24 fevereiro 2010

Nos detalhes

O Brasil pode ser um país pobre por vários motivos - muitos deles já levantados por qualquer um dos blogs aí do lado. Mas a baixa qualidade de vida, no dia-a-dia, devemos também a um traço marcante da nossa cultura: a tendência a fazer as coisas meia-boca (ou nas coxas ou, como dizem os gringos, half-assed jobs). Tomem como exemplo qualquer parque ou outro logradouro público e notem como, apesar de existir gente contratada para a sua manutenção, as coisas geralmente são feitas com pouco ou nenhum capricho. Aliás, capricho aqui é a palavra-chave. Mais desleixado que o brasileiro eu só vi na minha vida os haitianos do aeroporto de Miami (eu passei por lá uma boa quantidade de vezes para estabelecer um padrão razoável de comportamento). Se o resto da população haitiana é assim, muita coisa se explica.

No outro extremo, a Suíça, um país que eu tive a oportunidade de visitar uma quantidade de vezes suficiente para estabelecer um padrão razoável de comportamento dos suíços. Me aproveitando do SwissPass, andei por um punhado de cidades suíças e em todas, repito: todas, não importando o porte, o que se via era um capricho fora do comum, principalmente nos parques, praças públicos. Por favor, não confundam capricho com luxo. Não eram bancos de mármore com pés de ouro. Isso é típico de países ricos como o nosso. Falo de bancos simples, de madeira, mas pintados e bom estado de conservação. Falo de canteiros com flores baratinhas mas sem um matagal para escondê-las. Um dos prazeres das viagens de trem era certamente observar a impecável manutenção das cidades, principalmente das menores. E ver que é possível criar um ambiente agradável para se viver com pouco dinheiro, bom gosto e muito capricho.

23 fevereiro 2010

Facebook

Tinha dito há algum tempo que eu feicibucava, não tuitava nem orkutava. Acabei cedendo ao Facebook - o que me rendeu uma zoada do Igor, mas tudo bem. A coisa tem lá suas vantagens, mas é impossível não pensar nas palavras de Thoreau quando da invenção do telégrafo:

We are in great haste to construct a magnetic telegraph from Maine to Texas; but Maine and Texas, it may be, have nothing important to communicate.

21 fevereiro 2010

Implacável

Certas profecias não falham.

Primeiro passo dado

Aparentemente, alguns dos nossos liberais finalmente perceberam que, do jeito que a coisa estava, não se chegaria a lugar nenhum - bem, no máximo alguns conseguiriam uns caraminguás com livros descartáveis e palestras idem.

Resta agora ver o que será feito com essa descoberta.

20 fevereiro 2010

Apple's hype

Duas palavrinhas sobre o hype em torno da Apple e dos Macs: dissonância cognitiva (d.c.). Sabe quando alguém vai a um restaurante chique e elogia a comida, mesmo ela estando uma porcaria? Isso é dissonância cognitiva. Óbvio que todas as linhas de computadores têm seus pontos fracos e fortes, mas apenas o fanáticos acreditam que adquiriram the ultimate machine, não importa quantos comparativos disponíveis na web provem o contrário (Google it, dude!).

Nossa mente prega peças engraçadas na gente o tempo todo. Quando fazemos algum esforço para adquirir algo, tendemos a dar mais valor a ele. Isso porque nossa mente é programada para fazer com que mantenhamos um bom conceito a nosso respeito. Somos potenciais vítimas da d.c. o tempo todo e isso não é privilégio de A ou B e nem está relacionado apenas à arena dos computadores pessoais:

The engine that drives self-justification, the energy that produces the need to justify our actions and decisions - especially the wrong ones - is an unpleasant feeling that Festinger called “cognitive dissonance.” Cognitive dissonance is a state of tension that occurs whenever a person holds two cognitions (ideas, attitudes, beliefs, opinions) that are psychologically inconsistent, such as “Smoking is a dumb thing to do because it could kill me” and “I smoke two packs a day.” Dissonance produces mental discomfort, ranging from minor pangs to deep anguish; people don’t rest easy until the find a way to reduce it. In this example, the most direct way for a smoker to reduce dissonance is by quitting. But if she has tried to quit and failed, now she must reduce dissonance by convincing herself that smoking isn’t really so harmful, or that smoking is worth the risk because it helps her relax or prevents her from gaining weight (and after all, obesity is a health risk, too), and so on. Most smokers manage to reduce dissonance in many such ingenious, if self-deluding, ways.

Não vou entrar nas tecnicalidades, mas pense nos seguintes termos: a diferença de preço entre um Mac e um PC é mais fruto da diferença de qualidade entre os dois ou do fato de a Apple ter o monopólio sobre a plataforma? A Apple inteligentemente situou sua marca num segmento de mercado voltado para pessoas com mediano conhecimento (o suficiente para usar bem um computador mas não o bastante para saber o que se passa) de computadores e que procuram se destacar da manada:

If it does maybe a 12 step program of some sort is in order, but that's okay! I can honestly say I love my Macs.... I find a bond with other Mac users... we're a tightnit bunch, it almost ensures a mutual respect, how many PC people have you ever met that talk about their platform or hardware like that? I've not run across many. If you want to join a little fraternity or family of other users.... you'll find this only with Mac.

Conforme mostrado vários em vários reviews, sim, você pode até estar comprando um computador mais apropriado às suas necessidades quando adquire um Apple, mas a diferença entre o que você pagaria por um PC não reside no fato do produto ser, todo ele, superior ao PC, mas apenas porque uma única empresa tem o poder de determinar o preço das máquinas. E pessoas dispostas a pagá-lo.

19 fevereiro 2010

Previsões

Diria que, se Dilma for derrotada como tudo indica, os inúmeros braços do petismo espalhados por aí irão aprontar bastante até 2014, para que o grande líder "seja forçado" a sair do seu descanso e venha recolocar a pátria nos trilhos. Já até imagino no palanque:

- Eu tinha prometido à Marisa que não iria mas me meter em política, mas o que
essa patota está fazendo com o trabalho que deixamos para eles em 2010 é uma
sacanagem com o povo brasileiro. Me senti na obrigação de voltar para levar o
Brasil de volta para o caminho do crescimento.

Vambrincá?

Gostei dessa brincadeira de interpretar certos números como eu bem entender. Aqui vai minha manchete pós-Carnaval:

Depois da Lei Seca, mortes e acidentes no Carnaval seguem quebrando recordes.

Update: viu como eles também são brincalhões?

14 fevereiro 2010

The good racism

Quando as palavras perdem seus sentidos que são substituídos por outros motivados pelo politicamente correto, isto gera situações curiosas. Vejamos, por exemplo, o racismo. Racismo, que deveria signifcar o estabelecimento de padrões ou critérios de avaliação baseados na raça, nos dias de hoje significa "ofender negros." Daí, temos que este comentário feito pela atriz Letícia Spiller:

Sou branquela por fora, mas tenho sangue de negro na veia. Não posso ouvir um batuque.

Não apenas passa despercebido como é até visto como um elogio, já que, como é assumido que sambar é um talento valorizado, não há nada de mau em defini-lo como uma característica racial. Se alguém, embalado por esta "lógica," dissesse "sou negro por fora mas branco por dentro. Adoro ler e ouvir música clássica" certamente seria crucificado em praça pública e sacrificado no altar da correção política.

Funny days...

10 fevereiro 2010

Uma nova potência no horizonte

Estados Unidos da América, tremei! (o grifo é meu)

O presidente boliviano Evo Morales aprovou nesta quarta-feira por decreto a criação da "Agência Espacial Boliviana" para melhorar seus sistemas de comunicação, informou o ministro de Obras Públicas e Transporte, Wálter Delgadillo.

Para que o programa espacial comece a funcionar, o Tesouro Geral da Nação designou um orçamento de um milhão de dólares, que permitirá, além disso, realizar a aquisição de um satélite de comunicação, cuja construção foi encomendada à China.

E para não acharem que é sacanagem minha, segue o link.

