30 junho 2008

Na boa

Se eu disser que isso aqui é uma baita de uma palhaçada, poderá ser considerado homofobia?

Guia decifra códigos da cultura gay em 8 idiomas


Os interessados em conhecer os códigos da cultura gay, principalmente em setores como hotelaria, lazer e gastronomia, onde cada vez mais se exige o respeito à diversidade sexual, contam com o livro "Como Dizer Ma-ra-vi-lho-sa! em Oito Línguas", lançamento da Publifolha.

"Cada vez mais se exige o respeito à diversidade sexual." Respeito?

Será que é assim que os gays querem ser reconhecidos? Como pessoas cuja única conversa que se pode ter é neste nível:

'Que biba enrustida!'

Inglês: What a closet case! (pronúncia: Wot a CLO-zet queis!)
Espanhol: Es un cigarrón (pronúncia: Es un ci-ga-ron!)
Francês: Quel homo refoulé (pronúncia: KÉHll omÔ rrefulÊ!)
Italiano: Che criptochecca (pronúncia: Que crip-to-QUE-ca)
Alemão: Was für eine verklemmte Schwuchtel (pronúncia: Vas für AI-ne ver-CLEM-te CHVUX-tel)

'Você curte o quê?' (no sentido sexual)

Inglês: What are you into? (pronúncia: Wot ar yu IN-tchu?)
Espanhol: ¿Qué es lo que te gusta? (pronúncia: Que es lo que te GUS-ta?)
Francês: Qu'est-ce que tu aimes? (pronúncia: Késske ty Éme?)
Italiano: Cosa ti piace fare? (pronúncia: CO-za ti PIA-tche Fa-re?)
Alemão: Worauf stehst du? (pronúncia: Vo-RAUF chtest du?)

'Cala boca, bicha'

Inglês: Shut up, bitch! (pronúncia: Châ-RÂP, bitch!)
Espanhol: Cállate, zorra! (pronúncia: CA-lha-te, So-ra!)
Francês: Ta gueule, salope! (pronúncia: tá GUÉle, saLÓpe!)
Italiano: Zitta, stronza! (pronúncia: TZI-ta, STRON-tza!)
Alemão: Halt's Maul, Miststück! (pronúncia: Halts maul, MIST-chtüc!)

Pobres gays. Além de todos os problemas de aceitação ainda têm que lutar contra essas palhaçadas - será fogo amigo? - que os diminuem como indivíduos e os transformam em meros caçadores de putaria.

Observação: Dada a indigência intelectual da nossa imprensa, vou torcer para que o jornalista tenha pinçado os exemplos mais caricatos. Em todo caso, isso dá uma boa noção da concepção que ele (ou ela) tem dos gays.

Em plena forma


Forma de pera!

E eu aqui nesta terra de ninguém!

Paris

O país do conhecimento

Se o brasileiro se esforçasse para ser alguém o tanto que se esforça para conhecer alguém, muitas coisas seriam diferentes.

PM

Não serei eu aqui a sugerir que a nossa PM é uma instituição modelo.

Longe disso.

Mas sejamos sinceros: você defenderia, pondo em risco sua vida, uma sociedade como a nossa que trata os agentes da lei com tanto desprezo?

Vejamos este artigo no Globo:

Em primeiro lugar, um policial, estando ou não em missão direta de preservação da ordem pública, só pode fazer uso de sua arma na legítima defesa de sua vida e da dos concidadãos, devidamente caracterizada a situação de perigo real e risco iminente. Em situação de agressão física (luta corporal) entre partes, deve procurar intervir de forma seletiva, com técnica e equilíbrio, no emprego progressivo da força, única e exclusivamente para por fim ou neutralizar a ação dos oponentes e conduzi-los ou providenciar que sejam conduzidas as partes à Delegacia Policial.

Ora, quem sai na noite do Rio ou acompanha de longe as notícias - cada vez menos os jornais publicam os casos de pancadaria - sabe que esses "meninos" só param de espancar suas vítimas quando se entediam de tanto chutá-la. Não sei quais as circunstâncias do caso, mas dizer que um policial deve, sozinho, resolver um conflito com cerca de dez trogloditas de "forma seletiva" é praticamente condená-lo à morte ou invalidez.

Outra figura - esse patético governador viajandão - com toda sua demagogia oportunista mandou logo:

RIO - O governador Sérgio Cabral afirmou na manhã desta segunda-feira que o policial militar Marcos Parreira do Carmo, acusado de atirar contra o estudante Daniel Duque, de 18 anos, durante um briga na Baronetti, é descontrolado e mal preparado . Durante uma solenidade na Baixada Fluminense, Cabral disse que ficou muito chocado com o caso, e considerou que foi uma falta de bom senso do PM ter sacado uma arma durante uma briga de jovens.

Não me surpreende que um demagogo como ele faça este tipo de afirmação leviana na expectativa de angariar a simpatia do povinho classe média.

Não importa quem você é...

... Nunca, nunca!, deixe sua mulher te pegar olhando para outra.


- Hmm, que filezinho...


- Coisa de louco, rapá!


- Tá olhando o quê, safado?
- Quem? Eu? Nada, ora!


- Nada, né? Não pode ver um rabo se saia!
- Que isso, mozinho? Só tenho olhos para você...


- Putz, mulher é tudo igual...

Impecável

Achei este texto do Reinaldo Azevedo impecável.

Sempre que leio algo parecido com o que escreveu o Petry, lembro de Nelson Rodrigues que dizia que o "brasileiro, para não passar por reacionário, é capaz de cometer as maiores atrocidades."

29 junho 2008

Haverá balas para todos?

Nossa imprensa é o sonho de consumo de todo governante autoritário. Seja por estupidez, seja por canalhice, ela apóia qualquer medida draconiana, ainda mais quando ela vem adornada com a moderninade. O Jornal "O Dia", sobre a cretinice do bafômetro, comemora: "BRASIL NA ELITE". Em nenhum momento o entrevistador questiona o princípio da lei. Sua única preocupação é com a sua viabilidade: "Não há equipamento para fiscalização em todas as estradas do País. Como implantar uma legislação sem que as autoridades estejam preparadas?"

Durante o regime de Mao, provavelmente este entrevistador perguntaria: "Mas haverá balas para fuzilar todos eles?"

28 junho 2008

Não me surpreende

Internautas aprovam restrição à publicidade de alimentos

Claro que, estatisticamente, comentários feitos no site de um jornal não valem nada, mas isso é bem a cara do brasileiro: confiança total no Estado benfeitor, demonização da iniciativa privada e disposição de abrir mão de suas liberdades em troca de qualquer promessa vã de segurança.

ONU pra quê?

Espanta-me que alguém com mais de 5 anos ainda pense que os Estados Unidos - ou qualquer outro país - tivesse que ouvir a ONU para defender sua segurança:

O Conselho de Segurança da ONU não alcançou, nesta sexta-feira, um acordo para declarar ilegítimo o segundo turno presidencial no Zimbábue, diante da oposição da África do Sul, motivo pelo qual os Estados Unidos advertiram que consideram impor sanções a Harare unilateralmente.

