29 novembro 2006

Maradona e o guaraná

Lembram daquele comercial em que o Maradona aparece vestindo a camisa da seleção brasileira e cantando o hino nacional?

Pois então. O brasileiro está tão imbecilizado que uma empresa brasileira paga uma grana horrível para um cheirador-de-pó argentino sacanear a seleção brasileira e o hino nacional e nego ainda acha graça.

Helloooooo, dumb asses!

Maradona estava tendo um pesadelo, logo - duh! - cantar o hino nacional vestindo a camisa da seleção é considerada uma coisa ruim!

A imbecilidade está chegando a um ponto tal que o brasileiro ri na rodinha sem perceber que os demais estão rindo dele e não com ele.

Adorei o termo!

Chateus! :-)

E esse aforismo está sensacional:

Os chateus só vão tomar tendência e tratar de seus assuntos sem charlatanismo, quando o amor que eles professam pela Ciência for maior do que a aversão que têm da Fé.

28 novembro 2006

Você pode ser mais religioso do que pensa

Tente responder usando argumentos puramente científicos:

Por que minha vida teria o mesmo valor que a do Bill Gates? Numa situação em que um ateu devesse me matar para que Bill Gates vivesse, caberia algum dilema moral?

Por que um ateu seria contra a pena de morte? Se não passamos de estruturas biológicas, quais argumentos justificariam a manutenção da vida de alguém cujo propósito e exterminar outras pessoas?

Perguntas interessantes para as quais não tenho resposta ainda.

Turistas

O Paulo encontrou um post de uma figura (não vou colocar o link porque achei o site horroroso) que acha que o filme Turistas (também não vou colocar link para este lixo) faz parte de uma estratégia de propaganda do governo Bush para abalar a indústria do turismo nacional. Duvidam que alguém possa descer tão baixo?

Atenção, crianças, não é caso de dizer que é "fato", o Brasil é violento mesmo, blablablá... Temos que entender a fonte dessa propaganda. A Fox é mestra no ultra-nacionalismo norte-americano. O canal de voz da prepotência de Bush. Não sejamos ingênuos.

Este "Turistas" é um filme bastante "oportuno" já que o verão vem chegando. E com ele viriam chegando também os turistas estrangeiros ao Rio de Janeiro. Este filme cai como uma bomba na indústria do turismo nacional. Mas, quem se importa com isso?

Adorei o "atenção, crianças". Confere uma certa autoridade, própria de quem sabe tudo e tudo vê. Quem discordar é porque é ingênuo e não consegue enxergar o plano que os malditos ianques estão tramando contra nós.

Mas vamos aos fatos: em post recente mostrei, através de uma rápida pesquisa, que em termos de indústria turística o Brasil nem mesmo faz cócegas em países como Estados Unidos, França e Espanha. Não estamos nem mesmo entre os Top 25 destinos de turistas internacionais, segundo a Organização Mundial de Tursimo. Portanto, se os EUA realmente gastaram dinheiro para atacar um cachorro moribundo como a gente, eles fazem jus ao rótulo de burro que o mundo subdesenvolvido lhes grudou na testa.

Nem dá para dizer que isso é fruto do antiamericanismo que impera no Brasil. O que existe aqui é uma mistura de inveja, recalque e admiração que faz com que vejamos os mais agressivos comentários vindos de pessoas que se propõem a esperar meses por uma chance de fazer uma entrevista para obtenção de visto de entrada nos Estados Unidos. Pessoalmente eu não costumo encarar uma fila de meses para entrar num país que eu desgosto.

Para ter uma superficial idéia do "antiamericanismo" que rola por aqui, as filas para entrevista de visto chegam a cerca de 3 meses.

As companhias aéreas americanas saem com seus aviões lotados para os EUA, não importando a época do ano, e empresas como a American Airlines estão disponibilizando vôos extras para atender à demanda.

Last, but not least, as facilidades para comprar um bilhete vêm sendo gradativamente reduzidas: inicialmente comprava-se um bilhete em 10x sem juros; logo depois mudou-se para 10x com juros ou 5x sem juros; atualmente somente está disponível o plano de 5x sem juros.

Não conheço caso de empresa que dificulte a venda de produtos que as pessoas não têm muito interesse em comprar. Mas sabe como são os ianques: burriiiiinhos...

É muita vontade de dizer coisas boas

Otimismo de empresários é o maior desde 2005

Ou o periódico utiliza um template do tipo:

Otimismo de/dos ............ é o maior desde ..........

Ou essa foi uma patética tentativa de fazer parecer que os empresários otimistas como nunca.