09 fevereiro 2010

Root cause

O problema do liberalismo no Brasil é que meia de dúzia de três ou quatro lêem a orelha do "Ação Humana," algumas citações do Adam Smith ("Mão invisível... Brilhante!") e um resumo do que escreveu Hayek e pensam "Got it!"

Daí saem a escrever pérolas de fazer corar o português da piada do aquário.

Parei.

O novo leproso

Há um tipo muito comum nas redações e, principalmente, na - digamos assim - blogosfera nacionais (pode haver em outros cantos mas me atenho ao que vejo aqui neste momento): vamos chamá-lo de em-cima-do-muro-mas-não-cai-para-direita-nem-a-pau ou, resumidamente, "O equilibrado." Raramente você verá "O equilibrado" espumando em fóruns como o Social Mundial ou em palanques de políticos esquerdistas, mas tampouco ouvirá algo de sua boquinha criticando o movimento. "O equilibrado" é um esquerdista que não ousa dizer seu nome. Ele sabe que tudo em que a esquerda se meteu no mundo até hoje deu merda, mas ele sente que, no fundo, as boas intenções é que contam. Embora ele nunca critique movimentos, militantes e políticos de esquerda, basta um direitoba abrir o bico para ser chamado de hidrófobo, raivoso, pregador de ódio. Os "equilibrados" mais talentosos escrevem textos engraçados que, resumindo, querem dizer "Olha lá o direitista falando suas asneiras! Ah! Ah! Ah! Não se enxergam mesmo." Para "O equilibrado" a esquerda (que para ele é o centro) é o único mundo possível e a direita, que fique no seu cantinho "desprezando os pobres e zelando pelos bons costumes", mas caladinha.

O direitista é o leproso dos nossos tempos.

04 fevereiro 2010

Boo Hoo

Já falei, aqui ou em alguma caixa de comentários por aí, que muitas vezes tenho a impressão de liberal/libetário no Brasil parece molequinho que não quer dividir a bola com ninguém.

Q.E .D.

Vejo essas coisas e me dá uma vontade de votar no PT!

24 janeiro 2010

A beleza da coisa

Somente o capitalismo permite que alguém fique ainda mais rico criticando quem ambiciona ficar rico.

Sobrinha

Minha sobrinha, de 10 anos, que mora na Espanha, pediu - repito: p-e-d-i-u - à mãe para fazer um curso sobre Gaudi. Não sei quanto aos pais dela, mas se fosse minha filha eu me trancaria no banheiro, abriria o chuveiro para abafar o barulho e me acabaria em lágrimas de emoção.

Coincidência?

Os convidados do Globonews Painel que mais batiam no petismo - cito de cabeça o Demétrio Magnoli e Leôncio Martins Rodrigues - nunca mais deram as caras no programa. Eu hein...

19 janeiro 2010

Piada interna

Tão interna que só eu vou entender: liberalismo sim, mas primeiro a teta. Cadê a teta?

14 janeiro 2010

O capitalismo torna as pessoas egoístas

Será?

Uma campanha para ajudar as vítimas do terremoto no Haiti por meio de mensagens SMS arrecadou US$ 2 milhões em um dia nos Estados Unidos. O dinheiro será enviado para a Cruz Vermelha.

Para fazer a doação, donos de celular precisavam apenas enviar uma mensagem com a palavra “Haiti” para um número específico. De acordo com reportagem do jornal “The New York Times”, o valor cobrado pelas operadoras era de US$ 10.

11 janeiro 2010

Tudo é relativo

Funcionários de hotel na Zona Sul encantados com simplicidade da famíla Jackman

Devem estar impressionados, provavelmente, com o fato deles falarem "por favor" antes de solicitar algo "obrigado" depois de atendidos.

Se for tirar como base os cariocas, isso realmente é de espantar.

10 janeiro 2010

Como piada de português

O problema de teorias que explicam a motivação das ações ("você gosta de cenoura porque tem um problema com pênis" ou "você critica o funk porque quer se sentir superior") é que elas não admitem nenhuma alternativa fora do esquema proposto. Por isso os entusiastas destas teorias se acham tão bons e apontar o que vai cabeça alheia. É como aquela velha piada do português que termina com o diálogo:

- Tens aquário?
- Não.
- Então és uma bicha.

Mais um grupo de interesse

Pequenos interesses :-)

Associação que briga pelos direitos dos anões declara guerra contra as brincadeiras de mau gosto
Impossível ler alguns trechos da reportagem sem esboçar um leve sorriso. Ou mesmo soltar uma boa gargalhada:


- É muito chato. Na rua, quando uma criança me aponta e ri, vejo que os pais sorriem. É omissão. Quando me perguntam "Cadê a Branca de Neve" é horrível. Vivemos isso a vida inteira.

(...)


- Anão tem um problema sério para se assumir como anão. Sair do armário é difícil. Na Anaerj, não. A gente se ama, se beija, se abraça, faz festa à fantasia, junina, jogo de futebol. Somos um grupo sem-vergonha.

(...)


Ela diz que os anões estão na moda. Os mais badalados eventos da cidade sempre contam com um anão, seja como dançarino ou até segurança. Mas o buraco é, sem trocadilhos, bem mais embaixo. O efeito, que se pretende cômico, pode atingir a auto-estima dos anões e até constranger os debochados.

Sair do armário?

Deixem-me imaginar o diálogo de um anão que acaba de sair do armário com seus pais ultra-conservadores:

Anão: Papai, mamãe, tenho algo para dizer a vocês...
Pai: O que é, meu filho?
Mãe: Sim, querido. Pode se abrir com a gente.
Anão: É que eu... Eu... Eu sou anão! Pronto! Falei!
Pai: O queeeeê? Mas como?
Anão: Não sei como, pai. Mas é o que eu sou e tenho orgulho disso!
Mãe: Ai, meu Deus! A culpa é toda minha! Eu mimei demais esse menino!
Pai: Eu deveria ter forçado você a jogar basquete ou volei... Falhei como pai!
Mãe: O que os outros vão dizer?
Pai: Melhor você procurar outro lugar para morar...
Anão: Mas pai, mãe... Ainda sou eu. Seu filho.
Pai: Nós não temos mais filho.

08 janeiro 2010

Cada um vota do seu jeito

Nos EUA, existe uma expressão para representar o ato de sair de uma comunidade (cidade, condado, estado, etc.) por não concordar com as políticas ali estabelecidas, vote with feet.

Nós, brazucas, tropicalizamos a expressão para que ela ficasse mais de acordo com a nossa weltanschauung: vote with ass.

Diz aí, Nelson

Ha! Ha!

Como dizem nos EUA, you knew I was a snake when you picked me.

Sob o pretexto da criação de um programa governamental dos direitos humanos, Lula alinhou uma miríade de promessas para este ano eleitoral: da regulação de hortas comunitárias à revisão na Lei de Anistia ; da taxação de grandes fortunas às mudanças nas regras dos planos de saúde; da legalização do casamento homossexual à fiscalização de pesquisas de biotecnologia e nanotecnologia.

Esta aqui está particularmente graciosa:

Na reta final do seu mandato, o presidente assinou um decreto determinando o engajamento do governo em iniciativas para dar à Presidência da República meios de exercer o poder à margem do Congresso, via "plebiscitos, referendos, leis de iniciativa popular e de veto popular".

E essa:

Quem adotá-lo poderá subir no palanque eleitoral dizendo-se a favor da taxação das grandes fortunas; da revisão da Lei da Anistia; da flexibilização das regras para reintegração de posse de propriedades invadidas; de mudanças no regime de concessão e outorga de licenças para rádios e televisões; da fiscalização de "projetos implementados pelas empresas transnacionais", e, até da "fiscalização" dos impactos da biotecnologia e da nanotecnologia na vida cotidiana.

Venezuela, lá vamos nós!

07 janeiro 2010

Salvemos os bichinhos do aquecimento global

Damn you, Al Gore!

