News

1) Tem novo blog no pedaço. O nome é sensacional, daqueles que despertam aquela invejazinha tipo "droga, por que não pensei nisso?": Selva Brasilis. Tive ótimas referências sobre autor.

2) Para quem não percebeu, mudei o cabeçalho do site. Acho que "Reality is out there" expressa melhor a visão que tenho "destepaís": um lugar onde as pessoas vivem em seu próprio mundo de faz-de-conta que não se parece nadinha com o mundo real.

17 novembro 2006

Bono e seus bonetes

Na cúpula do G20 em Melbourne (via Acredite Se Quiser):


Os primeiros manifestantes que chegaram à área da cúpula nesta sexta-feira montaram uma "embaixada" de orações na frente das barricadas. Eles pretendem acampar durante três dias e três noites. Alguns membros vão comer apenas arroz e água para demonstrar solidariedade com os pobres.

Quando li isso a primeira coisa que veio à minha cabeça foram as falas do rabugento House ao confrontar um médico (Sebastian) que se dedicava à causa da Tuberculose na África que se recusava a ter tratamento de ponta enquanto o mesmo tratamento era negado aos demais doentes africanos:

House: You are not the same as them (African TB patients). Your life is not the same, and you're cheapening everything they're going through by pretending you are!
Sebastian: I am the same, I'm not special.
House: You can't demand to be treated like any Third World sick person, and call a press conference!

País das maravilhas

O repórter Joe Sharkey está dando especial atenção no seu blog ao caso do acidente aéreo envolvendo o avião Legacy e o B737 da Gol.

Por mais duras que sejam as colocações (como chamar o Brasil de "rabbit hole in Wonderland") nossas "otoridades" estão se esmerando para fazer jus a elas.

No mesmo dia do acidente eu disse que iriam usar a nacionalidade dos pilotos para tentar jogar sobre eles a culpa do acidente. A cada dia que passa parece estar em andamento uma verdadeira "cover-ass operation".

São casos como esse que evidenciam o abismo que existe entre um país de primeiro mundo - no sentido amplo do termo - e uma republiqueta. Reter cidadãos estrangeiros sem acusação formal (a alegação é de que SE eles forem culpados ficará muito difícil ir atrás deles) é a maior prova de atraso que um país pode fornecer para o mundo.

Por essas e outras, sair gritando "sou brasileiro, com muito orgulho" só deve fazer sentido do lado de cá do "rabbit hole in Wonderland".

Pato Donald

Muito engraçado...

16 novembro 2006

E lá vêm eles novamente...

Essa patota é fogo. Decididamente eles não engoliram o resultado de referendo (ou consulta popular, ou sei lá o quê) sobre o Estatuto do Desarmamento. Foi divulgado hoje um estudo de um "especialista" (como eles adoram o termo) que procura provar:

1 - Pobreza gera violência
2 - Armas geram violência

Fui dar uma lida no tal estudo e me pareceu extremamente superficial. Alguns pontos me deixaram intrigado:

Não sei o porquê, mas o autor não detalhou os dados referentes às armas de fogo em todos os anos como fez com homicídios em geral. Este detalhamento é importantíssimo se o objetivo do estudo é provar que as políticas de desarmamento foram eficazes.

O estudo alega que "as mortes por armas de fogo, depois de longo período onde as cifras só aumentavam, caíram de 39.325 para 37.113". Ora, se neste balaio de gatos estão desde homicídios até as ações legais da polícia, passando por acidentes e suicídios (!!!!) não podemos tirar uma conclusão definitiva sobre o efeito das políticas públicas em relação aos homicídios já que os dados dos anos anteriores não foram detalhados. A diminuição de mortes de 39.325 para 37.113 pode ter sido em função da polícia ter matado menos criminosos em confrontos, da diminuição de suicídios ou da redução do número de acidentes com armas de fogo. Nenhum destes teria relação com políticas públicas de desarmamento.


Certamente nada disso é problema pois mesmo antes de chegar às considerações finais o autor já tinha descoberto que tudo ficou maravilhoso ("só ocorreram 37.113 mortes") depois do início das políticas públicas de desarmamento.

O mundo ficou menos brilhante

Milton Friedman

O ceticismo

Concordo com cada palavra do Pedro:

Quem preconiza o ceticismo religioso e ao mesmo tempo condena o ceticismo político é, na mais generosa das hipóteses, um idiota.

Também nunca entendi pessoas tão céticas em relação à religião devotarem tanta fé na pureza dos ideais de pessoas como eu e você.

Minha teoria de botequim vocês devem lembrar: a necessidade de um sentido para a vida humana é algo gravado em nossa alma (ou genes, sei lá). Quando o homem moderno, por força da cultura anti-religiosa dos dias de hoje, descartou a religião como fonte de respostas para esse sentido, criou-se um vácuo que foi preenchido por figuras mundanas: políticos, celebridades, etc. A comparação ganha ainda mais sentido se você reparar que, para a maioria dos militantes políticos, a polarização esquerda/direita tem praticamente as mesmas propriedades da polarização Deus/Satanás.

Concordo com Pedro: não acreditar em Jesus Cristo como salvador é perfeitamente aceitável, mas deixar de acreditar em Jesus para ter a mesma fé em Lula, por exemplo, é idiotice.

15 novembro 2006

Nem comuni$ta, nem $ociali$ta

Concordo 100% com Reinaldo Azevedo:

Já lhes disse o que penso desses herdeiros modernos do bolchevismo. Um dos erros consiste em acusá-los de “socialistas”, de “comunistas”. Eu acho que eles continuam totalitários, violentos, potencialmente homicidas. Mas o movimento que está em curso no Brasil — e em boa parte dos países da América Latina — usa o comunismo e o socialismo como fachada. Ou ainda: usam um crime para lavar outro. Dizem-se comunistas e socialistas para que possam ser ladrões. O que não quer dizer que não nos mandariam todos para a cadeia ou não nos fuzilariam por crime de opinião. Se puderem, eles o farão.
Acho até que muitos, entre um vinho caro e um charuto cubano, devem fazer pouco dos militontos que lhes servem de bucha de canhão...

Dois pesos...

Diálogo real, ligeiramente adaptado pois estou citando de cabeça. Não posso divulgar os nomes dos envolvidos por questões éticas:

- Dizem que Saddam não era isso tudo de ruim, não. Eu sei que era uma ditadura, mas no tempo dele as universidades iraquianas se desenvolveram muito.
- Que interessante! O mesmo aconteceu com o Chile na época do Pinochet. Era uma ditadura mas o país se desenvolveu bastante e hoje é o mais avançado da América do Sul.
- Ah não, o caso do Pinochet era diferente.
- Ué, por quê?

Término do diálogo por incapacidade de prover uma resposta diferente de "Porque Pinochet é de direita."

Este é um caso clássico - com outro exemplo apontado pelo meu xará no final deste post - de quando as análises viram meras discussões políticas, mesmo neste caso em que a pessoa em questão nem era militante de coisa alguma. Acontece que o pensamento foi corrompido de tal forma que, diante de uma situação qualquer, primeiro analisam-se os agentes envolvidos (esquerda, direita, homem, mulher, pobre, rico, etc.) para depois adotar a linha de "raciocínio" adequada.

É por isso que Pinochet é um ditador nojento e Fidel um líder carismático; ter orgulho de ser negro é um ato louvável de amor à sua etnia e ter orgulho de ser branco é racismo abjeto; jogar papel na rua da janela do ônibus é falta de orientação e da janela do carrão é descaso pelo meio-ambiente e desconsideração, típica dos riquinhos, pelas pessoas com as quais compartilham o espaço público.

Reality in your face

Estou me deivertindo com a seção de comentários que O Globo criou para suas notícias. A falta de noção de boa parte dos leitores do jornal em relação a o que é o mundo real é espetacular. Cada dia que passa me convenço de que habitamos uma Matrix onde o Brasil é um país de extrema relevância no cenário mundial, um verdadeiro big player, e onde a cidade do Rio de Janeiro é mundialmente reconhecida por suas belíssimas praias.

Pausa para me recuperar...

Há algum tempo atrás o jornal relatou que o departamento de estado (ou sei lá que órgão era) americano estava alertando os turistas daquele país para os perigos de visitar o Rio de Janeiro. Como de costume, o espírito nacionalista se rebelou. Comentários irados condenavam o alerta, com aqueles argumentos elaboradíssimos que vocês já devem conhecer: uns diziam que era inveja dos americanos; outros diziam que era arrogância e outros - que provavelmente jamais tinham colocado a cara fora da cidade do Rio - alegavam que o Rio era tão perigoso quanto New York. Este último motivou um comentário de alguém aparentemente equilibrado e ponderado (cito de cabeça):

Gente, Nova York pode se dar esse luxo [ser tão violenta quanto o Rio] porque ela não é uma cidade turística como o Rio de Janeiro.

Apesar deste comentário ferir violentamente o senso comum do turista por vocação que vos escreve, deixei pra lá. Hoje, com um tempinho livre, resolvi fazer uma pesquisa básica. Tive problemas pois não consegui encontrar dados anualizados que mostrassem a entrada de turistas na cidade do Rio de Janeiro (só encontrei na Riotur dados de 2006 até Junho). Por isso fiz uma aproximação extremamente grosseira que ainda assim prova meu ponto:

Rio de Janeiro:

Visitantes domésticos: 3.624.000 *
Visitantes internacionais: 1.356.000 **
Total: 4.980.000

(*) Como a Riotur não tem os dados do ano 2005 (pelo menos não encontrei), peguei o maior valor mensal (Janeiro, aprox. 302 mil turistas) e multipliquei por 12. Uma aproximação bem grosseira se formos levar em conta que em Fevereiro foram 240 mil, mas tudo bem.

