Voltei da Philadelphia fascinado com a história da independência americana - isso para não dizer com o modo como eles mantêm viva a lembrança desta história por lá.
Não resisti quando vi este livro em "promoção" numa livraria do Rio. R$21,00 mais barato que o preço de lista.
09 dezembro 2006
É o incentivo, estúpido!
Acho que esta será a frase do ano de 2006, principalmente para nós brazucas:
"Incentivos importam."
E muito!
"Incentivos importam."
E muito!
Um dos meus negões prediletos
Should America Copy Modern Europe?
Particularmente eu acho que não, mas vejamos o que Walter tem a dizer:
Quem não estiver com saco de ler o texto em inglês, tem uma versão traduzida dele no Mídia Sem Máscara.
Particularmente eu acho que não, mas vejamos o que Walter tem a dizer:
Government spending exceeds 50 percent of the GDP in France and Sweden and more than 45 percent in Germany and Italy , compared to U.S. federal, state and local spending of just under 36 percent. Government spending encourages people to rely on handouts rather than individual initiative, and the higher taxes to finance the handouts reduce incentives to work, save and invest. The European results shouldn't surprise anyone. U.S. per capita output in 2003 was $39,700, almost 40 percent higher than the average of $28,700 for European nations.
Over the last decade, the U.S. economy has grown twice as fast as European economies. In 2006, European unemployment averaged 8 percent while the U.S. average was 4.7 percent. What's more, the percentage of Americans without a job for more than 12 months was 12.7 percent while in Europe it was 42.6 percent. Since 1970, 57 million new jobs were created in the U.S., and just 4 million were created in Europe.
Dr. Mitchell cites a comparative study by Timbro, a Swedish think tank, showing that European countries rank with the poorest U.S. states in terms of living standards, roughly equal to Arkansas and Montana and only slightly ahead of West Virginia and Mississippi. Average living space in Europe is just under 1,000 square feet for the average household, while U.S. households enjoy an average of 1,875 square feet, and poor households 1,200 square feet. In terms of income levels, productivity, employment levels and R&D investment, according to Eurochambres (The Association of European Chambers of Commerce and Industry), it would take Europe about two decades to catch up with us, assuming we didn't grow further.
We don't have to rely on these statistics to make us not want to be like Europeans; just watch where the foot traffic and money flow. Some 400,000 European science and technology graduates live in the U.S. European migration to our country rose by 16 percent during the 1990s. In 1980, the Bureau of Economic Analysis put foreign direct investment in the U.S. at $127 billion. Today, it's more than $1.7 trillion. In 1980, there was $90 billion of foreign portfolio investment -- government and private securities -- in the U.S. Today, there's more than $4.6 trillion, much of it coming from Europeans who find our investment climate more attractive.
Quem não estiver com saco de ler o texto em inglês, tem uma versão traduzida dele no Mídia Sem Máscara.
Futuro? Que futuro?
Falando sério, alguém consegue vislumbrar um único motivozinho sequer para ter alguma esperança de que "estepaís" ao menos se aproxime de algo parecido com um lugar civilizado e desenvolvido nos próximos 50 anos?
06 dezembro 2006
Calvin, o cético
"It's hard to be religious when certain people are never incinerated by bolts of lightning."
Haja paciência
E aqui na selva (com sua licença, por favor) essa bobagem ainda continua gerando polêmica, envolvendo até os caciques da tribo.
Agora sim é para a indústria do turismo ficar preocupada. ;-)
RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Embratur elogiou na terça-feira a crítica cinematográfica norte-americana por seus comentários negativos a respeito de um filme de terror em que turistas são mortos no país. A estatal de turismo disse estar tomando medidas para contrabalançar eventuais danos à imagem do país no exterior.
Agora sim é para a indústria do turismo ficar preocupada. ;-)
Que coisa, hein!
