31 agosto 2007

Julgar é difícil

Hoje caiu na minha caixa postal um e-mail daqueles indignados que se referia ao caso do Promotor Público Thales Ferri Schoedl que, de acordo com decisão do MPE-SP, será mantido em seu cargo até o final do julgamento.

Para quem não lembra do caso, dê uma breve googleada.

Nestas horas é tentador bradar contra a brutalidade de um funcionário público contra jovens indefesos. Sem descartar esta hipótese, vejamos um trecho da denúncia:

Às quatro horas do dia 30 de Dezembro de 2.004, THALES FERRI SCHOEDL se irritou quando ouviu simples comentário a respeito dos atributos de sua namorada MARIANA OZORES BARTOLETTI, não dirigido a ele ou à moça diretamente, feito entre rapazes reunidos em torno de automóvel de marca “Fiat”, modelo “Pálio”, estacionado no “Largo dos Coqueiros”, perto da praia “Riviera de São Lourenço”, município de Bertioga.

THALES FERRI SCHOEDL desafiou, de forma inadequada e claramente despropositada, de imediato, FELIPE SIQUEIRA CUNHA DE SOUZA, o qual estava no aludido grupo de moços, pois o acusou, em voz alta e asperamente, de incomodar MARIANA OZORES BARTOLETTI.

Ao presenciar, contudo, a aproximação de FELIPE SIQUEIRA CUNHA DE SOUZA e do amigo dele, DIEGO FERREIRA MODANEZ, pela rua “Passeio da Riviera” (via contígua ao “Largo dos Coqueiros”) e em seguida à sua provocação, THALES FERRI SCHOEDL efetuou disparos, de maneira notavelmente desproporcional, contra ambos a pistola marca “Taurus”, modelo “PT-138 Millenium”, calibre 380 ACP, número de série KWG-84702, numerosas vezes, ainda em resposta à trivial observação relacionada a MARIANA OZORES BARTOLETTI, e os feriu com quatro e dois projéteis respectivamente, causando a morte do segundo (DIEGO), conforme demonstra o laudo de exame necroscópico de folhas 119/120, e as lesões corporais de natureza grave comprovadas pelo laudo de exame de corpo de delito de folhas 70/73(2) no primeiro (FELIPE), o qual somente não faleceu porque depois recebeu pronto e eficaz socorro em estabelecimento hospitalar para onde foi removido.


Agora, façam um teste: digitem no Google "espancado boate" e "espancado casa noturna" e vejam a quantidade de casos envolvendo pessoas agredidas por grupos de jovens em casas noturnas.

Não descartando a hipótese apresentada pela acusação, quais as chances de a ação violenta do promotor ter sido tão gratuita e o comportamento dos jovens tão inocente quanto descrito pela denúncia?