(**) Pelo mesmo motivo acima, peguei o maior valor mensal (Janeiro, 113 mil) e multipliquei por 12. Outra aproximação bem grosseira se formos levar em conta que em Junho o valor cai para 75 mil.

Ou seja, o total de turistas obtido é como se o Rio de Janeiro tivesse uma atividade turística, ao longo de todo o ano, igual ao seu melhor mês.

New York:

Como o ano não acabou ainda, só temos forecasts (previsões) para 2006 no site de turismo da cidade. Não vou dar mole para gringo, não. Vou usar o pior indicador desde 1998:

Visitantes internacionais e domésticos (1998): 33.100.000

E olha que eu realmente esfolei os gringos porque o total de 2005 foi de 42.600.000 e o esperado para 2006 é de 44.400.000.

Ou seja o turismo da Cidade Maravilhosa é quase 1/7 do turismo na Grande Maçã.

E nem vou entrar no mérito da qualidade dos turistas que vêm para cá...

Não é demérito nenhum estar atrás de uma grande potência como os EUA no quesito turismo. Acontece que, para pelo menos chegarmos perto da grana que eles movimentam com essa atividade (os turistas gastaram 22.8 bilhões de dólares somente em New York no ano de 2005), temos que parar de brincar de faz de conta e começar a trabalhar sério.

Percebam a diferença (dados de 2004. Fonte: Organização Mundial de Turismo):

United States:

International Tourism Receipts (US$ million): 74,481
Market share in the region (%): 56.6

Brazil:

International Tourism Receipts (US$ million): 3,222
Market share in the region (%): 2.4

Globalização

Meu xará indicou um estudo feito pelo Federal Reserve Bank de Dallas sobre globalização. Vale uma lida.

O Brasil se encontra no grupo dos países menos globalizados (Grupo I). Repare nos gráficos da página 12 como, "coincidentemente", os países deste grupo apresentam os piores indicadores entre todos os grupos analisados.

E assim a gente vai levando...

Nego só pode estar de sacanagem

Estava eu procurando material para fazer um post sobre o pessoal que mora nos melhores bairros da Zona Sul do Rio de Janeiro (Ipanema, Leblon e cercanias) e não tem a menor idéia do que seja viver por exemplo em Cascadura ou Madureira. Acidentalmente caí na página da Wikitravel destinada ao Rio de Janeiro. Uma peça de ficção:

Na medida que o turista passa a conhecer a cidade do Rio de Janeiro, alguns tabus começam a ser quebrados como por exemplo a respeito do transporte. Cicular na cidade do Rio de Janeiro é muito fácil. Seja pela rapidez e conforto do metrô, aerobarcos e catamarãs, seja pelo baixo valor do táxi, comparado a outras cidades, seja pela longa distância e baixas tarifas cobradas pelos ônibus em relação a outras cidades.

Portanto, não se preocupe quanto ao transporte. Dispondo de um mínimo de dinheiro, você poderá fazer passeios por qualquer um dos transportes sem gastar muito como você poderia gastar em outras cidades.

Engraçado que a página da Wikipedia destinada ao Rio: diz justamente o contrário:

A cidade do Rio de Janeiro possui, em proporção a seu tamanho como metrópole, o pior sistema de transportes por ônibus do mundo (...)

Trabalho infantil

O Brasil precisa se decidir: afinal é contra ou a favor do trabalho infantil? Ou é apenas contra o trabalho infantil que não é glamouroso, tipo arrumar a cama e ajudar nas demais tarefas de casa? (Juro que já vi uma propaganda do governo federal dizendo que era exploração fazer uma criança arrumar sua própria cama)

Nascida em Jundiaí, numa família de classe média, Carolina sonhava em ser modelo desde criança. Após vencer um concurso realizado no interior, foi "descoberta" por uma olheira de agência e começou a trabalhar com 13 anos.

A morte do Superman

Nós observamos, perplexos, as tragédias (via De Gustibus...) que vão acontecendo no mundo ao nosso redor e fica a pergunta: será que o Super-homem de Nietzsche finalmente encontrou sua Kriptonita?

Monopólios são sempre danosos

O da ética também...

14 novembro 2006

O Barney paga o pato pelo pai bebezão

O articulista da Falha exige que este programa tenha um conteúdo repleto de ironia, espírito crítico e leveza!

Mas espere, vejamos a opinião do articulista sobre a paternidade:

Estive na praia com as crianças e a babá, e por maior, por enorme que seja a ajuda oferecida por enfermeiras e babás a pais e mães, em especial os relativamente idosos como é o caso deste blogueiro, no feriado não tem jeito: as crianças querem, precisam e exigem atenção direta de quem os pôs no mundo.

Pessoalmente, não encararia a paternidade se não fosse a constante, ininterrupta presença de babás dentro de casa. Como estudar, como ler, como sair, como viver, sem ter ninguém cuidando de crianças? Conheço alguns workaholics que, na verdade, encontram no escritório um refúgio em face das tarefas, imensamente mais exaustivas e estressantes, que as espreitam dentro de casa.

Aaah, agora entendo. O autor deve ter ficado extremamente irritado pelo fato dos seus pimpolhos terem lhe roubado tão precioso tempo fazendo-o com que assistisse ao dinossauro roxo quando tudo que ele queria era estudar, ler, sair, enfim... Viver.

A birra não passou de um ato de revolta de uma criança contra outra.

Post anterior

No post anterior comentei sobre o comercial da Claro. Claro que, a partir dele, não dá para afirmar se os autores são racistas ou não. No máximo dá para dizer que se apegaram a um estereótipo e nada mais.

Muitas vezes, onde não se vê nada é porque não há nada mesmo para ver...

Racismo?

Comercial da Claro:

Um jovem branco toca a esfera que tem o logotipo da empresa e uma banda de rock começa a tocar ao seu redor.

Uma mulher branca toca a esfera que tem o logotipo da empresa e uma orquestra começa a tocar ao seu redor.

Um homem negro toca a esfera que tem o logotipo da empresa e aparece ao seu redor... Uma escola de samba!


Esse é o mesmo tipo de gente que faz cara de nojo e diz que acha o racismo nojento quando lê que, durante uma discussão de trânsito, alguém chamou alguém de "nego safado".


By the way, Claro, sou mulato e o-d-e-i-o samba! :-))))

13 novembro 2006

Coisa de primeiro mundo

Agora, no moderno e progressista Brasil, il, il, as "otoridadi" poderão determinar, com base nos seus isentos e apurados critérios de avaliação, se o motorista está alcoolizado ou não. O curioso é que países com índice de corrupção policial infinitamente inferiores aos nossos nem sequer cogitam punir seus cidadãos com base em critérios subjetivos mas aqui no Bananão os agentes do Estado estão sempre acima de qualquer suspeita.

O que vai ter de blitz por aí não está no gibi.

Texto horroroso!

Sinceramente não sei de onde saiu esse cara (nem me dei o trabalho de Googlar), mas dos três ou quatro textos seus que li, nunca encontrei um sequer que tenha qualidade técnica razoável. As afirmações que ele faz como se fossem verdades indiscutíveis não se sustentam ante a mais simples análise:


Aconteça o que acontecer na economia, a culpa é sempre dos gastos públicos. Essa bem poderia ser a lei econômica geral do neoliberal de plantão. Anda meio fora de uso mundo afora. Nem mesmo o FMI fica mais martelando na tecla. Mas, aqui em Pindorama, tal é a pressão que até unha encravada é culpa do gasto público... perdão, da “gastança”.

Pelo amor de Deus! O gasto governamental fez até com que vários conservadores americanos passassem a criticar o governo Republicano. Basta olhar atentamente para o mundo, sem o filtro ideológico, para enxergar a crescente preocupação dos governos dos países desenvolvidos com o gasto público. Não, não "anda meio fora de uso mundo afora", muito pelo contrário.


Dê uma olhadinha em volta e observe, por favor, se há, entre eles, alguém que dependa do Estado para o que for. Já resolveram tudo no mundo privado. Seus filhos estão em escolas particulares e seus casos de saúde são tratados em hospitais-hotéis, garantidos por planos de saúde privados (O sistema público de saúde só é lembrado quando a doença exige tratamento caro e sofisticado, normalmente oferecido por centros públicos de excelência, mas isso deixa pra lá.) O fim de semana é dentro de shoppings climatizados e suas casas, de muros altos, grades e porteiros eletrônicos em série, são protegidas por empresas particulares de segurança.

Em resumo, quem ataca incondicionalmente o gasto público não precisa do Estado.

Isso beira o deboche! Tudo que a classe média gostaria é de não precisar pagar escola para seus filhos, plano de saúde para suas fámílias e contar com a proteção do Estado. Mas justamente porque o Estado decidiu gastar mal o dinheiro que arrecada, a classe média precisa pagar duas vezes por esses serviços. Que centros de execelência são esses? Por que nosso Vice-presidente não os encontrou e foi se tratar no exterior?

Já que ele considera a Fipe-USP insuspeita, o que ele teria a dizer da recomendação desse estudo:
As simulações realizadas mostraram que é inviável simplificar o sistema tributário se a necessidade de recursos do governo não diminuir em relação à base tributável: a carga tributária em 2004 alcançou o recorde de 36,7% do PIB e a racionalização do sistema tributário requer que a carga tributária total diminua para 28% do PIB.

Voltando ao texto do No Mínimo, esse trecho:


Além disso, pessoas com renda de até dois salários mínimos empenham o equivalente a 48% de sua renda com impostos, taxas e contribuições. Já os que ganham mais de 30 mínimos, são taxados em 26% de seus rendimentos.