Médica cogita dar alta para bebê anencéfala
Para um bebê que deveria ser abortado porque viveria apenas algumas horas, até que essa danadinha tá dando trabalho :-).
Alguém pode até argumentar "ah, mas isso não é vida". Tudo bem, mas isso lhe dá o direito de decidir quem vai morrer ou viver (estou falando de inocentes)?
Para um bebê que deveria ser abortado porque viveria apenas algumas horas, até que essa danadinha tá dando trabalho :-).
Alguém pode até argumentar "ah, mas isso não é vida". Tudo bem, mas isso lhe dá o direito de decidir quem vai morrer ou viver (estou falando de inocentes)?
04 dezembro 2006
Antiamericanismo
European anti-Americanism has very little to do with America or politics, and even less with transatlantic relations. In many ways, it is not even a useful term, because unlike other "isms" it is not supported by a movement, it lacks the vision of a future, and it defines itself by opposition rather than through a proper point of view. In a sense, there is no one European anti-Americanism, but rather a variety of heterogeneous expressions of this phenomenon, conditioned by geographical concerns and historical cycles. The shape and content of the phenomenon differ in accordance not only with dimensions of space, but also with dimensions of time: each epoch has its own forms of anti-Americanism, and it is misleading to assume, as Dan Diner does for Germany, that one and the same anti-Americanism has simply assumed different forms at different times.
Anti-Americanism in Europe is a habitus, a syndrome, an ideological Versatzstück the profile of which is dependent on the local political and cultural context as well as regional economic interests. There is, of course, a cultural, a political, and an economic anti-Americanism, but these accentuations typically merge within the same reference group or even one and the same person. In other words, there is no "European" anti-Americanism proper, but only many different varieties of the phenomenon.
Tá vendo? Não sou apenas eu (excelente dica do Selva Brasilis) que acho que o termo antiamericanismo, apesar de ser um rótulo que serve para transmitir uma idéia de antagonismo, pouco útil para definir certas manifestações em relação aos ianques.
É interessante entender o antiamericanismo europeu porque boa parte da nossa classe - aham - pensante bebe nas fontes européias. O povão - classe média incluída - sofre uma influência residual desse pensamento, se tornando antiamericano - pero no mucho - por inércia. Por isso, assim que a situação financeira permite, muitos "antiamericanos" disparam para Flórida, Califórina, Nova Iorque, etc. Chega a ser engraçado ouvir os comentários jocosos dos "antiamericanos" nos saguões dos aeroportos. Mas todos felizes da vida, claro!
É o famoso "te odeio mas te amo"!
No mesmo texto uma irônica definição de antiamericanismo feita pelo analista político David Kaspar poderia ser adaptada para muitos países da América Latina:
It's a German schoolteacher who vacations in America, who watches American movies, who was defended from the Soviets by America and then later met an Eastern German cousin she never knew because Reagan won the Cold War, who sneers at America in front of the kids she teaches every day.
Uga buga!
Vi no De Gustibus... este texto indicado pelo Selva Brasilis.
Cara, isso explica muita coisa!
But what is particularly interesting is the role of market pricing, which Fiske speculates might have been the last to evolve in our prehistoric ancestors' brains.
It makes sense. For hunter-gatherers in small bands, sharing, matching and ranking were probably as fundamental to survival as eating and breeding. But market pricing involves complex choices based on mathematical ratios.
"It's the difference between addition and subtraction on one hand, multiplication and division on the other," Fiske says.
Commerce and global trade, of course, require a finely honed version of the market-pricing model. But if humans developed this model relatively late, it might well be less than universal, even today.
In other words, to have an intuitive grasp of economics, you might just need to take a step or two up the evolutionary ladder.
Cara, isso explica muita coisa!
03 dezembro 2006
E tome realidade!
Ainda outro dia estava vendo um programa - não lembro o nome nem o canal - que mostrava um cinema montado para a população de uma cidadezinha do agreste brasileiro. Pois bem, tudo pronto, platéia a postos e começa a exibição do filme: um documentário sobre... a dureza da vida no agreste brasileiro!