Roadmap de um típico brazuca classe média

Ajudar a f*d*r o país e depois emigrar para o Canadá ou Austrália.

Back to the future

No site do Globo leio, espantado, que:

É que, recentemente, Mila deu à luz ao seu primeiro filho, a menina Ever Gabo, e, para não ficar sem trabalhar, optou por um filme mais paradão, em que aparece a maior parte do tempo sentada. No máximo, grita.

Não, não sou presidente do fã-clube da bela atriz, mas lembrei-me de ter visto tempos atrás uma foto sua com um barrigão de grávida. Fui dar uma conferida na sua biografia:

On November 3, 2007, Jovovich gave birth to her and Anderson's first child, a daughter, Ever Gabo Anderson.

Estou velho, mas não senil! Talvez o blogueiro do Globo tenha achado algum portal e voltou no tempo. Como ele também escreve para o jornal impresso eu imagino o que o Globo quer dizer quando com o slogan "muito além do papel de um jornal."

Imigração

Por que devemos manter uma política de abertura em relação a imigração? Simples:

O motivo principal é a de que é impossível piorar o povo brasileiro, assim o que vier é lucro.

05 janeiro 2010

Nada como uma boa lábia

Depois de uma longa e agradável conversa, acompanhada de chá e torradas, ao som de Frank Sinatra, o terrorista entusiasticamente colaborou com o FBI:

- Eles pediram com jeitinho. Não consegui dizer não àqueles olhinhos meigos do agente Brown.

Ingratidão

Que coisa mais feia essa ingratidão dessa turma para com o messias.

RIO - Ao menos uma dúzia de ex-detentos de Guantánamo se religaram à al-Qaeda no Iêmen, aumentando a preocupação sobre a habilidade do governo de receber quase 100 ex-prisioneiros do centro de detenção, informa o "Times Online".

30 dezembro 2009

NCIS

Gosto muito da série NCIS (ainda estou avaliando o spin-off NCIS: Los Angeles). Vi os dois episódios mencionados neste texto e tive exatamente a mesma percepção.

I regard these viewing practices of mine as harmless and insouciant, brief timeouts from the serious business of life and the exigencies of writing. They constitute a separate zone of artless indulgence on which reality does not impinge or, alternatively, in which reality is not mutilated. That is, until recently, when the awaited Tuesday arrived and I settled in to watch an episode of NCIS called “Faith.” I soon found myself growing increasingly uneasy as the plot developed. A Marine who had converted to Islam had been murdered at prayer; in the course of the investigation, it turned out the culprit was his younger brother, who committed the crime in order to salvage the family honor, for the father, a former military officer, was now a Christian minister. A curious inversion seemed to be occurring in which Muslim honor killing, usually targeting a daughter who is deemed to have violated the tenets of the faith, was now chiastically transposed into a Christian honor killing, targeting a son who had embarrassed his observant family.

Troubled in mind, I proceeded to watch NCIS: Los Angeles, which occupied the next hour slot. This episode was called “Brimstone” and, sure enough, a strangely similar story unfolded. A group of wounded soldiers recently returned from Iraq were being systematically eliminated by a mysterious serial killer. Suspicion fell on a Muslim soldier, a member of the unit who had been disfigured by a roadside bomb and who had gone into hiding. But as the investigation continued, it ultimately became clear that our suspect had been falsely accused and that the killer was a crazed Christian evangelist and fellow soldier, seeking redemption for an imagined battlefield atrocity by blowing up his comrades.

Tomara que os autores tenham apenas exagerado no eggnog.

27 dezembro 2009

Ser brasileiro...

É assistir a este vídeo de ponta a ponta sem sentir engulhos.

Se você consegue, e até mesmo se emociona mais quando a voz do narrador fica mais contundente, este país - ou, pelo menos, este governo - definitivamente foi feito para você.

23 dezembro 2009

Multis

Trabalhar em empresa multinacional tem um lado bom: escapamos - um pouco - da muquiranice do empresariado bananense. Por outro lado, ficamos expostos a certas babaquices politicamente corretas, algumas sinais claros de como o homem-médio do Ocidente está cada vez mais pusilânime. Durante o ano todo, recebo mensagens saudando feriados religiosos judeus:

"Happy Hanukkah!"

Muçulmanos:

"Happy Ramadan!"

Mas quando chega o feriado cristão...

"Happy Holidays!"

Happy Holidays, my ass! It's

MERRY CHRISTMAS!

21 dezembro 2009

Mais um do Olavão

Gostei de mais este texto do Olavão:

Notem bem: moralidade não é uma lista de condutas louváveis e condenáveis, pronta para que o cidadão a obedeça com o automatismo de um rato de Pavlov.

Moralidade é consciência, é discernimento pessoal, é busca de uma meta de perfeição que só aos poucos vai se esclarecendo e encontrando seus meios de realização entre as contradições e ambigüidades da vida.

20 dezembro 2009

Dias divertidos

Estas últimas semanas têm sido divertidas. No mesmo período no qual se realizou o encontro mundial de salvadores do mundo em Copenhagen, vários pontos do hemisfério norte foram castigados com nevascas e temperaturas baixíssimas. Até mesmo a sede do encontro pode vir a ter seu primeiro white christmas em 14 anos. Se você é um ateu, vai achar engraçada a coincidência; se você é um crente pode achar que é uma traquinagem divina. Não importa qual seja seu caso, se tico e teco estiverem operando com capacidade normal, é impossível não perceber a ironia da situação.

Mas venhamos e convenhamos: somente dias divertidos como os de hoje podem nos propiciar uma página de jornal - fictícia - assim:

Extra! Extra!


O pior é saber que uma página dessas não causa nenhum estranhamento nos seus leitores. Dá-lhe Pavlov!

Você sabe que vive num buraco...

... Quando o chefe do executivo diz (por volta de 5:27) que não consultou ninguém - "não disse ainda no meu país, não disse à minha bancada e não disse ao meu Congresso" - mas o Brasil vai fazer isso, aquilo e aquilo outro e o fato não escandaliza ninguém, muito pelo contrário: é visto como um gesto de ousadia. Caiamos na real: enquanto este tipo de regime personalista imperar por aqui continuaremos sendo a caricatura de democracia que somos hoje.

Praias particulares

Uma das coisas que mais escandalizam o bananense é uma praia particular. Isso vai contra nossa idéia selvagem de que o que a "Mãe-natureza" cria é de todos. Lembro até hoje do meu primeiro contato com uma praia de acesso particular nos EUA. Logo estranhei: "Que absurdo! Praias deveriam ser abertas ao público como no Brasil!"

Bem, as coisas não são bem assim. Sabemos que esse "público" pode ser contornado de diversas maneiras. Tudo feito de uma forma a permitir que os freqüentadores de locais "exclusivos" continuem achando que, no Brasil, a praia é um espaço democrático.

Vejamos estas medidas tomadas por várias prefeituras de cidades litorâneas de São Paulo (onde mais? Onde mais?):

Os turistas de um dia têm tido cada vez mais dificuldade para aproveitar as praias do litoral de São Paulo. Acostumados a se amontoar em ônibus com isopores lotados de bebida e comida para passar algumas horas ao sol, eles estão longe de receber tratamento VIP.

A maioria das cidades tem ao menos uma receita para coibir a ‘farofa’ na areia. Algumas cobram caro dos que pretendem entrar na cidade sem gerar renda alguma e ainda despejar sujeira. Outras ‘isolam’ os turistas em praias menos badaladas, dando em troca um terminal todo equipado com banheiros e estacionamento.

Ora, essas medidas nada mais são que tornar as prais privativas dos moradores ou freqüentadores VIP da região. Só que de um modo pilantra: através do poder público. Se fosse uma praia explicitamente privativa, o proprietário teria que gastar grana dele, e somente dele, para ter o privilégio de freqüentá-la. Mas nestes casos, em São Paulo, um pequeno grupo conta com dinheiro de todos os moradores da cidade, mesmo aqueles que moram a quilômetros do mar, para limitar o acesso dos "farofeiros" (*) ao seu reduto exclusivo.

