31 janeiro 2009

Elas vs eles

A lei assinada pelo recém-empossado presidente estadunidense (calma, só que queria saber qual a sensação de escrever esta palavra ridícula) que iguala - sabe-se lá Deus como! - salários de homens e mulheres levanta discussões interessantes.

De posse de algumas estatísticas é quase impossível não chegar à conclusão de que o mercado de trabalho, por alguma razão irracional, adora discriminar mulheres sem nenhum motivo aparente.

Mas será que o que ocorre é isso mesmo? Veja bem, HÁ uma discriminação na maioria dos setores sim, mas num setor específico, por exemplo, isso não é verdade. Aliás, é exatamente o contrário. Se não há uma sistemática discriminação contra as mulheres em todos os setores é possível que haja motivos racionais para uma empresa atribuir menor valor ao trabalho de uma mulher. Mas este tipo de discussão está proibida atualmente. Sabemos que a única comparação aceitável entre homens e mulheres é aquela que atesta a superiodade delas sobre nós, pobres portadores de pênis. Mas isso é papo para outro post.

Voltando ao assunto, não sei onde li isso - acho que uma googleada resolve, mas tô com preguiça - mas atrizes pornôs ganham muito mais que seus parceiros de filme. Ora, discriminação contra os homens? Claro que sim e faz muito sentido: quem consome este tipo de produto não está interessado nos dotes masculinos. A estrela, se assim podemos dizer, é a mulher. O homem não passa de mero acessório.

Creio que este não dever ser o único nicho onde mulheres são mais valorizadas que homens. O mercado de modelos talvez seja a mesma coisa.

Em relação mercado de trabalho normal, quem trabalha em atividades onde a força física não é necessária sabe que há mulheres que ganham mais que homens desempenhando a mesma função. E isso acontece porque aquelas mulheres especificamente são mais produtivas naquele determinado setor e não porque seus gerentes sejam mais conscientes da igualdade entre os gêneros. As mulheres estúpidas continuam ganhando menos que homens e mulheres competentes.

Sei que é difícil para burocratas e acadêmicos que nunca saem de seus gabinetes imaginarem isso, mas há todo um mundo voltado para produção de bens e serviços onde a eficiência é recompensada e a ineficência é punida severamente.

Nesses meus mais de vinte anos de trabalho nunca vi nenhum gerente disposto a botar o seu fiofó na reta para se manter fiel a seus preconceitos (o que não quer dizer que não haja empresas que permitam que cada gerente faça do seu setor o seu feudo). Há quem reclame que "empresas só vêem números." Isso pode ser uma boa coisa já que números não têm raça, gênero, orientação sexual, religião...

Em todo caso, é irônico que alguns dos maiores beneficiados pelo Ato Lilly Ledbetter - se ele puder ser aplicado na prática - sejam os atores pornôs ou modelos masculinos. Peculiaridades de uma lei cujo objetivo único é a demagogia barata.

Sowell

Thomas Sowell faz uma boa pergunta - e a responde - neste artigo: What Are They Buying?

Chute

O cargo de "Presidente do Mundo", que Obaminha tanto deseja, é um mandato de apenas 4 anos.

Se ele enveredar pelo caminho que está indicando seguir acho que não emplaca um segundo termo.

Colou?

Não? Então desfaz a merda e pensa em outra.

Aquilo a que todos brazucas estamos acostumados desde sempre (intensificou-se no governo atual, é verdade, mas sempre foi um traço nosso) os americanos - e, por tabela, o mundo - vão experimentar, aparentemente em doses maciças, neste governo Obama: decisões impensadas revertidas pela gritaria geral de um ou outro grupo.

Agora foi o aço. Obaminha baixou uma determinação, condicionando o recebimento de recursos do pacote anticrise à não importação de aço. Sindicatos aplaudiram, mas o mundo chiou e chiou feio.

Aí, depois de baixada a determinação, é que a Casa Branca me vem com essa:

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse, nesta sexta-feira, que o governo de Barack Obama estava examinando se a cláusula viola as obrigações comerciais dos Estados Unidos.

- O governo está revendo esta cláusula em especial e vai tomar uma decisão sobre o assunto. (...) Entendemos todas as preocupações - disse Gibbs.

Como é? O governo vai examinar, depois de baixada a determinação, se há alguma violação das obrigações comerciais dos EUA? Não é o tipo de coisa que os departamento jurídicos fazem ANTES?

30 janeiro 2009

29 janeiro 2009

Obama é Lula

Os EUA podem não ser o Brasil (ainda) mas Obama tem alguns traços de Lula: a demagogia fácil, a facilidade de canetar leis estúpidas.


"Ela sabe que a história não é só dela, mas de todas mulheres que ganham US$ 0,75 quando um homem ganha US$ 1 e ainda menos do caso das mulheres negras. [...] Igualdade de pagamento não é um tema de mulheres e sim de família. A família que [pela desigualdade de pagamento] não tem dinheiro para educação, famílias que dependem disso para pagar a hipoteca ou não, pagar as contas médicas ou não", disse Obama, acrescentando que, em tempos de crise econômica, os trabalhadores americanos não podem arcar com salários menores por discriminação.

O democrata lembrou da história de sua avó, que trabalhava em um banco no Havaí e sustentava ele e sua meia-irmã. "Assino esta lei em honra a ela e mulheres como ela, como minha avó, que trabalhou no banco a vida inteira e mesmo quando atingiu o teto de vidro continuou indo para dar o melhor para mim e minha irmã", disse o presidente. "Para minhas filhas, para que elas tenham oportunidades que sua mãe e avós não imaginavam ter."

26 janeiro 2009

Calma cidadão...

... Que nesse Brasil tudo tem solução!

Lembram dos atletas que estavam mendigando patrocíniono no Flamengo?

Não, não pintou nenhuma empresa no pedaço. Mas quem precisa de empresa quando temos o bom e velho paizão Estado para tomar conta da gente?

Leiam e emocionem-se (grifos meus):

Durou pouco a incursão de Diego Hypolito, Daniele e Jade Barbosa no mundo dos desempregados. Depois de ver as portas do Flamengo fechadas por falta de dinheiro, o trio de ginastas recebeu nesta segunda-feira a notícia da permanência na Gávea, graças a um novo patrocínio. Diante dos três atletas e do presidente Marcio Braga, a Prefeitura de Niterói se comprometeu a investir os R$ 80 mil que a modalidade consome mensalmente no clube.

- Quando vi o problema do meu amigo Marcio, achei que estava na hora de entrar. Foi a forma que encontramos para manter essa geração de atletas. Além disso, Niterói vai ajudar, de alguma forma, o esporte nacional - contou o prefeito da cidade, Jorge Roberto da Silveira.

Isso é lindo! Eu adoro essa terra!

Preciso mudar o nome daquele post. Em vez de "Lugar errado" acho que os atletas estão é no "Lugar certo."

Resumindo

A foto abaixo fala por si.

Fico imaginando o que seria preciso para um típico carioca falar "Chega! Pára, que tá tudo errado!"


Nadando no esgoto. Literalmente.

25 janeiro 2009

BBB

Eu entendo que seja uma legítima forma de entretenimento. Não assisto, não gosto, mas também ninguém é obrigado a compartilhar meus gostos por sitcoms e enlatados americanos.

Gosto é gosto. Na hora de dar um descanso ao cérebro, cada um com sua válvula de escape.

O que realmente me impressiona é a dimensão da coisa. Todos os grandes jornais on-line e sites do país têm seções exclusivas para cobrir o programa e noticiam eventos da casa com destaque em suas home pages que, sinceramente, me parece meio over, ainda mais para um programa que já está em sua nona versão e está longe de ser uma novidade.

O Globo (este compreende-se, pois o programa é da casa)
Estadão
Folha
Terra
UOL

Meio freak, sei lá.

Falha de mercado não existe

É isso mesmo. Não existe esse negócio de falha de mercado.

Repito: não existe falha de mercado.

Por quê?

Simples: para existir uma falha é preciso existir um objetivo não alcançado. Ninguém falha simplesmente. Falha-se em alcançar um determinado objetivo.

Geralmente ouvimos esta expressão quando alguém quer sugerir a intervenção estatal em algum setor.

Por exemplo, o fato de muitas pessoas não terem acesso à medicina particular é vista como uma falha de mercado.

Errado.

Seria falha se o livre mercado tivesse como objetivo proporcionar acesso à medicina particular para todos.

E não tem.

E aí? Bem, aí é que eu acho uma vergonha que, em pleno século XXI, haja gente morrendo por falta de remédios ou atendimento relativamente simples. Sob o ponto de vista civilizacional é uma catástrofe uma sociedade que não consegue cuidar dos seus desamparados.