Após novas e longas discussões no Conselho, seu presidente, o embaixador americano no órgão, Zalmay Khalilzad, disse à imprensa que os 15 membros consideraram que "não foram atingidas as condições de uma eleição livre e eqüitativa", no segundo turno da votação presidencial no Zimbábue.

No entanto, por intervenção do embaixador da África do Sul, Dumisani Kumalo, cujo país tenta mediar a crise política no Zimbábue, os 15 países-membros não conseguiram aprovar um projeto de declaração muito mais duro, redigido pelo Reino Unido e que pretendia afirmar que "os resultados da eleição de 27 de junho não terão credibilidade, nem legitimidade".

Mais uma vez, coube aos EUA fazer alguma coisa a respeito:

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse neste sábado que pediu mais sanções contra o "ilegítimo" governo do Zimbábue, um dia após o segundo turno das eleições que teve como candidato único o ditador Robert Mugabe.

"Considerando a descarada falta de respeito do regime de Mugabe pelo sentimento democrático e os direitos humanos do povo zimbabuano, dei instruções aos secretários de Estado e do Tesouro para que estabeleçam sanções contra este governo ilegítimo do Zimbábue e aqueles que o apóiam", declarou Bush através de uma nota oficial.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, apontou a existência de inúmeras denúncias de intimidação durante o processo eleitoral.

"Acredito que não há dúvidas de que as eleições no Zimbábue de ontem foram uma farsa", disse Rice neste sábado, durante uma viagem para a Coréia do Sul, acrescentando que o seu enviado especial para a África, Jendayi Frazer, vai assistir a cúpula de segunda-feira da União Africana (UA) no Egito, para exercer pressão sobre Mugabe.

Rice também salientou que os EUA desejam que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprove na próxima semana uma resolução sobre o Zimbábue, para enviar uma "mensagem forte de dissuasão" para Mugabe.

So nos falta agora ter que aturar protestos a favor de Mugabe...

Então falo eu

Como agora a corja está no poder não ouviremos dos formadores de opinião ou dos parlamentares este argumento cretino contra a ainda mais cretina lei do bafômetro:

Esta lei é uma típica lei elitista, imposta por uma sociedade excludente. Os ricos, que podem pagar taxi ou contratar motoristas, poderão sair e beber seus whiskies tranqüilamente. Essa lei somente atinge o motorista pobre que só quer beber sua cervejinha depois de uma semana dura de trabalho. Mas já deveríamos esperar isso de um governo reacionário como este.

Mesmo de brincadeira, me senti estúpido escrevendo isso. Brrr...

O bom selvagem

Flip-flop selvagem.

Na sexta-feira:

- Vai investigar rigorosamente e, quando estiver pronto o processo, leva ao MP, à Justiça, para que a punição devida e compatível com a barbárie que o crime representa seja dada - disse Tarso Genro.

O ministro lamentou a violência contra os indígenas:

- Talvez a novidade seja o grau de violência e barbárie individual de alguns delitos. Um deles ocorreu aqui em Brasília também há pouco tempo. O que temos de fazer é trabalhar não só para manter e aprofundar a qualidade de política indigenista que o governo está desenvolvendo, como também desenvolver o trabalho técnico, forte, da PF, para dar punições exemplares em delito como esse.

Quero ver agora:


BRASÍLIA - A índia Xavante Jaiya Pewewiio Tfiruipi Xavante, de 16 anos, morta após sofrer violência sexual, no Distrito Federal, teria sido assassinada pela própria tia, Maria Imaculada Xavante, segundo informou uma fonte da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). É o que mostra reportagem da Agência Brasil. Maria Imaculada é uma das três irmãs casadas com o pai de Jaiya. Num acesso de ciúme do marido, ela empalou a jovem, ou seja, introduziu um vergalhão de ferro de aproximadamente 40 centímetros no órgão sexual da sobrinha.

Isso é o que acontece quando deixam selvagens brincarem de civilização. E não estou falando dos índios.

Cadê?

Sem querer ser chato, mas cadê a tal recessão que iria abalar as estruturas da economia americana?

Ficou bilionário

O cientista Raimundo Nonato da Silva ganhou o prêmio Nobel e ficou bilionário ao inventar uma máquina que converte estupidez em energia. Seu protótipo foi desenhado num país da América do Sul, conhecido como Bananão, e foi suficiente para tornar aquele país auto-suficiente em energia. Analistas esperam que, dada a fartura de matéria-prima na região, em breve toda a América Latina alcance também a auto-suficiência.

27 junho 2008

Fred

Fred Reed começa mais um provocante texto assim:

I have concluded that both sexes are grave mistakes, and constitute a sort of festering biological schizophrenia (if schizophrenia can fester), but they seem to be errors of different sorts. I wonder whether men and women live in quite the same mental world.

E termina assim:

I hear that Aeromexico offers a discount to lynch mobs, but by the time the crowd arrives, I’ll be safely in hiding.

Imagine o que tem no meio. :-)

26 junho 2008

E lá vamos nós...

Propaganda de comida 'pouco saudável' é novo alvo do governo

RIO - A propaganda de alimentos pouco ou nada saudáveis é o novo alvo do Ministério da Saúde. Um levantamento realizado pela Universidade de Brasília com base em 4.108 horas de programação de televisão e 128.525 peças publicitárias conclui que 72% de toda a publicidade do setor de alimentação incentiva o consumo de produtos alto teor de gorduras, sal e açúcar. De toda a publicidade analisada, 9,7% referem-se ao setor alimentício, dos quais 18% pretendem vender fast-food; 17%, guloseimas e sorvetes; 14%, refrigerantes e sucos artificiais; 13%, salgadinhos de pacote; e 10%, biscoitos doces e bolos. Em revistas, os anúncios se concentram em publicações femininas, infantis e adolescentes e têm foco em produtos prontos para consumo.

Nesta quinta-feira, em Brasília, representantes do governo, da sociedade civil, do Ministério Público e de instituições de ensino superior se reuniram para discutir os limites desse tipo de propaganda e práticas abusivas, que atinjam em especial o público infantil.

Papai governo vai tomar conta de você, neném.

E a cervejinha, não entrou no estudo?

Numa escola pública do Bananão...

- Aí gata, e se a gente fôssemos lá no motel umazinha?
- Demorô, gato! Tô se sentindo gostosa hoji! Pega umas camisinha na maquininha pra nóis usá.
- Uhu! Vamu rachar o motel, falô? Tem promoção hoji: 38 real!
- Beleza! Fica 27 real pra cada um, então!
- Demorô!

E você achava que Idiocracy era ficção...

Land of the Free and Home of the Brave... Still

US Supreme Court Says Washington DC Gun Ban Unconstitutional

The U.S. Supreme Court has struck down Washington D.C.'s ban on handguns, saying individuals have the right to own guns.

In a 5-to-4 landmark decision Thursday, the high court struck down the 32-year-old ban, saying it violates the second amendment of the U.S. Constitution.

The court also struck down the city's requirement that legally-owned firearms be equipped with trigger locks or kept disassembled in the home, saying that makes it impossible for citizens to use arms for the lawful purpose of self-defense.

Eu brinco com o Paulo, dizendo que os EUA estão se tornando cada vez mais parecidos com o Bananão. I wish, I wish...