Trata-se de um belo exemplo de como usar o poder público para gerar benefícios privados.

(*) Obviamente a tal farofa é um mero pretexto ecologicamente correto para, na verdade, afastar os pobres do convívio dos VIPs. Todos os recursos usados para montar a estrutura que mantém os farofeiros longe das praias badaladas poderiam ter sido usados para fiscalizar e punir aqueles que efetivamente emporcalham as praias. O problema é que, com isso, os VIPs ainda teriam que conviver com os Uélintons, Uóxintons e Suelens da vida, coisa inadmissível.

13 dezembro 2009

Um texto muito bom

Este do Sergio de Biasi:

Eu, pessoalmente, acredito que levar qualquer uma das duas posições [liberdade negativa e liberdade positiva] ao extremo NÃO maximiza a liberdade de ação do ser humano individual, que é o que eu realmente gostaria que se buscasse. Segundo o liberalismo clássico (mas note, não segundo por exemplo o anarco-capitalismo), pode ser perfeitamente legítimo por exemplo coercitivamente cobrar impostos para financiar um sistema de polícia que impeça que você seja assassinado ao sair na rua. Estamos falando aqui de destruir certas liberdade para proteger outras liberdades, e até aí estou de acordo. Adicionalmente, concordo plenamente com o liberalismo clássico na posição de que não é aceitável confiscar 50% do salário de todos para prover a todo e cada ser humano o direito, digamos, de viajar para qualquer lugar do mundo que desejar (que seria o caso de destruir certas liberdades para criar outras liberdades).

Fluxograma

Podemos agilizar o processo de punição (ou não) de muitos crimes adotando este revolucionário fluxograma politicamente correto, com alguns ajustes para se adequar à nossa realidade:



Basta entrar com os dados da vítima e do agressor e depois apertar a tecla "Enter"!

Elogios, elogios

O mais novo elogio vazio que enche de orgulho o peito do bananense é dizer que o Brasil é o país da moda, o país que reúne todas as condições para se tornar um big player no cenário mundial, desde que - sempre tem um "desde que" - saiba aproveitar as oportunidades que lhe estão sendo oferecidas. Ora bolas, se soubéssemos aproveitar uma única oportunidadezinha que fosse para nos desenvolvermos, já seríamos um big player. Esse elogio equivale a colocar um fusquinha na cabeceira de uma pista de decolagem e dizer "aí estão todas as condições para você realizar uma decolagem perfeita. Vai que é tua, fusquinha!"

12 dezembro 2009

Verão chegando

Está divertido ver os (inúteis) esforços das "otoridadis" no sentido de criar uma praia à prova de carioca.

Todos sabemos que o único jeito de um carioca sair em público sem depredar, defecar ou urinar em algo é este:

Tá curtindo a praia Uélinton?
- Tá curtindo a praia, Uélinton?

Incrível

Nem dá para ver a boca do ventríloquo se mexendo!

Aí, o portugês chegou no bar e disse...


I face the world as it is, and cannot stand idle in the face of threats to the American people. For make no mistake: Evil does exist in the world. A non-violent movement could not have halted Hitler's armies. Negotiations cannot convince al Qaeda's leaders to lay down their arms. To say that force may sometimes be necessary is not a call to cynicism -- it is a recognition of history; the imperfections of man and the limits of reason.

I raise this point, I begin with this point because in many countries there is a deep ambivalence about military action today, no matter what the cause. And at times, this is joined by a reflexive suspicion of America, the world's sole military superpower.

But the world must remember that it was not simply international institutions -- not just treaties and declarations -- that brought stability to a post-World War II world.

A solução

A solução pro Bananão é a recolonização.

09 dezembro 2009

Dá-lhe Olavão

Falou e disse!

O Brasil, no momento, não precisa de boas idéias. Precisa é de uma ação vigorosa, implacável, contra o império da maldade, da mentira e da estupidez. Esse império foi instaurado pela geração que, nos bancos da universidade, se deixou seduzir pela crença de que era "a parcela mais esclarecida da população" e de que todos os problemas estariam resolvidos quando ela chegasse ao poder. Ela chegou -- e fez do povo brasileiro o mais ignorante, o mais assassino e provavelmente o mais desonesto do mundo.

Não importa o "ismo" que se implante neste país. Enquanto não se der um jeito na matéria-prima, isso vai continuar sendo a pocilga que é. E piorando...

07 dezembro 2009

O bom e velho "faça o que eu digo..."

Cúpula do clima terá 1,2 mil limusines e 140 jatos particulares

Mas, ao que parece, tem muita gente preocupada com o meio ambiente apenas no discurso. De acordo com o jornal inglês Telegraph, os mais de 30 mil participantes da cúpula vão produzir cerca de 41 mil toneladas de CO2 durante os 11 dias de duração do evento. É o equivalente à produção de uma cidade de 140 mil habitantes.

Parte desses poluentes serão emitidos nas viagens dos participantes para Copenhague. Estima-se que 140 jatos particulares pousarão no aeroporto da cidade durante o período. O número é tão grande que não haverá lugar para eles estacionarem. Muitos terão de seguir para outros aeroportos da região e só voltar à Dinamarca para buscar seus passageiros VIP.

As limusines que vão circular pelas ruas da capital dinamarquesa também são apontadas como vilãs do meio ambiente. De acordo com o jornal inglês, mais de 1,2 mil delas vão transportar os participantes. Apenas 5 dessas limusines são híbridas - ou seja, têm dois motores, um elétrico e um a combustão, o que ajuda a reduzir as emissões.

O jornal inglês lembra ainda que muitos dos mais de 30 mil participantes da cúpula não têm muito a fazer na cidade. Entre os convidados estão os atores Leonardo DiCaprio, Daryl Hannah, a modelo Helena Chritensen etc.

06 dezembro 2009

Aprenda neném

Noventa e nove não é cem:

O Flu, que teve 99% de chance de ser rebaixado, consegue um feito quase impossível.

Quem precisa de Robin Williams?

Muito grato pela sua ajuda, mas nós podemos nos ridicularizar sozinhos:

RIO - Cinco bandidos armados de pistolas e fuzis, que dirigiam um carrro prata, fecharam Avenida Brigadeiro Trompowski, no acesso à ponte nova, na Ilha do Govenador, e promoveram um arrastão por volta das 7h deste domingo.

05 dezembro 2009

Essa aprendeu

Como diria o Nelson: "Ha! Ha!"

Se tivesse agido de acordo com o que situação exige (ou seja: se tivesse faltado às aulas, deixado a escola cair aos pedaços e fingido que ensinava) não teria sido processada.

PORTO ALEGRE - A professora Maria Denise Bandeira - que ficou conhecida por ter obrigado um aluno de 14 anos a pintar as paredes da escola pichadas por ele em Viamão, no Rio Grande do Sul - vai pagar à Justiça meio salário mínimo, o equivalente a R$ 232,50. O valor será pago a título de transação penal.

Em setembro, a promotora Daniela Lucca da Silva encaminhou ação por uma possível infração do Estatuto da Criança e do Adolescente, a de submeter criança ou adolescente a vexame ou a constrangimento.

Vê se aprende!

04 dezembro 2009

Faça-me o favor

Dizer que a Costa do Marfim é uma grande ameaça é o fim da picada. Tudo bem querer valorizar uma provável classificação em primeiro do grupo, mas chamá-lo de "Grupo da Morte" é piada.

01 dezembro 2009

Depois não reclama

Depois a direita reclama que perde espaço pra esquerda e bal-bla-bla. Dois blogues conceituados no universo direitista (sorry, no Jabá) afirmaram mais ou menos que "educação não é a solução."
Espero que eles tenham apenas confundido os termos "educação" e "escolaridade". Sim, porque eu até consigo imaginar sociedades de merda (Olha nóis aí, gente!) com a população tendo algum nível de escolaridade, mas não conheço uma sociedade minimamente evoluída onde sua população não é educada no sentido estrito do termo.