Pelamordedeus!
Não tinha nada para mostrar que aquelas pessoas já não conheçam por experiência própria? Que tal uma comedia leve, um drama, um musical ou um filme de aventura?
Pelamordedeus!
Não tinha nada para mostrar que aquelas pessoas já não conheçam por experiência própria? Que tal uma comedia leve, um drama, um musical ou um filme de aventura?
Patriotada
Aparentemente, Cristaldo também vem tendo problemas com os patriotas de plantão, que não admitem comparações entre este Brasilzão-de-meu-deus e outros lugares do mundo.
E aí não entendi mais nada. Em primeiro lugar, em momento algum falo de Livramento. Disse apenas que estava "rodando entre Dom Pedrito e Livramento". Em segundo lugar, nunca afirmei que Rivera fosse uma cidade-maravilha. Em terceiro, tampouco entendo porque introduzir Sábato no assunto. O leitor em questão, que certamente jamais leu minhas traduções de Sábato, insiste em desqualificar-me como tradutor, como se fosse um grande especialista em traduções. Na verdade, estamos diante de um desses tantos patrioteiros - tão abundantes no Brasil - que julgam viver no melhor país do mundo.
What are you celebrating?
Recentemente falei como era pouco inteligente por parte da América Latina (e países subdesenvolvidos em geral) comemorar a vitória dos Democratas nas últimas eleições.
Pois bem, este texto mostra algumas preocupações que os americanos vão ter no próximo "reinado" Democrata. Isso porque:
Pelo menos agora, para aqueles que ficarem desempregados no terceiro mundo por causa das políticas protecionistas dos Democratas, este site fará muito sentido:
Pois bem, este texto mostra algumas preocupações que os americanos vão ter no próximo "reinado" Democrata. Isso porque:
Sometimes, the devil we know seems so awful the old adage loses its power, and we throw in our lot with the devils we don't. Thing is—they're just as devilish.
Pelo menos agora, para aqueles que ficarem desempregados no terceiro mundo por causa das políticas protecionistas dos Democratas, este site fará muito sentido:
Teoria e prática
Um ditado muito comum é aquele que diz que "na prática a teoria é outra". Apesar de me parecer absurdo, este ditado é amplamente usado, principalmente por políticos e ideólogos ao falarem de economia.
Naquele Globonews Painel sobre o qual comentei alguns posts atrás, Delfim Neto e Luiz Gonzaga Belluzzo pareciam jogar isso a todo momento na cara do Eduardo Giannetti. É como se dissessem "você fica aí com essas teorias acadêmicas e não percebe que elas não se aplicam ao mundo real."
(Claro que Delfim Neto não deve, lá fundo, concordar com isso, mas não podemos esquecer que ele é um político)
Ora, podemos ter até uma teoria errada sobre um determinado fenômeno, mas um fenômeno sempre vai estar de acordo com a teoria que corretamente o descreve.
Não há como fugir disso. Enquanto essa crença persistir vamos ficar sempre esperando o espetáculo do crescimento que nunca chega.
Naquele Globonews Painel sobre o qual comentei alguns posts atrás, Delfim Neto e Luiz Gonzaga Belluzzo pareciam jogar isso a todo momento na cara do Eduardo Giannetti. É como se dissessem "você fica aí com essas teorias acadêmicas e não percebe que elas não se aplicam ao mundo real."
(Claro que Delfim Neto não deve, lá fundo, concordar com isso, mas não podemos esquecer que ele é um político)
Ora, podemos ter até uma teoria errada sobre um determinado fenômeno, mas um fenômeno sempre vai estar de acordo com a teoria que corretamente o descreve.
Não há como fugir disso. Enquanto essa crença persistir vamos ficar sempre esperando o espetáculo do crescimento que nunca chega.