Aí entraria o Estado, que falha - aí sim! - miseravelmente nesta tarefa.

Portanto, no sentido estrito, só existe falha de governo.

E por falar nisso

E por falar em reality check, muita gente critica a Igreja Católica por não se adaptar à modernidade do mundo, mas vejo poucos dispostos a adaptarem suas ideologias a um mundo que ficou menor, mais perigoso e muito mais complexo que as ideologias pensadas em 1900 e lá vai vovô. O princípio da não agressão, por exemplo, é lindo mas quem tem uma saída (eu não tenho) para o dilema de se manter fiel a ele, agindo apenas em caso de ataques, quando o primeiro ataque é nuclear e pode dizimar cidades inteiras?

Sim, porque dizer

"Nós não podemos iniciar uma agressão, mas apenas nos defender no caso de sermos atacados."

Pode ser reescrito como:

"Somente depois que eles jogarem sua bomba nuclear em nós e matarem milhões de pessoas e que podemos contra-atacar ."

E agora, meu caro libertário?

O mundo real é um belo laboratório para testar teorias e ideologias, do mais radical comunismo ao mais escancarado liberiarianismo. Vejamos este caso:


E algumas destas demandas chegam a ser triviais. Recentemente, em audiência sobre a guarda de uma criança de 10 anos no interior do estado, nenhum dos pais queria ficar com ele, pela incapacidade de educar o menino travesso e inquieto. Diante da insistência da juíza de Família, o pai recuou.

Horror! Horror!

O Estado malvado, esta entidade maligna, forçando dois indivíduos a se associarem a um terceiro!

E a sagrada liberdade de associação?

Que absurdo!

Afinal, qual norma diz que o Estado tem o direito de forçar os pais a tomarem conta dos seus rebentos ou mesmo punir aqueles que não desejam fazê-lo?

Mas já vão embora?

Casal de turistas esfaqueado deixa o Rio no domingo

Só porque foram esfaqueados numa das ruas mais movimentadas da Zona Sul do Rio de Janeiro, em plena luz do dia?

Não sejamos radicais!

Isso acontece em todas as grandes cidades do mundo.

Bem, de qualquer forma acredito que vocês adoraram o Rio de Janeiro e a simpatia do povo carioca e farão propaganda positiva da cidade para seus amigos e familiares.

Nos vemos no ano que vem!

24 janeiro 2009

Lugar errado

Isso vai soar meio como um trecho de um daqueles livros de administração ("Seja um vencedor mesmo sendo um merda!") mas a manutenção do sucesso depende de (A) talento, (B) dedicação e (C) fatores externos (sorte, oportunidades, infra, etc.). Até dá para se manter em pé um tempinho sem um deles e, em alguns casos, com um só!, mas uma hora a casa cai.

Enquanto isso, na terra malvada do neoliberalismo excludente, a capetinha Shawn Johnson não precisa ficar mendigando para viver e, com essa lista de patrocinadores, deve ficar muito bem quando pendurar as chuteiras.

Talento e dedicação ela tem, assim como Diego e Daiane. Para estes, porém, faltou o resto: eles tinham o talento certo mas no lugar errado.

23 janeiro 2009

Veja o lado bom

Vejo no Not Tupy que:

“The Freedom Party (PVV),” read yesterday’s press release, “is shocked by the Amsterdam Court of Appeal’s decision to prosecute Geert Wilders for his statements and opinions. Geert Wilders considers this ruling an all-out assault on freedom of speech.”

The appalling decision to try Wilders, the Freedom Party’s head and the Dutch Parliament’s only internationally famous member, for “incitement to hatred and discrimination” against Islam is indeed an assault on free speech. But no one who has followed events in the Netherlands over the last decade can have been terribly surprised by it. Far from coming out of the blue, this is the predictable next step in a long, shameful process of accommodating Islam—and of increasingly aggressive attempts to silence Islam’s critics—on the part of the Dutch establishment.

C'mon, people! É a Holanda! Em compensação vocês podem consumir drogas, escolher putas em vitrines e fazer sexo em público. É o estado da arte em progressismo.

Era uma vez

Era uma vez um condomínio que tinha uma belíssima vista para o mar. Todos seus moradores eram muito orgulhosos da vista que desfrutavam e a exibiam a visitantes e moradores de outros condomínios. Era algo tão belo que praticamente havia se tornado marca registrada daquele condomínio. Infelizmente nem tudo eram flores. Usando o mesmo acesso que proporcionava a vista maravilhosa aos condôminos, ladrões entravam no condomínio para efetuar roubos e pequenos delitos. Num certo dia, o pior aconteceu: um grupo de criminosos violentos invadiu o condomínio, estuprou, assassinou e cometeu vários atos bárbaros. Os moradores ficaram chocados. Nunca se imaginaram naquela situação. O síndico, pressionado pelos moradores que exigiam mais segurança para si, propôs a construção de um grande muro para impedir a entrada de criminosos. Porém, este muro também bloqueava a maravilhosa vista que era motivo de orgulho para os condôminos. Traumatizados pelos recentes acontecimentos, os membros do conselho aprovaram a idéia do muro, que foi finalmente construído. E nunca mais houve um incidente sequer no condomínio envolvendo invasores. O tempo foi passando e o trauma dos ataques foi cedendo lugar a uma nostalgia pela vista perdida. Muitos passaram a questionar o síndico, argumentando que o muro não era mais necessário. Entretanto ataques a outros condomínios continuavam a acontecer e nada dava a entender que uma mudança de cenário estava próxima. O síndico, apoiado pelo conselho, decidiu manter o muro. Pouco a pouco, com os moradores se sentindo mais seguros, as reclamações em relação ao bloqueio da vista foram aumentando. Chegada a época de escolher o novo síndico, um candidato passou a prometer que, se eleito, iria trazer de volta a maravilhosa vista que tornou famoso o condomínio. Todos os moradores ficaram entusiasmados com a perspectiva de terem sua vista maravilhosa de volta. Não se falava em outra coisa. Tanto tempo sem ataques fez com que a segurança do condomínio fosse considerada um fato garantido, que não requeria manutenção. Na verdade, o síndico atual passou a ser lembrado apenas como aquele que “tirou de nós a maravilhosa vista que costumávamos ter.” Nada mais se falava sobre o fato de nunca mais ter havido um ataque sequer ao condomínio após a construção do muro. E então o novo síndico foi escolhido. No dia seguinte à sua posse, todos foram lhe perguntar quando o muro seria demolido. Aos moradores ele disse que isso não era algo para ser feito de um dia para o outro, que algumas coisas precisavam ser consideradas e que a segurança do condomínio era mais importante. Um morador mais exaltado retrucou que “isso era o que o síndico anterior dizia, ora bolas!” Dez administrações após, o muro continua lá, não houve nenhum ataque e todos que conhecem o síndico que construiu o muro juram que ele mantém um risinho irônico permanente em sua cara.

22 janeiro 2009

Há esperança!

Sim, há esperança para a América. Talvez eu esteja enganado e a histeria (não a eleição em si, que é parte do jogo, apenas a histeria) envolvendo a eleição de Obama tenha sido apenas um surto e não parte de um processo. Estava preocupado com o comportamento dos meios de comunicação em relação às ações de Obama, mas este vídeo (muito, muito, muito obrigado FYI) mostra que, aparentemente, não farão com ele a blindagem total que fizeram com um certo Apedeuta por aqui. Claro que ainda haverá os biased de sempre, mas pelo menos não será generalizado.

21 janeiro 2009

Reinaldo e Obama

Achei perfeita a análise do Reinaldão sobre o fenômeno "Obama." Quem algum dia procurou entender um pouco o que está por trás dos movimentos revolucionários mão se surpreende com isso:

Obama, claro, cumpre o seu papel. Escrevi, certa feita, que há nele muitos quês de terceiro-mundismo. As parcas e os porcos logo entenderam que me referia à sua origem e à cor de sua pele. Não! Incomoda-me nele essa vocação para inaugurar auroras, para gáudio de seus mistificadores midiáticos, numa espécie de demonização retórica do passado, sem alvo definido. E também não dá para negar os apelos messiânicos de seus discursos. Ontem, falou em "reconstruir a América". Ela foi destruída?

Já faz algum tempo que li um pequeno livro chamado The True Believer: Thoughts on the Nature of Mass Movements, onde Eric Hoffman faz uma brilhante análise dos movimentos revolucionários da nossa história. Um aspecto estava presente em praticamente todos: o único jeito de fazer as massas mergulharem de cabeça numa proposta desconhecida é fazendo-as crer que a situação atual é desesperadora.

Ou seja, para apostar em Obama, um político inexperiente e de passado obscuro, seria necessário que a população acreditasse que os EUA estivessem caindo aos pedaços, num estado deplorável.