27 novembro 2006

Dawkins, o charlatão

Eu sou um cético. Acredito muito na capacidade de criação - e destruição - do ser humano porque temos evidências concretas ao nosso redor - minha mente de engenheiro funciona desta forma, fazer o quê? - mas tenho tenho muitas dúvidas sobre religião (Por que estamos aqui? Para onde vamos? Etc.) assim como sobre assuntos da esfera científica. Procuro manter a mente aberta para todas as possibilidades, sem fechar porta alguma.

Não tenho a mesma fé em Deus que algumas pessoas que eu conheço, mas também não descarto sua existência apenas porque não conseguiram prová-la cientificamente. Conheço muita gente inteligente e religiosa que possui bons argumentos para sê-lo, para afirmar que a religião é coisa de gente ignorante.

Se acompanharmos a evolução da ciência, perceberemos que muita coisa desconhecida e misteriosa no passado é hoje banal. Houve um dia em que achar que Terra era plana não soava tão ridículo quanto soa hoje. Quantas vezes não se descobriu a menor partícula existente?

Para essas descobertas acontecerem foi necessário que o homem continuasse sempre perseguindo as respostas, mesmo quando ele nem tinha certeza de que elas existiam.

O que não entra na minha cabeça é a rusga entre cientistas e a religião. Além do fato de cada área buscar respostas para perguntas diferentes, cabe à ciência perseguir todas as respostas possíveis. É inconcebível um cientista sentar sobre um determinado assunto e decretar que sobre este não cabem mais questionamentos. Ainda mais sobre assuntos tão controversos como o surgimento da vida.

Para mim, pessoas como Richard Dawkins (sei que estou correndo o risco de ferir a sensibilidade de muitos fiéis) fazem um mal enorme para a ciência apesar de atrairem a atenção de milhões de pessoas para sua causa. O problema, ao meu ver, é que atraem pessoas que não querem respostas mas apenas aquelas que buscam uma legitimação para seus pontos de vista. Ele se converteu em um líder religioso onde o Deus é o não-Deus.

O site do sujeito faz jus ao seus status de pop star. Na verdade é mais elaborado que muitos sites de celebridades por aí. De onde vem essa grana? Por que mais interesse em combater a religião que avançar nas respostas que ainda não temos? O site dele é destinado a fomentar a polêmica porque é disso que ele vive e foi graças a ela que ele se tornou - provavelmente - um milionário. O atrito é que vende; o conflito é que mantém seu nome em ebulição e faz os convites para palestras e entrevistas pipocarem.

Para mim, Richard Dawkins está para a ciência assim como o Bispo Macedo está para a religião.

26 novembro 2006

Irrefutável

"O mundo é feito pelo esforço dos inteligentes, mas são os imbecis que o desfrutam."

Stupidity everywhere

Buy Nothing Day

Every November, for 24 hours, we remember that no one was born to shop. If you’ve never taken part in Buy Nothing Day, or if you’ve taken part in the past but haven’t really committed to doing it again, consider this: 2006 will go down as the year in which mainstream dialogue about global warming finally reached its critical mass. What better way to bring the Year of Global Warming to a close than to point in the direction of real alternatives to the unbridled consumption that has created this quagmire?

Não é que o garotinho da foto abaixo está certo?

I see...

Delfim Neto

Os melhores momentos do programa Globonews Painel, ao qual me referi num post anterior, ficaram por conta do Delfim Neto. O trecho comparando as eleições na Irlanda e no Brasil foi impagável. Vou citar de cabeça, procurando manter a idéia central:

Na Irlanda o candidato a primeiro-ministro chega para a população e diz "Vocês vejam lá o que vão fazer, hein: se eu for eleito vou fazer isso tudo com vocês". O irlandês, como é burro, vai lá, vota no sujeito e ele salva a Irlanda. Mas o brasileiro é esperto. Aqui os dois candidatos nunca disseram o que iam fazer, só ficavam falando de crescer, crescer".

Neoliberalismo radical

Não consigo deixar de me surpreender com as manifestações de liberalismo exibidas pelo nosso país. Aquele-cujo-nome-é-uma-ironia-ambulante tem razão: o Brasil precisa exorcizar o fantasma de Friedman que nos assombra e nos mantém na miséria.

Esta lei, por exemplo, é muito frouxa! Vou citar alguns pequenos exemplos de buracos:

Art. 4o Os preços dos produtos e serviços expostos à venda devem ficar sempre visíveis aos consumidores enquanto o estabelecimento estiver aberto ao público.

Parágrafo único. A montagem, rearranjo ou limpeza, se em horário de funcionamento, deve ser feito sem prejuízo das informações relativas aos preços de produtos ou serviços expostos à venda.

