17 junho 2008

Tá vendo? Tá vendo?

Sempre que ocorre um evento - principalmente esportivo - em grandes cidades do mundo, fica-se à espreita de uma noticiazinha que venha lavar a nossa alma de vira-lata.

Agora foi esta aqui (grifos meus em vermelho):

Nem só de belos gols se faz uma Eurocopa. O grande número de turistas europeus que foram à Áustria e à Suíça acompanhar as partidas da mais importante competição do continente trouxe também um grande número de confusões. Só no jogo entre a anfitriã e a Alemanha, em Viena, ontem, uma jovem morreu [veja no final a causa], 26 pessoas foram atendidas no hospital, dois policiais ficaram feridos e 23 torcedores foram presos. Sim, amigos... Isso tudo em um jogo!

Aí os vira-latas dos comentários se exaltam "Tá vendo? E se fosse com a gente?" Pobre alma de vira-lata essa do brasileiro. Ou você me dá o paraíso ou não venha criticar meu inferno. É igual aquele mané que vibra ao ver um mendigo nos EUA."Aí, tá vendo? E se fosse no Brasil?"

O vira-lata brasileiro vive em busca de uma justificativa para que ele continue a viver revirando o lixo.

Certamente o blogueiro nunca viu uma saída de jogo do Maracanã onde quase sempre tem confusão. Moro nas redondezas do estádio e, quando tem partida, principalmente entre Vasco e Flamengo, tenho que planejar meu dia para não sair ou chegar em casa após o jogo - se bem que, ultimamente, tem havido confusão até mesmo antes dos jogos. Bombas e tiroteio são coisas comuns. Melhorou um pouco depois que a polícia colocou um helicóptero para patrulhar a área.

Mas vamos continuar acreditando: a situação lá está tão ruim como cá. Opa! O que é aquilo ali? Uma lata de lixo cheinha... Hmmm.

15 junho 2008

A ordem é blindar o homem

I wish I could

Exercise Your Right Not to Vote

With the November election more or less around the corner, we are coming up on one of those traditions that should be stuck away in a kitchen drawer where we all keep pieces of string and out-of-date supermarket coupons. I’m referring to those crusades staged every four years by talk show pundits and editorial writers to shame us all into voting.

They love to remind us of all the brave men who have bled and died so that we would be free to cast our ballots. What they inevitably overlook is that millions and millions of people who never had the slightest bit of actual freedom have been free to vote. Joseph Stalin regularly won elections with a plurality of 99.9%. So did Saddam Hussein. Dictators can always win elections, but sometimes they simply decide they’re not worth the bother. The real distinction between people who are free and those who aren’t is that free men have the option of not voting.

O ponto crucial foi o que eu grifei em vermelho. Se você não pode optar por não votar, então você não é verdadeiramente livre. Por favor não me venham com a lenga-lenga de que eu posso deixar de votar - basta pagar a multa no tribunal eleitoral. Isso é jogo de palavras.

14 junho 2008

Efeito da Euro

A Euro 2008 tem um terrível efeito colateral: fica impossível assistir os jogos do Brasileirão depois.

Rei Midas

Ou quase:

Se tudo o que Midas tocava virava ouro, tudo o que o Brasil toca vira merda.

Cristaldo, cada vez mais rabugento. Já podemos formar um clube!

Opinadores

Não há nada pior que um colunista de opinião (blogueiro também serve) cujo principal objetivo e ser reconhecido como uma pessoa maravilhosa. Suas opiniões nunca são suas, na verdade. São resultado de uma estratégia de marketing que tem por objetivo criar um personagem que conquiste o máximo de admiradores. Isso era comum - por motivos óbvios - na política, mas atualmente todo mundo é candidato ao premio Nobel da Paz.

Nunca as colunas de opinião foram tão parecidas.

Não temos complexo de vira-latas

RIO - O pugilista cubano Erislandy Lara, de 25 anos, que foi enviado pelas autoridades brasileiras de volta para Cuba depois de ter desertado de sua delegação durante os Jogos Pan-Americanos do Rio, ano passado, está em Hamburgo, na Alemanha, onde lutará profissionalmente (...)

Fatos como este, que colocam o nome do Bananão na galeria dos países solidários com ditaduras, mostram que não sofremos de complexo de vira-latas. Não, não temos complexo nenhum. Nós somos vira-latas. A revolta, a indignação, a fúria que emerge a cada crítica que vem de fora não são devidas à baixa auto-estima de quem se acha menor. As críticas só atingem fundo porque sabemos que somos menores; somos irrelevantes; somos atrasados.