Já passou da hora de parar com essa histrória de que do livre mercado surgirá o nirvana.

And finally the day has come

Alunos são proibidos de se formar em universidade de Lincoln, nos EUA, por estarem obesos

RIO - A Lincoln University, a primeira instituição de ensino para a comunidade negra na História dos EUA, envolveu-se em uma grande polêmica: está se recusando a entregar o diploma de graduação para alunos obesos.

A universidade, situada em Oxford, no estado da Pensilvânia, iniciou em 2006 um programa obrigatório chamado "Fitness for Life" (Educação Física pela Vida), a fim de fazer com que estudantes com índice de massa corpórea (IMC) acima de 30 entrassem em forma com três horas semanais de atividades físicas, além de acompanhamento nutricional e psicológico, de acordo com informações publicadas no site "Daily Beast".

Diria o antropólogo

Após longo período de estudo dos nativos da cidade do Rio de Janeiro, podemos observar que, depois de tanto tempo fazendo da bunda a principal - senão a única - fonte de rendimentos, o carioca alcançou um novo patamar evolucionário, transferindo para esta parte do corpo humano até mesmo as funções cognitivas.

Aqui não há nada que não se consiga estragar

Sei que nada vai acontecer e que nenhuma discussão mais profunda surgirá a partir disso, mas tem algo muito errado num campeonato onde clubes perdem de propósito ou, na melhor das hipóteses, não se esforçam para ganhar.

Como bom brasileiro, o futebol corria em meu sangue, mas, pouco a pouco, o interesse foi se esvaindo... Hoje mal tenho saco para acompanhar os jogos do meu time.

30 novembro 2009

Tédio

A falta de saco com as bobagens vindas da esquerda, do centro e da nossa caricata direita é demais. Não há mais o que zoar quando o ridículo vira norma e, neste quesito, o Brasil passou de todos os limites. Deixo aqui um texto do sempre ótimo - mesmo quando eu discordo dele - JP Coutinho sobre a questão dos minaretes na Suíça. O último parágrafo vale o "ingresso" e reproduzo aqui:

Mas existe um segundo pormenor que importa relembrar. Disse no início que a Suíça legou ao mundo relógios e Rousseau. Deixando de parte os relógios, fiquemos com Rousseau. Sobretudo com a sua particular concepção de "democracia direta" (e referendária) que constitui uma das vacas sagradas da esquerda clássica. Se os estados justos são aqueles onde prevalece a "vontade geral", não se percebe por que motivo a "vontade geral" dos suíços horroriza assim tanto os seus herdeiros.

Para quem sempre divinizou a soberania popular, criticar os suíços é coisa de reacionário.

Parece que são os países minúsculos que ficaram com a responsabilidade de "desotariar" o resto do mundo.

25 novembro 2009

Panfleto

Sabe aqueles panfletos que jovens distribuem nos sinais de trânsito, divulgando empreendimentos imobiliários?

Mais uma modalidade: panfleto travestido de notícia.

O pior é que os fatos ali descritos nem verdadeiros são. Quem passa pelo bairro, como eu passo eventualmente, sabe que a verdade é outra, muito diferente.

Uma matéria claramente paga e, pior!, mentirosa. Quão baixo podem descer esses jornais para faturar uns trocados?

10 novembro 2009

Constatação

Não há sentimento de esperança de dias melhores que alguns minutos de convivência com cariocas não consigam aniquilar...

08 novembro 2009

Impressões

Às vezes tenho a impressão de que muita gente vai da adolescência direto para a senilidade, sem passar pela fase adulta.

07 novembro 2009

06 novembro 2009

03 novembro 2009

Vilarejo

Tem certas horas em que ser carioca é motivo de constrangimento. Mais uma vez fica evidente que o Rio é um vilarejo caipira onde qualquer atração "de fora", não importa quão irrelevante seja, é recebida pelo chefe local com a famigerada chave da cidade.

02 novembro 2009

Entrevista

Uma interessante entrevista com o analísta político Charles Krauthammer na Der Spiegel.

Ele só não poderia ter deixado essa passar:

SPIEGEL: Part of the problem when it comes to health care is the lack of solidarity in the American way of thinking. Can a president change a country?

Os americanos aparecem no topo da maioria (senão todos) dos rankings de doação, seja em volume total seja per capta. Obviamente o entrevistador é daqueles que acham que fora do Estado não nada mais a ser feito.

Achei um site com dados estatísticos e podemos ver a diferença entre os percetuais de EUA e Alemanha, no que diz respeito a caridade:

Members of voluntary organisations > Charity (most recent) by country:

Showing latest available data. Rank Countries Amount

Australia: 18%
United States: 15%
Netherlands: 9%
Ireland: 7%
Norway: 7%
Canada: 6%
Belgium: 6%
Germany: 5%
Finland: 5%
United Kingdom: 5%
Sweden: 5%
France: 5%
Austria: 3%
Italy: 3%
Switzerland: 3%
Denmark: 2%
Japan: 2%

Weighted average: 6.2%

Globalização

No seu blog, o Adolfo Sachsida fez o seguinte comentário a respeito da globalização:


Por que o aumento das trocas com o resto do mundo levaria um país a ficar mais pobre? Na verdade é o contrário, o aumento das trocas aumenta a produtividade, e consequentemente, a riqueza de um país.

Alguns pontos:

A globalização, creio, é um fenômeno muito mais amplo e que causa sim alguns efeitos colaterais negativos para alguns grupos, entre eles trabalhadores e consumidores. Com o advento da globalização, uma empresa hoje pode ter o que chamamos de presença global, focalizando a atuação onde o custo de operação é menor e o retorno maior. Logo de cara, a conseqüência imediata é a queda da renda dos trabalhadores dos países de primeiro mundo e até mesmo o desemprego (por isso não entendo por que os países de terceiro mundo reclamam da globalização quando eles são os mais favorecidos por ela).

Há conseqüências que são mais sutis e que não são propriamente culpa da globablização: nas empresas com presença em bolsas de valores, os acionistas focalizam apenas no valor da suas ações (o que não poderia ser diferente) e a pressão contínua por maiores lucros acaba forçando uma redução constante do custo de operação. Em muitas áreas isso pode ser alcançado via automação sem comprometer a qualidade final do produto, mas em áreas onde a formação humana é um fator primordial (por exemplo, serviços) isso simplesmente não é possível (para fazer com que isso pareça possível, muitos gurus lançam teorias mirabolantes de gerenciamento que só fazem enriquecer eles próprios).

Temos então a transferência de operação para países onde a mão de obra é mais barata e não necessariamente igualmente competente. O resultado é a queda da qualidade dos serviços fornecidos pelas empresas (trabalho numa multinacional de presença global e vivo esse fenômeno dia após dia). "Ah, mas esse tipo de coisa o mercado resolve!" Concordo, mas não a curto ou médio prazo e - arriscaria dizer - nem sempre. Em mercados de massa e onde a entrada de novos players é difícil (ou impossível por questões regulatórias) a coisa acaba estourando no colo do consumidor. Qual foi a última vez que você ligou para um call center e falou de cara com um ser humano? Veja bem: eu sei que se uma empresa quer diminuir seus custos penalizando seus consumidores, ela perderá clientes para a concorrente. Só que a concorrente também sofre o mesmo tipo de pressão por redução de custos e tomou medidas semelhantes, deixando o cliente sem opção. Sim, eu sei que se o cliente ainda assim continua contratando o serviço de uma delas é porque no final das contas o saldo ainda lhe é interessante. A questão aqui é que o ponto de equilíbrio foi num patamar baixo de qualidade na prestação do serviço. Eu sei que nada há a fazer sobre isso - e que eu provavelmente faria o mesmo se fosse CEO de alguma dessas empresas - apenas estou reconhecendo que no final houve uma piora na qualidade do serviço oferecido. Ao contrário da indústria de bens materiais, onde é possível obter o mesmo produto por um custo mais baixo, na área de serviços isso quase sempre não é o caso.