Como ouvi muito por aí, de "especialistas", "pior do que com o Bush não pode ficar".

20 janeiro 2009

Hmmm

Trecho do discurso de Obama:

Nós não vamos pedir desculpas por nosso estilo de vida nem vamos hesitar em defendê-lo. E, para aqueles que buscam aumentar seus alvos induzindo terror e assassinando inocentes, dizemos a vocês, agora, que nosso espírito é mais forte e não pode ser quebrado. Vocês não irão nos ultrapassar, e nós os derrotaremos.

Daria pra começar este trecho dizendo "Como bem dizia meu caro George W. Bush..."

Happiest man on Earth

I'm so happy!

First day in the job

Honeymoon is over, baby.



Manifestantes queimam a foto de Obama em um protesto contra os Estados Unidos no Irã.

O mais poderoso do Planeta?

Enquanto preparava o molho a bolonhesa para meu almoço de hoje estava pensando numa expressão que normalmente ouvimos por aqui, associada ao presidente dos Estados Unidos: "o homem mais poderoso do Planeta."

Esta expressão nunca esteve tão longe da verdade.

Eu até chegaria a dizer que, individualmente falando, Chavez, Mugabe e Lula - este com suas Medidas Provisórias - têm muito mais poder para impor suas vontades e caprichos aos cidadãos dos seus países do que George Bush ao povo americano.

Enquanto a atuação do presidente americano é estritamente limitada pelo Congresso e seu poder limitado pela Constituição, por aqui as medidas provisórias abundam, inclusive criando canais de TV e todo tipo de coisa "urgente". Basta uma canetada e pimba! TV Brasil criada. Outra canetada e pimba! Centenas de milhões liberados para empresas em dificuldades.

Taca pedra na Geni

Agora é fácil culpar o Jorgibuxi pela crise, mas veja o que o NYT (que jamais poderíamos acusar de pró-Buxi) noticiou em setembro de 1999:

In a move that could help increase home ownership rates among minorities and low-income consumers, the Fannie Mae Corporation is easing the credit requirements on loans that it will purchase from banks and other lenders.

The action, which will begin as a pilot program involving 24 banks in 15 markets -- including the New York metropolitan region -- will encourage those banks to extend home mortgages to individuals whose credit is generally not good enough to qualify for conventional loans. Fannie Mae officials say they hope to make it a nationwide program by next spring.

Fannie Mae, the nation's biggest underwriter of home mortgages, has been under increasing pressure from the Clinton Administration to expand mortgage loans among low and moderate income people and felt pressure from stock holders to maintain its phenomenal growth in profits.

In addition, banks, thrift institutions and mortgage companies have been pressing Fannie Mae to help them make more loans to so-called subprime borrowers. These borrowers whose incomes, credit ratings and savings are not good enough to qualify for conventional loans, can only get loans from finance companies that charge much higher interest rates -- anywhere from three to four percentage points higher than conventional loans.

18 janeiro 2009

O décimo círculo do Inferno

Receita de felicidade

Difícil conviver com obamaníacos?

Difícil aturar aquele colega de trabalho que insiste em puxar papo sobre a mais nova versão do BBB?

Difícil aturar os especialistas de botequim que têm uma solução para o conflito em Gaza?

Calma, que isso tem um remédio. Faça como Homer Simpson:

Esporte é vida

Pela Copa-2014, cidades iniciam festival de gastos sem licitação

Fico revoltado com a insinuação de que alguma irregularidade possa vir a ser cometida. Se nós tivéssemos em nosso passado casos de corrupção que justificassem quaisquer dúvidas, tudo bem.

Mas não é o caso.

E vejam que isso tudo é investimento! Não sejamos bitolados e estreitos: o investimento mínimo que essas prefeituras estão fazendo agora será revertido em ganhos de infra-estrutura para a população. Assim como no Pan 2007.

O problema do Brasil é esse pessoal cri-cri que fica vendo problema em tudo.

17 janeiro 2009

Teoria da conspiração

Definição: qualquer afirmação, não importando quantas evidências a suportem, que seja aterrorizante o bastante para nos fazer pensar que muitas das coisas as quais julgamos sob nosso controle não estão, nunca estiveram e, provavelmente, nunca estarão.

14 janeiro 2009

So what?

"So what?" (e suas variantes)

ou

"This is not the first time we see something like this." (e suas variantes)

ou

"I was not aware of it." (e suas variantes)

Estas serão expressões comuns a partir de 20 de janeiro la nos isteitis.

Foi assim aqui na era do Lula Salvador.

Provavelmente será assim por lá também.

Está chegando

Está chegando o dia em que nada - de grande relevância para nós, não americanos - mudará mas tudo será diferente.

12 janeiro 2009

Eis que me pego defendendo barreiras protecionistas

- Mas Cláudio, isso é totalmente contra os princípios do liberalismo!

Eu sei, seu sei. Shame on me...

Por exemplo, na Suíça, em teoria, uma empresa só pode recrutar um profissional estrangeiro após efetuar uma busca localmente. E o salário pago não pode ser muito abaixo - não sei como eles medem isso - dos salários praticados localmente.

Por isso, talvez, não é raro ver suíços realizando trabalhos braçais. Um dia, enquanto esperava o trem, estava observando um grupo de trabalhadores efetuando reparos na estação. Que me desculpem os politicamente corretos, mas o capricho que eles empregavam no trabalho eu jamais vi nas minhas andanças pela Flórida e California onde imigrantes baratinhos abundam.

10 janeiro 2009

Enquanto isso na Globonews...

- E daqui a pouco teremos conosco a cientista política Baranga Mocréia da Silva que dirá como Israel é malvado e só faz merda.

Apostando o dos outros

Num post anterior, expus "minha teoria" que tenta explicar o fato de tanta gente "da paz" apoiar terroristas, ditadores e tudo mais. Sei que parece insano mas é perfeitamente racional e facilmente explicável. Apesar de muita gente ser de fato idiota nem todo mundo é tão idiota a ponto de apoiar terroristas em seu próprio quintal. Eles o fazem quando os terroristas estão explodindo pessoas a milhas e milhas de distância. Quer um exemplo? Basta fazer duas perguntinhas ao típico exemplar da classe média carioca:

1) Entre e Israel e Hamas quem você apóia?
2) Qual a solução para a criminalidade crescente nas favelas?

Asseguro que já ouvi, daqueles instruídos que freqüentaram faculdade e tudo o mais, respostas como:

1) Hamas
2) Napalm nas favelas, entrar com tanque botando tudo a baixo, passar o cerol, etc.

É óbvio que a pessoa não é estúpida a ponto de não reconhecer ameaças à sua integridade física e às suas propriedades. O que acontece é que, no primeiro caso, a bunda que está diante da seringa não é a dele. Neste caso é muito mais fácil e tentador posar de defensor das minorias, dos mais fracos e oprimidos. Quando é sua bunda que está na reta, o mesmo ser humano evoluído que chora pelas crianças palestinas não vê nada de errado em um policial espancar um menino de rua aqui no Rio de Janeiro, não importa quão desproporcional isto possa parecer. Alguns - pasmem! - até incentivam e urram diante do fato como bestas enlouquecidas.

A estupidez e o angelismo acabarão com a civilização.

05 janeiro 2009

Lei seca segue fazendo estragos

Fim de ano violento nas estradas. Mortes nas rodovias federais aumentam 13,3%

BRASÍLIA - O período de festas foi marcado por mortes e imprudência nas estradas. De acordo com o balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgado nesta segunda-feira, de 20 de dezembro a 4 de janeiro, foram registrados 7.140 acidentes, com 4.795 feridos e 435 mortos em 61 mil quilômetros de rodovias federais. Os acidentes superaram em 7,8% o total de 2007/2008 e o número de mortes saltou 13,3% em comparação a igual período anterior.

Hmmm

Se a piada não fosse tão óbvia eu iria ficar bolado com isso...

Que meda!

O PT soltou uma nota de répúdio à ofensiva israelense.

Peido de formiga.

Por quê?

Mr. X faz uma pergunta que também já andou pela minha cabeça. Resumindo: por que os militantes - quase sempre de esquerda ou simpatizante - apóiam pessoas ou entidades visivelmente violentas, sanguinárias ou totalitárias?