Somos bárbaros.

E este governo vergonhoso que aí está não é a causa disso. Ele não passa de conseqüência natural da nossa brasilidade.

13 junho 2008

E por que não?

Sobreviventes de Eldorado dos Carajás vão receber pensão

Acho muito certo e digo mais: toda família de ladrão, seqüestrador ou traficante morto pela polícia em confronto deveria receber também.

Temos que mostrar para o mundo que o Bananão é um país de selvagens mas tem leis de Primeiro Mundo!

Tudo em casa...

Reparemos no tom da notícia. Primeiro a chamada na página princpial:

Agora nem pagando consumidor consegue um ponto adicional de TV
Tentativa de garantir ponto de graça acabou tirando o serviço do mercado

Agora o conteúdo da notícia:

Apesar de ruim para os consumidores, não há nada de ilegal ou irregular na suspensão da oferta. Segundo a Anatel, por se tratar de um serviço de direito privado, não há como obrigar as empresas a ofertar o ponto extra. Mas, pelos próximos 60 dias, aquelas que quiserem ofertar o serviço, não podem cobrar mensalidade nem taxa de instalação.

Apesar de insatisfeitos com o andamento da questão, ós órgãos de defesa do consumidor ratificam a interpretação da agência reguladora.

Não lembro de ter visto, em relação a outras empresas no que diz respeito à defesa do consumidor, tamanha boa vontade em relação ao provedor de serviços. O jornal chegou até a insinuar que houve uma malandragem em querer ponto extra de graça. Tipo "- Viu só? Quis de graça e agora ficou sem nada."

Estado laico

Um interessante texto de Olavo de Carvalho.

De um lado, aquela distinção constitutiva do Estado laico foi estabelecida como ato de uma minoria revolucionária contra um consenso anterior fundado na homogeneidade moral da sociedade cristã. Uma vez vitorioso, o Estado laico passa a corroer necessariamente o que possa restar dessa homogeneidade, que para ele representa a origem mesma de toda obstinação “reacionária” erguida contra sua obra modernizante. Dissolvida pouco a pouco a unidade moral do povo, a única maneira de evitar a autodestruição da sociedade pelo caos é transferir para a esfera jurídica os mecanismos reguladores antes operados pelo simples automatismo das tradições arraigadas no senso comum. O que era obediência espontânea torna-se assim controle estatal forçado. Na proporção mesma do sucesso obtido pelo Estado leigo em seu esforço de “modernização”, o número, a complexidade e a abrangência dos controles jurídico-burocrático-policiais vão crescendo, avançando para dentro de todos os campos da existência social e invadindo por fim a vida privada e até a intimidade dos pensamentos, regulando a linguagem, a educação doméstica, etc. Tão logo deixa de ser uma promessa e se torna uma realidade, aquilo que surgiu sob o pretexto de resguardar a liberdade individual revela ser um mecanismo opressivo incomparavelmente mais exigente do que a velha autoridade religiosa jamais teria sonhado ser.

11 junho 2008

I beg your pardon!

Em uma propaganda governamental - que não lembro agora - o narrador mandou essa:

Na escola de 4 a 17 anos

Tudo certinho, nossa língua permite essas construções. Mas juro que, de início, entendi "Na escola de quatro há 17 anos."

Homenagem à nova CPMF

Este diálogo dos Simpsons resume tudo o que eu penso deste buraco onde Deus me largou:

Lisa: This is the most disgusting place we've ever gone.

Bart: What about Brazil?

Lisa: After Brazil.

Por que não Economia?

Então o governo determina que o ensino de Filosofia e Sociologia serão obrigatórios?

Vamos deixar para lá o desempenho sofrível, catastrófico até, dos nossos estudantes em disciplinas mais básicas como Português e Matemática. Vamos fazer de conta que eles já dominam o básico necessário.

Por que ninguém pensa em adotar Fundamentos de Economia como obrigatório no ensino médio? Se a idéia é formar cidadãos críticos (ugh), então este precisa é ter conhecimentos básicos de economia. Nada muito complexo, não. Oferta, demanda, formação de preços, etc.

Só o basicão.

Por exemplo, agora o Obama nas Alturas disse que vai aumentar os impostos sobre as indústrias de petróleo.

- Vou fazer com que as petrolíferas como a Exxon paguem uma taxa sobre seus lucros inesperados e vou usar esse dinheiro para ajudar as famílias a arcarem com os gastos cada vez maiores com a energia e com outras contas - afirmou Obama, senador pelo Estado de Illinois.