Civilização 2

Eu estava para escrever este complemento para o meu post Civilização.

Aquele foi um post sobre princípios que eu acredito serem um norte moral para uma civilização. É claro que os pagadores de impostos de uma potência não tem obrigação de custear a libertação de um povo do outro lado do mundo. Provavelmente alguns europeus pensavam assim antes de Hitler e do socorro que veio de fora. É fácil pensar assim enquanto se está do lado da potência e mais fácil ainda quando essa potência promete ser hegemônica durante muito tempo.

Mesmo reconhecendo a inviabilidade política e econômica de sair por aí derrubando ditadores, a mera existência de Mugabes não deixa de nos diminuir como civilização.

25 junho 2008

Deu no NYT

Lendo esse texto, eu imagino de onde o esquerdinha do post anterior tira suas idéias sobre o terrorismo.

Na boa

Esse nunca me enganou:

No Manhattan Connection de domingo, Ricardo Amorim, o economista da turma, disse uma barbaridade que considero inclassificável — a de que o terrorismo é uma ameaça de quinta categoria; combater a afirmação corresponderia a lhe emprestar alguma seriedade — e defendeu a tese carne-de-vaca do pensamento politicamente correto: a violência tem origem social. Diogo o contestou e lembrou que a violência caiu muito em São Paulo, mas não no Nordeste por exemplo, onde a economia cresceu mais do que no resto do país. Aí Amorim respondeu que o crescimento também gera violência. Como disse Diogo, dado o pensamento de Amorim, a gente perde sempre...

Bons momentos de JP Coutinho

Na Folha, sobre uma das poucas séries de TV a qual eu não conseguia assistir nem dez minutos:

Primeiro, ela defende que a melhor forma das mulheres se "libertarem" passa por serem tão vulgares como os mais vulgares dos homens: nas conversas e nos comportamentos. Uma mulher "liberada" é, digamos, um homem com sapatos Manolo Blahnik.

Mas a ironia maior é que não há "libertação" alguma em "O Sexo e a Cidade": assistindo intermitentemente ao filme (e relembrando as intermitências da série), só a Spice loira parece escapar aos sofrimentos típicos das fêmeas. Ela, pelo menos, é coerente, devorando macho atrás de macho sem sentimento de culpa. As restantes não se distinguem da minha bisavó, sofrendo com as inevitáveis tropelias dos homens. Elas são mulheres livres, com certeza e, no entanto, querem amarrar-se ao primeiro homem que encontram e idealizam. "O sexo e a cidade" não oferece a alegria libertadora das mulheres; oferece as lágrimas delas pelo Príncipe Encantado que, afinal, era um sapo. Não há coisa mais reacionária.

E não há coisa mais narcisista também. Porque se existe alguma originalidade em "O Sexo e a Cidade", ela não está no sexo. Está, curiosamente, no amor. Na definição de um novo e patético tipo de amor para o século 21. Não é por acaso que a narradora da história confessa recorrentemente que partiu para Nova York em busca de grifes e de amor. A intenção revela o mesmo propósito e a mesma confusão: encarar objetos, ou pessoas, como uma forma de preencher o vazio.

Admito que vestidos Vivienne Westwood possam cumprir essa função. Mas as pessoas não são objetos; e o amor é o oposto desse programa; ele não existe para nos satisfazer a nós; ele existe para lembrar que alguém é mais importante do que nós. Curiosamente, e nos últimos anos, só houve uma série televisiva com coragem para enfrentar essa verdade. Chama-se "The Mind of the Married Man". Não teve sucesso entre as massas.

E no Expresso, sobre a veia autoritária da UE:

Pessoalmente, nada disto me espanta. O que espanta é a alegre desvergonha da elite europeia que nem sequer oculta os seus procedimentos autoritários; procedimentos que repugnam qualquer democrata verdadeiramente liberal.

Mas não só. O espanto de hoje será coisa pouca perante o espanto de amanhã: ao ignorar e violentar as escolhas livres dos seus povos, a União Europeia está a semear o extremismo nacionalista que um dia despertará contra ela. E que despertará com uma violência política que transforma o referendo irlandês numa brincadeira de crianças.

E sobre a Internet:

Entendo o argumento de Keen. Mas é difícil concordar com o tom alarmista do autor. A Internet é um caos? Sem dúvida. Mas por cada vídeo idiota no YouTube, existem preciosidades musicais, históricas ou até filosóficas que seriam impensáveis há uma década. A melhor forma de enfrentar o "culto do amador" está em procurar, nas famílias ou nos amigos, nos livros ou nas escolas, o profissional em nós. Porque somos nós o verdadeiro "filtro" cibernético; os editores pessoais da informação que procuramos e recusamos; os programadores privados das imagens que nos inspiram ou repugnam.

A Internet mata a cultura tradicional? Pelo contrário: a Internet exige-a como nunca.

You can't have it both ways

Aí o Ciro Gomes vai lá e diz que Fortaleza é "puteiro a céu aberto". A prefeita reage indignada:

Em resposta, Luizianne disse que Ciro ofendia as mulheres e as prostitutas da cidade.

Lamento prefeita mas, como dizem os gringos, you can't have it both ways!

Se ser puta é algo negativo, as mulheres de Fortaleza podem se sentir ofendidas, mas as putas não, já que o fato delas serem putas é indiscutível.

Se ser puta é algo positivo, então ele não terá ofendido nem as putas nem as não putas sendo que estas últimas, neste caso, teriam recebido um elogio imerecido.

Não dá para considerar a "profissão" puta algo normal e dizer que uma puta foi ofendida por ser chamada de... Puta.

Apêndice

Acredito que somente quem não dá muita bola nem para uma, nem para outra, embarca no embate ciência versus religião. Pedro Sette escreveu algo interessante que tem mais ou menos a ver com isso (em vez de ciência era o liberalismo, mas acho que os argumentos continuam válidos).

O chato de tudo isso é quando você pára de se fazer perguntas. Neste momento você não está mais pensando por você, mas apenas repetindo o que alguém quer que você pense. Seja este alguém o Papa ou o Dawkins. Quando você chega a uma conclusão, por mais imbecil que ela seja, através de um caminho de reflexão, as chances de mudar de idéia me parecem maiores do que quando você simplesmente segue algo cegamente (há um livro muito interessante sobre o mecanismo psicológico que faz com que nos apeguemos com ainda mais intensidade a uma idéia, mesmo quando está mais do que provado que esta idéia é absolutamente errada e até mesmo criminosa).

Ora, a ciência é algo que está em constante evolução desde sempre. O traço principal de um cientista é busca pelo que ele ainda não sabe misturada com a frustração de saber que vai morrer ignorante sobre muitos assuntos. Somente quando alguém quer fingir ser um cientista ou atuar como um militante é que há um apego cego ao que já se sabe, muitas vezes em detrimento do que ainda há por saber.

Este post é inspirado neste artigo:

New research suggests that the seemingly useless organ provides a safe haven for good bacteria to hang out in the gut.

Although the study stops short of providing direct proof of this proposed purpose for the appendix, researchers say there's a strong case to be made for the appendix based on new information about the role of bacteria in intestinal health.