Comentei lá a conclusão única a qual pude chegar, considerando que não estão todos loucos:

Como tudo hoje em dia se tornou disputa política (até mesmo teorias científicas!) eles se aproveitam do angelismo dos nossos dias para fazer proselitismo. Todo mundo hoje é tolerante, é multicultural, é sofisticado. Só que há um pingo de hipocrisia aí (boa leitura é o livro "Do As I say"). É fácil defender o Hamas quando se está protegido pelo "imperialista" sistema americano, por exemplo. É lindo fazer elogios a Cuba e depois voltar para sua mansão multimilionária em Los Angeles. É comovente bradar contra a pobreza em Paris quando seu Maserati está bem protegido. Resumindo: para obter simpatia e serem vistos como pessoas elevadas, muitos apóiam atrocidades das quais sabem que dificilmente serão vítimas (e que se fossem reagiriam brutalmente). É o efeito "benefício concentrado, custos diluídos". Ou num linguajar mais chulo, "apostar o cu dos outros é mole".

03 janeiro 2009

Aí não!

- Saúde pública uma merda? Tudo bem...

- Educação pública uma merda? Tudo bem...

- Segurança uma piada? Vá lá...

- Política um circo? Tudo certo...

- Cultura um lixo? Beleza...

- Democracia indo pro ralo? Fazer o quê, né?

Agora dificultar minhas escapadas deste buraco, não!!!

Neste ano - e nos próximos - ninguém nos segura na nossa arrancada rumo ao atraso!

Atraso, lá vamos nós!

Crentes

Uma das coisas que me parecem mais poderosas no ser humano é sua necessidade de dar um sentido à vida, de se achar parte de algo maior. Os religiosos suprem essa necessidade através de Deus. Os demais o fazem através de qualquer coisa: duendes, fadas e até mesmo políticos.

Na esfera local, todos nós fomos capazes de observar a fé de muita gente esclarecida e erudita na santidade do metalúrgico de Garanhuns.

Na esfera internacional, temos Obama, o grande. Desta vez, esclarecidos e eruditos de todo o mundo depositam suas esperanças no novo messias. Naquele que irá reconduzir a América ao seu destino grandioso. E levará o mundo a reboque.

Assim como no caso do metalúrgico, cada entrevista de Obama é vista como um exemplo de sobriedade, equilíbrio, sofisticação, inteligência, humildade, prudência, etc. Nunca tive a oportunidade de estar ao lado de um "crente" quando este assiste a um discurso ou entrevista de Obama, mas seria capaz de apostar que a sua expressão é exatamente igual a de um evangélico ouvindo seu pastor, ou de um católico ouvindo o Papa: aquele ar meio abobalhado de quem está diante de algo que não é deste mundo.

Daí minha conclusão de que isso só pode se dar devido a algum mecanismo psicológico muito poderoso. Ora, eu sou incapaz de determinar, com precisão, o caráter de muita gente com quem convivo boa parte da minha vida, o que dirá de um político que só vejo através de entrevistas e discursos cuidadosamente preparados?

29 dezembro 2008

Minha manchete

Lei Seca aumenta número de acidentes nas estradas federais do estado do Rio de Janeiro

Rio - A Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou nesta segunda-feira balanço que mostra o aumento de aproximadamente 200% no número de vítimas fatais nas rodovias federais no Estado do Rio de Janeiro, em comparação com 2007.

Quem discordar que prove o contrário, né?

27 dezembro 2008

Ficção mesmo!

Leio o roteiro do filme Push no Omelete:

No roteiro escrito por David Bourla, também produtor-executivo do filme, alguns agentes estadunidenses com poderes de clarividência e telecinesia se refugiam em Pequim para escapar das garras da inteligência dos EUA. Para se verem livres para sempre, porém, eles precisam aceitar uma última missão.

Antes de mais nada: estadunidense? Estadunidense? Quem, em posse de suas faculdades mentais, usa este termo a sério? Quem? Quem?

É difícil saber qual a parte mais fantasiosa do filme: a existência de agentes com poderes de clarividência e telecinésia ou o fato deles fugirem dos EUA para buscar a liberdade na... China!

26 dezembro 2008

Estagiário

Acho que, neste feriado de Natal, deixaram um estagiário como responsável pela digitação das legendas na Globonews:


A não ser que o rapaz tenha sido levado por um montão de churros.

24 dezembro 2008

De olho no bom velhinho!

Acompanhe aqui a trajetória do bom velhinho na sua incansável entrega de presentes!

20 dezembro 2008

Por que gostamos de cachorro?

Por que queimar a mufa tentando esse fenômeno?

A teoria da evolução explica tudo.

Claro (grifos meus).

A ligação com os animais já foi explicada de várias maneiras por estudos científicos, mas uma das teorias mais aceitas é que a evolução favorece os homens que gostam de bichos. Registros arqueológicos de 10 a 15 mil anos atrás sugerem que, de lá para cá, homens e animais dividiam espaços semelhantes. Acredita-se que os homens tenham iniciado o processo de domesticação depois de perceber a utilidade do olfato apurado dos cães e de suas habilidades para a caça e para a defesa. As vilas protegidas pelos cachorros acabavam sobrevivendo aos ataques de predadores e rivais. Isso deu mais um motivo para o homem se manter próximo dos cães, traço preservado ao longo dos séculos.

19 dezembro 2008

Sofisticação é

Acreditar que há alguma chance da maior e mais corrupta repartição pública do mundo - a.k.a. ONU - trazer a paz mundial, mas debochar de qualquer um que cite uma passagem da Bíblia.

Pfuii

Ao longo do ano minha empresa manda e-mails felicitando os funcionários por todo tipo de feriado religioso.

Hoje recebo um com uma mensagem de "Happy Holidays".

16 dezembro 2008

Blogueiro mainstream

Post banal, embora emblemático.

Antes eu considerava que a mais baixa forma de vida dentro de uma redação de jornal eram os jornalistas esportivos, os colunistas sociais e aqueles que cobriam a TV.

Não mais.

De um tempo pra cá, a mais baixa forma de vida em uma redação de jornal são os blogueiros.

Blogueiros vinculados a grandes veículos não são blogueiros, em minha opinião. São jornalistas que escrevem em formato diferente do usado pelos seus colegas. E como tais, cometem invariavelmente os mesmos erros que afugentam o leitores: erros de grafia, preguiça de pesquisar minimamente sobre os assuntos, visão de mundo rasteira e estereotipada, padronização de opiniões, correção política, etc.

Tenho aqui algo que eu julgo ser um exemplo (banal, como eu disse):

Como não sou profundo conhecedor do universo dos quadrinhos, creio que posso estar enganado, mas este post me deixou intrigado: que motivos teriam levado o seu autor a usar o nome Wolferine, quando o próprio vídeo postado indicava a grafia que eu penso (ou pensava) ser a correta, Wolverine? Algum conhecedor de quadrinhos saberia explicar? Talvez seja uma grafia aceitável, sei lá...

Wolferine??

Nova aquisição

Click to see it bigger

Como fui um bom menino este ano, Papai Noel me trouxe este presentinho antecipadamente: lente Sigma Macro 105mm.

O cachorro não gostou muito de ser cobaia.

Estados não tiranizam pessoas...

... Pessoas tiranizam pessoas.

A minha principal discordância em relação ao ponto de vista de alguns libertários é a idéa de que o Estado, por ser um poderoso mecanismo de coerção, gera fatalmente a tirania. Para mim, esta afirmativa se compara à afirmação de que as armas matam por si só. Entendo que o Estado é uma ferramenta e, portanto, será tão tirânico quanto a sociedade que o maneja.

Tem também aquela teoria, mais praticada pelos libertários economicistas, de que a liberdade econômica resulta nas demais liberdades, mas isso é assunto para outra hora.

Grandes momentos

Sobre o tumulto grego, JP:

O problema está numa geração que nasceu e cresceu à sombra do Estado de Bem Estar Social, essa herança da Grande Depressão que o fim da Segunda Guerra tornou praticamente universal. Um Estado que vela pelos seus cidadãos do berço até à cova e que, precisamente por isso, os infantiliza durante uma vida inteira.

Quando vejo os pequenos selvagens da Grécia, é impossível não perceber o drama central desses meninos: habituados ao conforto e à segurança de um Estado que os trata como menores, eles continuam a esperar da entidade paternal o manto protetor das suas existências: no ensino, na saúde, no trabalho, na habitação, no consumo, na educação dos filhos e até, quem sabe, no fabrico deles. Inevitável: educados na dependência, eles não se distinguem dos mais básicos dependentes.

Infelizmente para eles, para a Grécia e para a Europa, o pai dá sinais de falência e os filhos terão que procurar a sopa noutras panelas. A violência de Atenas, que a prazo se espalhará pelas restantes cidades do continente, faz parte do processo. Crescer dói.

Sobre a tentativa de acertar Jorgibuxi:

(...) graças à ocupação promovida por Bush, o jornalista iraquiano não irá para a forca. A segunda, e bem mais pragmática, é que esta sapatada não não vai impedir a redemocratização do Iraque. Porque, a despeito de toda a inegável tragédia da guerra, esta sapatada carece de uma unanimidade que possa lhe conferir alguma força. Ao contrário daquele discurso de 14 de setembro de 2001, esta sapatada não tem o poder de aglutinar uma nação - seja ela os EUA ou o Iraque - em torno de uma causa.

