03 outubro 2006

Para a sua proteção

Folgo em saber que nossas autoridades cuidam tão bem do patrimônio público:

"RIO - Guardas municipais do Grupamento Especial de Praia (GEP), da Guarda Municipal do Rio de Janeiro, detiveram no inicio da tarde desta terça-feira, a brasileira naturalizada alemã, Francisca Célia Silva, 40 anos, que desrespeitou a advertência por conduzir um cão pela areia da Praia de Copacabana."

Felizmente eles tomaram esta exemplar atitude em defesa desse mar caribenho que é a praia de Bostacabana, digo Copacabana.

Se as autoridades não forem enérgicas...


...e não coibirem este tipo de coisa...


...acabaremos com um mar podre...


...como o havaiano.

Discrimination, Prejudice and Preferences

Walter Williams dá continuidade à sua aula anterior:

"Preferences alone do not determine behavior. If we conducted a survey asking people which they prefer: filet mignon or chuck steak, Rolex watches or Timex, Rolls Royces or Dodge Neons, I'm guessing that filet mignon, Rolex and Rolls Royce would win hands down. Having found what people preferred the most, then watch what they actually do. You would find chuck steak outselling filet mignon, Timex watches outselling Rolex, and Dodge Neons outselling Rolls Royces any day of the week.

To fully understand behavior, we must go beyond preferences and take restrictions on choice into account, namely income and prices. That fact is very relevant to issues of race. Let's look at it. During South Africa's apartheid era, white labor unions that would never have a black as a member were the major supporters of minimum wages for blacks. Their stated intention was to protect white workers from competition with low-wage black workers.

Gert Beetge, secretary of the Building Workers' Union, said, 'There's no job reservation left in the building industry, and in the circumstances, I support the rate for the job [minimum wages] as the second best way of protecting our white artisans.'
"

Cientista falou tá falado

Cientista russo determina idade de Marte

"- A idade de Marte foi estabelecida com exatidão, 4,65 bilhões de anos"

E todos ajoelharam-se diante da divindade e disseram:

"Améeeeem".

02 outubro 2006

That is why I don't care anymore either

Três exemplos de por que não dá mais para levar a sério o Brasil:

That is why I don't care anymore

That is why I don't care anymore - 2

That is why I don't care anymore - Final part

Se cobrir é circo..

Não invejo quem ainda tente levar a sério este país.

Eu por exemplo, tomei a decisão de nunca mais participar desse verdadeiro circo que são as eleições "nestepais". Cada vez que vejo um Clodovil sendo eleito, com algo em torno de meio milhão de votos, eu tenho a certeza de que tomei a decisão correta.

Não tenho a menor pretensão de fazer desse país um lugar melhor. Primeiro, porque isso é de uma prepotência sem par, segundo porque vai contra o que eu acredito: para mim um país será tão bom quanto a média dos seus habitantes, independente de quem os governe.

Antes de pensar em ter um bom governo precisamos melhorar como gente. Quando isso acontecer, maus governos não terão moleza porque as próprias instituições encarregar-se-ão de inibi-los naturalmente.


Lamentavelmente no quesito melhoria estamos mal, muito mal.

Este gigante está na fase da estupidez auto-alimentada. A estupidez se propaga geometricamente por essas bandas. Se o país fosse uma pessoa seria um retardado. Um órgão ou outro ainda é funcional mas é incapaz de fazer o corpo parar de sujar as calças e babar.

É uma pena porque é um belo corpo e tem potencial, mas o cérebro é completamente inútil.

Sei que muitos têm filhos e que gostariam de vê-los crescendo num país desenvolvido ou pelo menos em real desenvolvimento, mas sejamos honestos: do jeito que as coisas estão, não vai rolar. O tipo de atitute que tomou conta do brasileiro atualmente é incapaz de gerar algo minimamente positivo. Acho que nunca "nestepais" se valorizou tanto a ignorância, indolência, o desrespeito e a deseducação.

Já disse e repito: o Supremo Apedeuta é a febre e não a infecção.

Estamos num nível tal de barbárie que está praticamente impossível haver uma interação social, por mais básica que seja, sem a presença de um elemento de coerção para vigiar as partes. E quando eu digo básico é básico mesmo. Por exemplo, nenhuma relação social é mais básica que o trânsito: possui um conjunto de regras simples que regem a interação de veículos entre si e destes com pedestres. No Rio, por exemplo, é necessário um guarda em cada esquina para a coisa não descambar para o caos completo.

E vou deixar de fora detalhes sórdidos como sujeira nas ruas, necessidades fisiológicas em locais públicos, etc.

Sinceramente, não sei onde o brasileiro espera chegar... Mas quando chegar, eu só gostaria de estar bem longe daqui.

Rio de Janeiro

Lula: 49,18%

Sem comentários.

Discrimination or Prejudice

É simples assim:

"In recent weeks, I've offered operational definitions for some of the terms used in the discussion of race. The first was discrimination, which can be broadly defined as the act of choice. When one selects one activity, good or person, of necessity he must discriminate against an alternative activity, good or person.

The second term was prejudice, which can be seen as people making decisions on the basis of incomplete information. We could call it pre-judging or stereotyping. Information is costly. To gain more information requires the sacrifice of resources, be they time, money and perhaps one's life, so people seek information shortcuts.
"

Progressistas gostam de dizer "você está simplificando o problema" ou "o mundo é mais complexo que isso" mas nunca consegui ouvir de nenhum deles um argumento verdadeiramente consistente.

Que dia é hoje?

A julgar pelas humildes e sábias palavras do Supremo Apedeuta, estamos em 2 de outubro de 2010.

"Se alguém achar que a eleição presidencial vai para o segundo turno, vai ter que esperar para concorrer em 2010. Porque esta eleição nós matamos no dia 1º de outubro."

Damn it! Perdi a Copa da Africa do Sul! Quem ganhou? Quem ganhou?

01 outubro 2006

Ah, ela está descontrolada!

A uspiana Maria Aparecida de Aquino estava - para usar um termo da sua patota - aloprada hoje no Globonews. Dizendo um monte de bobagens e fazendo até menção a um suposto perigo da direita chegar ao poder, a insana abusou tanto que aparentemente foi retirada do ar pelo canal.

E não foi só aqui em casa que se notou isso...

Voto da zelite carioca

Presidente: Cristovam Buarque
Governador: Denise Frossard
Senador: Jandira Feghali
Deputado estadual: ***
Deputado federal: ***

Aí depois vem choramingar nos meus ouvidos...

Camiseta infantil

Camiseta

Inspirada nessa aqui.

E continuam falando do tal brasileiro comum

"Preocupa-se com a ética pessoal quem tem caráter. Preocupa-se com a pública quem pode.

"Os brasileiros pobres prezam mais a moralidade pessoal que os ricos."

"Não é que os pobres não se importem com as bandalheiras dos políticos. Mas aí entra a necessidade pessoal. Primeiro o leite das crianças, com toda a razão."

Essas palavras do historiador José Murilo de Carvalho, publicadas hoje no Globo, resumem o - aham - racicíno da nossa intelectualidade.

O que é esse pensamento jurássico "pobre bom, rico mau"? Desde quando caráter é resultado da conta bancária? Um rico, conseqüentemente mau caráter, ficará bonzinho e honesto se perder toda a sua fortuna? O "pobrinho", anjo na terra, se tornará a encarnação do demônio se ganhar na loteria?

O historiador tem que se decidir: ou o pobre valoriza a moralidade pessoal ou acredita que vale tudo em nome da "necessidade pessoal" e acredita que "primeiro, o leite das crianças, com toda a razão".

Não dá para ser os dois.

30 setembro 2006

O problema das estatísticas

O problema das estatísticas não é propriamente delas. O problema é quando resultados de estudos caem nas mãos de pessoas estúpidas.

Quando isso acontece temos uma reedição da piada do português e do aquário.

Por exemplo, um estudo do Centro de Medicina Preventiva do Hospital Israelita Albert Einstein chegou aos seguintes números:

"Dois em cada dez executivos, em média, são hipertensos, apresentam acúmulo excessivo de gordura no fígado e mantêm um consumo de álcool acima do razoável (mais de 14 latas de cerveja numa semana, por exemplo). Na média, o grupo estudado também possui níveis preocupantes de colesterol e triglicérides."

E também esses:

"Mais de 50% dos presidentes e vices apresentam um índice alto de LDL (acima de 130), uma proporção muito superior à verificada nos demais grupos de executivos, de apenas 35%.

Outro exemplo é o sedentarismo. Seis em cada dez presidentes estão sedentários. Entre gerentes e executivos, a proporção do problema é de cinco em dez.

Segundo o hospital, os presidentes também aparecem em primeiro lugar no quesito sobrepeso, com 70%, contra uma taxa de 60% dos demais. O consumo de álcool entre presidentes e vices é de 18%, ultrapassando gerentes e diretores (12%) e a média da população brasileira, que gira em torno de 15%.
"

A conclusão tirada do estudo (espero que esta conclusão seja obra do jornalista. Desses já não espero mais nada mesmo):

Subir na carreira pode fazer mal à saúde, mostra pesquisa do Albert Einstein

O tal brasileiro comum

É moda agora entre os "intelequituais" e a "classe mérdia" dizer que a reeleição do Lula é culpa, principalmente, do "brasileiro comum".