"While there is no smoking gun, the abundance of circumstantial evidence makes a strong case for the role of the appendix as a place where the good bacteria can live safe and undisturbed until they are needed," researcher William Parker, PhD, assistant professor of experimental surgery at Duke University Medical Center, says in a news release.

Em algum momento no passado um cientista deve ter dito:

- Desconhecemos atualmente a utilidade do Apêndice no corpo humano.

Após isso, o falso cientista, por sua vez, afirmou:

- Não há utilidade para o Apêndice no corpo humano.

O militante anti-religioso bradou:

- A existência de algo inútil como o Apêndice é prova de que Deus não existe! Afinal de contas, por que um ser perfeito faria algo que só faz causar Apendicite?

Felizmente, verdadeiros cientistas disseram:

- Ainda não sabemos se o Apêndice tem utilidade ou não. Vamos continuar trabalhando pois, à medida que a teconlogia avança, as chances de obter mais informações sobre ele aumentam.

24 junho 2008

Civilização

O Igor disse no seu Mosca Azul que alcançamos um estágio de civilização onde certas explorações do homem pelo homem não devem mais ser toleradas. 100% de acordo.

E digo mais.

Alcançamos um estágio onde situações como as de Cuba, Sudão e Zimbábue são inadmissíveis.

É uma responsabilidade dos países mais desenvolvidos agir para que o povo destes países sejam libertados da opressão à qual estão submetidos. A soberania não pode servir como escudo de déspotas e nem como desculpa dos países para que nada façam.

Sanções econômicas são patéticas. Somente a ação militar é efetiva.

Repito aqui o que eu disse quando do início da Guerra do Iraque: minha única bronca com os EUA é que eles pararam ali.

Não importa se chegaremos ao planeta Marte ou a outras galáxias. Enquanto aberrações como Sudão e Zimbábue existirem, não passaremos de bárbaros em relação a qualquer eventual observador. Como disse Calvin, "Sometimes I think the surest sign that intelligent life exists elsewhere in the universe is that none of it has tried to contact us".

22 junho 2008

Os deuses devem estar loucos

Versão tupiniquim:


O jeito meia-boca de ser

Uma expressão que resume o jeitão de ser do bananense é "meia-boca" (para os gringos, half-ass). É raro ver um bananense ralando e suando para alcançar - e quem sabe ultrapassar - o seu potencial. Nas esferas diversas da vida, para o bananense, chegar ao topo é ter passe de área VIP em alguma festinha regada a Skol grátis e vagabundas idem. Para ficar na esfera popular, um dos poucos bananenses que fugiu desta maldição e quis que seu nome ultrapassasse as barreiras do tempo e das fronteiras foi Pelé. Claro que os bananenses não poderiam perdoar isso. Afinal, como dizia Tom Jobim, "no Brasil, sucesso é ofensa pessoal". No íntimo, todos queriam que Pelé acabasse como Garrincha, pobre, na sarjeta. Jamais Pelé será perdoado por ter ousado ser grande num país de anões.

Mas a minha inspiração para este post nem foi Pelé ou Garrincha. Foi este rapaz, dotado de incrível talento, mas que não resistiu à maldição bananense e praticamente encerra sua carreira aos 28 anos.

Pela régua de medida do bananense, entretanto, Ronaldinho é um sucesso, aquilo que todo pai quer para seu filho. Afinal, qual bananense não almeja credenciais para áreas VIP, Skol gelada e vagabundas?

Touché!

Nessa o Janer mandou muito bem:

Há uma indignação generalizada no país, tanto da imprensa como de entidades e personalidades jurídicas, pelo fato de um oficial do Exército ter entregue três jovens de uma favela a um bando rival armado, que os trucidou.

A indignação é legítima. Pelo menos se procede a versão dos militares. Mas é curioso observar que quando o ministro da Justiça, Tarso Genro, devolveu dois boxeadores cubanos - que queriam asilo no Brasil - a uma ditadura armada, apenas tímidos protestos foram esboçados no país.

Foi decretada a prisão dos militares que enviaram os três favelados à morte. Tarso continua livre.

21 junho 2008

Selva

Eu até pensei em escrever um post sobre a incrivelmente absurda lei sancionada pelo "Noço Guia" que pune severamente os motoristas flagrados com qualquer teor alcoólico no sangue.

Mas este tipo de indignação no Bananão é inútil. E já falei por quê.

19 junho 2008

Ele é muito engraçado

Comentário do jogador Élber durante o jogo entre Alemanha e Portugal:

- Tirando o Ballack, os demais jogadores da Alemanha jogam, no máximo, na Segunda divisão no Brasil.

Até o narrador e o comentarista ficaram mudos diante de tal pérola.

Quando encerrar sua carreira de jogador ele pode emendar outra: humorista.

Nova Cubatão

Nova Cubatão

Foto de O Globo, 19/06/2008

18 junho 2008

Quiz

Para ver o quanto você conhece o Bananão:

O inquérito sobre a morte dos três moleques foi dividido em dois: um cobre a ação dos militares e outro cobre a dos traficantes rivais. Adivinha qual deles vai ser levado a toque de caixa e qual deles seguirá o ritmo normal da justiça bananense.

Mas não é?

O Brasil está para as instituições do Estado de Direito assim como a tribo do deserto Kalahari estava para garrafa de Coca-Cola no filme Os deuses devem estar loucos.

Brainstorm

Nesse bafafá todo do Exército, alguém, em alguma sala confortável de um prédio de uma empresa de comunicação, deve estar se perguntando:

- Será que não tem como a gente meter a milícia neste saco de gatos, não?

Entrevista fictícia em um país de mentira

- Senhor ministro, o que acontecerá com os militares?
- Assim que não provarem que são inocentes, serão punidos exemplarmente!
- E os traficantes que mataram as três crianças?
- Eles estavam apenas exercendo seu direito de matar pessoas, assegurado pela Constituição.

17 junho 2008

Parecia piada

Este post parecia uma piada, não é? Nem tanto, nem tanto.

Atenção, turistas. Nos bares, restaurantes e cafés da Holanda, a partir de 1º. de julho, estará proibido acender cigarro de tabaco, pois, segundo alertou o primeiro-ministro Jan Peter Balkemende em entrevista à televisão pública, a nicotina da fumaça faz mal à saúde dos freqüentadores.

Nos 700 cafés holandeses autorizados a vender cigarros de maconha, para consumo no próprio local, os clientes poderão produzir fumacê canábico. Se quiserem fumar um cigarro de tabaco, terão que sair à rua.

Tá vendo? Tá vendo?

Sempre que ocorre um evento - principalmente esportivo - em grandes cidades do mundo, fica-se à espreita de uma noticiazinha que venha lavar a nossa alma de vira-lata.

Agora foi esta aqui (grifos meus em vermelho):

Nem só de belos gols se faz uma Eurocopa. O grande número de turistas europeus que foram à Áustria e à Suíça acompanhar as partidas da mais importante competição do continente trouxe também um grande número de confusões. Só no jogo entre a anfitriã e a Alemanha, em Viena, ontem, uma jovem morreu [veja no final a causa], 26 pessoas foram atendidas no hospital, dois policiais ficaram feridos e 23 torcedores foram presos. Sim, amigos... Isso tudo em um jogo!