01 dezembro 2006
Se importar e parecer que se importa
Existe uma diferença muito grande e óbvia entre as expressões. Mas muita gente prefere apenas fazer parecer que se importa com este país. E assim angariar simpatias e, quem sabe, uma graninha a mais - já que ninguém é de ferro.
Importar-se verdadeiramente é trabalhoso e aborrecido. Sem contar que, invariavelmente, leva a conflitos que nem sempre são devidamente acalmados.
Como eu me importo - ainda - com o Brasil e com a cidade onde nasci e vivo desde sempre, não me conformo com a progressiva deterioração que ambos vêm sofrendo. Vamos ficar apenas no Rio de Janeiro para manter a lista reduzida, digamos.
Qualquer pessoa que já tenha colocado os pés fora do Brasil sabe que o Rio está em estado crítico. Suas praias imundas, suas ruas esburacadas e mal sinalizadas, o trânsito caótico e extremamente violento, segurança praticamente inexistente, transporte público catastrófico, etc. Isso nos lugares turísticos! Imaginem como não estão lugares como Cascadura, Madureira, Marechal Hermes, Realengo, etc. (bairros onde eu cresci).
Quem teve a oportunidade de visitar outros lugares no mundo tem a obrigação de denunciar o estado quase terminal no qual se encontra essa cidade. Não dá para ficar repetindo baboseiras do tipo "cidade mais bonita do mundo" a sério!
Empresas quando querem melhorar, atacando seus pontos fracos e enfatizando seus pontos fortes fazem um negócio chamado benchmarking, que nada mais é comparar-se com as concorrentes. Para isso ter resultado, entretanto é preciso primeiro querer descobrir realmente seus problemas e não jogá-los para debaixo do tapete.
Dizer por exemplo que as praias do Rio são belíssimas é jogar a sujeira para debaixo do tapete. As praias do Rio são OK, ou melhor: seriam OK se fossem praias limpas e com uma infraestrutura adequada. Mas não é o caso. Um morador de Ipanema não tem outra alternativa que não freqüentar aquele esgoto, mas um turista tem alternativas e está disposto a pagar por elas. Ele pode cair na conversa fiada uma vez, mas duas não.
Outra questão é segurança: não adianta dizer que o Rio tem os mesmos problemas de segurança que todas as demais cidades grandes porque isso não cola. Desafio qualquer um a me mostrar um caso de ataque a ônibus de turistas, em uma cidade de país desenvolvido, em plena área urbana - não era um gueto, era o Aterro do Flamengo! - como aconteceu com os turistas ingleses aqui recentemente.
Mais uma coisa: a qualidade do turista que nos visita. Até quando vamos continuar vendendo bunda e apenas bunda? Que isso faça parte de um conjunto de atrativos da cidade eu até entendo, mas este tipo de turista é o pior possível, aquele que toda cidade procura afastar. Turista bom é aquele que viaja com sua família e gasta, mas gasta muito. Exatamente como os brasileiros fazem em Orlando e New York, comprando, indo a museus, shows, restaurantes, parques e visitando outras atrações turísticas.
Num país onde tanta coisa é errada, é demais querer que um determinado setor seja exceção, mas eu acredito que a única saída para o Rio de Janeiro é mergulhar de cara no turismo como atividade econômica principal. Aruba, um país minúsculo do Caribe, há coisa de 20 ou 30 anos atrás, segundo relato de conhecidos que estiveram lá na época, era um lugar pobre, com pedintes nas ruas, muitos deles crianças. Hoje, após decidirem investir primordialmente no turismo, não se vê mais mendigos possui uma população que aprende nas escolas diversos idiomas, principalmente o inglês. Além disso, procuraram facilitar enormemente a vida dos seus principais clientes: os americanos. Resultado, imensos resorts lotados apesar das diárias nada baratas, o setor de serviços periféricos (restaurantes, esportes aquáticos, excursões, etc.) cresceu assustadoramente, sem contar as empresas de telefonia que lucram enormemente com as ligações roaming. Diversos vôos diários chegam e partem do aeroporto Queen Beatrix para os Estados Unidos e alguns países da Europa.