Um eleitor ignorante em Economia básica, como 99.99% dos eleitores Democratas, iria à loucura de tanta alegria. Isso aí! Vamos ferrar as empresas para ajudar os pobres! Entretanto, aquele que tem conhecimento básico do assunto sabe que empresas não pagam impostos. No máximo, elas agem como intermediárias entre o Governo e os verdadeiros pagadores dos impostos. Ei, não precisam acreditar em mim. Vejam o que disse Greg Mankiw num texto que eu postei aqui no Blog recentemente:

The ultimate payers of the corporate tax are those individuals who have some stake in the company on which the tax is levied. If you own corporate equities, if you work for a corporation or if you buy goods and services from a corporation, you pay part of the corporate income tax. The corporate tax leads to lower returns on capital, lower wages or higher prices — and, most likely, a combination of all three.

Este ano saberemos quão próximos os EUA estão de se tornarem um Big Banana.

10 junho 2008

Land of the free and the home of the brave

Estudantes americanos lutam pela liberação do porte de armas dentro das universidades

Desde 2006, quando a Corte de Utah aprovou a lei que garante a estudantes, professores e funcionários de todas as universidades públicas do estado o direito de portar armas de fogo no campus, o revólver de calibre 45 que ganhou do pai passou a fazer parte do material escolar do jovem.

Leia a reportagem toda.

09 junho 2008

Imprensa esportiva

Tenho curiosidade de saber se nos outros países a imprensa esportiva é tão ruim quanto a que temos aqui, onde os jornalistas não passam de torcerdores enrustidos ou atletas fracassados, além de sempre deixarem o bairrismo influenciar profundamente a análise dos jogos.

Isso para não dizer dos comentaristas esportivos que falam, falam, falam e não dizem absolutamente nada. Reparem nos comentários do Falcão. É sempre assim: o time A está muito melhor no jogo mas não podemos esquecer que o time B é muito perigoso também. Ou seja, caso saia um gol para qualquer um dos lados, ele pode alegar que previu o que estava a caminho.

Quando o evento é internacional, a ignorância dos atores envolvidos é flagrante. Pelamordedeus, o cara vive de comentar futebol. Com a Internet hoje, não há tarefa mais mole que estar atualizado em relação a tudo que se passa em qualquer buraco do mundo.

Acho que dá para contar nos dedos da mão esquerda do Lula os profissionais da área que mereçem este título.

08 junho 2008

Eu hein!

O Brasil deve o único país - ou um dos poucos - onde se reclama quando o juiz não apita e também se reclama quando o juiz segue a regra. Não raro é possível ver os ex-juízes, atuais comentaristas de arbitragem, reclamarem de preciosismo quando um juiz se atém às regras do jogo.

Fluminense

Vou deixar aqui o que penso sobre o time antes que ele perca para a LDU e tudo que eu disser venha a soar como chororô.

O time é mediano, tem alguns bons jogadores mas carece de jogadores em algumas posições cruciais:

Goleiro: Fernando Henrique é um goleiro de baixa qualidade (basta compará-lo com Bruno, do Flamengo). Sai mal do gol - quando sai - e solta bolas que são fáceis de segurar. Hoje levamos mais um gol por causa dele: cabeçada sem muita força em sua direção, bastava encaixar a bola. Isso se ele fosse um goleiro mediano. FH tinha que espalmá-la e, de preferência, para frente, nos pés do centro-avante gremista. É visível a desconfiança que a zaga tricolor tem em relação a ele. Não se deixe enganar pelas defesas espalhafatosas que ele adora fazer. Para saber se uma defesa foi díficil, observe se o goleiro voou em direção à trajetória da bola para interceptá-la ou se ele deu um tapa na bola e depois pulou acrobaticamente. Noventa e cinco por cento das defesas de FH se enquadram nesta última categoria. Me disseram que ele veio do Futsal, o que explicaria sua deficiência no fundamento "saída de gol" e seu hábito de fazer defesas com o pé.

Meio de campo: Cícero é um daqueles jogadores que todo treinador tem para provar quem é que manda. Exato, todo técnico tem aquele jogador ruim que ele escala porque pode. Renato Gaúcho tem o Cícero. Ele até é um jogador habilidoso mas carece de inteligência. Dentre mil opções de jogadas ele escolherá sempre a pior a ser feita. Tenta chutes com quatro ou cinco jogadores à sua frente e cabeçadas impossíveis, além de dribles desnecessários e jogadas de efeito em sua própria intermediária.

Acredito que o Fluminense deverá ganhar a Libertadores porque o time da LDU é muito ruim e a sorte tem nos acompanhado. Se ela resolver nos abandonar agora, valha-me Deus!