Pode fazer mais sentido se você trouxer esta informação (do mesmo estudo apontado por mim) para a análise:


A condição econômica da maioria da população brasileira favorece esse fenômeno. 75% dela têm rendimento inferior a R$ 500/mês, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2002/3: são 37 milhões de famílias abrangendo 132 milhões de pessoas. Apesar de renda tão baixa, as aspirações de consumo são elevadas, levando-as a ter um padrão de gasto incompatível com suas rendas. Até as classes de 10 salários mínimos (R$ 2000/mês em 2003) a despesa total supera a renda familiar em proporção tão mais elevada quanto mais pobre a família. A despesa com alimentação absorve mais de 20% da renda da família, chegando a 57% nas que recebem até 2 salários mínimos.

Ora, se uma família que ganha até 10 salários mínimos tem despesa total superior à sua renda familiar é bem provável que a proporção de impostos em relação a renda total seja mais elevada do que quem não compromete toda a sua renda com consumo que é altamente taxado. Por exemplo:

Supondo uma carga tributária comum de 40%:

Família A: renda familiar = 100.00; gasto com consumo = 100.00

Valor comprometido com impostos: 40.00, que representam 40% da renda familiar

Familía B: renda familiar = 500.00; gasto com consumo = 200.00

Valor comprometido com impostos: 80.00, que representam 16% da renda familiar

Família C: renda familiar = 500.00; gasto com consumo = 400.00

Valor comprometido com impostos: 160.00, que representam 32% da renda familiar

As famílias B e C possuem a mesma renda familiar mas como a família C consome mais, ela paga mais impostos do que a família B. Poderíamos dizer que o problema não é o imposto em si, mas sim o fato de a família A comprometer toda sua renda com consumo. O triste é que ainda assim provavelmente não está tendo suas necessidades plenamente atendidas.

Pesquisas devem ser analisadas como um todo. Pegar apenas um dado para fazer valer um ponto de vista é, no mínimo, descuido.

12 novembro 2006

Tá comemorando o quê?

É divertido ver a ralé dos países subdesenvolvidos comemorando a vitória dos Democratas nos EUA. Parecem que esqueceram do histórico protecionista dos Democratas cujas alianças com os sindicatos americanos sempre causaram danos às empresas dos países subdesenvolvidos que tentavam exportar para os Estados Unidos.

Gugu-dadá

Meu xará relata algo que, apesar de soar inacreditável, é bem verossímil se lembrarmos que papais e mamães são chamados pelos seus pimpolhos (com idade entre 25 e 30 anos) quando estes se metem em encrencas com seus coleguinhas na noite. Perdi a conta de quantas vezes vi entrevistas de pais zelosos dizendo que as fraturas que seu filhinhos causaram em outras pessoas não passavam de peraltice, que eles eram bons garotos.

Não sei quanto aos demais lugares, mas no Rio de Janeiro está se tornando cada vez mais normal, na classe média para cima, negligenciar os filhos quando pequenos, entregando-os à guarda permanente de babás e mimá-los depois de adultos como que buscando uma compensação. Inventaram até um termo para designar esses adultos infatilizados: adultescente.

Santas coincidências, Batman!




Hipóteses:

1) A revista Época é uma subsidiária da revista Focus
2) A revista Época plagiou o logotipo da revista Focus
3) A revista Focus plagiou o logotipo da revista Época
4) Mera coincidência

Update: Não era mesmo coincidência. A hipótese mais correta é a 1. Ver aqui. Valeu, Luis Afonso!

Tá feia a coisa

Conforme já comentei aqui anteriormente, o jornal Globo disponibiliza agora em seu site um espaço para que os leitores façam comentários sobre as notícias. É algo interessante que pode dar uma pequena amostra da reação de um determinado ssegmento da sociedade à um determinado assunto.

Partindo do princípio de que as pessoas que ali comentam possuem pelo menos acesso a um computador e à Internet, creio não ser exagero assumir que não pertencem ao que se qualifica por aí de povão.

Partindo desta premissa e analisando o teor dos comentários, não resta hoje outra alternativa a não ser concordar com o texto de Olavo de Carvalho que eu coloquei aqui ontem.

O primarismo dos comentários, escritos às vezes num português capenga e mal articulado, nos faz duvidar de que eles tenham sido escritos por um adulto alfabetizado. O apego aos clichês e preconceitos tolos, assim como a busca por aprovação e admiração (principalmente nas reportagens sobre celebridades internacionais que tecem algum comentário sobre o Brasil), expõem toda a imaturidade de um povo que foi levado à beira da demência.

Basta algum estrangeiro criticar algo que todo brasileiro critica e chovem comentários raivosos (ainda mais se o gringo for americano) bradando que o infeliz é um imbecil, que sofre de inveja incurável por não viver num país tão maravilhoso, etc.

Isso só pode ser uma patologia.

É curioso que, mesmo após viajar razoavelmente por aí, nunca vi um povo tão determinado a moldar uma imagem de si para o exterior, nem mesmo os tais arrogantes ianques. Novamente, é uma busca por aprovação e admiração. Se internamente fazemos de tudo para que "estepais" seja uma merda, por outro lado exigimos do resto do mundo que todos nos considerem um lugar especial.

Essa infantilidade coletiva não é normal.

Quando o assunto é política, os comentários que vemos hoje são os mesmos da época em que o mundo era mais compartimentado e o acesso à informação era mais precário. Com a quantidade de informação disponibilizada hoje pela Internet é inconcebível que um adulto ainda nutra alguma simpatia por figuras como Fidel Castro ou que ainda achem que o socialismo é o caminho para algo diferente da miséria. Estamos vendo o mundo com os mesmos olhos de décadas atrás, como se o resto do mundo tivesse seguido em frente e nós tivéssemos optado por ficar ruminando idéias que o mundo já tratou de dar o devido destino: a lixeira.

Vivemos na nossa Matrix particular.

E o mais preocupante é que não parece existir uma porta de saída para essa situação. Aqueles que deveriam ser o farol intelectual da população são os próprios irradiadores dessas idéias. A única diferença é que se expressam num português melhorzinho. Semanas atrás caí no Blog de uma jornalista do Globo - lamento sem propaganda grátis - aparentemente freqüentado por outros jornalistas do jornal e também, pelo que pude observar, por pessoas de altíssima formação acadêmica (mestres e doutores). Poderia arriscar, sem medo de errar, que ali está uma parte do que se considera a nata intelectual "destepais".

Sem nenhuma surpresa, constatei que o nível dos comentários no Blog acompanha o dos comentários no jornal. Ou melhor, os leitores é que nada mais fazem do que repetir o que lêem e ouvem nos meios de comunicação.

Lá podemos ver os mesmos velhos clichês amaldiçoando o capitalismo e louvando o socialismo; a demonização dos Estados Unidos como grande responsável pela miséria em que nós e outros países pobres vivemos; Fidel Castro louvado como guerreiro que defende os humildes dos imperialistas e por último, mas não menos relevante, a tola associação esquerda=bem / direita=mal.

E com isso, a cada ano que passa mais pobres nos tornamos, mais ignorantes, menos cientes do que se passa no mundo real e vamos nos parecendo, cada vez menos, com uma civilização. Não duvido que num futuro remoto voltemos adotar a paulada na cabeça como tática de conquista amorosa.

Mas - claro! - afirmando que este é o melhor lugar do mundo para se viver.


Brasileiro do futuro

11 novembro 2006

E tudo muda de figura...

O que não faz uma vitória Democrata...

Citando representantes do Pentágono, o jornal [NYTimes] disse que o presidente do Conselho da junta de chefes, general Peter Pace, definiu uma equipe com os militares mais inteligentes e inovadores. O time foi encarregado de avaliar temas como Iraque e Afeganistão, entre outros.

Eh! Eh! Eh!

Daqui a pouco o Bush, porque malandramente pediu sugestões ao Democratas sobre o conflito Iraque (sabendo que estes não têm nenhuma), se tornará uma pessoa humilde que sabe reconhecer seus erros e pedir ajuda aos mais capacitados quando necessário.

Eu hein!

Li alguns libertários americanos dizendo que votariam nos Democratas (via FYI) por causa da agenda anti-capitalista dos Republicanos. Sinceramente, eu estou ca**ndo e andando para quem ganha ou deixa de ganhar por lá, mas este pensamento é - deixa eu escolher uma palavra leve - idiota.

Acho que a vida dos libertários é e sempre será mais ou menos como a dos esquerdistas por aqui: votam em Fulano para tirar Beltrano do poder. Aí se decepcionam com Beltrano e votam em Ciclano para tirá-lo do poder. E se decepcionam com o Ciclano...

Se eles estavam decepcionados com a agenda Republicana esperem para ver o que virá pela frente. Já se fala até em socialização da medicina.

Eh! Eh! Eh!

Cambada de caipiras

Caipira.

Esta é a palavra que consigo pensar pra descrever o comportamento da zelite carioca quando da passagem do Cirque du Soleil no Rio de Janeiro.

(Quem tiver acesso ao Globo Digital é só dar uma olhada na reportagem da página 3 do Segundo Caderno, com título "Os famosos foram ao circo. Mas nem todos gostaram")

Só faltou o aleijadinho correndo pela cidade e gritando:

- O cirrrco! O cirrrco está chegando!

Depois reclaman quando os gringos vão embora sacaneando a gente...

Brasil, il, il

Minha homenagem a este povo maravilhoso!