O resultado disso tudo é que uma ilhota com com aproximadamente 100 mil habitantes e um terreno majoritariamente árido (a água precisa ser dessalinisada e chega potável às torneiras) tem hoje renda per capta da ordem de 21.800 dólares anuais (a do Brasil é de 8300 dólares).
Para virar um big player neste mercado é preciso jogar bem e jogar pesado. O turismo é uma fonte de renda espetacular porque é limpa, não consome seus recursos naturais (pelo contrário, há o incentivo para mantê-los), requer trabalho leve que não desgasta a população, etc. Tem muita gente aí fora disputando essa torta e quem ficar de nhenhenhé não vai ficar com nada.
Importar-se verdadeiramente é trabalhoso e aborrecido. Sem contar que, invariavelmente, leva a conflitos que nem sempre são devidamente acalmados.
Como eu me importo - ainda - com o Brasil e com a cidade onde nasci e vivo desde sempre, não me conformo com a progressiva deterioração que ambos vêm sofrendo. Vamos ficar apenas no Rio de Janeiro para manter a lista reduzida, digamos.
Qualquer pessoa que já tenha colocado os pés fora do Brasil sabe que o Rio está em estado crítico. Suas praias imundas, suas ruas esburacadas e mal sinalizadas, o trânsito caótico e extremamente violento, segurança praticamente inexistente, transporte público catastrófico, etc. Isso nos lugares turísticos! Imaginem como não estão lugares como Cascadura, Madureira, Marechal Hermes, Realengo, etc. (bairros onde eu cresci).
Quem teve a oportunidade de visitar outros lugares no mundo tem a obrigação de denunciar o estado quase terminal no qual se encontra essa cidade. Não dá para ficar repetindo baboseiras do tipo "cidade mais bonita do mundo" a sério!
Empresas quando querem melhorar, atacando seus pontos fracos e enfatizando seus pontos fortes fazem um negócio chamado benchmarking, que nada mais é comparar-se com as concorrentes. Para isso ter resultado, entretanto é preciso primeiro querer descobrir realmente seus problemas e não jogá-los para debaixo do tapete.
Dizer por exemplo que as praias do Rio são belíssimas é jogar a sujeira para debaixo do tapete. As praias do Rio são OK, ou melhor: seriam OK se fossem praias limpas e com uma infraestrutura adequada. Mas não é o caso. Um morador de Ipanema não tem outra alternativa que não freqüentar aquele esgoto, mas um turista tem alternativas e está disposto a pagar por elas. Ele pode cair na conversa fiada uma vez, mas duas não.
Outra questão é segurança: não adianta dizer que o Rio tem os mesmos problemas de segurança que todas as demais cidades grandes porque isso não cola. Desafio qualquer um a me mostrar um caso de ataque a ônibus de turistas, em uma cidade de país desenvolvido, em plena área urbana - não era um gueto, era o Aterro do Flamengo! - como aconteceu com os turistas ingleses aqui recentemente.
Mais uma coisa: a qualidade do turista que nos visita. Até quando vamos continuar vendendo bunda e apenas bunda? Que isso faça parte de um conjunto de atrativos da cidade eu até entendo, mas este tipo de turista é o pior possível, aquele que toda cidade procura afastar. Turista bom é aquele que viaja com sua família e gasta, mas gasta muito. Exatamente como os brasileiros fazem em Orlando e New York, comprando, indo a museus, shows, restaurantes, parques e visitando outras atrações turísticas.