Por que apenas enquanto o estabelecimento estiver aberto? E se eu, consumidor, quiser dar uma volta de madrugada para olhar vitrines? É uma questão de cidadania fazer com que os estabelecimentos mantenham os preços visíveis durante as 24 horas de todos os dias da semana!

Tem mais permissividade do governo para com os empresários:

Art. 5o Na hipótese de afixação de preços de bens e serviços para o consumidor, em vitrines e no comércio em geral, de que trata o inciso I do art. 2o da Lei no 10.962, de 2004, a etiqueta ou similar afixada diretamente no produto exposto à venda deverá ter sua face principal voltada ao consumidor, a fim de garantir a pronta visualização do preço, independentemente de solicitação do consumidor ou intervenção do comerciante.

Isso é um erro: as estiquetas devem ser do tipo holográficas, daquelas que o consumidor pode ler de qualquer ângulo que esteja em relação ao produto. Do jeito frouxo que está, os empresários irão colocar as estiquetas apenas voltadas para uma direção, fazendo com que os consumidores tenham que se deslocar até que o preço esteja visível.

Para a finalizar, uma crueldade com as pessoas com necessidades especiais:

Art. 7o Na hipótese de utilização do código de barras para apreçamento, os fornecedores deverão disponibilizar, na área de vendas, para consulta de preços pelo consumidor, equipamentos de leitura ótica em perfeito estado de funcionamento.

(...)

§ 2o Os leitores óticos deverão ser dispostos na área de vendas, observada a distância máxima de quinze metros entre qualquer produto e a leitora ótica mais próxima.

Quinze longos e intermináveis metros?! Se o governo estivesse realmente preocupado com o bem-estar dos cidadãos portadores de necessidades especiais, ele iria fazer com que os estabelecimentos mantivessem funcionários circulando, ao menos de 15 em 15 segundos, pelos corredores do estabelecimento (o uso de patins é aceitável) com leitores portáteis.

Isso tudo é resultado dessas políticas neoliberais que tomam conta do Brasil desde a década de 90.

Economics for dummies

É o que deveria ler o pessoal do governo e boa parte da imprensa "especializada". O primeiro porque achava que isso podeira funcionar e esta última por acreditar na conversa fiada:

RIO - A decisão de aumentar a mistura do álcool anidro na gasolina, de 20% para 23%, que deveria reduzir o preço do combustível, ainda não surtiu efeito no bolso dos proprietários de veículos.

Re-post

Isso não é um país, é um estudo de caso.

Painel

Quem tiver Globonews não deixe de ver o Painel que vai ser reprisado hoje (confira os horários no site do canal). Giannetti, Delfim Neto e Luiz Gonzaga Belluzzo discutem o futuro da economia do Brasil. Giannetti foi o único a dizer que do jeito que está não tem jeito. Delfin e Belluzzo concordaram que é preciso alinhar a economia com as urnas ("nenhum político tem mandato para fazer isso que vocês [economistas] querem").

Peço ajuda dos economistas que freqüentam este boteco para me entender como isso é possível.

Bem talvez a resposta o próprio Giannetti tenha dado: a população está elegendo políticos que não estão comprometidos com crescimento.

Giannetti também disse - e eu concordo - que o que diferencia um verdadeiro estadista dos demais políticos é justamente fazer o que tem que ser feito mesmo que isso possa colocar em risco seu futuro político.

Impossível não lembrar de figuras como Ronald Reagan e Margaret Thatcher.

25 novembro 2006

Aquele cujo nome é uma ironia ambulante

Ao contrário de muita gente, consegui deixar de ler as besteiras que Veríssimo escreve. O chato é que os seus textos, quando ele se dispõe a fazer propaganda, são tão grosseiros que nem estimulante é refutá-los. É coisa para iniciante, um tédio.

Vejo agora que ele resolveu dar uma contribuição à causa, fazendo comentários sobre o economista Milton Friedman (nada como chutar cachorro morto, né?). Rodrigo tratou de esculachá-lo devidamente.

24 novembro 2006

Competição

As três maiores marcas de guaraná brasileiras só podem estar travando uma competição para decidir quem faz o comercial mais idiota.

E está difícil escolher a campeã...

Liberals' whining

Reality continues to ruin my life.

Calvin, from Calvin & Hobbes cartoon

Liberals' mantra

Why should I have to WORK for everything?! It's like saying I don't deserve it!

Calvin, from Calvin & Hobbes cartoon.