Perguntas idiotas

Após o desfecho do espetacular seqüestro - breve em um cinema perto de você - em que reféns e seqüestrador saíram ilesos, uma repórter do Globonews perguntou ao comandante da PM:

- Este foi o melhor desfecho?

Será que ela esperava que o comandante dissesse "Infelizmente não. Eu pessoalmente preferiria que o seqüestrador e pelo menos metade dos reféns tivessem sido mortos, mas não dá para ganhar sempre..."

O Brasil contra a filosofia

Outro dia, meu filho de dezessete anos me disse: “Pai, no Brasil nunca vi alguém que acreditasse em alguma coisa por ser verdade. Eles dizem o que querem que aconteça, ou o que acham que é bom para eles, e chamam isso de ‘verdade’.”

É a experiência de um garoto que veio para os EUA dezoito meses atrás. Se tivesse desembarcado no Japão ou em Angola seria a mesma coisa. Ele tinha descoberto a diferença entre o Brasil e a espécie humana.

Sobretudo é preciso que tenha despertado na sua alma aquilo mesmo que falta no ambiente: o desejo de conhecer a realidade, de sacudir de si o torpor solipsista e tentar descobrir as coisas como são. O brasileiro a quem isso aconteça vê logo um abismo abrir-se entre ele e os outros. O que ele aprendeu é incomunicável na linguagem comum, feita para expressar desejos, temores, esperanças, não fatos, coisas, situações. Ele é agora o portador de um segredo, e quanto mais se esforça em revelá-lo mais parece ocultá-lo sob um manto esotérico. Os profanos se vingam, chamando-o de arrogante e esnobe. A família ri dele, a namorada ameaça largá-lo. Então ele não agüenta mais: vende a consciência em troca de afeição. Está maduro para tornar-se um professor da USP.

Perfeito. De quem? De quem? ;-)

É preciso coerência

Depois do "espetacular" - breve em um cinema perto de você - sequestro do ônibus 499 o programa Globo Repórter logo se apressou para fazer uma edição sobre violência contra a mulher. O tom era de denúncia indignada. Mas como criticar honestamente a violência contra a mulher quando, em uma de suas novelas, uma personagem reclamou que o marido era muito bonzinho e disse que precisava de um homem que lhe desse uns bons sopapos?

10 novembro 2006

Previsão

Acho que será negro o futuro do Nosso Guia quando ele não puder mais assinar nenhuma liberação de verba para companheiros ou empresas de comunicação. Acho que muita gente está com ele por aqui, só tolerando-o porque é ele quem está com a chave do cofre.

Será?

Que data tão importante terá passado em branco?

Eu não vi nada por aí... Mas confesso não ter visto muita TV ontem e nem lido sites jornalísticos.

09 novembro 2006

24 outubro 2006

It's time for a break

Caríssimos, este plebeu sai de férias e só retorna no princípio de novembro, com mais quatro anos de Lula e sua turma. Infelizmente não verei o debate da "Grobo" - assim como não vi nenhum dos outros - e também não participarei da Festa da Democracia.

Sugiro que maneirem na empolgação e não façam como nosso presidente: beber e dirigir.

Fui!

23 outubro 2006

Festa da democracia

E a agonia da liberdade de expressão.

BRASÍLIA - O ministro Marcelo Ribeiro, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), considerou ofensivos os adesivos que estampam uma foto da mão esquerda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem apenas quatro dedos, e proibiu a distribuição do material. No adesivo, a mão está inserida em um círculo vermelho cortado por um traço diagonal, numa alusão aos sinais de trânsito de proibição.

A decisão foi tomada em caráter liminar, no julgamento de uma ação ajuizada pela líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC). Marcelo Ribeiro também recomendou à Polícia Federal a abertura de inquérito para identificar a autoria do material.

Nós podemos fazer conta que temos uma das maiores democracias do mundo e tudo mais, mas são fatos como esse que demonstram que ainda temos uma longa jornada pela frente até alcançarmos um status de sociedade verdadeiramente democrática e livre.

Liberdade de expressão

Apesar de não ser católico, não me empolgam muito as coisas que Janer Cristaldo escreve sobre religião. Mas concordo plenamente com ele no que diz respeito aos pedidos para que seus textos sejam suprimidos do MSM.

Anti-americanismo

Meu xará indicou este link com um texto muito interessante sobre anti-americanismo onde o autor faz uma análise das diversas facetas do anti-americanismo no mundo.

Tenho apenas um pequeno comentário:

Não sei se estava fora do escopo do texto ou se escapou mesmo, mas o autor não levanta a questão do anti-americanismo ser alimentado por um - ou mais - dos grupos que ele descreve ou ainda a associação de anti-americanos de grupos distintos visando a um objetivo comum: desmoralizar os Estados Unidos.

Ele faz uma boa introdução diferenciando opinião de bias (viés) mas não aborda o fato de este último poder ser cultivado por um ou mais dos grupos anti-americanos.

Cabem algumas considerações:

Não dá para analisar opinião pública, principalmente em países de terceiro mundo, onde as notícias e editoriais praticamente repetem o que é escrito pela mídia pró-Democrata (New York Times e Washington Post, principalmente). Para piorar as coisas, exatamente nestes países que os grupos definidos como anti-americanos radicais - de ideologia marxista - mais abundam.

O texto está bom para identificar os diversos grupos anti-americanos. Entretando ele deixa de lado dois fatores relevantes:

1 - A manipulação da opinião pública. Um belo exemplo dessa manipulação é o fato de Bill Clinton ser visto como um hábil negociador pacifista e George W. Bush ser visto como o senhor da guerra, quando ambos atacaram o Iraque usando exatamente os mesmos pretextos. Outro exemplo é o fato de qualquer cascudo dado num terrorista ser denunciado aos quatro cantos do mundo enquanto as barbaridades cometidas por Putin são noticiadas de modo burocrático. Façam um exercício de imaginação sobre o que aconteceria na mídia mundial se Michael Moore aparecesse assassinado como apareceu a jornalista opositora do governos russo.

2 - A cooperação entre os diversos grupos anti-americanos que, ora colaboram uns com os outros nos ataques aos Estados Unidos, ora se omitem diante de atos condenáveis de seus "colegas" e também se calam quando atitudes americanas deveriam ser apoiadas. Creio que um claro exemplo dessa cooperação é a cumplicidade entre os liberals americanos e os radicais islâmicos que, se deixados trancados numa sala, atacariam aos outros.

22 outubro 2006

Jogo democrático

Vamos deixar de lado o fato de que, a rigor, deputado não é para fazer trabalho social e analisar esta notícia:

Deputados que não se reelegeram fecham centros sociais

Pelo que percebi da notícia, a idéia é mostrar indignação pelo fato de os deputados interromperem a prestação de serviços por não terem sido reeleitos, mas um deles tem um bom argumento:

- Vou fechar tudo, porque bancava com o que ganhava como deputado. Eu fiz um trabalho social bacana, mas o povo escolheu assim. Da próxima vez, eu vou fazer campanha dando festas.

Pela cronologia da coisa, o tal deputado "atendia a mais de 16 mil pessoas na Baixada Fluminense e na Zona Oeste do Rio" DEPOIS de eleito, ou seja, mesmo após o objetivo alcançado - a eleição - ele continuou prestando atendimento à população (ou começou a fazer). Dentro do panorama atual, pelo menos algum retorno as pessoas daquela comunidade estavam tendo, pelo menos.

E o que elas fazem? Não reelegem o tal deputado!

Nunca achei que fosse falar isso em minha vida mas estou de pleno acordo com tal deputado. Se a população não consegue defender seus interesses mais imediatos não será ele que terá que manter o centro com seu próprio dinheiro.

O brasileiro precisa aprender a jogar o jogo da democracia. Democracia não é o meio de alcançar a felicidade eterna. Democracia é um meio de disputa do poder político que é jogado por diversos grupos de interesses distintos e muitas vezes conflitantes.

Já está na hora do brasileiro, seja carente ou não, aprender a defender seus interesses.

Ganhar dinheiro não é pecado!

Ainda ontem estávamos eu e minha esposa comentando como, para nós brasileiros, ganhar dinheiro - principalmente muito dinheiro - tem uma conotação pejorativa.

O comentário se deu devido a um programa de TV americano onde uma família é escolhida para ter sua casa completamente reformada.

Neste programa, várias empresas de produtos para o lar (principalmente a Sears) fornecem móveis, eletrodomésticos, computadores, etc. obviamente com suas logomarcas aparecendo sempre que possível.

Minha esposa, ao comentar sobre o programa com uma colega de academia, ouviu algo do tipo:

"Ah, mas eles ganham muito dinheiro com isso!"

Como se o fato de a Sears, os demais fornecedores e os produtores do programa ganharem muito dinheiro com o programa anulasse o bem que eles fazem para as famílias escolhidas.

Lembrei dessa conversa depois de ler este texto do Stphen Kanitz indicado pelo blog Resistência.

Somos essa sociedade atrasada porque, entre nós, cobrar caro, ganhar mais do que os outros é malvisto pelos nossos intelectuais, políticos, líderes religiosos e professores de sociologia. O paradigma de sucesso deles é cobrar pouco. Melhor ainda seria não cobrar, oferecendo de graça ensino, saúde, segurança, cultura, aposentadorias, remédios, comida, dinheiro, enfim. De graça, o povo não tem como reclamar dos péssimos serviços, os alunos desses professores não têm como criticar as péssimas aulas. “De cavalo dado não se olham os dentes.” Se alguma coisa a história nos ensina é que o “tudo grátis” traz consigo a queda da qualidade dos serviços públicos, a desvalorização do serviço, o desprezo pelo povo nas filas, a exclusão social, a corrupção e a desmoralização de todos os envolvidos.