Empiricamente, na minha área de atuação, serviços de tecnologia de informação, o que eu observei em mais de vinte anos de trabalho é que a globalização não aumenta a produtividade necessariamente. Certamente ela reduz os custos de operação, mas a busca por margens de lucro crescentes faz, quase sempre, com que a qualidade dos serviços prestados fique em patamares extremamente baixos.

Reitero: não estou fazendo um julgamento de valor da globalização e nem alegando que ela é um mal absoluto (pelo contrário, para mim, cidadão de um país de terceiro mundo, eu quero é mais!). Mas há que se reconhecer os impactos negativos que a globalização causa, principalmente nos países mais desenvolvidos, para que possamos enteder a reação destes a este fenômeno.

01 novembro 2009

Brincando com números

Um dos motivos pelos quais discutir na internet é ridículo e improdutivo é que, em determinado momento, começam as brigas com números. Fulano despeja estatísticas de um lado, Beltrano responde com mais números até a coisa descambar, invariavelmente, para um aberto bate-boca, incentivado pelo anonimato dos envolvidos (as pessoas ficam muito corajosas na Web).

Qualquer um está careca (bem, eu estou) de saber que números podem ser espremidos para provar um ponto. Vejamos esta reportagem:

O Rio de Janeiro, apesar de ter conseguido, com as operações da Lei Seca, reduzir em mais de 20% a quantidade de vítimas de acidentes nos últimos meses, não freou a mortalidade no trânsito de pessoas entre 15 e 29 anos. O número subiu 26% entre janeiro e agosto deste ano, em comparação com o mesmo período de 2008, de acordo com o Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS), do Ministério da Saúde. Os perigos enfrentados pela juventude são o tema de uma série de reportagens que O GLOBO começa a publicar neste domingo.

Uma pessoa desonesta poderia afirmar que a Lei Seca causou um aumento da mortalidade de jovens no trânsito, usando a estatística para manipular as cosias e fazer as pessoas comprarem gato por lebre. Basta ignorar todos os demais fatores e se ater apenas àquilo que se deseja atacar ou defender.

Muro

Sei não, mas parece que o G1 vai tentar a façanha de fazer uma série de reportagens sobre a queda do muro de Berlim sem mencionar o nome "Ronald Reagan" uma única vez. :-)

Questões relevantes

Uma entidade alienígena chega ao planeta Terra e prova ser a responsável pela criação do nosso sistema solar. Ela concede a um país, e apenas um, o direito de ter uma pergunta respondida sobre qualquer assunto. Após o sorteio, o país escolhido foi o Brasil. Uma comissão de notáveis de diversas áreas é reunida para elaborar a questão que será feita ao alienígena. Após um período de deliberação, os notáveis fizeram a crucial pergunta, escolhida quase que por unanimidade:

- Você gosta de música brasileira?

28 outubro 2009

Empreendimento aqui não!

O alemão descobriu as raízes do atraso.

O sonho de transformar o Morro do Vidigal, em São Conrado, zona sul do Rio, em polo turístico acabou. O empresário alemão Rolf Glaser, de 62 anos, que investiu R$ 1,1 milhão na compra de 37 propriedades na favela começou a vender tudo por 30% do valor de compra. "Perdi muito dinheiro. A prefeitura fez uma série de exigências e inviabilizou o negócio. Acho que algumas pessoas não gostam da favela, mas também não querem fazer nada para mudar a comunidade", avaliou Rolf, que viaja hoje para a Alemanha.

Em novembro de 2008, o alemão começou a comprar casas e terrenos no Morro do Vidigal, cuja favela tem vista panorâmica para o mar de São Conrado e para as Praias do Leblon e de Ipanema. Ele também mudou para uma mansão no pé do morro avaliada em R$ 350 mil. A meta era construir casas que abrigassem turistas e um caminho de lojas, de lavanderia a uma casa de sucos. O empreendimento empregaria moradores do Vidigal - que, depois de algum tempo, seriam responsáveis por gerir o negócio. O empresário já participou de iniciativa semelhante na África.

O projeto do alemão, que doou 1.600 caixas de coleta de lixo para a comunidade, mobilizou o morro e atraiu o interesse da mídia estrangeira, era inspirado no balneário de Positano, na Itália, região pobre de topografia semelhante, que foi recuperada por investimentos privados. No entanto, poucos apareceram para ajudar a tocar a ideia. "Faltam pessoas para me ajudar também. Senti na pele o preconceito dos cariocas de subir o morro e também desfiz uma visão antes ingênua sobre os moradores da favela", disse o empresário.

Libertário fazendo palavras cruzadas

Clique na imagem para ampliar

26 outubro 2009

Mais ou menos o que eu disse

Neste trecho da crítica de David Denby, na New Yorker, do último filme de Tarantino:

The movie’s [Pulp Fiction] outrageous panache gave the audience license to enjoy the violence as lawless entertainment.

24 outubro 2009

A racionalidade do povão

Até o tal "Zé Povinho", pasmem!, reage a incentivos:

Segundo a reportagem de Regina Alvarez, os beneficiários do Bolsa Família em Presidente Vargas não estão no mercado formal nem no informal. O programa mantém as crianças na escola, mas a maioria das famílias está acomodada com o benefício, que varia de R$ 22 a R$ 200. Elas têm medo de perdê-lo ao adicionar outra fonte ao rendimento familiar. Assim, não demonstram interesse em cursos de qualificação profissional.

- Relutei em aceitar a ideia, mas é a realidade. As famílias estão acomodadas, e não tem sido fácil tirá-las da acomodação. Acreditam que podem se manter com cento e poucos reais - afirma Ivete Pereira de Almeida, secretária de Assistência Social da prefeitura de Presidente Vargas.

A importância de Tarantino

Quentin Tarantino tem vital importância na sociedade contemporânea: ele proporciona a todo aspirante a intelectual - e há muitos! - a oportunidade de assistir a um Comando Para Matar sem se sentir um vendido ao esquemão Hollywoodiano. O cara sacia sua fome de escatologia e ainda sai do cinema se achando um apreciador da mais fina arte:

- Ai, que decaptação poética, carregada de referências!

- Oh, quanto simbolismo neste desmembramento!

- Puxa, quanta mensagem embutida num olho vazado!

23 outubro 2009

Perda de posição

Jocosamente costumo chamar o bananão de c* do mundo. Um exagero, claro!, considerando outros lugares muito piores para se viver que há por aí. A indignação é mais pela relação potencial/realização do que por qualquer outra coisa. Mas o posto de c* do mundo agora será ocupado pelo buraco onde esta festinha de crianças aconteceu (via Da Cia). Deixa no chinelo os aniversários embalados ao som de música funk no Rio de Janeiro.

Não sei o que é mais acachapante: os pais incentivando e auxiliando as crianças nas posições, ou a cara dos menorezinhos reproduzindo os movimentos sem terem a menor idéia do que estão fazendo, fora o fato de estarem agradando os adultos.

22 outubro 2009

Tecla SAP

Parece que algumas - muitas! - pessoas vivem com algum tipo de tecla SAP permanentemente acionada. Morro de rir observando o comportamento delas, pricipalmente nos aeroportos.

O atentendente da companhia aérea diz:


- Senhoras e senhores, estamos começando o embarque do vôo Sei-lá com destino a Qualquer-Lugar. O embarque será iniciado pelos passageiros de primeira classe e classe executiva. Por favor, permaneçam sentados e somente se apresentem quando seu grupo (*) for chamado.

A tecla SAP faz o cara entender o seguinte:


- Atenção mulambada: começou o embarque do vôo Sei-lá com destino a Qualquer-Lugar, mas só há dez lugares disponíveis que serão dados a quem se apresentar primeiro no embarque. Portanto, cambada, sebo nas canelas que camarão que dorme a onda leva!

Aí a brazucada toda corre para o embarque...

Já no avião, o comissário de bordo, gentilmente, solicita:

- Senhoras e senhores, o capitão acaba de ligar o sinal de "aperte o cinto de segurança." Por favor retornem aos seus assentos e afivelem o cinto de segurança para que a aeronave possa decolar.