07 dezembro 2008

Progressismo legal

Viver de acordo com as normas ditadas pelos "pogreçistas" requer, no mínimo, que a pessoa desative sua capacidade de raciocinar logicamente. Como as decisões raramente se baseiam numa escala de valores, é possivel vermos leis entrando em conflitanto com o comportamento do Estado.

Vejamos a pedofilia.

É de comum acordo que a pedofilia é algo abominável. Por quê?

O princípio que fundamenta a lei que pune a pedofilia - com o qual concordo plenamente - é que uma criança não tem maturidade para escapar da sedução de um adulto. Em alguns estados americanos o sexo entre um adulto e um menor é considerado estupro.

Mas como conciliar essa premissa com a política de educação sexual adotada pelas escolas onde as mesmas crianças que não têm maturidade para decidir em relação ao ato sexual aprendem a colocar camisinha, a tomar pílula, etc.?

Ora, a mensagem passada pelas leis é confiltante: por um lado abomina-se a prática de sexo envolvendo crianças mas por outro, prepara-se as crianças para a prática do sexo.

Isso é o que acontece quando o sistema legal é tomado pelo progressismo. Perde-se a perspectiva e as leis não seguem uma escala hierárquica de valores. Ficamos com um conjunto de retalhos ridículo que parece com um sistema legal, mas não passa de palhaçada.

06 dezembro 2008

Vicky Christina Barcelona

Woody Allen é uma vaca sagrada. Logo, ao dizer isso serei acusado de ignorantão que só gosta de filme porcaria de Roliúdi, mas vá lá: ô filmezinho chato para dedéu. Um clichê após o outro. Não aguento mais esse tema "mulher comprometida com homem certinho viaja para a Europa (ou um lugar exótico) e conhece um artista com o qual vive uma intensa paixão que a fará questionar sua vida."

Boooring!

04 dezembro 2008

Cadê eles?

Ontem tive em minhas mãos um DVD com aquele filme onde os mexicanos misteriosamente desaparecem nos EUA e tudo vira um caos porque ninguém sabe o que fazer.

Não consegui alugar. Achei a proposta idiota demais em todos os sentidos.

Além de tudo a premissa é falsa. Quem conhece minimamente os EUA e outros países desenvolvidos onde a mão de obra não é barata, sabe que lá as famílias de classe média não podem bancar servicos de porteiro, empregadas e babás tão facilmente como a classe média de países de terceiro mundo. Se por aqui é comum ver uma casa onde vivem um casal e duas crianças com um time de serviçais à disposição quase que diariamente, nos EUA, por exemplo, ter uma faxineira que vai na sua casa uma vez por semana é considerado um pequeno luxo. Mesmo que ela seja mexicana. Ou Brasileira.

Curiosamente o filme faz sucesso por aqui justamente na classe média, cujos pimpolhos hoje se orgulham de não saber nem mesmo trocar uma lâmpada ou fritar um ovo: "Ah, eu chamo logo alguém para fazer."

Não é à toa que o filme é de um mexicano. Somente alguém da classe média de terceiro mundo pode considerar um caos ficar alguns dias sem serviçais.

03 dezembro 2008

Mapple

Para variar, os Simpsons esculachando quem merece:

Parte 1:



Parte 2:



02 dezembro 2008

He is back

Alceu Garcia dando as caras de novo na - com o perdão da palavra - blogosfera.

E chega chutando uma vaca sagrada:

É difícil escolher o pior entre eles, mas é fácil escolher o mais influente. Não pode ser outro senão o grande, o primeiro e único, Paul Krugman. Esse homem me vem à mente quando lembro daquele poema do Yeats, que fala da falta de convicção dos melhores e da apaixonada intensidade dos piores. Ele é o pior intenso e apaixonado por excelência, chefe de uma legião de piores como ele.

Krugman se acha um economista. Ele é graduado e pós-graduado nas melhores universidades dos Estados Unidos. É professor em Princeton, publicou livros de sucesso e tem uma coluna no New York Times, o jornal mais importante do mundo. Ganhou o prêmio Nobel de economia. É o guru econômico do Barack Obama. Enfim, Krugman “se acha”. Reconheço que ele tem todos os motivos para “se achar”. Está no topo do mundo. É um sucesso absoluto. Mas de economia Krugman não entende nada. Na verdade, entende tanto do assunto quanto Lula domina a física das partículas. Só que ninguém levaria Lula a sério se ele desse palestras sobre física das partículas. Mas todo mundo leva Krugman a sério em economia, inclusive o novo presidente dos Estados Unidos.

01 dezembro 2008

Estréia

Mr. X.

Complementando...

Um reforço na idéia por trás do post anterior: a questão não é se religiosos estão certos ou não em relação à formação do seu sistema moral. A questão principal do post é como formar um sistema moral a partir da premissa de que a existência de um indivíduo se resume ao indeterminado - que pode ser curtíssimo - período de sua existência física. Como racionalizar qualquer obrigação moral - qualquer! - com outro ser humano usando essa premissa?

29 novembro 2008

Procurando entender

(Isso não é retórica. São peguntas que realmente me faço. Confesso, porém, que minha opinião pende para o lado da transcendência do ser humano, embora eu não tenha uma religião)

Premissa: Deus não existe, não existe nada após a morte e tudo está limitado ao curto período de nossa existência.

Aceita essa premissa, me parece completamente irracional alguém aceitar viver de acordo com quaisquer regras estabelecidas pela sociedade que venham a impedir a satisfação dos seus desejos imediatos.

Esta é uma questão que volta e meia freqüenta minha cabeça. Já ouvi argumentos do tipo "Ah, então um crente é bom apenas por medo ser punido por Deus?" Minha resposta foi "Sim, e qual a sua desculpa?"

Claro que há um código penal que nos pune por crimes cometidos, mas é preciso que nos peguem primeiro. Se não há um conjunto de valores universais e absolutos, criminosos de todos os tipos seriam, na verdade, heróis que lutam contra um sistema que visa a punir os seres humanos que tentam ser plenamente felizes.

Se eu vejo uma mulher bela na rua, por que não estuprá-la e saciar meu desejo?

Se eu vejo um objeto que desejo por que não tomá-lo do seu dono?

Se eu posso matar aqueles que me ofendem de algum modo, por que não matá-los?

Para essas perguntas, já ouvi uma resposta até razoável: "Se todos fizessem isso o mundo seria um caos." De acordo, mas e daí? Os mais fortes prevaleceriam. Para eles é suficiente.

Mas ainda assim a resposta não explica por que atos como os acima são repugnantes mesmo para aqueles que acreditam que não passamos de um pedaço de carne com prazo de validade. Racionalmente falando, não há por que um ateu ficar indignado com um estupro, com um assalto ou um assassinato. Tudo que os criminosos fazem é violar um conjunto de regras arbitrariamente impostas e com as quais eles não concordam. Sob o ponto de vista a-vida-é-uma-só, essas pessoas deveriam até ser admiradas pela sua coragem em enfrentar a sociedade na busca pela sua felicidade. Um crime, por mais hediondo que fosse, deveria ser visto meramente como uma violação de um pacto social. Mas não é o que geralmente acontece: mesmo para os ateus, crimes hediondos causam uma revolta incompatível com a idéia de que não há nada de sagrado na vida humana.

Resumindo, está sendo lógico o crente que evita praticar atos criminosos com medo da punição do Deus em que acredita. Mas não compreendo um ateu que não sai por aí tomando tudo aquilo que deseja e que vive de acordo com regras estabelecidas por terceiros, que fazem nada mais que privá-lo da felicidade plena.

Isso me leva a uma conclusão inicial: se um ateu não for alguém disposto a matar, roubar, estuprar, escravizar, etc. pela sua felicidade ele jamais conseguirá viver numa sociedade plenamente atéia. Irônico, não?

A reflexão continua...

28 novembro 2008

Miniorgasmo de Krugman

Mankiw comenta um miniorgasmo de Krugman ao ver a lista de pessoas escolhidas pela administração Obama. Krugman diz:

Seriously, isn’t it amazing just how impressive the people being named to key positions in the Obama administration seem? Bye-bye hacks and cronies, hello people who actually know what they’re doing.

Mankiw rebate:

Judging by this objective criterion, it looks like the two adminstrations are drawing economists from roughly the same talent pool.

Of course, if one defines "grownup" as a person who agrees with Paul Krugman, and "hack" as a person who does not, then one might come to a different conclusion.

Íncrivel como a ideologia não poupa ninguém de ser transformado num perfeito idiota.