Concordo plenamente com a idéia central desse texto: temos, como condição para crescermos, que abandonar essa idéia ridícula de que o lucro e a riqueza são coisas ruins.

Os bem-intencionados

É, eu sei que parece incoerente mas política não se discute. Isso se você quiser manter suas amizades. O bom e velho "concordar em discordar" ficou para trás há tempos e, dependendo do engajamento do seu amigo, é melhor limitar as conversas às futilidades do dia a dia.

Perdi a conta de quantas vezes em mesas de bares e festas eu tive que me calar diante de argumentos sem o menor fundamento (a não ser o velho "eu sou de esquerda, logo quero o bem dos pobres") seja econômico, político ou filosófico. Mantinha aquele sorriso amarelo suficiente para deixar claro que não concordava muito com o que era afirmado. E só.

Confesso que, por um período, fiquei estimulado pelo debate. Mas, pouco a pouco, fui notando que a coisa estava saindo do foro político, econômico, etc. e entrando no pessoal. Quando você afirma que o socialismo é economicamente inviável para um socialista a coisa soa praticamente como um ataque pessoal.

Acontece que muitos adeptos - ou simpatizantes - do socialismo que eu conheço são realmente boas pessoas que, movidos por um desejo intenso de ver as coisas mudarem, mas sem saberem exatamente como fazer isso, acabam se entregando de corpo e alma à única "solução" que nos foi ensinada na escola e nas universidades: o socialismo.

Curiosamente, quanto mais cedo o sujeito se tornou um engajado, mais submerso nas águas socialistas ele está, porque começou a ouvir essas bobagens quando ainda não tinha maturidade suficiente para, pelo menos, refutar os absurdos maiores. Alguns pontos requerem mesmo um conhecimento maior de economia, história (para saber que adotou e falhou e quem não adotou e se deu bem), etc. Mas muito da base do socialismo você descarta apenas pela lógica simples e por observação.

Quando você é jovem, buscando sua identidade, sem responsabilidade por nada, vendo bens de consumo aparecerem na sua frente como que por encanto, você, quando é uma pessoa minimamente decente, tende a ser perguntar: por que os outros também não podem ter isso?

Neste momento é que seu professorzinho, a mídia e tudo ao seu redor oferecem a resposta mais fácil: porque os outros são explorados e você é um privilegiado. O sentimento de indignação é natural diante de tamanha injustiça. Neste momento você é presa fácil para o socialismo.

Curiosamente, os amigos que foram - junto comigo - "alienadaos" quando jovens são justamente aqueles que possuem hoje aquele bom senso, aquele ceticismo saudável, para escapar dessa armadilha tosca. Por mero "acidente" nos livramos dela: durante a fase de doutrinação estávamos mais interessados em garotas, festas, praia, enfim, qualquer coisa menos política!

Infelizmente, boas intenções não bastam. Por mais bem-intencionadas que estas pessoas sejam elas são também responsáveis pela perpetuação de um modelo que, em pleno século XXI, mantém milhões de pessoas flertando com a miséria. Votar cegamente em políticos como Lula, Cristóvam Buarque ou Heloísa Helena pelo simples fato deles serem de esquerda não torna esses bem-intencionados superiores a um eleitor do Paulo Maluf ou do Antônio Carlos Magalhães. O máximo que isso faz é com que durmam com a consciência tranquila.


No passado, desconher os modelos que fizeram vários países emergirem da pobreza e desconhecer o resultado do socialismo onde ele foi implantado era até compreensível devido ao bloqueio de informações que havia. Hoje, com acesso à informação proporcionado pela Internet, isso é inadmissível.

Vale uma lida

É tão raro ler alguma coisa nos jornais de hoje que fuja do template politicamente correto que vale dar uma no artigo do João Luiz Mauad publicado hoje no Globo na seção de opinião.

Brincando com fogo

Incra apóia líder do MST em briga com Judiciário

RECIFE - A superintendente do Incra no Recife, Maria de Oliveira, pregou na quinta-feira uma reforma do Judiciário e uma ação radical do governo federal e do Estado com objetivo de fazer reforma agrária na zona da mata pernambucana, área tomada pela plantação da cana-de-açúcar.

As afirmações foram feitas em entrevista que Maria de Oliveira concedeu para comemorar a revogação da prisão preventiva do coordenador nacional do MST Jaime Amorim, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na sede do Incra, ao lado de Amorim e dirigentes estaduais do MST, ela compartilhou a avaliação do movimento de que a Justiça persegue os movimentos sociais de luta pela terra.

´Não há lucro para o governo nem para a sociedade com a prisão de pessoas que estão trabalhando e resgatando o País´, afirmou. ´Esse processo de perseguição é visivelmente contra os trabalhadores rurais organizados no País.´

21 outubro 2006

A caminho do Pan

Torcida e equipe sofrem arrastões em Interlagos
De acordo com a rádio Jovem Pan, torcedores e até mesmo integrantes das equipes de Fórmula 1 não escaparam dos bandidos que se aproveitam da morosidade do trânsito para realizar assaltos.

Os principais alvos são os torcedores estrangeiros e os carros oficiais das escuderias, que possuem logo e propaganda oficial do GP, facilitando a identificação pelos ladrões.

Ainda segundo a rádio, na sexta-feira, as principais vítimas foram integrantes da equipe de apoio da Toyota, que foram assaltados quando deixavam o autódromo de Interlagos.

Futilidades II

Qual o pré-requisito que você exigiria de um profissional que escreve em um caderno de cultura? Pelo menos uma cultura geral acima da média, certo? Errado!

Estava eu "folheando" o Segundo Caderno do Globo hoje - coisa que faço com uma raridade espantosa e agora me lembro o porquê - e me chamou a atenção uma reportagem sobre um musical infantil que está sendo exibido pelo canal Disney Channel.

Na matéria, a jornalista usa - ainda! - a qualificação "tipicamente americano" em valores que, até onde eu sabia, são universais: perseverança, amor, perdão, confiança, etc. Talvez, sim, exaltar tais valores seja tipicamente americano e desprezá-los seja tipicamente brasileiro, o que explicaria muito da atual situação de cada país.

Todos esses elementos aparecem no filme, mas a jornalista é incapaz de descobrir porque o filme faz tanto sucesso entre as crianças, justamente aqueles que ainda não foram contaminados pela podridão cultural que gerou jornalistas de cadernos de cultura. Para ela, uma das causas possíveis do sucesso do filme seria - claro! - a colonização.

Alguém pode dar corda no nosso relógio cultural, por favor? O mundo está andando e nós estamos parados em algum lugar do passado.

Mas se para a jornalista a causa do sucesso é insodável, isso não ocorre para todos:


- Já vi o filme um monte de vezes! Ele tem uma dica legal no final: a de que cada um tem que proteger e confiar no outro.

Claro, temos também o elemento lúdico: danças bem coreografadas, figurinos bem elaborados e músicas bem aranjadas:
- As músicas são muito legais. Eu também gosto da Sharpay porque ela é bonita e da Gabriella porque ela canta bem.

Quem diria que as crianças, essas colonizadinhas, iriam gostar de filmes bem feitos e que passam mensagens positivas? Temos que fazer algo a respeito!

20 outubro 2006

Free speech

A gente fica aqui preso nesse mundinho xexelento de tucanos versus petralhas e perde toda a diversão.







Esquisito

Terei que pagar se ficar comprovado crime eleitoral

Quando somos acusados de algum crime que não cometemos, geralmente alegamos inocência. Nesta intrigante frase, porém, não parece haver uma alegação de inocência mas sim um desafio a quem acusa para que se encontre alguma prova. Ora bolas, é impossível haver comprovação de culpa se o acusado é inocente.

A frase soou mais como uma torcida para que não se encontre algo que de fato existe.

Estranho...

Debate do SBT

Andei.

A convicção da ignorância

Por mais acostumado que eu esteja a opiniões como esta, não consigo deixar de ficar um pouco surpreso com o modo seguro e determinado com que as pessoas falam as mais espetaculares asneiras.


O mais incrível é que ele provavelmente seria incapaz de citar um exemplo sequer de país desenvolvido que tenha adotado a política econômica que ele acredita ser tão moderna.

Impressionante! É memso uma questão de fé, que faz o indivíduo crer nas coisas mais absurdas a despeito da realidade que o cerca.

Home of the brave, land of the free

My ass!

Fatos como este mancham a reputação de qualquer civilização (via FYI).

Oct. 19, 2006 — A Virginia judge has dismissed charges today against a young woman who shot herself in order to kill her unborn child in a case that has angered anti-abortion activists.

Nelson Rodrigues já tinha falado que os EUA seriam vítimas de sua própria liberdade. Parece que, a cada dia que passa, a previsão do ilustre tricolor se confirma.

19 outubro 2006

Futilidades

Fico imaginando o que pensam de nós os estrangeiros que, por um motivo ou outro, vêm fixar residência por essas bandas. Se for um psicólogo terá material para escrever verdadeiros tratados. Certamente um desses tratados há de mencionar essa relação de amor e ódio com o grande irmão do norte.

Ao mesmo tempo que comemoramos cada enrascada em que os yankees se metem (a mais recente é o Iraque) também celebramos exultantes quando alguma celebridade americana faz uma média do tipo "adorei seu país, as pessoas são muito simpáticas", quando atletas brasileiros conseguem defender equipes americanas ou quando atores brasileiros conseguem papéis em produções americanas (tão espinafradas por serem ferramentas de dominação imperialista). É motivo de orgulho nacional, noticiado lado a lado com fatos de grande relevância:

- Um asteróide segue rumo à Terra e irá causar a extinção da raça humana. E a seguir, nosso destaque: Rodrigo Santoro estréia no seriado Lost.