Mas a tecla SAP faz o cara entender o seguinte:

- Atenção mulambada: não estamos com a menor pressa de decolar. Portanto, por favor, aproveitem para conversar com os demais passageiros, de preferência de pé e bem longe dos seus assentos designados.


(*) A American Airlines divide os passageiros por grupos, cujos números são impressos no cartão de embarque. Os grupos são embarcados por ordem crescente, do fundo para a a frente do avião, para otimizar o processo de embarque, tornando-o mais rápido. Mas planejamento nenhum resiste ao poder da tecla SAP.

14 outubro 2009

Para não dizer que só pego no pé do Brasil

Aqui vai uma demonstração de bananice nórdica:

RIO - O governo da Finlândia anunciou nesta quarta-feira a aprovação de uma pioneira lei que garante acesso universal à internet banda-larga. Em julho de 2010 a nação nórdica será a primeira a dar um megabit de conexão para todos os seus cidadãos.

Não é engraçado?

Não lembro de ter visto em nenhum lugar freqüentado pelos cools da internet, o termo "extrema esquerda raivosa" para se referir aos militantes que praticaram atos de terrorismo no passado ou aos que invadem propriedades privadas hoje. Entretanto, Reinaldo Azevedo, que não lembro de alguma vez ter atacado alguém, é considerado membro de uma tal extrema-direita-hidrófoba.

Não, eu não esperava nada diferente. É só para deixar o registro.

Cai na real!

Nós brasileiros adoramos olhar para o resto da América Latina e pensar "esses pobres diabos e suas repúblicas das bananas..."

Pense duas vezes antes de excluir o Brasil deste clube seleto.

13 outubro 2009

Copa

Você precisa ser muito ignorante, mentiroso ou louco para dizer que isso pode ser considerada uma das praias mais bonitas do mundo:


Princezinha do Mar?

12 outubro 2009

Melhoria de qualidade de vida

Carioca style:

RIO - A partir de meados de novembro, barreiras acústicas e de proteção começarão a ser construídas nas linhas Amarela e Vermelha. Módulos de 38 metros de comprimento por quase três metros de altura, confeccionados em aço, concreto e policarbonato (material transparente), serão instalados em quase toda a extensão das duas vias expressas. Segundo o prefeito Eduardo Paes, somente as áreas que não são habitadas ficarão sem a proteção. Paes disse ainda que a questão da segurança não foi o principal motivo para a instalação dos muros.

11 outubro 2009

Vai feder...

A África do Sul parece ser uma panela de pressão com a válvula danificada. Os movimentos de resistência ao governo negro estão se assanhando.

He [Eugene Terre’Blanche, líder supremacista da década de 80] told 300 supporters in this small, rundown farming town on the barren veld about 120 miles (200km) southwest of Johannesburg that he was answering the call of the boers (farmers) and revitalising the Nazi-style Afrikaner Resistance Movement (AWB) to save them from the oppression of the black African National Congress (ANC) Government.

“Our country is being run by criminals who murder and rob. This land was the best, and they ruined it all,” he cried to strong applause, dabbing the spittle off his beard with a neatly pressed handkerchief. “We are being oppressed again. We will rise again.”

(...)

Today South Africa’s far-Right, which consists of as many as 60 different groups, some tiny, is a marginal force. Even the charismatic Mr Terre’Blanche, who used to attend such rallies on horseback, was able to attract on Saturday only a fraction of the thousands he once would have.However, he and his lieutenants feel they are tapping into a rich vein of discontent. “The whites in this country are disenfranchised. The blacks are taking our land and chasing us into our graves. More than 2,000 white farmers have been killed since the end of apartheid in 1994. We are reactivating and will do everything legitimately until they come after us, which they surely will,” said Marc Cornah, a blue-eyed, AWB youth leader, as he waved the movement’s swastika-style flag.

Malditos xenófobos

Mais um exemplo de xenofobia:

De acordo com o relatório, quase a metade da população - 43% - é a favor de limitar ou proibir a imigração. Outros 45% querem que o governo só permita que estrangeiros ingressem "desde que haja empregos disponíveis".

Yankees? Europeus? Nah...

09 outubro 2009

Rio 2016

Mostrando total comprometimento com a realização dos Jogos Olímpicos de 2016, nossas autoridades estão apressando o cronograma das atividades. A fim de incentivar o movimento de turistas já neste verão, acaba de ser lançado o mascote dos jogos. As autoridades esperam que apenas a comercialiazação de produtos do mascote (camisetas, bonés, tulipas de chope, etc.) já gere mais de 500.000 empregos.

Para os que ainda não tiveram o prazer de conhecer o mascote, ei-lo:

Prêmio Nobel de Medicina 2010



- Se o Obama ganhou eu tenho minhas chances...

Prêmio Nobel de Economia 2010

Hope??

Se você ainda é daqueles que acordam todo dia cheios de esperança, não leia a Folha Online de hoje.

08 outubro 2009

Serra, serra, serrador

Confesso que fico boladíssimo quando projeto essas escrotices do Serra (nem sei se o projeto foi do executivo, mas ele sancionou) para a esfera federal.

Nada melhor para fazer esse país decolar do que emendar um ciclo de regulamentação sufocante após esse ciclo de gastança e incompetência petista.

Esse país deve mesmo ser abençoado: o danado não quebra!

Estréia

Tibiriçá estréia na minha coluna de favoritos.

07 outubro 2009

Voltando aos trilhos já?

Update: a NBC tirou o vídeo do YouTube mas o Angelo da CIA achou outro link.

Será que os EUA já se deram conta de que não elegeram Jesus para Presidente e já estão voltando ao seu normal?


Direita cínica?

Adoro as tirinhas do Mundinho Animal do Arnaldo Branco, mas não pude deixar de comentar um texto dele sobre uma tal direita cínica. Eis meu comentário:

Hmmm, entendi: a direita boa era aquela caricata (um straw man, na verdade) que se contentava em ficar quietinha no seu canto falando mal dos pobres durante seus convescotes regados a champanhe. A partir do momento em que ela decide participar, ainda que muy timidamente, do debate político, ela passa se chamar “direita raivosa”, “direita hidrófoba” e coisas do tipo.

06 outubro 2009

O homem enlouqueceu

Foi o que pensei ao tropeçar neste artigo do Paul Krugman.

É a única alternativa decente ao fato dele ser um imenso canalha.

Basicamente ele resume a coisa ao seguinte: as ações dos Democratas são movidas apenas por princípios, enquanto os Republicanos são malvados e tudo que fazem é apenas para achincalhar com os Democratas quando estes estão no poder, sem se importar com as conseqüências dessa oposição na vida do povo americano. Ou seja, os Republicanos são contrários ao plano de saúde apenas porque "se opõem a tudo que possa ser bom para Obama." Essa teoria tem um pequeno problema quando pensamos nos blue dogs, mas - Ei! - não vamos ser inconvenientes e estragar uma teoria com fatos.

Camisa de força no homem!

Ah, agora sim

Faz pouco tempo o G1 - Governo 1? - comemorava, na sua home page, a queda da desigualdade no Brasil apontada pelo insuspeitíssimo IPEA. Como sempre, a notícia foi dada omitindo alguns detalhes importantes para a análise daquele evento. Detalhes esses que o jornal Globo nos dá agora:

RIO - A classe média parou de crescer e até encolheu em 2008, após três anos de expansão. A conclusão é de um estudo do economista Waldir Quadros, da Unicamp, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE. Como mostra reportagem de Cássia Almeida, publicada na edição desta terça-feira do Globo, a alta classe média, com renda per capita a partir de R$ 3.177 e que reúne, entre outros, professores universitários, médicos, arquitetos, caiu de 5,7% para 5,1% entre os brasileiros ocupados com renda. A média classe média, com renda entre R$ 1.588 e R$ 3.177, e formada por técnicos e professores do ensino médio, por exemplo, recuou de 9,6% para 9,2%.