Primeiro preciso de um esclarecimento: o que seria um brasileiro incomum?

Voltando ao assunto da culpa da reeleição, como diria o poeta: "No cu, pardal!"

Esse tal "brasileiro comum" de que vocês falam sempre esteve por aí e o Lula sempre perdeu.

Somente depois que o PT conseguiu seduzir a "classe mérdia" e obteve a quase totalidade - quando não o silêncio cúmplice - do apoio da intelectualidade é que ele conseguiu chegar ao poder.

Somente depois que se acabou de vez com qualquer vestígio de moralidade que este país tinha é que essa quadrilha agora pode roubar à vontade sem medo de ser feliz.

Somente depois que a "classe mérdia" abriu mão de seu papel na sociedade e abraçou com entusiasmo o papel de proletário bem remunerado é que o tal "brasileiro comum" se viu sem rumo, desorientado.

Portanto, não me venham com essa. O que está aí, a reeleição iminente do Supremo Apedeuta, é obra da tal "zelite".

Lula não está no poder apesar da "zelite" mas por causa dela.

Portanto, deixem de choramingar nos meus ouvidos e apreciem sua obra-prima porque, como dizem os meliantes cariocas:

"Perdeu, preibói!"

29 setembro 2006

Sobre o debate de ontem

Não vi.

Brasil, il, il - Parte 3

Segundo uma colunista de economia de um grande jornal carioca o Brasil, a terceira democracia do mundo, dá aula para as demais. Vejamos:

"SÃO PAULO - O estudante de direito Adriano Saddi Lemos Oliveira, de 23 anos, é suspeito de mandar matar a mãe, a empresária do ramo imobiliário Marisa Saddi, de 46 anos. O crime ocorreu na noite de 27 de julho em Vargem Grande Paulista, a 47 quilômetros da capital. Ele estaria com medo da mãe gastar o dinheiro da família com um namorado. A polícia vai pedir a prisão preventiva dele nesta sexta-feira, mas o rapaz não poderá permanecer preso por causa da lei eleitoral, que só permite prisões em flagrante.

Em depoimento à polícia nesta quinta-feira, ele confessou o crime e foi indiciado por homicídio qualificado. A polícia diz que chegou até Adriano por um acaso, depois de prender o motorista da família, Cristiano Borges Ferreira, por tráfico de droga. A morte teria sido encomendada ao motorista por R$ 40 mil. O dinheiro foi pago com a venda de um carro da família, um Audi, para não levantar suspeita.
"

Dizer que uma aldeia que tem uma lei que permite que um homicida confesso fique livre por causa de eleição pode dar aula de democracia aos demais países só pode ser piada.

Brasil, il, il - Parte 2

Marcos Pontes: astronauta

Anousheh Ansari: turista espacial

26 setembro 2006

Pra variar... Fred Reed

Fred fala sobre os problemas culturais na América:

"Other uneases brood over the landscape. Women dominate domestic politics and so we have the Fear State. With them security security security trumps liberty or taking chances of any sort, and so we must ban pocket knives. They are afraid of guns, want kids to wear helmets on bikes, and think tag is a violent and dangerous game. Yes, there are exceptions, but fewer day by day. We must fill in the deep ends of swimming pools and fear second-hand smoke and things that go bump in the night. I suspect a lot of this vague anxiety stems from the lack of a settled and satisfying place in society."

(...)

"A thing about society now is that nobody knows the rules any longer, if there are rules. In the past, from about the lower middle class and up, women behaved as ladies and men as gentlemen, concepts now identified with oppression. Even the lower classes were usually courteous after their fashion. The arrangement had its uses. When general agreement enforces consideration of others, life is better. You can go for days without wanting to strangle anybody.

Today, many people are civil, but many aren’t. You don’t know what to expect. Do you respond to abuse by being abusive in return? Or get walked over? That is the question. We now have Road Rage. In the streets you find people pushing onto the subway like piglets looking to suckle, and throwing the finger. Women are worse, apparently confusing ill-bred pugnacity with virility. (Men are careful how they treat each other, as there are consequences. Women do not suffer consequences. It must be nice.)

Further, the ghetto rules everywhere, seeps in, or threatens. Americans are not social climbers, but social descenders, rappelling deliberately into the grubby depths. On the radio one hears regularly such lyrical confections as “Muthahfucka, muthafucka, she a ho, shit.” Ah, but the chief rule of discourse today is that one must never offend the offensive. You must never suggest that they straighten up and mind their manners, mouth, grammar, and work ethic.
"

24 setembro 2006

Somos um país imaturo

Dizem que o Brasil é o que é porque é jovem e, portanto, imaturo.

Concordo com o imaturo, mas não porque seja jovem. É imaturo porque é retardado.

Momento jabá

Este jabá eu faço de graça.

Se você está com um dindim sobrando e está procurando um lugar para passar suas férias ou celebrar seu aniversário de casamento, experimente Aruba. Clima constante - quente - durante todo o ano, praias de águas calmas e cristalinas e um povo incrivelmente hospitaleiro (dude, estou falando de um lugar onde motoristas de ônibus e táxi são bacanas!!! You know what I mean?).

Jandira NÃO!

Comunista, abortista e baranga.

Precisa mais?

Ainda Wal-mart

23 setembro 2006

Wal-mart

Paulo faz um bom apanhado aqui.

Apesar de eu também achar as lojas do Target mais agradáveis, sempre dou uma checada no Wal-mart também. Há uma boa quantidade de marcas ofertadas tanto por uma quanto por outra cadeia e, nestes casos, quase que invariavelmente os preços do Wal-mart são mais atrativos.

Vocação turística

Diálogo 1 - Guichê da imigração dos Estados Unidos em Aruba:

Agente: Destination?
Eu: Brasil, Rio de Janeiro.
Agente: Why did you come to Aruba?
Eu: Vacations.
Agente, supreso: Vacations???
Eu: Yes, vacations. Aruba has amazing beaches, much better than in Rio, in my opinion.
Agente: Yes, but women are much better in Rio.

Diálogo 2 - Comissário de bordo e turista americanos conversam no desembarque no Rio:

Comissário, em tom jocoso: If you get yourself in trouble, look for for help. Help, remember this word.
Turista, em tom idem: Eh! Eh! Eh!


Turismo é "com nóis" mesmo!

Democracia

A grande vantagem da Democracia é que os governantes acabam representando fidedignamente o seu povo.

Se analisarmos a maioria dos povos que vemos por aí (people from Big Banana, included) essa característica deixa de ser uma vantagem e até se torna um gravíssimo defeito.

É, eu sei. Volto de viagem sempre de mau humor. Nenhum humor é capaz de sobreviver ao desembarque no Terminal 1 do Aeroporto Tom Jobim e a uma viagem pela Linha Vermelha.

Isso para não falar no panorama político pelo qual já não me interesso faz tempo.

Eleições? Blah!

Sou um ferrenho defensor da abstenção. Não, não é do voto nulo, mas da abstenção mesmo. Só voltarei a votar "nestepais" quando o voto for facultativo, ou seja, um direito.

Pra finalizar esse post desabafo, faço minhas as palavras do Fábio:

"Se a população brasileira tivesse um flash de compreensão do rídiculo absoluto que é ser brasileiro, as pessoas sairiam correndo pelas ruas, desesperadas, chorando e arrancando os cabelos."

19 setembro 2006

Insulto à inteligência

Sabem por que me irrito com "intelectuais" de esquerda? Porque eles sempre apostam na estupidez da sua platéia. E me sinto insultado quando ouço um deles falar.

Ontem estava zapeando e parei no show do Bill Maher que, como todos sabem, o-d-e-i-a George W. Bush.


Pelo que percebi, o "debate" era sobre tortura.

Numa outra ocasião em que assisti a seu show ele tinha dois convidados, sendo que um era Christopher Hitchens. Nos poucos minutos em que eu consegui ver do programa, ele fez o Bill Maher recorrer a todos os recursos listados por Schopenhauer para vencer um debate e mais alguns.

Desta vez ele não se arriscou: todos os três convidados eram histericamente anti-Bush, o que já lhes conferia todas as credenciais para falar sobre qualquer coisa desde a Guerra no Iraque até religião, passando por engenharia genética e pesquisa aeroespacial.

Eis então que uma baranga solta essa pérola (citando de cabeça):

"Nenhum estudo científico jamais comprovou que a utilização de tortura fornece informações valiosas."

Neste momento mudei de canal. Detesto que insultem minha inteligência.

09 setembro 2006

Cultura e mercado II

Quem tem mais chance de obter patrocínio estatal, Supla ou Nelson Freire?

Xô responsabilidade!