Acho que o problema "destepaís" não requer reforma política nem econômica, mas sim um belo e confortável divã.

Microcrédito

Texto by xará.

Há ainda um terceiro problema: e se a política de microcrédito é feita através de instituições públicas? Será que os incentivos para o monitoramento de empréstimos serão os mesmos que teríamos no setor privado? Microcrédito, como diz Sardenberg, não é favor governamental. É dinheiro para gente que deseja correr riscos ou, quase tautologicamente, para empreendedores. Ocorre que se um governo concentra em suas mãos boa parte do microcrédito, poderá estar criando o mesmo problema da dependência que um programa de renda mínima pode criar. Se você deseja que o microcrédito dê resultados sustentáveis, então deve incentivar o setor privado a embarcar nesta proposta. Claro, este incentivo deve deixar claro que falência privada não é sinônimo de socialização de perdas.

De fato, se a proposta for realmente boa do ponto de vista de negócio, a iniciativa privada vai comprar a idéia. Ma se trouxer a ideologia (já ouvi que o microcrédito é prova de que os pobres são melhores credores que os ricos) ou a política para campo a coisa vai virar bagunça nas mãos de políticos e "altruístas" safados.

Duh!

Concorrência cresce e preço dos PCs cai 17%

RIO - Os principais fabricantes de computadores cada vez mais voltam seu foco para os consumidores da classe D, o que tem levado as principais empresas do setor a buscar, além de linhas de financiamento com juros baixos, tecnologias que permitam reduzir ainda mais o preço das máquinas sem afetar as funcionalidades básicas. Segundo reportagem do jornal "Valor Econômico", nos últimos 12 meses, os preços dos PCs registraram queda de 17%, o que contribui para reduzir a ilegalidade e permite que o micro entre definitivamente na lista de compras dos consumidores de renda mais baixa.

Por conta disso, o mercado brasileiro de PCs movimentou 3,6 milhões de unidades só no primeiro semestre, volume 43% superior ao registrado em igual período do ano passado, de acordo com dados da consultoria IT Data citada pelo jornal.

Será que os fabricantes estão ficando bonzinhos? Um surto de altruísmo? Jesus está voltando?

Nada disso, apenas os bons e velhos conceitos de economia operando sossegados. Imagine agora eles operando sobre os demais bens de consumo.

Imagine... (essa estrofe o John Lennon não fez!)

E tome martelada

Justiça-social, igualdade-social, inclusão, neoliberal, distribuição-de-renda, desenvolvimento-sustentável, republicano, democrático, extrema-direita-religiosa, capitalismo-excludente, refém-do-capital, etc. Pensando um pouco mais talvez ainda lembre de mais uma dúzia de palavas.

Nenhum país chega a lugar algum quando todas as questões relevantes são discutidas usando-se apenas um pequeno punhado de expressões ocas e sem nenhum significado real. Palavras são ferramentas para expressar idéias e, por isso, vale lembrar esta célebre frase de Abraham Maslow:

If the only tool you have is a hammer, you tend to see every problem as a nail.

Regras do combate

Vale tudo menos morder o advers... Tarde demais!

Espantoso

Ou não?

É espantoso que, 17 anos após a queda do Muro de Berlim, 15 anos após o desmoronamento da União Soviética, ainda se ergam altares a líderes comunistas. O que só demonstra a indigência mental - para não dizer mau-caráter - dos criadores tupiniquins.

Cristaldo se espanta com a idolatria de figuras comunistas do nosso passado. Mas será isso motivo de espanto? Espantoso para mim será no dia em que produções que enaltecem a memória daqueles que queriam ver o Brasil transformado em uma versão ampliada de Cuba forem repudiados pelo público. Aí sim, cairei da cadeira de susto.

18 outubro 2006

Microcrédito

Confesso que li este texto com uma certa má vontade, por cause deste início:

Percebe-se, por outro lado, a necessidade de que a produção da riqueza e sua distribuição seja fundamentada em valores mais sociais do que sobre o imperativo da eficiência e do lucro. Nasce então a idéia de criar um banco novo, com uma filosofia nova; um banco que seja um ponto de encontro entre os poupadores que partilham a responsabilidade social do próprio dinheiro em relação às realidades socioeconômicas, e que acreditam ser possível lutar pela realização do bem comum.

Relutei mas prossegui...

Na prática, a poupança e os juros conseqüentes, confiados aos bancos, salvo o direito do poupador, devem ser transferidos a pessoas ou entidades que precisam para desenvolver projetos de atividades econômicas e serviços sociais A poupança, portanto, torna-se ética, porque sua aplicação contribui para criar premissas que construirão um futuro digno para pessoas até então excluídas do sistema capitalista.

Aí eu não aguentei.

E tome mais vocação turística

Cada país oferece o que pode

O circo da Fórmula 1 já toma conta da cidade de São Paulo e, mais uma vez, esquenta o clima das noturnas da capital. Os locais, atrativos para muitos turistas que viajam ao País sonhando em conferir a famosa beleza das mulheres brasileiras, já estão prontos para receber um grande número de visitantes.

Essa foi melhor ainda

Aposentada que atirou em ladrão ganha medalha

RIO - A Câmara de Vereadores aprovou por unanimidade, nesta terça-feira, a outorga da medalha Pedro Ernesto à aposentada Maria Dora dos Santos Arbex, de 67 anos, que baleou na mão um morador de rua que tentou assaltá-la no sábado retrasado, no Flamengo. A iniciativa foi do vereador Carlos Bolsonaro (PP). A medalha Pedro Ernesto é concedida a pessoas que prestaram bons serviços ao Rio. O gabinete do vereador informou que Maria Dora será convidada a comparecer à Câmara para receber a homenagem.

Iniciativas como essa são válidas pelo simples fato de fazerem os defensores dos direitos humanos, o pessoal do Morra, digo Viva Rio e progressistas em geral morderem a bunda de tanta raiva.

Segundo turno

Que mané segundo turno?

Chafurdem vocês nessas discussões anacrônicas que povoam o cenário político tupiniquim porque eu vou é tirar proveito do meu status de "zelite" enquanto o candidato dos pobres me permitir... ;-)

17 outubro 2006

Falou e disse

Totalmente de acordo com Fiúza neste texto:


Não há caminho melhor para o Brasil que a reeleição de Luiz Inácio da Silva.

Esse é o cenário que está se desenhando, e que na entrevista de Lula ao “Roda viva” ficou ainda mais claro.

Quando um país chega ao ponto de imunizar seu presidente, dando-lhe uma espécie de salvo conduto permanente, para o que der e vier, significa que ali está uma força política inquestionável, quase sacralizada. Em grande medida, não é isso que se procura? Um líder forte, que inspire a reverência alheia?

Pois o Brasil tem o seu, e ele está quase acima do bem e do mal.


Por isso, dia 29 de outubro:

Agora é Lulla

Cartoon

Peço desculpas pelos traços toscos - já fiz isso melhor - mas como não veremos um cartoon assim nos nossos jornais, resolvi eu mesmo fazê-lo.

Bicho papão

16 outubro 2006

Fidel II

Está aqui o vídeo da entrevista à qual me referi ontem. Nem a repórter do Globonews pareceu suportar tanta bajulação.

15 outubro 2006

V for vendetta

Adoro ver filmes depois que cessam as baboseiras que envolvem seu lançamento nos cinemas. Este trecho do diálogo entre V e a Dra. Delia é muito boa:

- Is it wrong to hold on that kind of hope?
- I have not come for what you hoped to do. I've come for what you did.

Para bom entendedor pingo e letra.

Fidel

Inadvertidamente acabei assistindo, no Globonews, a um trecho de uma entrevista com o jornalista Ignácio Ramonet sobre o - para usar um termo seu - presidente cubano Fidel Castro.

Fiquei comovido com a incrível figura humana repleta de qualidades (e cujos defeitos não passam de um exacerbação dessas qualidades) que é Fidel Castro. Fiquei também surpreso ao saber que os mortos devido ao terrorismo dos dissidentes iguala os mortos pelo regime (não entendi bem esta linha de raciocínio, mas vá lá).

Tenho que rever meus conceitos...

Dia 16 o vídeo estará disponível para visualização.

13 outubro 2006

A regra que nunca falha

Minha regrinha "diga-me quem elogiou e eu determino o caráter do elogiado" parece nunca falhar. O banqueiro ganhador do prêmio Nobel da Paz pelo seu programa de micro-crédito recebeu elogios do casal Clinton e da ONU. Só isso já foi suficiente para acender tudo que é luz de alerta. Pra fechar com chave de ouro, uma reportagem hoje no Globonews diz que ele provou como o pobre paga suas dívidas melhor que os ricos ou a classe média. Veredito?

Guilt!

Dei uma pesquisada básica atrás de fatos e não de opiniões. Bem, alguns fatos são intrigantes:

It turns out, however, there's more to Yunus's banking scheme than meets the eye. Grameen is not a bank at all. Deposits from individuals and firms account for a mere 3% of its assets. The bank actually functions as a conduit for huge grants from governments and international agencies. That aid is then used as the basis of a credit pyramiding scheme that not only provides micro-loans but also funds a creepy form of feminist social engineering that wars against children and marriage.

Contrary to legend, Yunus wasn't an independent entrepreneur when he started his bank. He used his personal wealth and high-level connections to arrange special privileges and millions in subsidies. Before the Grameen Bank lent one Taka, he had government backing for fully 60% of its operations.