Aí os vira-latas dos comentários se exaltam "Tá vendo? E se fosse com a gente?" Pobre alma de vira-lata essa do brasileiro. Ou você me dá o paraíso ou não venha criticar meu inferno. É igual aquele mané que vibra ao ver um mendigo nos EUA."Aí, tá vendo? E se fosse no Brasil?"

O vira-lata brasileiro vive em busca de uma justificativa para que ele continue a viver revirando o lixo.

Certamente o blogueiro nunca viu uma saída de jogo do Maracanã onde quase sempre tem confusão. Moro nas redondezas do estádio e, quando tem partida, principalmente entre Vasco e Flamengo, tenho que planejar meu dia para não sair ou chegar em casa após o jogo - se bem que, ultimamente, tem havido confusão até mesmo antes dos jogos. Bombas e tiroteio são coisas comuns. Melhorou um pouco depois que a polícia colocou um helicóptero para patrulhar a área.

Mas vamos continuar acreditando: a situação lá está tão ruim como cá. Opa! O que é aquilo ali? Uma lata de lixo cheinha... Hmmm.

15 junho 2008

A ordem é blindar o homem

I wish I could

Exercise Your Right Not to Vote

With the November election more or less around the corner, we are coming up on one of those traditions that should be stuck away in a kitchen drawer where we all keep pieces of string and out-of-date supermarket coupons. I’m referring to those crusades staged every four years by talk show pundits and editorial writers to shame us all into voting.

They love to remind us of all the brave men who have bled and died so that we would be free to cast our ballots. What they inevitably overlook is that millions and millions of people who never had the slightest bit of actual freedom have been free to vote. Joseph Stalin regularly won elections with a plurality of 99.9%. So did Saddam Hussein. Dictators can always win elections, but sometimes they simply decide they’re not worth the bother. The real distinction between people who are free and those who aren’t is that free men have the option of not voting.

O ponto crucial foi o que eu grifei em vermelho. Se você não pode optar por não votar, então você não é verdadeiramente livre. Por favor não me venham com a lenga-lenga de que eu posso deixar de votar - basta pagar a multa no tribunal eleitoral. Isso é jogo de palavras.

14 junho 2008

Efeito da Euro

A Euro 2008 tem um terrível efeito colateral: fica impossível assistir os jogos do Brasileirão depois.

Rei Midas

Ou quase:

Se tudo o que Midas tocava virava ouro, tudo o que o Brasil toca vira merda.

Cristaldo, cada vez mais rabugento. Já podemos formar um clube!

Opinadores

Não há nada pior que um colunista de opinião (blogueiro também serve) cujo principal objetivo e ser reconhecido como uma pessoa maravilhosa. Suas opiniões nunca são suas, na verdade. São resultado de uma estratégia de marketing que tem por objetivo criar um personagem que conquiste o máximo de admiradores. Isso era comum - por motivos óbvios - na política, mas atualmente todo mundo é candidato ao premio Nobel da Paz.

Nunca as colunas de opinião foram tão parecidas.

Não temos complexo de vira-latas

RIO - O pugilista cubano Erislandy Lara, de 25 anos, que foi enviado pelas autoridades brasileiras de volta para Cuba depois de ter desertado de sua delegação durante os Jogos Pan-Americanos do Rio, ano passado, está em Hamburgo, na Alemanha, onde lutará profissionalmente (...)

Fatos como este, que colocam o nome do Bananão na galeria dos países solidários com ditaduras, mostram que não sofremos de complexo de vira-latas. Não, não temos complexo nenhum. Nós somos vira-latas. A revolta, a indignação, a fúria que emerge a cada crítica que vem de fora não são devidas à baixa auto-estima de quem se acha menor. As críticas só atingem fundo porque sabemos que somos menores; somos irrelevantes; somos atrasados.

Somos bárbaros.

E este governo vergonhoso que aí está não é a causa disso. Ele não passa de conseqüência natural da nossa brasilidade.

13 junho 2008

E por que não?

Sobreviventes de Eldorado dos Carajás vão receber pensão

Acho muito certo e digo mais: toda família de ladrão, seqüestrador ou traficante morto pela polícia em confronto deveria receber também.

Temos que mostrar para o mundo que o Bananão é um país de selvagens mas tem leis de Primeiro Mundo!

Tudo em casa...

Reparemos no tom da notícia. Primeiro a chamada na página princpial:

Agora nem pagando consumidor consegue um ponto adicional de TV
Tentativa de garantir ponto de graça acabou tirando o serviço do mercado

Agora o conteúdo da notícia:

Apesar de ruim para os consumidores, não há nada de ilegal ou irregular na suspensão da oferta. Segundo a Anatel, por se tratar de um serviço de direito privado, não há como obrigar as empresas a ofertar o ponto extra. Mas, pelos próximos 60 dias, aquelas que quiserem ofertar o serviço, não podem cobrar mensalidade nem taxa de instalação.

Apesar de insatisfeitos com o andamento da questão, ós órgãos de defesa do consumidor ratificam a interpretação da agência reguladora.

Não lembro de ter visto, em relação a outras empresas no que diz respeito à defesa do consumidor, tamanha boa vontade em relação ao provedor de serviços. O jornal chegou até a insinuar que houve uma malandragem em querer ponto extra de graça. Tipo "- Viu só? Quis de graça e agora ficou sem nada."

Estado laico

Um interessante texto de Olavo de Carvalho.

De um lado, aquela distinção constitutiva do Estado laico foi estabelecida como ato de uma minoria revolucionária contra um consenso anterior fundado na homogeneidade moral da sociedade cristã. Uma vez vitorioso, o Estado laico passa a corroer necessariamente o que possa restar dessa homogeneidade, que para ele representa a origem mesma de toda obstinação “reacionária” erguida contra sua obra modernizante. Dissolvida pouco a pouco a unidade moral do povo, a única maneira de evitar a autodestruição da sociedade pelo caos é transferir para a esfera jurídica os mecanismos reguladores antes operados pelo simples automatismo das tradições arraigadas no senso comum. O que era obediência espontânea torna-se assim controle estatal forçado. Na proporção mesma do sucesso obtido pelo Estado leigo em seu esforço de “modernização”, o número, a complexidade e a abrangência dos controles jurídico-burocrático-policiais vão crescendo, avançando para dentro de todos os campos da existência social e invadindo por fim a vida privada e até a intimidade dos pensamentos, regulando a linguagem, a educação doméstica, etc. Tão logo deixa de ser uma promessa e se torna uma realidade, aquilo que surgiu sob o pretexto de resguardar a liberdade individual revela ser um mecanismo opressivo incomparavelmente mais exigente do que a velha autoridade religiosa jamais teria sonhado ser.

11 junho 2008

I beg your pardon!

Em uma propaganda governamental - que não lembro agora - o narrador mandou essa:

Na escola de 4 a 17 anos

Tudo certinho, nossa língua permite essas construções. Mas juro que, de início, entendi "Na escola de quatro há 17 anos."

Homenagem à nova CPMF

Este diálogo dos Simpsons resume tudo o que eu penso deste buraco onde Deus me largou:

Lisa: This is the most disgusting place we've ever gone.