Num país onde tanta coisa é errada, é demais querer que um determinado setor seja exceção, mas eu acredito que a única saída para o Rio de Janeiro é mergulhar de cara no turismo como atividade econômica principal. Aruba, um país minúsculo do Caribe, há coisa de 20 ou 30 anos atrás, segundo relato de conhecidos que estiveram lá na época, era um lugar pobre, com pedintes nas ruas, muitos deles crianças. Hoje, após decidirem investir primordialmente no turismo, não se vê mais mendigos possui uma população que aprende nas escolas diversos idiomas, principalmente o inglês. Além disso, procuraram facilitar enormemente a vida dos seus principais clientes: os americanos. Resultado, imensos resorts lotados apesar das diárias nada baratas, o setor de serviços periféricos (restaurantes, esportes aquáticos, excursões, etc.) cresceu assustadoramente, sem contar as empresas de telefonia que lucram enormemente com as ligações roaming. Diversos vôos diários chegam e partem do aeroporto Queen Beatrix para os Estados Unidos e alguns países da Europa.
O resultado disso tudo é que uma ilhota com com aproximadamente 100 mil habitantes e um terreno majoritariamente árido (a água precisa ser dessalinisada e chega potável às torneiras) tem hoje renda per capta da ordem de 21.800 dólares anuais (a do Brasil é de 8300 dólares).
Para virar um big player neste mercado é preciso jogar bem e jogar pesado. O turismo é uma fonte de renda espetacular porque é limpa, não consome seus recursos naturais (pelo contrário, há o incentivo para mantê-los), requer trabalho leve que não desgasta a população, etc. Tem muita gente aí fora disputando essa torta e quem ficar de nhenhenhé não vai ficar com nada.
Analise isenta
O Paulo acha cada coisa...
Um grupo de jovens brasileiros (só podem ser muito jovens, não admito tamanha ingenuidade em alguém com mais de 30 anos) viajou para Cuba com o intuito de fazer um relato isento do que vissem na Ilha. Já sabemos onde terminam esses relatos isentos dos socialistas, mas vamos lá...
O relato começa com uma tentativa de legitimação da revolução armada cubana, demonizando um lado e santificando o outro:
Só a incrível ingenuidade (vejam que estou assumindo que não há má-fé) deste trecho já seria suficiente para que eu parasse de ler o texto, mas aquela curiosidade mórbida que nos faz olhar para acidentes de automóvies me fez continuar.
Ainda tentando dar legimitidade ao processo revolucionário, os jovens (insisto, não podem ser adultos!) citam a constituição cubana corrente, ao meu ver de forma distorcida:
A interpretação deles pare este trecho é:
Não queridos, leiam direito: a constituição autoriza a utilização de quaisquer meios, inclusive a luta armada, para defender a ordem estabelecida por ela, seja ela qual for. Daí a autorizar o povo a defender seus direitos, mesmo contra o próprio governo, vai uma distância cósmica.
Continuando.
Aqui eu paro. Não tem como comentar um texto desses com a ingenuidade de um adolescente de 13 anos que acabou de ler "A Ilha".
Mas o interessante da coisa toda é que, em algum momento, todos os esquerdistas sinceros passam pela mesma experiência: a decepção.
Tomaram uma dura da imigração cubana e ainda tiveram uma prova de quão comprometidas com os ideais revolucionários são as autoridades de Fidel:
Não dá para culpar o Julio. Até eu soltaria uma gargalhada se ouvisse uma frase patética dessas. O sorriso dele foi uma aula que os jovens (insisto!) não devem ter aprendido:
"Acordem, crianças! Em que mundo vocês vivem?"
Um grupo de jovens brasileiros (só podem ser muito jovens, não admito tamanha ingenuidade em alguém com mais de 30 anos) viajou para Cuba com o intuito de fazer um relato isento do que vissem na Ilha. Já sabemos onde terminam esses relatos isentos dos socialistas, mas vamos lá...