The UN International Fund for Agricultural Development provided Grameen with its first major loan of $3.4 million. That Fund has consistently pumped money in ever since. In addition, Grameen receives grants and subsidized loans from the governments of Norway, Sweden, Canada, Germany, and even the Ford Foundation in the U.S., not to mention the IMF and World Bank.

If the funds aren't given as gifts to Grameen, they are lent at below-market rates, usually 2%. Grameen Bank then deposits that money in fixed-term and short-term accounts in commercial banks that pay higher rates. Grameen makes a killing by pocketing the difference.

The bank says this is merely arbitrage, but if private citizens did this with government funds, it would be called graft. These ill-gotten profits are then used to pay 12,000 staffers and subsidize the loan operations that everyone claims work so well.

Grameen charges its customers 20% interest, below the market in a country with high inflation and virtually no savings. At this rate, the reinvestment scheme subsidizes its loans by 39%. The bank is forever forecasting future profits. Somehow that day never arrives--which doesn't mean that its managers and top employees are doing charity work.

The 98% repayment figure does not reflect the behavior of actual individual borrowers. Grameen relies on the "peer group" method of repayment. Borrowers are lumped into cells of five. Any future loans--which offer 80% more money than the first one--depend on repayment by the entire cell.

If one person doesn't pay, others in the cell "lean" on them to fork over the cash, or pay it themselves. The person in the cell who wants another loan has the incentive to get all the money one way or another. In this way, Grameen does get paid. But the 98% repayment rate records final payments grouped by cells, and only on first-time loans.

The bank claims the system is "self policing." But observers note that its employees (many of them Western ne'er-do-wells in search of foreign utopias) engage in weekly, door-to-door monitoring of all borrowers. Even then, the payback rate for second-time borrowers is much lower.

E mais:

All this suggests the Grameen Bank is more of a cult than a financial institution. But let's consider its financial claims more carefully. It claims to be privately owned. But that's because borrowers are forced to buy at least one share in the bank. Currently about 88% of the bank's ownership is spread between 1.5 million borrowers, while the government still owns the other 12%. Borrowers cannot sell the shares they "own," however, and each borrower also pays a 5% "contribution" to a "cell group fund," plus 1% to a savings fund that pays no interest.

So let's say you're a borrower in Bangladesh. You, along with the four others in your credit cell, are approved for a loan of $75. After all mandatory payments are extracted, you end up with $69.50 in hand, which you must spend immediately, and an obligation to pay $90 to Grameen in one year. If all other members of the cell default, your liability zooms to $450. To make sure that doesn't happen, you have to spy on the other members (or worse) and tolerate being spied upon (or worse). You own one stock in Grameen Bank, but you can't sell it and neither does it earn dividends.

Li e não gostei

Li um livro de Amartya Sen (Sobre ética e economia, fininho e custou 45 pratas!!!) e não gostei. Muitas das afirmações no livro eram sem base nenhuma que não a ideológica (não me incomoda um livro que queira expor uma ideologia mas sim um que queria lhe dar ares científicos). Pareciam versões daquela piada do português e do aquário.

Depois dessa risquei o ganhador do Nobel da minha lista. Economia para mim é um hobby e não posso me dar o luxo de gastar dinheiro no que eu considero porcaria.

Gene Epstein também não gosta dele:

At the beginning of his 1981 journal article, "Ingredients of Famine Analysis" (one hopes he used that title ironically), we confront a graph with lots of lines and curves on it, in which the horizontal axis is labeled "Food" and the vertical axis "NonFood" and underneath it we read, "With a price ratio p, and a minimum food requirement OA, the starvation set Si is given by the region OAB. If the endowment vector is xi, the person is in a position to avoid starvation... ." and on and on in that vein.

All this is in the service of drawing that simple distinction between access and availability before he goes on to the actual evidence.

And even regarding his actual analysis of famines, it's hard to completely trust his judgment. By solely grinding the socialist axe of access to supply over supply availability, he gives the latter issue a short shrift that is inappropriate.

For instance, he writes sweepingly that the food security of people in the Western capitalist economies "is not the result of any guarantee that the market or profit-maximization has provided, but rather due to the social security the state has offered."

Really? Could food security have nothing to do with the enormous gains in productivity that the market has brought to the farm? Even Sen himself writes of "deaths on a very large scale" because of famine conditions in China during 1959-61. The way agriculture was then organized probably had something to do with that awful tragedy, just as Soviet collectivism has a lot do with the dreadful prospect of food insecurity currently faced by the Russian people.

But getting back to how he combines those "tools from economics and philosophy," in the 1997 expanded edition of his book, On Economic Inequality, Sen writes, "Even for limited application of the merit principle-giving more than the 'norm' to the specially meritorious but not less than the 'norm' to the demented -- it can be argued that the measure of merit is culture-specific."

He then goes on to dismiss the merit principle thus: "While many of us may be content to live in a society which values the ability to lecture more than it values, say, the ability to make loud, shrill noises by blowing sharply through one's nose, we might be perfectly able to give long lectures about possible societies in which the latter quality would be the more desired virtue."

12 outubro 2006

Scary movie

Achei este hilário filme do diretor David Zucker. O filme foi feito para campanhas publicitárias mas o pessoal do GOP achou muito hard e desistiu de veicular.

Ufa!

O S.A. diz que se dependesse dele, não teria feito a privatização das empresas de telefonia. Para nós que temos que comprar telefone com o fruto do nosso trabalho, só nos resta agradecer a Deus por não ter dependido dele.

Então fica assim

Eleitor (presente ou passado) do Lula não pode falar mal de quem vota no Clodovil.

Reinaldo e a "zelite"

Da mesma forma que eu, Reinaldo Azevedo também vê sérios problemas na "zelite". Mas não aqueles apontados peo S.A.:

Ocorre que esse “lugar” da permanente reivindicação e do discurso do igualitarismo está congestionado. Qualquer um que tente ocupá-lo sem o selo de qualidade fornecido pelo próprio petismo será logo escorraçado, visto como um estranho, como alguém de fora, sem legitimidade para participar da disputa. As “elites do mérito”, em vez de se ocupar, então, de seus valores, voltando-se para alguns elementos que estão na fundação da convivência social civilizada, tornam-se meras caudatárias dessa demagogia e desse pobrismo. E evitam o debate e o confronto como o diabo foge da cruz.

Condição para ter meu apoio

Seja quem for, minha única preocupação em relação ao futuro governante é a de que ele não interfira no preço das passagens aéreas internacionais. De todos os impostos que o S.A. cogitou, o que mais me revoltou foi aquela contribuição a ser cobrada nas passagens aéreas.

Absurdo!!! Vai taxar o feijão, pô!

Qualquer governo que prometa reduzir o valor da taxa de embarque terá meu apoio irrestrito. Ora, se pobre troca seu voto por bolsa-família, eu tenho direito de defender meus interesses também.

Resumindo: qualquer governo que facilite meu objetivo de passar o máximo de tempo possível longe do Brasil terá meu apoio irrestrito.

Re-post: Matrix

Minha homenagem ao país onde as pessoas vivem em um mundo de faz-de-conta.

Welcome to the Matrix

09 outubro 2006

08 outubro 2006

Twilight zone

Sabe quando bate aquela sensação de que estamos vivendo num daqueles filmes de suspense/terror onde a realidade é totalmente absurda e todos ao nosso redor conspiram para nos aniquilar? Pois eu sempre tenho essa impressão ao tomar conhecimento de coisas como esta (via De Gustibus...):

Acabo de descobrir mais um desses absurdos que só servem para atrasar a vida das pessoas que tocam este país: investir em educação é contra a lei. Vocês não acreditam? Minha empresa, a Geremia, tem 25 anos e fabrica equipamentos para extração de petróleo, um ramo que exige tecnologia de ponta e muita pesquisa. Disputamos cada pedacinho do mercado com países fortes, como os Estados Unidos e o Canadá. Só dá para ser competitivo se eu tiver pessoas qualificadas trabalhando comigo. Com essa preocupação criei, em 1988, um programa que custeia a educação em todos os níveis para qualquer funcionário, seja ele um varredor ou um técnico. Este ano um fiscal do INSS visitou a empresa e entendeu que educação é salário indireto. Exigiu o recolhimento da contribuição social sobre os valores que pagamos aos estabelecimentos de ensino freqüentados por nossos funcionários, acrescidos de juros de mora e multa pelo não recolhimento ao INSS. Tenho que pagar 26 000 reais à Previdência por promover a educação dos meus funcionários?

Acham que eu exagero?

O Globo agora abriu um espaço para os leitores comentarem algumas notícias. Corram e dêem uma olhada nos comentários sobre a notícia envolvendo a saúde do sanguinário Fidel.

Vou colocar aqui apenas um:

Se dependesse de muita gente Fidel Castro já estaria morto a muito tempo. E nem assumiria o poder na verdade! Mas o que acontece é que Fidel Castro continuará vivo mesmo depois de morto. E sua ideologia será para sempre lembrada no mundo enquanto existir civilização no nosso planeta. Pois Fidel Castro é muito mais do que celebridade, ele é um herói e merece devidamente a sua imortalidade na história mundial. Querem mata-lo, mas a verdade é que Fidel Castro nunca morrerá!
Isso não é a voz do brasileiro comum e sim a de alguém que tem acesso à Internet, coisa ainda de luxo nesse país. Portanto, sua ignorância é a do pior tipo: a voluntária. Qualquer busca no Google daria material suficiente para, pelo menos, colocar uma pulga atrás da orelha e desmistificar a figura do barbudo.