Bastou alguém dizer (a verdade) que pais que deixam seus filhos passarem a madrugada nas casas noturnas são negligentes e aquela gente bronzeada mostrou seu valor: no Globo de hoje dezenas de cartas indignadas reclamando que a juíza não tem o direito de exigir que os pais tenham qualquer responsabilidade sobre a vida dos seus pimpolhos.

Se o pimpolho consegue burlar eventuais esquemas de fiscalização e entra na boate permitida apenas para adultos, a culpa é do Estado que não fiscalizou como deveria e não do papi e da mami que deixaram uma criança de 16 anos chegar às 2 da manhã numa casa noturna.

Esse é o homo bananus em ação: avesso a qualquer responsabilidade ("é muito difícil", "é impossível seguir todos os passos de um adolescente") e pronto para passar para terceiros suas atribuições.

Hoje esta a família-padrão carioca: papai, mamãe, babá(s) e filhote(s).

Num badalado restaurante aqui do Rio vi uma mesa com pai, mãe, babá e filho. Este somente se dirigia, carinhosamente diga-se de passagem, à babá. Papi e mami se concentravam nos seus pratos e mal dirigiam o olhar ao garoto. Gostaria de dizer que isso é uma triste exceção, mas vejo o mesmo na Lagoa, na praia, nos cinemas, shoppings, etc.

A classe média terceirizou o pátrio poder e depois se escandaliza com as conseqüências.

Aguardemos a próxima "fatalidade".

08 setembro 2006

O que sabemos?

O charlatão diz: tudo.

O cientista diz: pouco, muito pouco. Mas estamos buscando respostas.

Cada caso é um caso

Já repararam que Pinochet é sempre - devidamente - tratado como "ditador" mas Fidel geralmente é tratado como "líder" pela nossa imprensa?

HAVANA - O líder cubano Fidel Castro...

SANTIAGO - O ex-ditador do Chile, Augusto Pinochet, ...

Interessante...

Estado laico

O Estado laico é visto como uma das coisas mais fantásticas que a humanidade já produziu.

Religião nas escolas? Nem pensar!

Isso é uma volta ao "obscurantismo da idade média"!

Bem, parece que até mesmo essa obra maravilhosa da humanidade tem seu aspecto seletivo:


"Para evitar que esse tipo de impressão de imigrantes árabes seja perpetrada, a Espanha desenvolve um projeto para que a religião islâmica seja ensinada na escola. Assim, todos os estudantes – espanhóis e estrangeiros, católicos ou muçulmanos – aprenderão os ensinamentos do Islã. A comunidade islâmica apóia o projeto e acredita que esse será o primeiro passo para (re)construir a confiança entre pessoas de diferentes culturas que moram na Espanha."

Li e reli o texto na busca de alguma crítica exigindo a tal separação de Estado e religião, mas não encontrei nenhuma.

Talvez os intelectuais espanhóis estejam berrando muito em relação a este projeto. Ou tavlez estejam ocupados demais separando o Estado do cristianismo.

A gente nunca sabe...

O triste é saber que, além de nos odiarem, o terroristas devem, com razão, desprezar um inimigo tão pusilânime.

Ah, a Ciência

"NORWICH, Inglaterra - O aquecimento global no próximo século pode significar um retorno às temperaturas vistas na era dos dinossauros, e que levaram metade das espécies à extinção, disse um cientista nesta quinta-feira."

A senha aqui é "disse um cientista".

Patético como a
frase ganha quase um tom de profecia feita pelo pajé da tribo. Mas como no caso quem fez foi "um cientista", logo a coisa só pode ser séria.

Uma curiosidade que tenho é como se fazem medições como estas:

"- Não apenas os índices de dióxido de carbono estarão em seu maior nível em 24 milhões de anos, mas a média das temperaturas globais serão maiores do que há dez milhões de anos - disse o pesquisador Chris Thomas, da Universidade de York."

07 setembro 2006

Cultura e mercado

"Conseguir um lugar ao sol no horizonte que se anuncia para o próximo século, dependerá muito mais de nossa capacidade deproduzir inteligência. Este é o caminho, a alternativa das alternativas; a produção e o investimento no pensar, no saber, no olhar aguçado e agudo sobre o que nos interessa neste quadro e o que não nos servirá. O investimento na educação deverá se dar de tal forma que possa equiparar-lhe, em importância, ao poder de sedução exercido pelos mecanismos publicitários. A pesquisa é absolutamente necessária, mesmo e, principalmente, a que não resulta em sucesso e eficácia comercial. Antes mandava-se um texto para a polícia federal, hoje ao patrocinador. Antes obedecia-se aos interesses ideológicos do poder, hoje aos interesses mercadológicos. É preciso desvincular a produção intelectual da noção de sucesso em massa. Uma doença rara não venderá muito remédio, mas saber lidar com ela é, em última análise, conhecer mais sobre o corpo e avançar a medicina. Não haverá saúde pública enquanto a medicina servir ao lucro privado."

Este trecho foi tirado de um
texto do Leo Jaime publicado, sei lá quando, no Globo. Nada tenho contra a figura do Leo Jaime - pelo contrário, fui em muitas festinhas na década de 80 embaladas pelas suas músicas - mas o texto veio parar na minha caixa postal e como eu já estava querendo falar sobre o assunto, ele vai servir de exemplo.

Todo o parágrafo, aliás todo o texto, pode ser resumido na parte em vermelho.


O que examente a frase quer dizer? Que a produção intelectual vai ser gratuita? Que o produtor intelectual vai ceder seu tempo e labor gratuitamente para que brasileiros adquiram cultura?

Claro que não.

Basicamente, "desvincular a produção intelectual da noção de sucesso em massa" significa que o artista não precisa agradar a ninguém para que ele seja remunerado pelo seu trabalho. Bastam alguns bons contatos com empresas estatais ou políticos e a verba está garantida. Sem exigência de qualidade, aprovação dos consumidores, etc.

Sim, é triste ouvir o tipo de música que toca nas rádios hoje em dia mas elas tocam porque o público quer. É de uma arrogância sem par querer decidir pelas pessoas que música elas devem ouvir, a que filmes e peças devem assisitir ou que livros devem ler.

O artista que não quer se submeter ao mercado e exige financiamento estatal, quer que nós paguemos pelo seu trabalho, gostemos ou não dele.

É como se fosse um funcionário público cujo emprego e salário independem da qualidade e utilidade do serviço prestado.

Eis um exemplo via FYI.

Olavão

Como discordar disso?

"Um país não pode sobreviver por muito tempo sem alguma vida intelectual na qual ele se enxergue e se reconheça como unidade histórica, cultural e espiritual. Isso falta totalmente no Brasil de hoje. As discussões públicas entre pessoas supostamente letradas perdem-se em fatos isolados, em tagarelice ideológica sem nenhum proveito ou na exteriorização fortuita de impressões grupais totalmente alienadas. Já não apreendem nem a nação como conjunto, nem muito menos a sua situação no mundo, na civilização, na História. O Brasil tornou-se invisível a si mesmo, e na treva geral crescem monstros. Talvez o mais feio deles seja justamente a esperança cretina de livrar-se de todos os outros a curto prazo, mediante ações práticas na esfera política, saltando sobre a necessidade prévia da restauração intelectual. Nenhum ser humano ou país está mais louco do que aquele que acredita poder resolver todos os seus problemas primeiro, para tornar-se inteligente depois. A inteligência não é o adorno do vitorioso, é o caminho da vitória. Não é a cereja do bolo, é a fórmula do bolo. Quando chegarão os brasileiros a compreender uma coisa tão óbvia? Quando chegarão a compreender que nem tudo pode ser resolvido com formulinhas prontas, com pragmatismos rotineiros, com improvisos imediatistas ou mesmo com técnicas da moda, por avançadas que sejam, se não há por trás delas uma inteligência bem formada, poderosa, capaz de transcendê-las infinitamente e por isso, só por isso, capaz de manejá-las com acerto? A sólida estupidez do petismo triunfante é a culminação de pelo menos cem anos de desprezo ao conhecimento. A aposta obsessivamente repetida no poder mágico da ignorância esperta levou finalmente ao resultado inevitável: a bancarrota cultural, moral e política."

Eu, o iconoclasta

É senso comum atualmente atacar a religião como sinônimo de atraso e até mesmo limitação intelectual. Diversas reportagens pipocam nos jornais e TVs mostrando como líderes religiosos de diversas correntes exploram a ignorância do seu rebanho em benefício próprio.

Nesse verdadeiro saco de gatos entram desde o pastor e pai-de-santo picaretas até religiosos cujas vidas se resumem ao exercício puro da sua fé.

Na TV vemos apresentadores e celebridades com cara - e cérebro - de ameba vomitando superioridade sobre esses "pobres ignorantes" que se afundaram no obscuantismo da religião.

Hoje pela manhã ligo a televisão e vejo uma reportagem sobre Jonh Lennon que diz:

"Um documentário mostra a guerra entre John Lennon e o presidente dos EUA Richard Nixon. Nos anos 1970, o ex-Beatle foi perseguido pela CIA. Nem assim parou de desafiar os poderosos e lutar pela paz."