O estudo mostra ainda que a baixa classe média dos professores primários, balconistas e auxiliares de escritório, com renda entre R$ 635 e R$ 1.588, caiu de 30,6% para 29,8%. A exceção, revela o estudo, é a massa trabalhadora, que ganha até R$ 635 e avançou de 34,3% para 35%.

Quando dizemos que a diferença entre duas varíaveis, A e B, está caindo ao longo do tempo, temos que analisar se A está aumentando ou se B está diminuindo. Considerando as duas notícias, tudo indica que B está diminuindo e não A aumentando, como seria o desejado. Conseqüentemente, o G1 deveria lamentar o empobrecimento da classe média em vez de comemorar o achatamento.

05 outubro 2009

Lá vai o cínico novamente

Cínico que sou, achei meio esquisita esta reportagem do Fantástico (não a vi, comento apenas o que estou lendo na web):

A equipe da TV Globo conseguiu entrar na embaixada brasileira em Honduras neste domingo (4). Em entrevista ao repórter José Roberto Burnier, Zelaya afirmou que procurou a embaixada brasileira pois o Brasil é um país democrático. “Eles não sabiam de nada. Os planos, fui eu que fiz. Fiz os planos com hondurenhos e entrei com hondurenhos”, afirma o presidente deposto.

Por que suspeita? Porque ela aparece logo na semana em que um vídeo no Youtube mostra Zé Laia dizendo num programa de rádio que tudo tava combinadim com o a Patota Brazuca.

Deve ser paranóia minha, pois é claro que nossa imprensa jamais serviria de faxineira do Palácio...

Agora cá entre nós, nossa embaixada em Honduras é uma casa da mãe Joana mesmo. Todo mundo "consegue entrar" sabe lá Deus como.

Dois fatos e duas maneiras de divulgá-lo

No G1:

IDH do Brasil melhora, e país ocupa a 75ª posição em ranking

No Terra:

Brasil permanece estável em índice de desenvolvimento humano

O G1 mente? De forma alguma! Mas omite detalhes que fazem o leitor entender que o Brasil melehorou e alcançou a posição de 75o. no ranking. Porém, lendo a reportagem mais completa no Terra vemos que o Brasil não mudou de posição no ranking pois o crescimento do índice foi de apenas 0,005:

O Brasil permaneceu estável no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), divulgado nesta segunda-feira.
O País ocupa a 75ª posição no índice. Entre 2006 e 2007, o índice brasileiro subiu levemente de 0,808 para 0,813, valor considerado de alto desenvolvimento humano.

Não entendo como alguém ainda pode dizer que as Organizações Globo são contra o Governo (qualquer Governo!).

04 outubro 2009

Nada pior

Não há nada pior que humorista politicamente correto, daqueles que, diante de uma piada sobre algum grupo do qual nenhuma pessoa pura de coração falaria alguma coisa, reage:

- Aí não pode!

Pessimista, eu?

Lendo o post de hoje, Rio 2016: sneak peek, alguém pode pensar "Caraca, esse cara é muito pessimista!"

Pera lá!

Cínico eu até aceitaria, mas pessimista não. Em situações onde as chances de "tudo dar certo" ou de "dar merda geral" estão mais ou menos homogeneamente distribuídas eu tendo a achar que tudo pode dar certo. No entanto, cabe fazer uma análise do contexto atual e não agir como se fôssemos um marciano que tivesse colocado os pés no país na sexta-feira passada. Vivemos hoje uma crise de corrupção sem precedentes, com escândalos pipocando diariamente nas três esferas do executivo, para não falarmos dos outros poderes. No médio e longo prazos não vemos nenhuma perspectiva de mudança nesse cenário. Já tivemos, recentemente, o exemplo claríssimo Pan 2007 que, além de elefantes brancos abandonados, não deixou nada para a cidade. Nem mesmo nosso desempenho esportivo melhorou significativamente nos jogos de Pequim.

Se alguém me diz que vai pular de paraquedas eu não falo "Iiiih, vai dar merda hein!" Mas se o cara me diz que vai pular de um prédio de 50 andares usando uma capa do Batman, eu não posso dizer "Vai lá que pode dar certo sim!" Ou se o cara diz "Olha só: vou atirar em em direção ao meu rosto e parar a bala usando os dentes!" eu não posso dizer "Uau! Maneiro!"

Como disse Thomas Sowell, "a realidade não é opcional."

A briga pelas tetas já começou

Nego não perde tempo:

Executivos do Ministério do Esporte e o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, deixaram claro ontem que a disputa teve início nos bastidores. Apesar de Nuzman ter falado abertamente que quer comandar o projeto, o Ministério já adiantou que tem o seu plano. O projeto prevê uma participação estatal forte no financiamento e na formulação.

Atualmente, o COB é que define e distribui os valores da verba da Lei Piva para as confederações de cada modalidade. O dinheiro, que sai de loterias, é disputado agora também pelos principais clubes formadores de atletas, que se associaram para defender a questão.

Haverá, diz o governo, muito mais dinheiro para ser investido no esporte de alto rendimento anualmente a partir de 2010. Há uma estimativa, mas o governo federal não revela qual é. Não foi fechado como será a forma desse dinheiro ser investido. De acordo com o principal executivo da pasta na candidatura brasileira, Ricardo Leyser, há a tendência de boa parte ser investida de forma direta, sem o COB como intermediário.

Arrogância...

... É o nome do que vemos aos 44 segundos deste filme:

O que me levou a fazer cinema foi uma absurda necessidade de consertar o mundo.

Rio 2016: sneak peek

Fala-se que só a viagem para Dinamarca custou aproximadamente um milhão de reais.

Vejo no Duke que a comemoração não poderia ser mais brasileira, com direito a baile funk no final (suspiro).

Tirando aqueles que beneficiar-se-ão, direta ou indiretamente com este evento, só consigo imaginar dois tipos de gente que apoiariam a verdadeira farra com dinheiro público que serão esses jogos:

1) O conformado que quer aproveitar ao menos alguma coisa. Para ele o Brasil não tem mais jeito, a corrupção rola mesmo solta com ou sem jogos Olímpicos. Então, já que estamos no inferno, que abracemos o capeta. Este desistiu do país há muito e agora se contenta com qualquer momento de festa. Ele não está nem aí para os argumentos de "legado de infraestrutura" ou "desenvolvimento do Brasil como potência esportiva." É o tipo que melhor encara as decepções com esses eventos pois ele não tem nenhuma expectavia.

2) O que sofre da "Síndrome do Dia da Marmota." Este é o caso mais grave, que acomete dezenas de milhões de brasileiros. Este tipo acorda todo dia pensando "Agora vai!" e, todo dia, vai pra cama desiludido. Quando o Rio foi escolhido para sediar o Pan, ele pensou "vamos melhorar o transporte público e a infraestrutura da cidade!" Ao final do evento, o Rio continuou o mesmo e o coitado foi pra cama desolado. Mas no dia seguinte ele acorda e o Brasil é escolhido para sediar a Copa do Mundo e os jogos Olímpicos. Exultante ele pensa "Vamos melhorar o transporte público e a infraestrutura de várias cidades no país! O Brasil ganhará visibilidade mundial, tornando-se um dos principais destinos turísticos do mundo! Além disso, viraremos potência esportiva, nos situando no topo do quadro de medalhas!" E mesmo que nada disso venha a acontecer, mesmo que ele vá para cama com o coração em pedaços por tanta decepção, no dia seguinte ele novamente acordará dizendo "Agora vai!"

02 outubro 2009

Mentiras X verdades

Este trecho, escrito pelo Olavão, é o motivo pelo qual eu evito, ao máximo, me envolver em discussões na web:

Toda mentira tem o privilégio de poder expressar-se com mais brevidade do que a sua refutação. Em trinta linhas, você pode acusar um sujeito de trinta crimes imaginários. Ele precisará de pelo menos trezentas para provar que não os cometeu.