Provavelmente assim serão os quatro (oito) anos de Barack Obama: tudo que ele fizer, não importa o quê, será considerado sofisticado, adulto e intelectual.

Por quê?

Como dizem os gringos, because they said so.

26 novembro 2008

Por outro lado...

É, iscrevê e lê nóis num sabi, mas furunfá... Utererê!

E ainda dizem que eu exagero quando digo que o filme Idiocracy, no nosso contexto, é um documentário.

25 novembro 2008

Iscrevê e lê nóis num sabi

Dou minha passada de olho diária nos jornais online do dia e me deparo com essa surpreendente manchete:

Repetência no país é 2ª maior da América Latina

Clicando no link, outro título ainda mais surpreendente:

Relatório da Unesco mostra deficiências do Brasil na educação

Isso não é possível! Certamente é alguma armação da Unesco que, subordinada a interesses imperialistas, pretente desmerecer tudo de bom que tem sido feito neste país em termos de educação nas últimas décadas. Não nos deixemos abater e continuemos com o bom trabalho que vem sendo feito governo após governo. O futuro é o Brasil.

E, se mesmo assim, inexplicavelmente, nossas deficiências aumentarem, lembremo-nos do mais importante em tudo isso:

Analfabeto vota!

20 novembro 2008

They never stop!

As mudanças prometem ser ainda mais saborosas!

In defiance of traditional party labels, Barack Obama, the Democratic presidential nominee, may ask the defence secretary of President George W Bush to stay on if he wins the White House.

Obama’s top foreign policy and national security advisers are pressing the case for keeping Robert Gates at the Pentagon after he won widespread praise for his performance. The move would be in keeping with Obama’s desire to appoint a cabinet of all the talents.

Racismo!

Volta e meia damos de cara com "estudos" deste tipo:

Trabalhadores negros com curso superior recebem, em média, R$ 13,86 por hora trabalhada, aproximadamente 28,8% a menos do que a remuneração de R$ 19,49 por hora paga a não-negros com a mesma formação. Os dados foram divulgados pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese) como parte de um estudo sobre negros no mercado de trabalho da região metropolitana de São Paulo.

Para a coordenadora da pesquisa pelo Dieese de São Paulo, Patrícia Lino Costa, uma das explicações para essa diferença de remuneração é o preconceito racial que acontece de forma velada no mercado de trabalho brasileiro. "Pudemos ver pelo estudo e por entrevistas que realizamos que os negros percebem que, quando há vagas abertas nas empresas que trabalham, a opção de promoção é para o não-negro prioritariamente", disse a coordenadora.

Vamos imaginar o pensamento do gerente da empresa na qual a teoria da coordenadora está fundamentada:

- Estou com uma aberta vaga para vendas. O João (negão) é bom demais nisso e já está com a gente há três anos. Acho que ele sozinho seria capaz de aumentar nossa receita em uns quinze por cento. Isso iria aumentar a visibilidade do meu departamento e eu poderia abocanhar aquela vaga de Vice-presidente que tô de olho. Ah, mas ele é negão! Vou promover aquele merda do Pedro que é branco.

More changes

Elas não param de chegar!

Tarullo, Rice given key roles in Obama transition

CHICAGO (Reuters) - Former Clinton administration aides Daniel Tarullo, Susan Rice and James Steinberg were named on Wednesday by President-elect Barack Obama to advise him on policy matters as he prepares for his move to the White House.

(...)

Steinberg is among a handful of contenders under consideration for White House national security adviser.

Hmmm, mas quem será este tal de James Steinberg?

O que ele pensa sobre guerras preventivas?

It would be unfortunate if President Bush’s doctrine of preemption were a casualty of the Iraq war. We should avoid waging unilateral preventive wars of regime change. But circumstances will probably arise in which the option of using force preventively should be available – whether to kill terrorists, prevent weapons proliferation, halt genocidal killing or stop the spread of deadly disease. The task is to make the idea a more limited and more legitimate tool for dealing with new security threats.

Ah, quer dizer que pode fazer tudo que o Jorgibuxi fez, só não pode dizer que quer que o Iraque se torne uma Democracia? Sei, sei..

E sobre o polêmico Ato Patriótico, alguma coisa a dizer?

It should be emphasized that we have agreed to endorse the package as a whole as a reasonable and desirable overall compromise; this should not be construed as an accurate guide to the views of any individual member of our working group on any particular issue or provision taken in isolation. Subject to this understanding, the working group recommends:

(a) indefinite reauthorization without modification of 10 of the expiring provisions;

(b) indefinite reauthorization of six provisions with amendments along the lines outlined below; and

(c) reauthorization until December 31, 2008 of section 6001 of the Intelligence Reform and Terrorism Prevention Act (the "lone wolf" provision).

(...)

All of us take seriously the need to defend our nation from terrorist attack and to do so in a manner that is fully consistent with the values of a free society. As is true of any law that empowers the government to collect security-related information domestically, evaluating the Patriot Act requires one to weigh a wide range of competing interests – the most obvious of which are: (a) the ability of our government to detect and thwart attacks against our nation; and (b) the constitutional rights of those who live within it. While individual members of the working group would strike this balance in different ways, we agreed on the following general principles, which formed the basis for the deliberations and conclusions that follow:

* The provisions in question – many of which were longstanding proposals by the executive branch under both political parties – should be evaluated on their merits without regard to political considerations.

* The provisions of the Patriot Act that are due to expire have, taken as a whole, enhanced the government’s ability to protect the United States from potential terrorist attacks, other threats to our security, and ordinary crimes, and for that reason should not be permitted to expire.

* While a number of provisions may present risks to civil liberties if improperly applied, those risks can be minimized through amendments or procedural changes that would: (a) ensure that these measures are appropriately tailored to achieve their intended purpose; and (b) enhance the ability of the Congress and the courts to provide effective oversight.

* The President should request, and the Congress should provide, funding and personnel for the judicial and executive offices responsible for the handling of cases related to counterterrorism at levels that permit prompt and effective action as well as efficient compliance with statutory and administrative oversight requirements.

(...)

Sincerely,

John D. Podesta
Richard A. Falkenrath
Mark D. Agrast
Bradford A. Berenson
Bryan Cunningham
James X. Dempsey
John A. Gordon
Eric H. Holder, Jr.
Robert S. Litt
Andrew C. McCarthy
Joseph N. Onek
Paul Rosenzweig
Stephen A. Saltzburg
Suzanne E. Spaulding
James B. Steinberg
Ryan P. Stiles


Quatro (ou oito) divertidos anos pela frente.

18 novembro 2008

Brasil tipo exportação

Coisa fina!

Nem preciso dizer que o pessoal da CNN se derrete ao ver tantos "selvagens" juntos vivendo em harmonia com a natureza e celebrando a vida...

Pfui!

Nunca entenderei

Juro que nunca entenderei a lógica por trás do pensamento desses militantes ecologistas.

Com o intuito de fazer o melhor para o famoso urso Knut, os caras sugeriram matá-lo!

Agora, para protestar contra a pesca de Salmão, eles jogam cinco toneladas de salmão nas ruas de Paris. Ou seja: matar salmão para alimentar as pessoas não pode, mas para mandar uma mensagem é Ok? Se no primeiro caso os bichos pelo menos alimentaram alguém, no último eles foram parar no lixo.

PS: É irrelevante se os manés do Greenpeace pescaram ou salmão ou não.

15 novembro 2008

Quatro (ou oito) anos disso

Este é o tipo de B.S. que os próximos quatro (ou oito) anos nos reservam:

WASHINGTON (AP) - Officials in the District of Columbia say they've had discussions with President-elect Barack Obama's family about public school options for the Obama daughters.

The D.C. public school system says Washington Mayor Adrian Fenty and Schools Chancellor Michelle Rhee have talked about what their system could offer 7-year-old Sasha and 10-year-old Malia. Earlier in the week, future first lady Michelle Obama visited well-known private schools in the area.

Fala sério! As filhas do homem mais poderoso e visado do planeta estudando em escola pública (e as de Washington gozam de péssima reputação!)?

O pior é que tem gente na expectativa de que ele vai mesmo colocar as suas filhas em escolas públicas para "enviar uma mensagem a favor do sistema público de educação."

Rá!

14 novembro 2008

Cadê? Cadê?

Chefe de gabine um dito falcão ex-assessor de Bill Clinton.
Toma lá, da cá de cargos para arrecadadores.
Hillary Clinton cotada como Secretária de Estado.

Vamos continuar esperando as mudanças...

Peter Schiff

Não costumo visitar o blog do Rodrigo Constantino, mas esse vídeo valeu a visita de hoje:

Jorgibuxi

O Fabiano lá do Resistência achou um artigo onde o autor faz um apanhado dos erros e acertos - é, houve acertos! - do governo do Jorgebuxi, vulgo Demo-em-forma-de-gente.