Como alguém com mais de 13 anos pode levar a sério uma coisa dessas?

É clara - pelo menos para um cínico como eu - que a idéia é alimentar o fogo que está se apagando (leia-se cheques depositados na conta da viúva Yoko).

Daí vem meu espanto: pessoas tão esclarecidas, tão modernas e tão superiores ao obscurantismo religioso adotam cada ídolo que pelamordedeus!

Para alguém que escreveu "imagine no possessions", bem que ele poderia viver mais modestamente:


John Lennon pensando na sua próxima música

Mansão? Mansão? Bem, sejamos justos: ele disse "I wonder if you can" e não "I wonder if we can".

É segredo!

"Bush confirmou a existência de prisões secretas mas não disse onde elas estão..."

Mais ou menos assim começou a reportagem hoje no Bom dia Brasil (estou citando de cabeça).

Sério.

O repórter, pelo visto, acredita mesmo na famosa (e paradoxal, já que ele ao mesmo tempo é tido como gênio do mal) burrice do presidente americano.

E o festival de besteiras continua...

Como de costume, após uma tragédia, temos os "especialistas":

"- Minha opinião é que elas não estariam no veículo acidentado, nem acompanhadas de uma pessoa possivelmente embriagada, se sua entrada não tivesse sido pemitida na casa noturna."

"Brilhante" relação de causa e efeito estabelecida - pasmem! - por um juiz. Ora, por que devemos parar na casa noturna? Vamos responsbilizar a Honda porque eles não estariam no carro se ela não o tivesse fabricado. E a prefeitura (ou munícipio, sei lá) porque se a via pública não existisse, os jovens não estariam circulando nela. E se a árvore não tivesse sido plantada o carro não colidiria com ela. Esperem! Podemos também responsabilizar todos os fabricantes de bebida cujas marcas são vendidas na boate. Afinal, se elas não tivessem sido produzidas, os jovens não as teriam bebido e não estariam alcoolizados.

06 setembro 2006

Coisa complexa

Quem quiser ver um belo exemplo de "raciocício complexo", deve dar uma olhada na coluna do Elio Gáspari de hoje no Globo (sorry, depois que eles passaram para o formato novo, não dá mais para fornecer o link).

Agora falando sério, se você não é cadastrado não perca seu tempo. A coluna é panfleto da pior qualidade. Não sei porque o Elio Gaspari é tão respeitado. Seus melhores textos ficam no nível do que leio por aí na Internet, algumas vezes até abaixo. E os piores... Bem, os piores são muito vagabundos mesmo.

Será que tem algo a ver com o fato dele ser de esquerda?

Hmm...

Quem diria?

Parece sonho, mas finalmente vejos cartas no Globo apontando os verdadeiros responsáveis pela tragédia deste fim de semana na Lagoa: os pais.

Até dá uma pontinha de esperança de que um dia venhamos a ser algo parecido com uma civilização.

Nah, quem eu estou tentando enganar?

05 setembro 2006

E a história se repete

Mais um acidente que tira a vida de cinco jovens.

Uma vez mais a inexplicável perplexidade. Inexplicável porque tragédias como esta não deveriam causar perplexidade quando tudo conspira para que elas aconteçam. Ao contrário, o que me causa perplexidade é que não ocorram com mais frequência.

E mais uma vez as discussões não passam de jogo de cena, cada um querendo parecer muderno, progressista e, para variar, as pessoas chegam à conclusão de que precisamos de mais... Leis!

Como se já não tivéssemos o bastante.

Uma ou outra pessoa - raramente um especialista! - chama a atenção para a responsabilidade dos pais, mas a regra é: precisamos de mais leis, menos impunidade e fiscalização das casas noturnas.


E somos obrigados a ouvir, milhares de vezes, o mantra dos mudernos: conscientização!

Esta
carta publicada no Globo de hoje resume tudo. Repare que em nenhum momento a preocupada mãe sequer ventila a hipótese de chamar para si a responsabilidade de fazer com que seus filhos não freqüentem casas noturnas. De todas as cartas publicadas no jornal hoje, creio que apenas duas ou três fazem referência à responsabilidade dos pais. O resto é a lenga-lenga de sempre: mais ação do governo.

Vai entender

Num de seus surtos contra a religião (não entendo como um ateu pode desprender tanta energia contra algo em que não acredita) Janer Cristaldo escreveu um texto que até tem alguns bons pontos, mas este aqui:

"Só é crime o que a lei define como crime. Se a lei não define aborto como crime, então não é crime. Há quem condene o aborto em nome de um tal de direito natural, como se direito fosse algo escrito em tábuas eternas pendendo em algum desvão da eternidade. Ora, direito é construção feita por homens e cada país a erige como bem entende. As atuais objeções ao aborto são quizílias de fundamentalistas, que até hoje não aceitaram a idéia de um Estado laico. Confundem preceito moral com preceito legal e querem impor, teocraticamente, sua visão de mundo a todos os cidadãos."

Basta ler os textos do próprio Cristaldo para perceber que ele mesmo classificaria este raciocínio como, no mínimo, tosco se este não estivesse relacionado com a religião.

O Jõao Luiz Mauad fez uma boa argumentação
aqui.

04 setembro 2006

Direita ou esquerda

Sou obrigado a discordar do texto do Paulo Guedes publicado hoje no Globo sob o título "Nem esquerda nem direita". Pareceu menos uma postura balanceada que uma tentativa de angariar simpatia da esquerda.

Ao definir o conjunto de leis que irá reger uma sociedade é fundamental sim o modo como se vê o ser humano. Se pensamos que o ser humano pode ser cruel, preguiçoso, indolente e vil, iremos criar dispositivos legais que impeçam os piores de causar males à sociedade quando, por ventura, chegarem ao poder. Por outro lado, se achamos que o ser humano é intrinsecamente bom e altruísta e que basta uma ordem social corretamente desenhada para que tudo funcione, iremos desprezar esses freios legais e, quando os piores tomarem o poder, estarão com a faca e o queijo na mão para agir.

Para que as "interações de milhões de pessoas tomando decisões, cooperando nas empresas, competindo nos mercados e atuando à base da reciprocidade e de outras normas culturais, cuidando de sua vida diária" possa resultar em algo sadio e produtivo é necessário, antes um framework legal, corretamente desenhado, que irá reger todas essas interações. Como exemplos práticos temos a Constituição dos Estados Unidos da América e a nossa Constituição Cidadã.

Não precisa falar mais nada.

31 agosto 2006

Homo Bananus

Ótimo texto do Igor Taam.

"Um dos maiores sinais de decadência de um país não é a fuga de cérebros para o exterior, mas a atual e quase despercebida corrida aos concursos públicos, a criação de uma geração ainda maior da classe média advinda do funcionalismo. As boas inteligências deveriam estar incentivadas a buscar recompensas na própria sociedade. Ao invés disso, os brasileiros acreditam menos e menos que seu trabalho, seu talento e criatividade serão bem pagos, recebidos, notados, úteis, importantes. A vida de iniciativa está desvalorizada, e os concursos são a forma em que as pessoas reagem a esse declínio: as melhores expectativas de ganhos, antiga atração do mercado, foram incorporadas ao serviço público."


Não precisa ser nenhum antropólogo para perceber que estamos diante de uma nova versão, tropicalizada, do eternizado homo sovieticus: o homo bananus.

Ame-o ou...

Há mais ou menos uns 15 anos venho dizendo que quem puder que saia do país. Achou uma oportunidade fora do eixo latino-socialista? Vai nessa!

Curiosamente, muitas das pessoas que sempre retrucavam, atribuindo-me a adjetivo "pessimista", já debandaram para outras pradarias (alguns após darem uma chance ao Lula em 2002, não é irônico?).

A mistura da cultura nômade indígena que havia por aqui com a dos exploradores portugueses gerou uma combinação a qual poucos países podem resistir: um povo que não se preocupa nada em criar um ambiente socialmente saudável para se viver em longuíssimo prazo.

O lado explorador faz com que os indivíduos não se interessem nada por construir um lar, algo duradouro que servirá de moradia para seus descendentes. Sujam as ruas, barbarizam o trânsito, emporcalham a cultura, enfim, agem como se, após terminado o período de exploração, pudessem voltar para a metrópole para usufruir das riquezas acumuladas.

O lado nômade faz com que, ao constatar que o comportamento socialmente destrutivo que tiveram durante gerações tornou seu bairro, cidade, estado ou, em última instância, seu país inabitável, os habitantes abandonem tudo e partam para um lugar melhor.

É ou não uma mistura que arrasa qualquer civilização?

PS: Claro que isso não é uma crítica a quem deixou o país (mesmo porque esse é meu objetivo). Essa é uma crítica àqueles que ajudaram a destruir o Brasil e, após terminado o serviço, deixaram o que sobrou para trás.

Duh!