Fidel ficará na história sim, mas como exemplo de quão bárbaro e animalesco o ser humano pode ser. E também mostrará o nível de estupidez que o ser humano pode alcançar quando devidamente manipulado.

Da inviabilidade brasileira

Muitos amigos ficam chocados quando afirmo que não há mais jeito - pelo menos um jeito razoável - para este grande país.

Muitos apelam para o otimismo ingênuo: "Claro que tem, basta isso, isso e aquilo". Outros são mais realistas: "Cara, se eu não acreditar que tem jeito o que eu vou fazer?"

Mas deixe-me ser claro aqui: não é um problema do Brasil apenas. Creio que outros países, principalmente na América Latina e África, compartilham o mesmo destino.

Outro esclarecimento: a inviabilidade desses países não decorre do fato de serem países pobres. Decorre do fato de serem países cujas mentalidades ficaram estagnadas em algum lugar do passado. O mundo de hoje não tem lugar para idiotas.

A História já comprovou que o único regime capaz de fazer um país crescer é o liberalismo. Por outro lado, a mesma História já mostrou com riqueza de detalhes a inviabilidade do socialismo.

Mas temos um problema: o liberalismo é ótimo para uma população educada que pode lutar pelo seu futuro. Num ambiente razoavelmente apropriado, o liberalismo faz a economia fluir em direção à eficiência.

Lamentavelmente não é isso que ocorre no Brasil. Temos uma enorme população totalmente desqualificada que, num regime amplamente aberto, iria comer o pão que o diabo amassou.

O socialismo, sabemos, está fora de questão. Foi pensado para ser posto em prática por qualquer espécie, menos a humana.

Entre esses dois teríamos o que se chama social-democracia: um ambiente economico relativamente livre e uma considerável presença do Estado em determinados setores da sociedade, principalmente educação e saúde.

O jeito que eu consigo ver países pobres como o nosso saindo dessa situação seria uma adoção de imediato da social-democracia [liberais, contenham-se e leiam o resto] com uma gradativa diminuição do Estado em conseqüencia do aumento da competitividade das pessoas. Seria como aquela rodinha da bicicleta que deixamos de usar assim que aprendemos a manter o equilíbrio.

Aí começam a surgir os problemas: normalmente Estados tendem a aumentar sua presença e não diminuir. Mesmo países desenvolvidos lutam constantemente contra o apetite dos políticos que freqüentemente oferecem direitos à população em troca de votos. A social-democracia, nestes países, é vista como uma ferramenta de bem-estar social. Ora, como o bem-estar é algo que queremos sempre aumentar, o Estado social-democata acaba inchando em demasia, minando valiosos recursos da população. Isso para não falar nas pessoas que deixam de produzir para viver sob o manto do Estado já que a relação custo/benefício do trabalho já não é mais interessante.


Mas no nosso caso o problema é ainda pior: se tudo se resumisse ao inchamento do Estado, estaríamos apenas falando de eficiência. Por exemplo, o Estado gasta X para manter uma escola que seria mantida por X/2 pela inciativa privada. O nosso problema é mais grave porque, a pretexto de manter uma escola que para ele custaria X, o Estado nos tira 2X, os gasta de acordo com seus próprios interesses e nós ainda temos que bancar os X/2 da inciativa privada.

O resultado é que ficamos com o pior dos dois mundos: a população fica entregue à própria sorte como se vivesse num regime plenamente liberal e as - poucas - riquezas que se consegue produzir são confiscadas para manter uma máquina estatal corrupta e gigantesca.

Junte-se a isso a pobreza cultural dominate, que faz com que a retórica usada pelos políticos seja facilmente engolida pela população, e temos uma combinação a qual nenhum país consegue resistir.

O resultado é um só: bancarrota.

A voz do otário

É inadmissível que alguém com mais de 16 anos faça uma declaração dessas:

O que será o Gabeira na próxima legislatura? A mim não interessa a mínima esse discurso ético dos caça-corruptos. Dos 65 anos do nobre deputado, cobro a juventude de sempre: fala tu, dá uma idéia, sai dessa de dizer o que todo mundo quer ouvir. Ou vai acabar presidente da República que nem Fernando Henrique e Lula, para citar dois caras bacanas que a política estragou. Fique com a gente, deputado. Às favas o poder!


Como eu disse em post anterior é a vocação para otário falando mais alto. E daquele otário que não reconhece a otarice e ainda tenta se explicar: "Eu não fui enrolado o poder é que corrompeu meu ídolo".

07 outubro 2006

Rabugento espirituoso

Não tem nada melhor...

Os petistas são ruins de lógica. Confundem tudo. Se você disser a elas que um avião avariado cai por causa da Lei da Gravidade, eles logo dirão que você é um defensor da queda de aviões e que, entre vidas humanas e a Física, escolheu a física. Se você disser a um petista que a mussarela é feita de leite, e o presunto, de carne de porco, eles indagarão: “Queijo prato é mussarela?” Você responderá, obviamente, que não é. E eles concluirão: “Então é feito de carne de porco”.

Os EUA, pobres coitados...

O Paulo fez um interessante levantamento de dados para mostrar que a economia americana não vai tão mal quanto a mídia deles apregoa.

Isto significa que o grande irmão do norte está infinitamente melhor do que nos querem fazer crer as notícias econômicas que saem por aqui.

Quem tem saco para ler uma certa colunista de economia de um certo grande jornal do Rio de Janeiro vai imaginar que quem vai muito bem somos nós e que os ianques estão caminhando para o fundo do poço.

Durante a tal crise americana que estourou faz poucos anos eu tive a oportunidade de visitar aquele país algumas vezes. Só queria que nós tivéssemos vivendo aquela crise: lojas com placas de "help wanted" e preços, para variar, sempre em declínio.

E nós aqui, f** e mal pagos, quase sentindo peninha deles pelas dificuldades financeiras que estavam experimentando. Era comum, naquela rodinha de bar, alguém soltar:

"E os isteitis, hein? Estão na merda!"

É, muito bem estamos nós...

Teve uma coisa boa

A coisa boa deste governo do PT é a grande lição que nós, brazucas, demos para o mundo: qualquer conversa fiada nos enrola.

O brasileiro, cuja fama de malandro e criativo atravessa continentes, mostrou sua verdadeira face: a face do otário.

Qualquer conversa fiada, qualquer desculpa esfarrapada que este governo mandou através dos seus porta-vozes - leia-se toda a imprensa - foi acatada sem maiores questionamentos pela massa (massa não exclui a classe "mérdia").

O bolsa-família sozinho não é suficiente para conferir quase 50% de votos para o S.A. Interesses econômicos também não. Tivesse o brasileiro 10% da malandragem que acha que tem, o S.A. não teria essa votação toda.

O grande mérito do PT foi colocar o brasileiro no seu devido papel no mundo:

O papel de otário.

Essa foi boa

Idosa atira em ladrão no Flamengo

"RIO - Uma senhora atirou contra um bandido no Flamengo, na Zona Sul carioca, na manhã deste sábado. Maria Dora dos Santos Arbex, de 67 anos, estava armada com um revólver calibre 38 quando baleou o ladrão, na esquinas das ruas Marquês de Paraná com Marquês de Abrantes, por volta das 8h30m. Uma bala atingiu uma das mãos do criminoso. Ela foi detida por policiais do 2º BPM (Botafogo). O caso está sendo registrado na 9ª DP (Catete)."

Imagino a surpresa do indivíduo que deve ter escolhido sua vítima a dedo. Vai lembrar desse erro pro resto da vida quando olhar para sua mão torta...

Chuchu

Não entendo a empolgação dos liberais com o Geraldo Alckmin. Cada vez que eu o ouço falar sinto aquela arrogância típica dos sociais-democratas que acham que sabem o que é melhor para a minha vida e a de todos.

O voto de um liberal no Alckmin deveria ser aquele voto envergonhado, quase escondido, necessário apenas para desafazer um mal maior que é o S.A.

Mas nunca devemos nos esquecer de que muita merda que está por aí é obra do FHC I e II.

04 outubro 2006

Tudo é gancho para esses abutres...

É uma pena que uma tragédia como essa sirva de palco para as palhaçadas de sempre que vemos por essas bandas. O agravante neste caso é o envolvimento de pilotos americanos.

O americano, caso você não saiba, tem como hobby maltratar, humillar e - por que não - matar cidadãos de países do terceiro mundo.

O complexo de vira-latas do brasileiro se manifesta imediata e mais intensamente naqueles que, em tese, deveriam ser pessoas esclarecidas, ponderadas e capazes de avaliar uma situação de forma minimamente racional.

Mas não! Aqui no Bananão os tais formadores de opinião são proletários da mídia, doidos para ver uma turba inflamada.

Nada me convence que a nacionalidade dos pilotos do avião que supostamente colidiu com o jato da Gol é constantemente destacada no noticiário (como se isso fosse algum dado relevante no caso) para gerar aquela sensação de revolta contra os imperialistas colonizadores.


Tipo "viu como esses malditos são? Acham que podem vir aqui, matar dezenas de pessoas e voltar para seus subúrbios!"

O pior é que a coisa funciona e não necessariamente com o povão, ou melhor, o tal brasileiro comum. No meu trabalho os comentários sobre o acidente sempre tem aquele complemento implícito:

"pilotos americanos, esses filhos da puta".

Poderia ser um fato isolado mas não é. O Globo agora disponibiliza uma área para os leitores comentarem as notícias. Vejam com seus próprios olhos os comentários sobre o acidente.

Seja qual for a causa do motivo e mesmo que os pilotos tenha culpa, não foi um acidente foi uma agressão do gigante do norte. Por isso devemos odiá-los!


É o nacionalismo tupiniquim em ação.