23 novembro 2006

Coisas que te fazem comprar um livro

Declarações como essa de C.S. Lewis:

Não tenha medo da palavra ‘autoridade’. Se você acredita em algo por causa da autoridade de alguém significa apenas que você acredita porque a pessoa que lhe deu a informação é confiável. Noventa e nove por cento das coisas em que acreditamos são cridas em função da autoridade de alguém. (…) O homem comum acredita no sistema solar, nos átomos, na evolução e na circulação do sangue por causa da autoridade de alguém - porque os cientistas o afirmam. A única prova que temos de qualquer declaração histórica é também a autoridade. Nenhum de nós testemunhou a conquista normanda ou a derrota da Invencível Armada. Nenhum de nós poderia provar pela lógica pura que essas coisas aconteceram como se pode provar uma equação matemática. Acreditamos nelas simplesmente porque algumas testemunhas deixaram relatos escritos a seu respeito: na verdade, acreditamos nelas por causa de uma autoridade. Um homem que demonstrasse ceticismo em relação à autoridade em outros assuntos, como certas pessoas o fazem em relação à religião, teria de se contentar com não saber absolutamente nada.

Previsibilidade

O Brasil vem se tornando um lugar de uma previsibilidade incrível. Hoje, ao ouvir a chamada no Bom dia Brasil "Crime choca o Rio de Janeiro", imediatamente deduzi:

1 - Onde se lê Rio de Janeiro, leia-se bairros nobres da Zona Sul (não me venham com Botafogo, Flamengo ou Urca!).

2 - A vítima era alguém conhecido pois todos sabemos que morte de anônimo não choca ninguém por essas bandas.

Não deu outra:

1 - Local: Leblon
2 - Vítima: socialite ex-esposa do vice-presidente do grupo Gerdau

É um tédio só...

21 novembro 2006

Governo sabe tuuuuuudo - parte II

Fui alertado de que a reportagem que eu comentei no post anterior não procedia porque o governo não impede que o usuário instale outro sistema operacional. Conforme sugerido, fiz uma pesquisa adiciona e descobri que o governo apenas exige - sob pena de perda de suporte técnico - que o sistema operacional seja "Software livre de código aberto com permissão de uso, estudo, alteração, e execução e distribuição". Ou seja, não pode ser o Windows.

Não discuto a legitimidade da imposição, mas que ela existe, existe.


O mais bizarro eu descobri fazendo a tal pesquisa. Existe uma portaria do Ministério da Ciência e Tecnologia que determina como deve ser a configuração do tal computador popular.

É sério. (O Paulo vai adorar essa!)

É o orgasmo para um burocrata: a tal portaria definine características mínimas de hardware e quais aplicativos devem vir instalados no computador.

Surreal! Imagine quantas pessoas não esitveram e estão envolvidas nisso...

Um trecho do anexo da portaria merece especial atenção:

O suporte a ser prestado aos usuários das soluções do Programa Computador para Todos será de responsabilidade da empresa credenciada para fornecer tais soluções, durante o período de 1 (um) ano. Compreende a assistência técnica ao hardware e o suporte ao pacote de software que compõe a solução. Para o usuário final deve ser transparente a questão do problema ser de hardware ou de software, ou seja, a rede de assistência deve garantir o funcionamento da sua solução.

Nem quero saber quanto este suporte "gratuito" está custando aos cofres públicos.

Voltado ao resultado da pesquisa, esta é uma prova da incapacidade do governo para tomar certas decisões: se 73% dos beneficiários está removendo o sistema operacional e os aplicativos pré-instalados é porque estes softwares não são interessantes. Faz sentido: a maioria das empresas usa software Windows e estar familiarizado com estes softwares é abrir portas no mercado de trabalho, coisa que, aliás, deveria ser do interesse do governo. Para piorar a situação, o governo paga, de forma direta ou indireta, pelo suporte que seria prestado ao sistema operacional livre e aos aplicativos mas esses produtos são desinstalados ou não utilizados.

Reparem na grandiosidade da cagada: o governo paga por algo que não é utilizado enquanto que os beneficiários ficam sem suporte por instalar produtos mais interessantes do ponto de vista prático.

Claramente um desperdício de dinheiro público.

Um governo sério deveria buscar uma alternativa junto à Microsoft para obter licenças dos seus produtos. Só consigo enxergar dois motivos para esse programa continuar do jeito que está:

1) Ideológico: por questão de ideologia o governo decide manter a imposição do software livre, se recusando a negociar com a MegaUltraCapitalista Microsoft que, na verdade, fornece os produtos que os beneficiários realmente desejam.

2) Corrupção: existe algum tipo de conluio com as empresas credenciadas pelo programa.

PS: Este post parte da premissa, questionável, de que este programa de financiamento é uma atribuição válida do governo federal.