Right now the whole world is absurdly against Bush. If he jumped in front of a speeding train to rescue an old woman he would be accused of cynically promoting US rail interests. In time, I'm sure, a more balanced understanding of Bush's achievements, as well as his failures, will emerge. But right now he's about as popular as a Wall Street stockbroker at a pensioners' rally.

Any defence of Bush and his administration must acknowledge its faults because, more than in any other administration, the virtues and the vices have been two sides of the same coin.

Pode ser apenas um caso isolado ou o começo da tentativa de, após o fim da guerra ideológica, tentar expor seus verdadeiros pontos de vista sem medo de beneficiar o adversário ou sofrer alguma patrulha.

Entenda que não é nada pessoal contra Jorgibuxi. TODO movimento revolucionário tem que fazer as pessoas acreditarem que a situação atual na qual vivem é catastrófica para que seja despertado nelas o desejo desesperado por mudança. Assim, o primeiro que aparecer propondo a tal mudança será alçado aos céus sem que ninguém se preocupe em perguntar "Peraí: mas quais mudanças?" Claro que a pergunta é desnecessária. Afinal, se estou convencido que estou diante da pior pessoa que poderia ter ocupado a presidência, é óbvio que qualquer mudança será para melhor.

13 novembro 2008

Crise ou oportunidade

O que vai ter de país e/ou empresa colocando seus fracassos na conta da crise financeira não está no gibi!

Angelismo

Quando escrevi esse post não sabia que o nome do fenômemo era "angelismo". Descobri isso num ótimo post do Reinaldão, publicando um e-mail do Nelson Ascher.

O blog dele deu tilt e o permalink não está funcionando. O post é de 15:45.

Tá aqui o vídeo



Uma correção: essa entrevista foi concedida no final de Outubro e não após as eleições.

Tradutor de pensamentos

Este revolucionário equipamento traduz as palavras de alguém para o que ela realmente quer dizer.

É fantástico!

Vamos testá-lo neste acadêmico, crítico feroz de Sarah Palin:

Acadêmico: Ela é estúpida!
Tradutor: Ela é religiosa!

Acadêmico: Ela é inexperiente!
Tradutor: Ela é religiosa!

Acadêmico: Ela não sabe nada de política externa!
Tradutor: Ela é religiosa!

Acadêmico: Ela vai banir livros das escolas!
Tradutor: Ela é religiosa!

Acadêmico: Ela despreza o conhecimento!
Tradutor: Ela é religiosa!

Está chegando o momento em que os cristãos somente poderão manifestar sua fé no porão de suas casas, longe dos olhos do público. Claro que isso não valerá para os islâmicos: as pessoas sabem com quem comprar briga.

Ótima!

Óbvio

Tempos interessantes virão

Ótimo post n'O Insurgente:

Agora, chegou um presidente americano que, ingenuamente, acredita quando os líderes dos países europeus lhe falam em “multilateralismo” e cooperação”, e que lhes vai pedir que eles ponham o dinheiro onde está a boca. E os líderes dos países europeus vão ter de escolher: ou continuam a fazer a vontade a um eleitorado que gosta muito de hospitais “gratuitos” e sistemas de pensões públicas, só possíveis porque os EUA nos pagam a defesa (por serem eles que dela se ocupam), tornando-se assim irrelevantes para o novo Presidente americano, ou acedem à vontade de Obama, e terão de explicar aos seus eleitores em que medida o “imperialismo” de Obama (o candidato do “diálogo” e da “paz”) é diferente do de Bush. Durante anos, os líderes europeus tiveram o melhor de dois mundos: Bush garantia-lhes a sua defesa, e eles passavam o tempo a seduzir os eleitores atacando o “estúpido” do texano. Mas como dizia um grande filósofo, a gravidade ganha sempre.

12 novembro 2008

Ann Coulter

Confesso que não sou muito fã de Ann Coulter. Nenhum motivo especial, talvez apenas implicância mesmo. Mas admito que pessoas como ela, que não têm a preocupação de manter uma imagem de equilibrados, são fundamentais. Não raro, aqueles que querem passar uma imagem de equilibrados e ponderados acabam naturalmente acompanhando a manada, mesmo que seja por omissão. Afinal, se todo mundo ao seu redor diz A, quem vai querer ser o louco, perturbado, doido que vai dizer B?

Foi assim com Jorgibuxi, foi assim com Sarah Palin e será assim com todos os homens-de-palha criados pela mídia: conservadores preferem se calar ou até mesmo apoiar algo em que não acreditam apenas para passar por ponderados.

Jorgibuxi teve seus defeitos - como terá qualquer um que ocupe um cargo como aquele, exceto Barack Obama - mas teve também suas virtudes. Como lembra (deveria ser desnecessário mas vivemos numa época estranha) Ann Coulter neste texto, após 11/9 não houve nenhum outro ataque em solo americano. E não podemos dizer que foi por causa de falta de vontade, né?

Honeymoon

Muitos se perguntam quanto tempo durará a lua-de-mel de Obama com o mundo. Bem, é provável que dure todo(s) o(s) seu(s) mandato(s). O que chamamos opinião pública nada mais é do que reverberação do que "pensam" alguns poucos iluminados. É incrível que pessoas que mal sabem escrever o nome do futuro presidente americano tenham a convicção de que ele é mais capacitado para o cargo que McCain. Mas voltando à lua-de-mel, o único jeito de o mundo se voltar contra o escolhido seria se as mesmas pessoas que o colocaram neste patamar o tirassem de lá. Já vimos aqui no Bananão que fenômenos como este são raríssimos: aqueles que se beneficiam de algum jeito da presidência de Obama vão continuar dizendo maravilhas sobre o escolhido para a mamata seguir seu rumo; aqueles que foram iludidos vão continuar (e até reforçar) seu apoio ao escolhido para continuarem a acreditar que são pessoas inteligentes e sofisticadas.

E agora um joguinho chato pra dedéu chamdo "E se... ?":

Ontem vi na CNN Obama dizendo que a prioridade do governo dele é perseguir Osama Bin Laden e os membros da Al Qaeda e "matá-los... Ou capturá-los", nesta exata ordem e com esta pequena mas perceptível pausa. Claro que uma pessoa normal pensaria "óbvio que a preferência é capturar dos terroristas e, se isso não for possível, matá-los." Mas "e se" essas fossem palavras do Jorgibuxi? Será que passaria em branco como passou? Será que no dia seguinte não teríamos analistas e especialistas escandalizados com a agressividade do presidente?

E nós, bananenses, sabemos como a imprensa pode ser complacente e conivente com aqueles que ela ajudou a colocar no poder.

11 novembro 2008

Histórico

Repórter da CNN acompanhando os primeiros dias de Obama na Casa Branca:

Hoje o Presidente Barack Obama acordou cedo, às 6:00 da manhã, com um bafo de tumba histórico e foi ao banheiro onde, após uma seqüência de peidos histórica, largou um toletão histórico na louça presidencial. Depois escovou os dentes epicamente e tomou uma ducha histórica. Às 07:00 da manhã, sentou-se à mesa para tomar o café da manhã histórico e deu uma épica olhada nos jornais do dia.

Assim começou o dia histórico do presidente histórico, Barack Obama.

Obamania pegou geral

Alguns argumentos desses libertários poderiam ter saído da boca de um adolescente, de tão ingênuos.

A principal característica de Obama é saber ouvir. Eu soube que quando McCain entra num ambiente, ele percebe quem são os poderosos e dedica mais tempo a eles (“Desculpe-me, mas tem outra pessoa ali mais importante do que você”). Já Obama ouve as pessoas de forma mais igualitária. Bom para ele. No entanto, devemos lembrar que nós, libertários populistas, tínhamos esperanças parecidas em relação a Jimmy Carter e até chegamos a pensar que Bill Clinton estava ouvindo.

Pelo menos esta sabe que é uma otária convicta.

É curioso que nego reclama do avanço da esquerda, mas os esquerdistas apóiam os esquerdistas consistentemente, mas alguns liberais e mais ainda os libertários apóiam esquerdistas porque seu candidato direitista anterior não suficientemente de direita. É como pedir um café e, ao notar que ele está frio, pedir uns cubos de gelo para colocar na xícara.

10 novembro 2008

Like in paradise

Nem me incomoda tanto o fato deste país ser uma merda.

O que realmente me incomoda é quando querem que façamos de conta - às nossas custas, claro! - que vivemos na Suíça.

Quer dizer que as "otoridades" foram cheias de moral para cima do pessoal do Samu, mas tirar os traficantes da favela nem pensar, né?

07 novembro 2008

P.J. O'Rourke

Trecho do livro Peace kills (grifos meus).