Bart: What about Brazil?

Lisa: After Brazil.

Por que não Economia?

Então o governo determina que o ensino de Filosofia e Sociologia serão obrigatórios?

Vamos deixar para lá o desempenho sofrível, catastrófico até, dos nossos estudantes em disciplinas mais básicas como Português e Matemática. Vamos fazer de conta que eles já dominam o básico necessário.

Por que ninguém pensa em adotar Fundamentos de Economia como obrigatório no ensino médio? Se a idéia é formar cidadãos críticos (ugh), então este precisa é ter conhecimentos básicos de economia. Nada muito complexo, não. Oferta, demanda, formação de preços, etc.

Só o basicão.

Por exemplo, agora o Obama nas Alturas disse que vai aumentar os impostos sobre as indústrias de petróleo.

- Vou fazer com que as petrolíferas como a Exxon paguem uma taxa sobre seus lucros inesperados e vou usar esse dinheiro para ajudar as famílias a arcarem com os gastos cada vez maiores com a energia e com outras contas - afirmou Obama, senador pelo Estado de Illinois.

Um eleitor ignorante em Economia básica, como 99.99% dos eleitores Democratas, iria à loucura de tanta alegria. Isso aí! Vamos ferrar as empresas para ajudar os pobres! Entretanto, aquele que tem conhecimento básico do assunto sabe que empresas não pagam impostos. No máximo, elas agem como intermediárias entre o Governo e os verdadeiros pagadores dos impostos. Ei, não precisam acreditar em mim. Vejam o que disse Greg Mankiw num texto que eu postei aqui no Blog recentemente:

The ultimate payers of the corporate tax are those individuals who have some stake in the company on which the tax is levied. If you own corporate equities, if you work for a corporation or if you buy goods and services from a corporation, you pay part of the corporate income tax. The corporate tax leads to lower returns on capital, lower wages or higher prices — and, most likely, a combination of all three.

Este ano saberemos quão próximos os EUA estão de se tornarem um Big Banana.

10 junho 2008

Land of the free and the home of the brave

Estudantes americanos lutam pela liberação do porte de armas dentro das universidades

Desde 2006, quando a Corte de Utah aprovou a lei que garante a estudantes, professores e funcionários de todas as universidades públicas do estado o direito de portar armas de fogo no campus, o revólver de calibre 45 que ganhou do pai passou a fazer parte do material escolar do jovem.

Leia a reportagem toda.

09 junho 2008

Imprensa esportiva

Tenho curiosidade de saber se nos outros países a imprensa esportiva é tão ruim quanto a que temos aqui, onde os jornalistas não passam de torcerdores enrustidos ou atletas fracassados, além de sempre deixarem o bairrismo influenciar profundamente a análise dos jogos.

Isso para não dizer dos comentaristas esportivos que falam, falam, falam e não dizem absolutamente nada. Reparem nos comentários do Falcão. É sempre assim: o time A está muito melhor no jogo mas não podemos esquecer que o time B é muito perigoso também. Ou seja, caso saia um gol para qualquer um dos lados, ele pode alegar que previu o que estava a caminho.

Quando o evento é internacional, a ignorância dos atores envolvidos é flagrante. Pelamordedeus, o cara vive de comentar futebol. Com a Internet hoje, não há tarefa mais mole que estar atualizado em relação a tudo que se passa em qualquer buraco do mundo.

Acho que dá para contar nos dedos da mão esquerda do Lula os profissionais da área que mereçem este título.

08 junho 2008

Eu hein!

O Brasil deve o único país - ou um dos poucos - onde se reclama quando o juiz não apita e também se reclama quando o juiz segue a regra. Não raro é possível ver os ex-juízes, atuais comentaristas de arbitragem, reclamarem de preciosismo quando um juiz se atém às regras do jogo.

Fluminense

Vou deixar aqui o que penso sobre o time antes que ele perca para a LDU e tudo que eu disser venha a soar como chororô.

O time é mediano, tem alguns bons jogadores mas carece de jogadores em algumas posições cruciais:

Goleiro: Fernando Henrique é um goleiro de baixa qualidade (basta compará-lo com Bruno, do Flamengo). Sai mal do gol - quando sai - e solta bolas que são fáceis de segurar. Hoje levamos mais um gol por causa dele: cabeçada sem muita força em sua direção, bastava encaixar a bola. Isso se ele fosse um goleiro mediano. FH tinha que espalmá-la e, de preferência, para frente, nos pés do centro-avante gremista. É visível a desconfiança que a zaga tricolor tem em relação a ele. Não se deixe enganar pelas defesas espalhafatosas que ele adora fazer. Para saber se uma defesa foi díficil, observe se o goleiro voou em direção à trajetória da bola para interceptá-la ou se ele deu um tapa na bola e depois pulou acrobaticamente. Noventa e cinco por cento das defesas de FH se enquadram nesta última categoria. Me disseram que ele veio do Futsal, o que explicaria sua deficiência no fundamento "saída de gol" e seu hábito de fazer defesas com o pé.

Meio de campo: Cícero é um daqueles jogadores que todo treinador tem para provar quem é que manda. Exato, todo técnico tem aquele jogador ruim que ele escala porque pode. Renato Gaúcho tem o Cícero. Ele até é um jogador habilidoso mas carece de inteligência. Dentre mil opções de jogadas ele escolherá sempre a pior a ser feita. Tenta chutes com quatro ou cinco jogadores à sua frente e cabeçadas impossíveis, além de dribles desnecessários e jogadas de efeito em sua própria intermediária.

Acredito que o Fluminense deverá ganhar a Libertadores porque o time da LDU é muito ruim e a sorte tem nos acompanhado. Se ela resolver nos abandonar agora, valha-me Deus!

Obama

Esta definição do Obama é creepy!

I used to think that Obama was a sort of updated version of George McGovern, with a generous helping of Jimmy Carter’s self-righteousness thrown in for good measure. I now believe I misread Obama. He is something far more grandiloquent, and far more toxic. He is a reprise of 1960s radicalism, burnished by a Harvard education, underwritten by the simmering resentments of an anti-democratic elite that never recovered from the shock of Ronald Reagan, the end of the Soviet Union, and the stupendous, historically unprecedented, prosperity of the last two decades. They will not easily forgive America for those victories, and an Obama presidency would make sure they were not repeated.

Pobre mas feliz

Via De Gustibus...

As lixeiras do subúrbio mostram que, apesar da renda menor, ali se é mais feliz. “Na segunda-feira, há muito resto de carvão e churrasco. Eles reúnem mais os amigos e a família no fim de semana”, analisa Adair. Nos bairros mais carentes do Centro, chama a atenção a quantidade de roupas velhas que não aparece nas áreas nobres.

Como disse meu xará, esta conclusão não tem o menor cabimento.

Explica-se pelo pensamento politicamente correto que insiste em habitar as redações dos jornais. É análogo ao repórter que chega na Suíça e acha que os seus habitantes não são felizes como os brasileiros porque não saem batucando e rebolando pelas ruas, embriagados.