Não precisa ser gênio da política para chegar a essa conclusão:

"- É desinformação da população? Não, não é. Se fizermos uma enquete em qualquer lugar deste país, todos concordarão ou a grande maioria que o presidente sabia de tudo; então votam nele sabendo que ele sabia. A crise ética não é só da classe política, não, parece que ela atinge grande parte da sociedade brasileira."


Sempre fui absolutamente contrário à teoria de que o Brasil não vai pra frente por causa dos seus políticos. Ora, nossos políticos não são importados, são amostras da nossa população. Na época da ditadura ainda havia a desculpa de que eles nos eram impostos e não podíamos escolhê-los. Com a "democratização" esta esfarrapadíssima desculpa foi por terra. O que vemos hoje é resultado da escolha da população.

Somos um país corrupto, atrasado e beirando a barbárie porque assim é seu povo. Seria até um contra-senso exigir o contrário dos nossos políticos.

30 agosto 2006

Back to business

Voltei ao bananão.

E já me deparo com uma piadinha típica:

"Foi só um brasileiro ir pro espaço e
já sumiu um planeta"

19 agosto 2006

Adendo

Pior que muitos dos que apoiaram a medida do tal coronel - e posso afirmar sem medo de ser leviano - são os mesmos a perguntarem, quando pegos cometendo uma infração, "como a gente pode resolver isso?".

Cambada de hipócritas!

Povinho merda, cara

Vejo que uma boa quantidade de leitores do Globo - podemos dizer que é a classe mérdia do país - apoiou uma medida que um coronel tomou num batalhão da PM, forçando seus soldados a declararem quantias superiores a R$50,00 que tivessem na carteira. Isso é um absurdo tão grande, mas tão grande que eu tenho até vergonha de ser conterrâneo dessas pessoas que alegremente sacrificam os direitos alheios em troca de qualquer falsa promessa de segurança.

F**da é ler uma nóticia dessas depois de passar a tarde em museus destinados a celebrar a liberdade. Dá vontade de pedir asilo político.

More Philadelphia



14 agosto 2006

11 agosto 2006

Edição extra - 2

Interrompemos nosso recesso para comentar as palavras de uma viúva do comunismo.

Juro que não acreditei quando vi esta chamada para a coluna do Luiz Garcia:

"Ideais da revolução correm risco de ser sepultados com Fidel"

Não pude crer que ainda alguém são pudesse falar com tanto carinho dos tais ideais da revolução.

Mas é exatamente essa preocupação que ele demonstra na sua
coluna de hoje (link móvel).

"Em maio passado, Fidel lançou o programa que batizou de Batalha das Idéias, comandado pela União da Juventude Comunista. Trata-se, diz Anderson, de versão cubana, um tanto menos radical, da Revolução Cultural chinesa. Um comando central organiza demonstrações e recruta batalhões de 'trabalhadores sociais' para forçar adesão popular a iniciativas oficiais.

A Batalha das Idéias visa a reengajar o povo na defesa dos ideais da revolução. Pelo que se percebe das informações e análises de Jon Lee Anderson, ela corre sério risco de ser sepultada no túmulo de Fidel."

30 julho 2006

Edição extra

Interrompemos o recesso para comentar os acontecimentos recentes no Líbano.

Hoje vemos o maior exemplo do que vem a ser
Guerra Assimétrica:

"Objetivo da Guerra Assimétrica

Como já vimos, o objetivo da guerra é impor uma vontade. De forma mais clara, o objetivo da guerra assimétrica é o mesmo da guerra irregular, ou seja, exaurir o inimigo, desgastá- lo internamente, de tal modo, que com o correr do tempo, ele estará enfraquecido de tal forma, não só física como psicologicamente, que se mostrará incapaz de uma volição política. O objetivo central é a imobilização operacional do adversário. A imobilização do adversário significa sempre numa guerra o começo da vitória. Assim o é também na guerra assimétrica.

Ao término da guerra assimétrica se tem muito mais uma vitória política do que uma vitória militar. A guerra assimétrica é muito mais a guerra do político. Por isso, quem conduzir uma guerra assimétrica deve procurar evitar teste diretos de poder e buscar, ao invés disso, tirar a estabilidade, surpreender, exaurir o adversário, para desequilibrá- lo. O seu maior objetivo deve ser o de mitigar intelectual e moralmente o adversário.
"

(...)

"Sabemos que toda arma tem um alvo adequado. A guerra assimétrica não oferece alvos a um dos lados e oferece qualquer oportunidade como alvo ao outro. Em função disso, em um dos lados há muita dificuldade no emprego de determinados tipos de armas militares e no outro há a ampla possibilidade de se empregar qualquer facilidade como arma."

(...)

"Na verdade, do lado dos militantes, todos são passíveis de serem classificados como militantes potenciais, portanto, não é fácil estabelecer uma clara divisão entre militantes e não militantes. Todavia, os militantes podem ser divididos entre:

Militantes atuantes; e
Militantes simpatizantes.

Os atuantes são aqueles que lutam na guerra assimétrica. Os atuantes se inserem no meio dos simpatizantes. São como sal se diluindo na água. Os atuantes formam os chamados grupos de ação e são os participantes dos núcleos ou das células que se envolvem diretamente nas ações de combate. Quanto menor for efetivo dos atuantes e quanto menor apoio possuírem na população, melhores e mais bem treinados devem ser os grupos de ação.

Os simpatizantes se dividem em simpatizantes ativos e simpatizantes passivos. Os simpatizantes ativos se envolvem no apoio às ações de luta. Os simpatizantes passivos só exercem sua ação pela empatia que demonstram com os demais militantes, ao adotarem uma posição de ausência sensitiva do processo: nada vêem, nada ouvem e nada falam. Há uma fluidez de posição ao longo do combate entre atuantes e simpatizantes e nestes entre simpatizantes ativos e passivos. Uns passam a ser outros e vice-versa com o correr do tempo.
"

(...)

"A simpatia da população é sem dúvida o melhor disfarce que os militantes possuem, mas, essa simpatia não substitui o terreno nem as condições populacionais adequadas. Duas áreas são extremamente propícias à guerra assimétrica e à guerra irregular. Estas áreas são as áreas de baixíssima densidade populacional, que impedem a observação ou tornam o reconhecimento no mínimo improvável, e as áreas de altíssima densidade onde pequenos grupos ou indivíduos são absorvidos ou engolidos pela coletividade."

(...)

"O soldado está preso às convenções da guerra e o militante está liberto de tudo, que não as regras de sua luta."

E assim vai... Vale a pena ler o documento todo.

PS: Por lar em guerra assimétrica, os mísseis do Rebolá devem ser de segunda categoria porque não vi nenhuma foto de um israelense morto até agora. Sai uma nota ou outra no jornal mas quem me garante que não é notícia plantada pelo governo de Israel? Hein? Hein?

29 julho 2006

Filadélfia aí vou eu...

Por motivo de trabalho, passarei 4 semanas em Nova Jersey, bem próximo com a fronteira com a Pensilvânia. Tava meio cabisbundo por não estar indo para um hot spot turístico, mas uma breve pesquisa me mostrou que a luta contra ignorância é realmente uma batalha contínua.

Num
site de informações turísticas sobre a Filadélfia vi que há muita coisa interessante, principalmente em termos históricos, para se ver naquela que foi a primeira capital americana.

Sem contar que Nova Iorque está logo ali...

Nos vemos no final de Agosto.

Apanhado

Sabe aquelas as besteiras todas que a gente ouve falar por aí sobre questões raciais? Pois é, este texto conseguiu reunir todas elas num lugar só. Fica até difícil escolher o clichê mais destacado, mas esse é imbatível:

"Nunca é demais repetir que, no Brasil, pobreza tem cor e é negra."

Outros trechos que merecem destaque:

"Mas a velocidade de ascensão dos negros é sempre menor."

É que nóis temo pobrema pra aprendê, dotô! Mas com a ajuda do sinhozinho nóis chega lá. E o senhô vai pudê dormir sastifeito de tê ajudado nóis a ter uma migalha do que vocês têm...

Tem esse também:

"Pesquisas novas e velhas confirmam uma espantosa resistência social à inclusão de pobres e, entre esses, dos negros."

Onde está essa resistência? Quem a pratica? Que pesquisas são essas?

E pra finalizar:

"Sem isso, nascer negro continuará a ser o caminho mais natural para crescer pobre."

Por isso que nóis precisa da ajuda dos sinhozinho, né?

Como sempre, mais um amontoado de bullshit...

Hã?

Início da sinopse do filme "Diabo a quatro", de Alice de Andrade:

"Rita de Cássia, desiludida com a vida de babá, resolve se prostituir. (...)"

Nem li o resto.

Depois nego me pergunta por que não gosto de cinema nacional... ;-)

23 julho 2006

Politics no more

Raramente vocês verão, de agora em diante, algum comentário político neste cafofo. Algumas zoações, provavelmente, mas nada muito profundo.

Como esperar um ambiente político minimamente sadio onde nada mais o é.