Clinton was everybody's best friend. Except when he wasn't. He conducted undeclared air wars against Serbia and Iraq and launched missiles at Sudan and Afghanistan. Clinton used military more than any previous peacetime American president. He sent armed forces into areas of conflict on an average of once every nine weeks.

E Jorgibuxi é o Senhor da Guerra. Pfui!

Claro que não tenho a pretensão de convencer ninguém de nada. Está cientificamente comprovado como o ser humano lida com a dissonância cognitiva.

O fim de uma era?

Vejo com algum - não, com muito! - espanto libertários comemorando a vitória de Obama. Como um libertário concilia sua ideologia com um POLÍTICO MESSIÂNICO eu não sei, mas aparentemente o motivo principal de tanto entusiasmo é que Obama representaria o fim de uma era de fundamentalismo religioso. Me sobram algumas questões:

1 - Quais foram os impactos nos EUA (e no mundo) do fato de George W. Bush ser um religioso?

2 - Supondo que a resposta para a pergunta seja "nenhum", isso quer dizer que:

(A) Pessoas religiosas não podem exercer seus direitos políticos?
(B) Pessoas religiosas podem exercer seus direitos políticos mas não podem, publicamente, pedir a benção de Deus nos momentos em que elas julguem necessitar?

3 - Ainda que o fato de Bush ser um religioso tenha afetado sua administração, ser ferrado por um ateu torna a cravada menos dolorosa? Não é mais, digamos, estranho um ateu que diz "Nós vamos mudar o mundo" que um religioso que fique na sua?

Santa coincidência!

Como - principalmente no Brasil - muitas pessoas ainda se utilizam apenas dos meios considerados mainstream como fonte de informação, os malandros de plantão podem "se inspirar" em blogueiros menos conhecidos e escrever coisas que lhes fazem parecer pessoas altamente cultas e antenadas.

Não sei se foi o caso, mas que foi uma baita coincidência isso aqui:

Dia 4/11/2008: post do Janer sobre Monteiro Lobato.

Dia 5/11/2008: post do Luciano Trigo no Globo sobre... Monteiro Lobato.

05 novembro 2008

Este perdeu a aposta

Consulta do Whois:

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The unseen

Além do efeito moral hazard que o bail out gerou, temos uma outra possível conseqüência:

First, bail outs are determined by the size and importance of the financial institution. Thus, the larger the corporation, the higher the certainty of being rescued by national governments. As the consumers are totally aware of this standard, they will think twice before settling deposits and savings in small and medium financial institutions. So the result should be a higher market concentration and unfair competition.

De fato, a maior probabilidade de ser resgatada pelo governo, no caso de uma crise, entra como um baita ponto a favor na hora escolher uma instituição financeira para botar o dindim.

And that's it

Este texto explicando desde a origem da bolha até a situação que estamos vendo agora não poderia ser mais claro.

‘Let us be clear: this is a crisis caused on Wall Street,’ insisted Speaker Nancy Pelosi in her consensus-strangling speech on Monday, shortly before her fellow members of the House of Representatives voted to reject the President’s $700 billion bail-out plan. Out on the campaign trail, Barack Obama ventured that the root cause of the trouble in the markets was that ‘too many people in Washington and Wall Street weren’t minding the store’.

(...)

Consequently, this hardly seems the most appropriate moment to mount a defence of capitalism in general, and American bankers in particular, against the threats posed by meddlesome politicians and excessive regulation. But, what the heck. Unless we take advantage of this hiatus between the crashing of financial institutions to take an honest look at the origins of our current predicament, then today’s spin and myth-making will quickly harden into tomorrow’s firm conviction. Let us be clear: this crisis was not caused on Wall Street — it was caused in the White House. The root problem was not financial — it was political, and those truly responsible for this fiasco were not bankers, nor even Bush Republicans; they were Clinton Democrats.

Leia tudo. É bastante didático.

04 novembro 2008

No-lose situation

Para quem não é americando a eleição lá em riba é o que se costuma chamar "no-lose situation".

Explico-me.

Se Obama perder será engraçado ver aquela gente criando o site http://www.sorryeverybodyagain.com.

Se Obama ganhar vai ser engraçado ver a imprensa e todos aqueles que colaboraram com sua trajetória rebolando para blindar o sujeito enquanto a classe média americana toma na tarraqueta bunito.

It's a "no-lose situation" para nós.

Foi engraçado aqui no Bananão, vai ser engraçado lá também.

Subprime Banking Mess

Hilário.

03 novembro 2008

Eleições municipais

Muitos eleitores do Gabeira reclamam que a eleição foi perdida porque o governador Sérgio Cabral antecipou um feriado para o funcionalismo público, causando uma evasão em massa do Rio de Janeiro no dia da eleição.

Vamos por partes:

Premissa 1: De acordo com o senso comum entre os eleitores do Gabeira, Eduardo Paes é o candidado do Mal, do Capeta, daqueles que só pensam em si e colocam os interesses próprios acima do interesse comum.

Premissa 2: Ainda de acordo com o senso comum entre os eleitores do Gabeira, este é o candidato da mudança, da ética, daqueles que colocam o bem comum em primeiro lugar, daqueles que se importam com o futuro da Cidade... Maravilhosa.

Diante da evasão em massa, podemos afirmar que as pessoas que viajaram num dia tão importante colocaram seus interesses pessoais acima do futuro da cidade, não? Então as pessoas que viajaram, de acordo com as premissas expostas acima, estão mais para eleitores do Paes que do Gabeira, não? Então o que Sérgio Cabral fez foi prejudicar Eduardo Paes, reduzindo o número de eleitores dispostos a votar nele.

O único jeito de contestar esta conclusão seria os eleitores do Gabeira assumirem que muitos deles também só pensam em si e colocam seus interesses pessoais acima do bem comum... Como quase todos os outros mortais.

Então deixem de chororô e parem de fazer manifestações que só causam transtorno neste trânsito que já não é dos melhores!

02 novembro 2008

O dia seguinte

Assim será o dia seguinte à proclamação de Obama como presidente dos EUA:

Receita infalível

O melhor jeito de descobrir se um assunto, para você, entrou na esfera ideológica e virou uma mera disputa "nós versus eles" é observar se você define o grupo ao qual pertence ou admira a partir das características gerais do grupo, deixando de lado os defeitos e deslizes dos indivíduos que o compõem, mas define o grupo "opositor" a partir dos defeitos e deslizes dos indívíduos que o compõem, deixando de lado as características gerais do grupo.

Exemplo? Ora, muitos... Veja um fanático religioso falando da ciência ou um fanático cientificista falando da religião.

Uga Uga

Aqueles que me lêem sabem que eu não acredito que instituições boas geram uma sociedade melhor, mas o contrário. Para mim, a idéia de que se pegarmos uma sociedade selvagem e criarmos instituições sólidas, num futuro teremos uma sociedade civilizada me parece coincidir com a noção de que se dermos um laptop para um homem das cavernas, em vez dele usá-lo como arma para dar na cabeça do seu rival, ele se tornará um analista de sistemas.

Imune a crises

Algumas coisas que a gentle vê são tão idiotas que ficam registradas em algum lixão da nossa mente para sempre. Faz algum tempo o Paulo postou em seu site essas sábias palavras de algum gênio na MSNBC:

In a slideshow presentation, Strauss-Kahn illustrated the global impact of the financial crisis. Countries in Africa, including many of those with some of the lowest levels of market and financial integration and openness, are now set to weather the crisis with the least amount of turbulence.

Wulffmorgenthaler trata essas sábias palavras como elas devem ser tratadas: como piada.

01 novembro 2008

Quem vigia os vigilantes?

O jornal O Globo lançou a campanha "Seja um dedo-duro". Taí uma campanha que certamente fará sucesso entre os cariocas: dedurar, ter seu nome publicado no Globo (quem mora fora do Rio não sabe, mas esbarrar com o que por aqui se chama Global é como dar de cara com o próprio Espírito-Santo) e ainda tirar uma onda de cidadão consciente é o máximo para este povo tão maravilhoso que habita esta cidade tão... Maravilhosa.

Eu mesmo vou participar! Vou passar em frente à sede do jornal e fotografar as placas que indicam que as vagas na rua são privativas do Globo. Será que eles vão colocar uma manchete demagógica tipo "Empresa privatiza vagas que deveriam ser do povo" ou algo parecido?

Pergunta meramente retórica.

De coração

É muito engraçado observar um socialista de coração, mas capitalista pela razão. Ele até rejeita as propostas dos políticos esquerdistas e, de uma certa forma, abomina um ou outro ditador, mas no fundo do seu coração ecoa aquele lamento:

"Seria tão maravilhoso se o socialismo fosse viável."