07 junho 2008

Euro 2008

Pronto! Agora vou ter que ouvir os jornalistas bananenses dizendo como tudo na Suíça é muito certinho e organizado mas que lhes falta o calor humano do brasileiro.

Feminismo

Após anos e anos de lutas para conquistar direitos e ocupar um lugar digno na sociedade, uma feminista dá de cara com a nova tendência do Bananão: como as mulheres, enquanto pessoa, são irrelevantes, nossos marketeiros inovaram e agora lhes atribuem nomes de coisas, objetos. A fórmula é simples:

Mulher-_________

Preencha o espaço em branco com qualquer coisa que sugira abundância (melancia, jaca, etc.), encaixe umas matérias pagas em jornais de grande circulação e pimba! Eis uma estrela instantânea apta a atuar, cantar em musicais e gravar discos. Não sem antes fazer várias sessões de fotos nas quais a nova estrela aparece peladona, mas tudo com bom gosto e inocência - afinal, quem põe maldade naquelas poses ginecológicas são as pessoas maldosas e recalcadas.

Será a Inglaterra o paraíso burocrático?

Cada notícia bizarra que eu leio sobre a terra da Rainha me faz pensar onde é que esse país vai parar.


Desvie a rota deste avião, ou o Transformer da minha camiseta matará todo mundo!

-Desvie a rota deste avião, ou o Transformer da minha camiseta matará todo mundo!

Agora vamos falar sério:

Euro 2008

Lee Siegel sobre a Web

Alguns acertos e muitos erros:

Concordo:

Francamente, apesar de ser jornalista e acreditar na liberdade de expressão, sou a favor de ações legais para acabar com essa forma de insulto anônimo.

(...)

No campo dos prós, eu salientaria as pessoas talentosas que não estão nos meios de comunicação. Elas agora têm voz e um meio para transmiti-la. Conseguem contornar as grandes vias de expressão como as redes de TV, as editoras e as gravadoras. Isso é muito bom.

(...)

Em uma sociedade de massas existe um grande número de pessoas que parecem ter uma boa formação educacional, mas na verdade não têm. Há muita gente com diplomas universitários ou mesmo títulos mais impressionantes que não é mais culta que pessoas que não tinham diploma há cem anos.

Bobagens:

Ela precisa ser menos comercial. Os sites devem vigiar e proteger seus usuários contra abusos de terceiros, que fazem uso do anonimato para postar mensagens ofensivas. A web precisa mudar, criar um tipo diferente de cultura, no qual as pessoas não colecionem amigos como se fossem objetos. Precisa ser um lugar mais humano, que crie mais sentido na vida das pessoas. [Precisa ser menos comercial por quê? Concordo que é uma estupidez a coleção de amigos como é feita no Orkut, por exemplo. Mas isso não é problema da Web. A Web não tem que criar sentido na minha vida. Quem faz isso sou eu e uso a Web para realizá-lo. E mesmo se eu não o fizesse quem é este senhor para decidir que minha vida tem que ter um sentido? Sai pra lá!]

(...)

A internet está acelerando a “comoditização” da vida privada, tornando a vida das pessoas um objeto de consumo. [Isso parece blá-blá-blá de estudante filiado ao PSOL. Falou, falou e não disse nada.]

(...)

As vozes mais poderosas, sonoras e agressivas sufocam as mais sensíveis, razoáveis e sensatas. Não consigo imaginar um romance como Os Dublinenses, de James Joyce, obtendo sucesso na internet. Ou Kafka, ou Rimbaud, ou qualquer artista introspectivo e cheio de personalidade. A grande verdade é que a internet é melhor para os provocadores e para os idiotas, infelizmente. [Como qualquer veículo que proporcione acesso às massas. O mesmo vale para a televisão, por exemplo. Se você procurar, você acha. Mas se optou por ter como página de abertura do seu browser o Kibeloco, a culpa não é da Web.]

(...)

Hoje, temos grupos como o Google, a Microsoft e o Yahoo!, ou Rupert Murdoch, o dono da News Corp., que comprou o MySpace. Ao comprar todos esses blogs e redes sociais, Murdoch e o Google estão, literalmente, comprando a vida empacotada das pessoas. Eles têm acesso a nossos pensamentos íntimos, que repassam para marqueteiros. [Meu primeiro blog era publicado sem nenhum desses mecanismos, escrito no Word e publicado via FTP. Se o Google resolver criar problemas eu volto para este formato ou mudo de mecanismo. Que pensamentos íntimos são esses que você publica na Web? Se são íntimos guarde para você e seus entes mais chegados.]

(...)

Ele é assustador. O negócio do Google é comprar a alma das pessoas para depois vendê-la. O Google criou e domina a cultura dos sites de busca. Ele controla a relação entre o indivíduo, as empresas e o mercado. Seu negócio é virar as pessoas do avesso, expondo seus desejos mais íntimos para o mercado explorá-los e lucrar com eles. É terrível. Se eu fosse um neomarxista, e talvez o seja, diria que estão usando os mecanismos da democracia para criar uma forma autoritária de cultura, dominada e ditada pelas grandes [Google não faz nada disso. Ele provê serviços como uma empresa qualquer. Não quer sua vida exposta? Resguarde-se, ora bolas! Incrível atribuir a uma empresa tamanho poder sobre a vontade das pessoas.]

(...)

A internet facilita o abandono da cultura impressa e torna mais fácil fazer da distração uma nova forma de disciplina. A internet é uma criação da cultura do entretenimento. Ela força a marginalização da cultura impressa, da reflexão e dos espaços de contemplação passiva de nossa vida. [Mais uma vez, atribui à Web um defeito que não é dela. Claro que há milhões de pessoas usando a Web apenas para bobagens. Mas e a quantidade de livros que estão disponíveis hoje - principalmente no formato eletrônico - graças exatamente à Web? Se apegar a uma nostalgia pelo formato impresso é meio tolo. Em um livro o crucial é seu conteúdo. O resto é adorno. E não esqueçamos da Amazon: esta empresa fez chegar a diversas pessoas, livros que antes nem freqüentavam seus sonhos.]

(...)

Em relação ao efeito isolante da computação, quero dizer que, nos últimos 30 ou 40 anos, os americanos vêm progressivamente mergulhando num grande culto narcisista. Quando se chega ao ponto em que o indivíduo é elevado acima da sociedade, satisfazer as necessidades individuais torna-se mais importante que tentar criar relações com o próximo. A internet é o primeiro meio anti-social criado para o indivíduo anti-social. Ele está sozinho numa sala, na frente do computador, fazendo tudo o que antes requeria encontrar ou falar com pessoas, como fazer compras, reservar uma mesa no restaurante, encontrar uma namorada, se relacionar com amigos ou até fazer sexo. Pela primeira vez, pode-se obter aconselhamento médico sem consulta! É uma revolução nas relações sociais. [Creio que devem ter falado o mesmo da TV quando ela foi criada, ou até mesmo do livro ("agora todos ficarão aí lendo seus textos e não conversarão com mais ninguém"). Incrível como há pessoas totalmente avessas ao progresso. No caso da Web, que representou uma verdadeira revolução, elas se vêem completamente perdidas, sem chão. E aí fecham os olhos para os amigos que se reencontram, os casais que se encontram, os amigos e familiares que mantêm contato apesar da distância geográfica, etc. Essas pessoas se concentram apenas no aspectos negativos da Web, deixando de lado seus inúmeros aspectos positivos.]