Esperar que um país moralmente podre [Claro que eu generalizei!] como o Brasil tenha bons políticos é até covardia com estes. Num país onde tudo é podre [Oops! I did it again!], porque apenas os políticos deveriam ser exemplos de moralidade?

Faça-se a seguinte pergunta: se viola as mais básicas regras de trânsito por nada, por que um político não violaria uma lei para faturar uma grana altíssima?

Outro dia uma conhecida disse que precisava acreditar que isso aqui tem jeito. Até entendo sua preocupação de mãe, mas isto está menos para esperança que para a psicose.

Alías, leiam esta definição de psicose:

"Quando alguém nos conta uma história realista dependendo da confiança que temos nessa pessoa acreditaremos na história. Na medida em que constatamos indícios de que a história é falsa começamos a pensar que nosso amigo se enganou ou que no fundo não era tão confiável assim. Nesse evento o que se passou? Primeiro, um fato é admitido como verdadeiro, depois novos conhecimentos ligados ao primeiro são adquiridos, por fim a confrontação dos fatos permite a verificação de uma discordância. Do raciocínio lógico surgiu um questionamento. Essa forma de proceder provavelmente é exercida diariamente por todos nós. A forma de conduzir idéias confrontando-as com os fatos é uma maneira de estabelecer o contato com a realidade. O que aconteceria se essa função mental não pudesse mais ser executada? Estaríamos diante de um estado psicótico!

Pois bem, o aspecto central da psicose é a perda do contato com a realidade, dependendo da intensidade da psicose."

Não resta mais nada a fazer a não ser aceitar o fato de que estamos nos tornando um país de psicóticos, incapazes de confrontar as informações que nos são dadas com a realidade que nos rodeia.

Como veadinhos na selva...

É interessante notar os comentários inseridos nas notícias policiais que relatam o ataque de criminosos: "não havia policiamento", "não havia viaturas da polícia no local".

Aparentemente trata-se de uma exigência pertinente, mas revela claramente porque a coisa não tem mais jeito: é senso comum a idéia de que o crime é a normalidade e apenas a ação do Estado impede a atuação dos criminosos.

Não existe Estado no mundo que seja capaz de policiar todas as regiões dentro das suas fronteiras. É humanamente impossível. É aquela velha estória do cobertor curto: enquanto a viatura está aqui, ladrões agem ali e vice-versa.

Na "melhor" das hipóteses o Estado tenta policiar regiões freqüentadas por turistas ou por pessoas politicamente influentes, capazes de mexerem seus pauzinhos para colocar uma viatura na porta de suas residências (como hipoteticamente faz uma determinada família, dona de uma determinada rede de televisão). Mesmo neste caso, os recursos são escassos e, enquanto as viaturas estão em Copacabana, a bandidagem corre para as Paineiras. Agora que
morreu um turista nas Paineiras, algumas viaturas correrão para lá e outra região ficará desguarnecida.

Costumo dizer que ser carioca hoje é ser como um cervo na selva. Diariamente os cervos vão para o pasto sabendo que seus predadores estarão lá à espreita. Mesmo assim, eles vão e tudo que lhes resta é torcer para não ser a presa do dia. Quando o leão ataca é aquele bundalelê mas, 30 ou 40 minutos depois, lá estão os cervos de volta ao pasto, torcendo...


É o ciclo da vida no Rio de Janeiro.


Cariocas curtindo um solzinho
Cariocas curtindo um solzinho

22 julho 2006

Não precisa ser nenhum gênio...

Tax cuts

Novela de altíssimo nível

(Post baseado no que tenho lido da tal novela na internet)

Dois amigos conversam animadamente sobre um filme de sacanagem:

- Aí, a mulher perguntou pro entregador de pizza, fazendo aquela carinha sapeca: "estou sem dinheiro em casa, como posso pagar pela pizza?" E os dois foram logo tirando a roupa e...

Neste momento mais um amigo se mete na conversa:

- Ah, vocês também viram "Páginas da vida" ontem?


PS: Estuda-se mudar o nome da novela para "Vaginas da vida"

17 julho 2006

Fred - o reacionário - Reed

Minha maior diversão ao ler um texto do Fred Reed, mesmo quando não concordo com ele, é imaginar a espuma saindo do canto da boca de um progressista, politicamente correto e socialmente responsável ao dar de cara com algo como isso:

"Boys need someone who can control them until, in a few years, the internal controls are in place. Women can’t do it. Therefore we have police in the schools, and we drug boys into somnolence with amphetamines. Parents, instead of even trying to control their kids, will litigate.

Boys cease to be students and become problems, so teachers don’t like them.

Further, in the schools today we have feminization, feminization, feminization. Instead of treating girls like girls, and boys like boys, all are expected to be girls. It doesn’t work. Boys by their very nature like to roughhouse. They like contact sports. You don’t have to force them to play football. They are competitive. Women don’t understand this, and what they don’t understand, they outlaw. Today estrogenated school after estrogenated school bans dodge ball as too dangerous, outlaws tag ('They get too rough,” meaning too rough for Mrs. Teacher), and insists on “groups games led by a caring adult.'

It is hideous for boys. Everything they are, it isn’t. 'Ohhhhh, let’s have a caring non-competitive game….' If he is really bright, with an IQ north of 150, he will decide that his teachers are idiots, which most of them are, and withdraw. There will be a price for this one day.

You want to end the 'boy crisis'? Easy. Give boys male teachers who understand boys and care about them. Women do neither. Let them compete. It’s how they are. Encourage them to burn off energy in the gym. Reward achievement, not pretty projects. Turn them into men, not transvestites.

Nahhh, never happen."

16 julho 2006

Acelera o passo!

Penso seriamente em votar no Lula nestas eleições. Além de:

* Começar a defender a política de cotas raciais;
* Exigir do MinC apoio à produção de programas infantis eróticos para a TV;
* Sugerir o banimento de qualquer jornalista ou intelectual com tendências minimamente liberais (para não dar chance ao azar, talvez até mesmo dos sociais-democratas);
* Sugerir a destruição e proibição de livros que não apóiem o socialismo e todas as suas variações;
* Sugerir a obrigatoriedade de filiação ao PT, PSOL ou PCdoB (preferencialmente ao PCO) para se tornar funcionário público;
* Propor maior destinação de verbas às ONGs e movimentos sociais, principalmente MST;
* Por falar em MST, tornar nacional a cartilha do MST ensinada nos assentamentos;
* Incentivar a formação de grupos semelhantes ao MST nas grandes cidades;
* Propor a criação de mais alíquotas de IR (35%, 57%, 79% e 93%) para incentivar a transferência de renda.

Estou farto dessa lenta e dolorosa descida rumo ao fundo do poço. Quero chegar lá logo para então, quem sabe, começarmos a pensar em como sair dele. Talvez, então, as perspertivas sejam apenas de melhora.

Hoje, do jeito que as coisas estão, a única perspectiva possível é que amanhã sentiremos saudade de hoje...

Patriotismo

A onda agora, principalmente entre os so-called formadores de opinião, é cobrar patriotismo dos jogadores brasileiros.

Curioso.

Vivemos num país onde tudo e todos conspiram para que as crianças se tornem losers. Se forem pobres, muito provavelmente seu futuro será um sub-sub-sub-sub-emprego ou a criminalidade.

Milagrosamente surgem alguns gatos pingados que, graças unicamente a seu esforço individual e ajuda da família ou amigos chegados, conseguem escapar dessa armadilha. E o que o Bananão exige deles? Uma carona no seu sucesso!

Aos quintos dos infernos todos! Um jogador como Ronaldinho Gaúcho não nos deve nada, absolutamente nada, porque ele não é o que por causa do Bananão, mas apesar de.


09 julho 2006

Último post futebolístico

Zidane é o caray!



Próxima parada: Euro 2008

Leo Jaime estava certo

Na ânsia de parecerem isentos, nossos atletas de Playstation são capazes de falar as coisas mais estúpidas. Acabo de ouvir de um deles que Zidane foi o último grande craque desde Maradona. Isso de um compatriota de Ronaldinho Gaúcho.

***

Lamentavelmente o futebol não permite que os dois time percam, pois este seria o melhor resultado para esta copinha assim-assim (a campeã moral - argh - pra mim é a Alemanha). Dentro do cenário, a vitória da Itália foi melhor para o futebol porque, caso contrário, este timinho xexelento da França teria seu futebol super-valorizado pelos adoradores do óbvio, ou seja, pela crônica esportiva.

Obra de arte

Show sem pedalada.


08 julho 2006

Mesa redonda

Muitos comentaristas de mesa redonda aparentam conhecer o futebol apenas através do Playstation.

***

Interessante que nessa discussão toda sobre técnicos o nome do Zico nem surja como alternativa.

***

O que é o Armando Nogueira?

***

Mesas redondas são a exarcebação do óbvio. Originalidade é barrada na porta.

***

Faculdade de comunicação não jubila seus alunos; os faz jornalistas esportivos.