O relato começa com uma tentativa de legitimação da revolução armada cubana, demonizando um lado e santificando o outro:
O início desta revolução aconteceu no dia 26 de julho de 1953, data na qual Fidel Castro, junto com um numeroso grupo de jovens organizados a derrubar o governo ditatorial de Fulgêncio Batista, atacaram os quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes. Neste ato, sob o qual ocuparam o Hospital Militar e diversos outros pontos dos quartéis, o grupo de Fidel Castro não matou nenhum soldado e tratou de todos os que foram atingidos e feridos. Mas, após a batalha perdida pelo grupo insurgente, mais de 40 revolucionários foram torturados e assassinados. Isto demonstra a diferença dos dois exércitos e suas formas de atuação num combate.
Só a incrível ingenuidade (vejam que estou assumindo que não há má-fé) deste trecho já seria suficiente para que eu parasse de ler o texto, mas aquela curiosidade mórbida que nos faz olhar para acidentes de automóvies me fez continuar.
Ainda tentando dar legimitidade ao processo revolucionário, os jovens (insisto, não podem ser adultos!) citam a constituição cubana corrente, ao meu ver de forma distorcida:
“Todos los ciudadanos tienen el derecho de combatir por todos los medios, incluyendo la lucha armada, cuando no fuera posible otro recurso, contra cualquiera que intente derribar el orden politico, social y economico establecido por esta Constitución.”
A interpretação deles pare este trecho é:
Esta positivação autoriza qualquer insurgência popular armada da população quando esta acreditar que seus direitos estão sendo infringidos.
Não queridos, leiam direito: a constituição autoriza a utilização de quaisquer meios, inclusive a luta armada, para defender a ordem estabelecida por ela, seja ela qual for. Daí a autorizar o povo a defender seus direitos, mesmo contra o próprio governo, vai uma distância cósmica.
Continuando.
A Cuba que vimos, escutamos, lemos, debatemos e tivemos o enorme prazer de viver por poucos dias, é um lugar marcado pela igualdade de oportunidades e planificação social que, prolatada em diversos discursos do Ernesto “Che” Guevara, traduz-se na construção de uma sociedade na qual a terra é do camponês e as fábricas e indústrias são dos obreiros. Planifica-se para que o homem não seja explorado pelo próprio homem, e para que todos possuam os mesmos direitos e deveres nas diversas ramificações sociais.
Aqui eu paro. Não tem como comentar um texto desses com a ingenuidade de um adolescente de 13 anos que acabou de ler "A Ilha".
Mas o interessante da coisa toda é que, em algum momento, todos os esquerdistas sinceros passam pela mesma experiência: a decepção.
Tomaram uma dura da imigração cubana e ainda tiveram uma prova de quão comprometidas com os ideais revolucionários são as autoridades de Fidel:
Logo foram pedindo nossos passaportes, vistos e explicações do porquê de estarmos em Cuba. Apresentamos a carta do Consulado e a conversa amenizou-se. O soldado que fazia as perguntas iniciais ligou para seu chefe, pois, com a intervenção do Consulado brasileiro, qualquer atitude tomada contra nós poderia gerar um problema internacional. Em 5 minutos, o comandante da imigração, Julio Cesar, apareceu e assumiu o papel de inquisidor. Desqualificou-nos de todas as maneiras possíveis, e tratou-nos como criminosos e delinqüentes. Falou que deveríamos dormir numa casa autorizada e levar, no dia seguinte, o comprovante de pagamento. Discutimos muito, falávamos que não tínhamos dinheiro para hospedagem. Respondeu que se não tínhamos dinheiro era para voltarmos de onde tínhamos saído, chamando-nos de loucos por estarmos viajando sem dinheiro. Argumentamos que Che e Fidel também foram dois loucos sem dinheiro. Julio César somente riu.
Não acreditávamos que isto poderia estar acontecendo em Cuba.
Não dá para culpar o Julio. Até eu soltaria uma gargalhada se ouvisse uma frase patética dessas. O sorriso dele foi uma aula que os jovens (insisto!) não devem ter aprendido:
"Acordem, crianças! Em que mundo vocês vivem?"
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