(...)

Pode-se argumentar que os blogs são uma forma saudável de expressão para quem não tem outro lugar para exteriorizar seus sentimentos a não ser esse vazio eletrônico. Por outro lado, essa tecnologia faz com que as pessoas se aprisionem em fortalezas construídas com suas próprias palavras, tornando-se narcisistas. A tela de computador é o espelho de Narciso, onde as pessoas vêem o reflexo da própria perdição. [Vamos supor que seja assim (o que eu discordo): e daí? Desde quando uma pessoa não tem o direito de ser narcisista, anti-social, fechada, boba, vazia, etc. ?]

05 junho 2008

Elogio ou grana?

Um estudo diz que Compliments and Money Give the Same Satisfaction.

No dia em que elogios pagarem meu aluguel, minhas viagens e minhas despesas em geral, terei o maior prazer em ser remunerado dessa forma. Até lá, cash only, please!

04 junho 2008

Eu cansei de dizer isso

Por isso deixo alguém dizer para mim:

Existe uma forte correlação positiva entre arrogância e imbecilidade: quanto mais imbecil o sujeito, mais arrogante. Tal relação é tão forte que vale não apenas para indivíduos, vale também para nações: quanto mais imbecil, pobre e mediocre é um páis, maior também será sua arrogância. Isso funciona como uma espécie de mecanismo de auto-proteção. Sabendo sobre sua imbecilidade, o indivíduo ou nação se esconde sobre o véu da arrogância. Buscando refúgio em um comportamento arrogante, o imbecil espera despistar o mundo sobre sua própria ignorância.

(...)

O Brasil é um país arrogante, para mascarar nossa mediocridade educacional criamos disciplinas para dizer: somos analfabetos, não sabemos fazer contas, mas somos politizados.

Morte aos infiéis!

Não demora muito e essa idéia se espalha por aí (via Contatos Imediatos de Terceiro Grau):

An Anglican Bishop has compared people who fail to take action to prevent global warming to the Austrian man who locked his daughter up in a cellar for 24 years, repeatedly raping her and fathering seven of her children.

The Bishop of Stafford, Gordon Mursell, said that by failing to face up to the truth about climate change, we were - like Josef Fritzl - denying our children a future.

He stressed that he was not accusing those who do nothing about global warming of being child abusers, but said that shocking analogies were needed to force people to face up to the threat to the future of mankind.

02 junho 2008

Rá!

Eu morro dir quando, após cada denúncia gravíssima contra alguém do alto escalão do governo federal ou mesmo contra o próprio presidente, surge aquela esperança de que alguém irá acabar com isso tudo que está aí.

Acordem, amigos!

Lula e sua turma não seriam defenestrados do Palácio nem mesmo se matassem uma criança em rede nacional de rádio e televisão.

Isso é o que chamamos de "establilidade política".

01 junho 2008

Copa 2014

Desde já quero deixar aqui registrado meu apoio à escolha do Estádio dos Aflitos para sediar jogos da Copa de 2014.




Aquilo sim, é um pouquinho de Brasil iá-iá.

Isso sim é caso gravíssimo

Viu, senhor "repórter do crime"?

Rio teve 6.133 homicídios em 2007, quase 40 por cem mil habitantes

Isso dá a incrível média - arredondando para baixo - de 16 homicídios por dia!

Alguém me explica...

... O que o Clovis Rossi quis dizer com isso:

O grave, no caso da China, é que literalmente todo o mundo fechou os olhos a seus problemas políticos, institucionais e de direitos humanos a partir do momento em que o regime continuou comunista na política, mas virou capitalista na economia.

Foi para o lixo a teoria de que democracia liberal e capitalismo caminham de braços dados. O capitalismo, sim, caminha. Sozinho.


Será que ele é daqueles que acreditam em "capitalismo de estado" ou "socialismo de mercado"?

Na cabeça do senhor Clovis Rossi, um regime capitalista é qualquer um onde haja empresas atuando. Segundo essa definição, até mesmo o período mais radical do comunismo foi, na verdade, capitalista! Qualquer um que tenha lido minimamente sobre o assunto sabe que o capitalismo, sendo um sistema baseado na economia de livre mercado, não apenas anda de braços dados com a democracia liberal como depende fundamentalmente dela para existir.

Ameaça à liberdade de expressão uma ova!

Diz o "repórter do crime":

Esse caso é gravíssimo e deveria mobilizar não só os órgãos de classe dos jornalistas e proprietários de veículos de comunicação, como toda a sociedade e, principalmente, o poder público. O povo do Rio de Janeiro não pode admitir que seja praticada uma violência dessas.

Ah, então ESSE caso é gravíssimo? Sei, sei. Os milhares que acontecem anualmente, como diria o filósofo Kleber Bambam, "fazem parrrrte".

Engraçado querer fazer desse caso um atentado à liberdade de expressão, quando não passou de business as usual na Cidade Maravilhosa.

Segue o "repórter do crime":

Torço para que o Estado consiga realmente retomar as áreas que foram dominadas pelo tráfico e pelas milícias no Rio. Disso vai depender o futuro do estado democrático de direito e a segurança de nossas próprias vidas.

Nossas, cara-pálida? Futuro? A minha segurança já foi pro beleléu faz tempo. Só que eu não sou excluído nem tenho carteirinha de jornalista. Sou um mero pagador de impostos. No jargão de vocês, pessoas como eu sendo roubadas ou assassinadas não passam de "cão mordendo gente".

Corporate tax cut

Interessante artigo do Greg Mankiw falando sobre uma das propostas do candidato John McCain e explicando por que ela é melhor que a do virtual oponente Barack Obama, que propõe o corte de impostos para "famílias trabalhadoras" (foi o melhor que pude imaginar para working families). Um esquerdista, ao ler isso, sentirá náuseas, mas se ele fizer um esforcinho para entender a explicação, verá que ela faz muito sentido:

The answer is that while most taxes distort incentives and shrink the economic pie, they do not do so equally. Compared with other ways of funding the government, the corporate tax is particularly hard on economic growth. A C.B.O. report in 2005 concluded that the “distortions that the corporate income tax induces are large compared with the revenues that the tax generates.” Reducing these distortions would lead to better-paying jobs.

Of course, a corporate tax cut would affect the federal budget. And any change in tax policy has to be made against a background of a looming fiscal crisis, which threatens to unfold as baby boomers retire and start collecting Social Security and Medicare. In 2007, corporate taxes brought in $370 billion, representing 14 percent of federal revenue. Cutting the rate to 25 percent would seem to cost the Treasury about $100 billion a year.

Part of that revenue loss, however, would be recouped through other taxes. To the extent that shareholders would benefit, they would pay higher taxes on dividends, capital gains and withdrawals from their retirement accounts. To the extent that workers would benefit, they would pay higher payroll and income taxes. Increased economic growth would tend to raise tax revenue from all sources.

Simples assim

The Law of Demand

Qualquer semelhança...

... Com alguns defensores das pesquisas com células-tronco será mera coincidência?


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