***

Se vamos chamar Zidane de gênio precisamos criar uma palavra nova para designar o Pelé.

***

Semana que vem recomeça o Brasileirão e a mulambada estará de volta.

***

Se fosse vivo, Nelson Rodrigues reformularia sua célebre frase: toda a unanimidade é burra, mas nada supera a mesa redonda.

Mandou bem

Conitnuando com minha série de post futebolísticos, encontrei esse artigo do Leo Jaime que tem alguns pontos interessantes:

"Não vou enumerar todos os erros da crônica nesta jornada pois eles são incontáveis. Denoto, porém, a incapacidade da autocrítica e de lidar com os meios-tons: ou os jogadores são gênios ou são medíocres. Observei também uma preocupação enorme em criticar os salários, os hotéis, os patrocinadores, o sucesso, enfim, dos nossos ídolos. Isso é o que posso chamar de uma marcação cerrada, homem a homem, no âmbito pessoal e profissional, punindo cada um da comissão por ser escolhido para representar as cores nacionais. Isso é o que eles chamam de 'pressão'. Isso que os cronistas exercem com prazer pois, fazendo-o, pensam ser idôneos e ter 'atitude'. Acham que a crítica impiedosa e a violação de qualquer limite é uma prova de caráter e de idoneidade moral. A copa se desenrola de um lado e um outro campeonato, para ver quem é o mais cruel, o mais durão, rola do outro."

07 julho 2006

A Copa de 2010 é nossa!

Quando li isso no site do meu xará, rezei com todas as minhas forças para que fosse um hoax.

Mas infelizmente não é...

"Brasília (4 de julho) - O deputado Luiz Carlos Hauly (PR) apresentou hoje projeto de lei limitando a convocação de atletas, técnico e demais membros da comissão esportiva para representar o país em evento internacional oficial organizado pela Federação Internacional de Futebol ou outras entidades de caráter internacional.

De acordo com a proposta, somente poderão ser convocados para a seleção aqueles que tenham vínculo permanente e estejam em atuação em clubes nacionais nos doze meses anteriores à data de início da competição internacional. Jogador que tenha dupla nacionalidade terá sua participação vedada."

06 julho 2006

3 letras e 2 erros

Parreira tem razão

Seguindo minha série de posts futebolísticos, venho através deste dar apoio à posição de Parreira: o importante é mesmo ganhar. Se o time ganha, não importa como, seus jogadores são alçados à posição de gênios do futebol, não importando quão perebas eles sejam.

O melhor exemplo é este time safado da França. Zidane, muito bom jogador sem dúvida, foi alçado à condição de gênio desde a Copa de 98 porque... Foi campeão.

Rivaldo, alvo de severas - e algumas justas - críticas foi abençoado em 2002 porque... Foi campeão.

Dunga foi redimido como símbolo de garra porque... Foi campeão.

Os mesmos jogadores que hoje são hostilizados, até mesmo Cafu e Roberto Carlos, retornarão aos seus pedestais se eles jogarem a Copa América e se o Brasil... For campeão, de preferência em cima da Argentina.

Sejamos honestos, o importante mesmo é ganhar. O resto é bônus.

Aos perdedores, as batatas.

PS: jornalista esportivo que chama Zidane de gênio deveria passar o resto da vida vendo as jogadas do Pelé.

05 julho 2006

Olha aí

Tá vendo Cristaldo? Não é apenas esse "povinho" daqui que perde a linha com a paixão pelo futebol e acaba confundindo as coisas. Até mesmo os sofisticadíssimos e civilizados alemães têm sua cota de perdedores:

"Revoltados com a derrota para a Itália na semifinal da Copa do Mundo-06, torcedores alemães descontaram sua decepção com atos de vandalismo, principalmente em restaurantes italianos.

Em Quedlinburg, cerca de 25 torcedores invadiram um estabelecimento e jogaram mesas e cadeiras para o alto. No município vizinho, Stendal, foram 40 os vândalos que atacaram uma sorveteria. Em Magdenburgo, o alvo foram os canteiros nas janelas de outro restaurante --o proprietário ficou ferido levemente."

Eu não li nenhuma notícia sobre agressões a franceses por aqui...

País do futebol

Discordo totalmente da visão do Janer Cristaldo sobre a paixão do brasileiro sobre futebol, mas confesso que, muitas vezes, o comportamento das pessoas que orbitam o meio futebolístico irrita mesmo, elevando um mero esporte à condição de assunto de segurança nacional (após uma outra derrota da seleção, juro que ouvi um cronista dizendo que o cargo de técnico da seleção deveria ser ocupado via eleição direta!).

Agora a moda na "imprensa especializada" é criticar qualquer jogador brasileiro que participe de uma festa (qual será o período de luto exigido?) ou que, neste caso muito pior, venha a gastar seu dinheiro comprando carrões, mansões ou o que quer que seja.

O problema não é a paixão pelo futebol, mas a tendência de ocupar todo nosso vácuo craniano com esse esporte. Entretanto, Janer comete um erro clássico cometido por outros intelectuais: pensar que se não fosse o futebol, o brasileiro seria a intelectualidade personalizada, voltada para os problemasque afligem o país. Isso é bullshit.

O futebol, como qualquer outra coisa, só faz ocupar vácuos cranianos pré-existentes. Não conheço caso de alguém que tenha abandonado uma promissora carreira de poeta para se dedicar a acompanhar o Palmeiras em todos os jogos.

Não fosse essa gigantesca quantidade de vácuos cranianos, seríamos plenamente capazaes de torcer, vibrar, sofrer, comemorar e depois tocar nossas vidas normalmente, como muita gente faz, inclusive aqui mesmo no Brasil.

A irritação de Janer e de todos
seus leitores que torceram contra a seleção é tola porque coloca a paixão exacerbada pelo futebol como causa, quando ela é um efeito. Parecem não entender que, se o futebol miraculosamente desaparecesse da face da Terra, outra coisa apareceria para substituí-lo. E lá estariam eles a torcer contra essa coisa até que o país se encaixasse no molde que eles acreditam ser o melhor.

03 julho 2006

Atleta de Cristo

Ou será de Mefisto?

"Faltou um líder dentro de campo. Alguém para gritar, dar um bico para cima na hora que o Zidane dava lençolzinho. Tinha que dar um bico nele. Faltou uma chegada dura. Que negócio é esse de fazer frescura?"

Imaginem o que o
atual treinador do América não deve mandar seus jogadores fazerem!!!

Mas esse aí, desde os tempos de Flamengo, nunca me enganou.

É gênio

Para ter idéia do nível intelectual da imprensa esportiva, eles consideram o Parreira um intelectual. Isso tudo porque o futuro ex-técnico da seleção costuma usar palavras ignoradas pelos repórteres mas que não têm nenhum sentido ou até mesmo se contradizem. Por exemplo, numa entrevista ontem Parreira disse que seu futuro na seleção tinha sido acertado com o presidente da CBF de forma "tacitamente explícita".

02 julho 2006

Mais do mesmo

Não esperem que a imprensa "especializada" faça grandes críticas ao Parreira. Pelo menos não enquanto houver chances dele assumir algum alto posto na CBF. Jornalista esportivo não difere muito de nenhum outro: paparicam aqueles que podem lhes conceder um ou outro furo de reportagem ou entrevista exclusiva.

Por isso que o papel de grande vilão desta Copa deverá mesmo ficar com o Ronaldinho Gaúcho que não atuou como nos comercias da Pepsi ou da Nike.

Técnico da seleção

Eis o que faltou ao Ronaldinho Gaúcho

Samuel Eto'o

Síndrome do vira-latas

Gosta de zoar os hermanos? Beleza, faz parte. Mas fazer beicinho quando é zoado de volta, aí não!

Argentinos perdem a linha a linha na comemoração

O chato é precisar ler em um jornal argentino uma coisa óbvia dessas sobre o Parreira:

"Um tipo que é capaz de jogar contra o Platense com sete atrás."

E agora o choro

Acho que um dos mais injustiçados nestes comentários pós-eliminação é o técnico Carlos Alberto Parreira.

Injustiçado porque estão exigindo dele algo que ele não tem para dar.

Sério. Aqueles que acompanham o futebol me digam: qual foi o último bom time (time e não conjunto de bons jogadores) que você viu ser treinado pelo Parreira? Pode pensar aí e me manda um e-mail se você lembrar.

Seleção de 94? Ganhou nos pênalis, após chegar à final graças a uma das melhores atuações individuais que eu já vi de um jogador em Copa do Mundo: Bebeto.

Fluminense de 84? Era um bom grupo de jogadores que ganhava "de goleada" de 1 x 0 e dependia incrivelmente do talento do Romerito.

O mesmo Fluminense, quando despencou para a 3a. divisão, jogava recuado para garantir resultados até mesmo contra o time do corpo de bombeiros de Catanduva do Leste.

01 julho 2006

Reading minds

Sempre que vejo a expressão constrangida de satisfação de uma celebridade yankee numa dessas entregas de prêmios, durante a apresentação de um grupo de rap ou hip-hop, tenho a clara sensação de que, na verdade, ela está pensando:

"Que lixo! As coisas que eu tenho que aguentar para sobreviver nesse meio..."

The broken window

Para não dizerem que eu sou tendencioso (mas é claro que eu sou! Afinal, este blog é meu e eu falo o que eu quiser nele!) vou fazer um pequeno comentário sobre um texto de um "companheiro de viagem". Paulo Leite, descrevendo os avanços da - impressionante - economia americana, disse que:

"O impacto do devastador furacão Katrina também foi menor do que se podia prever. A reconstrução dos Estados atingidos pela tempestade está dando emprego para muita gente, especialmente no setor da construção civil."

Deixo a explicação do porquê disso não ser uma coisa boa para
Frederic Bastiat.

O tolerante

Entendo que uma das mais difíceis tarefas do ser humano nesse planetinha é tentar conviver com o diferente. Acho que todos temos aquele genezinho ditador com tendência a esmagar aqueles que são diferentes de nós. Não nascemos programados para conviver com as diferenças. A tolerância (o nome já diz tudo) é algo que se alcança através de uma batalha diária do homem com ele mesmo. Não é algo auto-declarado tipo "sou tolerante, e ponto final".

Curiosamente, aqueles se intitulam tolerantes raramente se furtam de apontar para os seus diferentes e gritarem "olha lá que ridículo!".

Vemos isso principalmente nos colunistas que se dedicam a falar sobre cultura e comportamento. Para eles não basta gostarem de algo, é necessário tornar ridículas as alternativas opostas.

Vejam o texto deste colunista. (o link é móvel)

O assunto do dia é o consumismo. O autor não entende o conceito de oferta excessiva de produtos e vê nisso uma "lógica do que não se pode ter". Ora bolas, por que um lojista iria expor produtos para quem nunca poderá comprá-los? A visão correta seria, ao meu ver, a de que o lojista expõe produtos para compradores potenciais, imediatos ou não. Sim, muitos dos que passam pelas vitrines não poderão comprar os produtos ofertados imediatamente, outros tantos jamais poderão comprá-los e alguns felizardos comprarão no ato.


Assim é a vida.

Mas tudo bem, faz parte do conceito de liberdade e - lá vem ela novamente - tolerância aceitar que alguém não goste do modelo de hiper-mega-ultra-shopping-centers. Eu também não não gosto muito, mas isso é questão de gosto e ponto final.

E quando a coisa se volta contra o tolerante? Freqüentemente o autor volta suas baterias contra os religiosos porque estes desaprovam o homossexualismo, o consumo de drogas, orgias sexuais, etc. Recebem sem perdão os mais pejorativos rótulos por não concordarem com o estilo de vida que o autor aceita ou pratica, sei lá. Em termos de princípios, qual a diferença entre os religiosos que ele ataca e o texto que ele escreveu na coluna de hoje? Nenhum, ao meu ver. Ambos criticam um estilo de vida com o qual não concordam, apontando aspectos que os desagradam.

Outro dia fiz uma brincadeira de palavras aqui perguntando se aquele que não tolera intolerância não seria um intolerante também. Mas a pergunta é muito pertinente para esses dias de correção política nos quais vivemos. Tolerar aquilo que nos agrada é molinho.

E para encerrar o texto, o autor faz uma analogia totalmente descabida (incompreensível, na verdade):

"Entendo o ato da compra e o prazer da posse. Mas o princípio de passear para observar o que não se terá me parece muito confuso. Quando a gente passa a funcionar não pela lógica do que se pode ter, mas pela do que não se pode ter, o consumismo fica muito parecido com uma versão torta do comunismo."

30 junho 2006

Disfarce... Ou tentativa de

Lembram dele?



Agora está assim:



Tão diferentes quando Superman e Clark Kent.

Back to business

Bem, voltei de mais uma viagem. Entre uma conexão e outra comecei a ler o livro The undercover economist. Ainda estou no início mas o livro até agora vem me agradando bastante tanto pelo conteúdo quanto pelo estilo do autor. O capítulo que acabei de ler, que fala sobre price-targeting, deveria estar em todos os livros escolares do país.

Fiz uma arrumação pequena na lista de links: removi dois blogs que se declararam mortos e adicionei o blog do Eduardo Carvalho cujos textos acompanho desde os tempos do Digestivo Cultural.

E essa tal Lei das Domésticas? Que coisa, rapaz! Será que esse país sobrevive ao ano de 2006?

23 junho 2006

Porfírio falou e disse

"Só os loucos toleram a realidade. Para quem vive no Brasil, nada mais sensato do que a alienação."

Aqui.

22 junho 2006

Tô morto não

Além do panorama desolador que vive esse país, há várias coisas acontecendo ao mesmo tempo - viagens, Copa do Mundo, sobrecarga no trabalho, etc. - que me afastaram um pouco do site.

Para não perder o costume, uma notícia bem a la Brasil:

Ministério garante: consumidor com bilhete Varig tem que ser transportado

"RIO, BRASÍLIA e NOVA YORK - O diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça, Ricardo Morishita, informou que, em reunião com Procons e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ficou decidido que todos os passageiros que têm bilhetes emitidos pela Varig terão que ser transportados, pela empresa ou outra companhia. Este foi o compromisso assumido pela Anac. Também ficou acertado que não haverá diferenciação entre clientes. Ou seja, têm os mesmos direitos passageiros que tenham comprado o bilhete em dinheiro ou cartão, e as pessoas que tenham obtido a passagem a partir da conversão de milhas."

É tanto absurdo em tão pouco espaço que dá até uma dorzinha de cabeça. Por isso vou lá ver o VT de Brasil e Japão. Fui!

07 junho 2006

Aí não!

Invadir propriedade privada tudo bem, mas a Câmara dos Deputados não!!!!!

05 junho 2006

Descobertas de uma partida de futebol

Vendo o amistoso da seleção brasileira ontem, concluí:

1) Falcão é semi-analfabeto em português. Tomara que tenha aprendido bem o italiano.

2) Falcão jamais conseguirá pronunciar o nome "Emerson". Sai algo parecido com "Ermison".

3) Galvão Bueno é mesmo chato bagaray.

Classe média

Sempre rio por dentro quando ouço alguém da classe média dizer "Ah, mas o Zé Povinho..." como se houvesse um gigantesco abismo cultutral entre os dois. Meu termômetro é a seção de cartas dos grandes jornais (*), cujo preço da assinatura é proibitivo para o tal "Zé Povinho". Curiosamente, as opiniões expressas ali são, em grande parte, iguais às do "Zé Povinho" com a diferença de serem expressas num português ligeiramente melhor.

Não importa o assunto (economia, política, cultura, religião, etc.) fica claro que a nossa classe média, com as raras exceções de sempre, em nada se diferencia do tal "Zé Povinho" que ela tanto critica: demonstra a mesma ignorância dos conceitos econômicos mais básicos; desconhece totalmente o funcionamento do Estado que a governa; nutre total desprezo pela cultura.

Eu costumo dizer que o que define o rumo de um país é sua classe média.

Se eu estiver certo estamos muito ferrados pois nossa classe média deve ser uma das mais fiéis represetações daquilo que Ortega y Gasset definiu um dia como o "homem massa".

(*) Vejam na seção de cartas do Globo de hoje quantas pessoas "esclarecidas" caíram no grosseiro truque de edição do discurso do Papa.

04 junho 2006

Negócio da China

Sempre disse aqui nesse cafofo que a China de capitalista não tinha nada. Pois bem, pode ser capitalista um país que faz isso?

"Nestes e em outros incontáveis casos, o estopim do conflito foi o mesmo: confiscos de terras que deixaram autoridades locais ricas e camponeses espoliados furiosos com a injustiça. Este é o lado sombrio do desenvolvimento econômico espetacular do país. Numa admissão chocante no começo deste ano, o diretor de aplicação da lei do Ministério de Terras, Zhang Xinbao, disse que houve mais de 1 milhão de casos de uso ilegal da terra nos últimos seis anos."

Dica do meu xará no De Gustibus...

01 junho 2006

Faltou assunto?

Então tome Thomas Sowell:

"Before we turn to facts, we need to understand the vision. This is a vision of the world more precious than gold. To those who believe it, this vision is a treasure beyond price because it is also a wonderful vision of themselves - and they are not likely to give it up for anything so mundane as grubby facts.


For those liberals who lived through the 1960s, that was often also the springtime of their youth, increasingly treasured as a memory, as the grim realities of old age settle down upon them today. It is expecting an awful lot to expect them to consider any alternative vision of the world, especially one that shatters the beautiful picture of themselves as wise and compassionate saviors of society.

But what are the facts?

While liberals may think of the 1960s as the beginning of many 'progressive' trends in American society, cold hard facts tell a very different story. The 1960s marked the end of many beneficial trends that had been going on for years - and a complete reversal of those trends as programs, policies, and ideologies of the liberals took hold."