Obama

Esta definição do Obama é creepy!

I used to think that Obama was a sort of updated version of George McGovern, with a generous helping of Jimmy Carter’s self-righteousness thrown in for good measure. I now believe I misread Obama. He is something far more grandiloquent, and far more toxic. He is a reprise of 1960s radicalism, burnished by a Harvard education, underwritten by the simmering resentments of an anti-democratic elite that never recovered from the shock of Ronald Reagan, the end of the Soviet Union, and the stupendous, historically unprecedented, prosperity of the last two decades. They will not easily forgive America for those victories, and an Obama presidency would make sure they were not repeated.

Pobre mas feliz

Via De Gustibus...

As lixeiras do subúrbio mostram que, apesar da renda menor, ali se é mais feliz. “Na segunda-feira, há muito resto de carvão e churrasco. Eles reúnem mais os amigos e a família no fim de semana”, analisa Adair. Nos bairros mais carentes do Centro, chama a atenção a quantidade de roupas velhas que não aparece nas áreas nobres.

Como disse meu xará, esta conclusão não tem o menor cabimento.

Explica-se pelo pensamento politicamente correto que insiste em habitar as redações dos jornais. É análogo ao repórter que chega na Suíça e acha que os seus habitantes não são felizes como os brasileiros porque não saem batucando e rebolando pelas ruas, embriagados.

07 junho 2008

Euro 2008

Pronto! Agora vou ter que ouvir os jornalistas bananenses dizendo como tudo na Suíça é muito certinho e organizado mas que lhes falta o calor humano do brasileiro.

Feminismo

Após anos e anos de lutas para conquistar direitos e ocupar um lugar digno na sociedade, uma feminista dá de cara com a nova tendência do Bananão: como as mulheres, enquanto pessoa, são irrelevantes, nossos marketeiros inovaram e agora lhes atribuem nomes de coisas, objetos. A fórmula é simples:

Mulher-_________

Preencha o espaço em branco com qualquer coisa que sugira abundância (melancia, jaca, etc.), encaixe umas matérias pagas em jornais de grande circulação e pimba! Eis uma estrela instantânea apta a atuar, cantar em musicais e gravar discos. Não sem antes fazer várias sessões de fotos nas quais a nova estrela aparece peladona, mas tudo com bom gosto e inocência - afinal, quem põe maldade naquelas poses ginecológicas são as pessoas maldosas e recalcadas.

Será a Inglaterra o paraíso burocrático?

Cada notícia bizarra que eu leio sobre a terra da Rainha me faz pensar onde é que esse país vai parar.


Desvie a rota deste avião, ou o Transformer da minha camiseta matará todo mundo!

-Desvie a rota deste avião, ou o Transformer da minha camiseta matará todo mundo!

Agora vamos falar sério:

Euro 2008

Lee Siegel sobre a Web

Alguns acertos e muitos erros:

Concordo:

Francamente, apesar de ser jornalista e acreditar na liberdade de expressão, sou a favor de ações legais para acabar com essa forma de insulto anônimo.

(...)

No campo dos prós, eu salientaria as pessoas talentosas que não estão nos meios de comunicação. Elas agora têm voz e um meio para transmiti-la. Conseguem contornar as grandes vias de expressão como as redes de TV, as editoras e as gravadoras. Isso é muito bom.

(...)

Em uma sociedade de massas existe um grande número de pessoas que parecem ter uma boa formação educacional, mas na verdade não têm. Há muita gente com diplomas universitários ou mesmo títulos mais impressionantes que não é mais culta que pessoas que não tinham diploma há cem anos.

Bobagens:

Ela precisa ser menos comercial. Os sites devem vigiar e proteger seus usuários contra abusos de terceiros, que fazem uso do anonimato para postar mensagens ofensivas. A web precisa mudar, criar um tipo diferente de cultura, no qual as pessoas não colecionem amigos como se fossem objetos. Precisa ser um lugar mais humano, que crie mais sentido na vida das pessoas. [Precisa ser menos comercial por quê? Concordo que é uma estupidez a coleção de amigos como é feita no Orkut, por exemplo. Mas isso não é problema da Web. A Web não tem que criar sentido na minha vida. Quem faz isso sou eu e uso a Web para realizá-lo. E mesmo se eu não o fizesse quem é este senhor para decidir que minha vida tem que ter um sentido? Sai pra lá!]

(...)

A internet está acelerando a “comoditização” da vida privada, tornando a vida das pessoas um objeto de consumo. [Isso parece blá-blá-blá de estudante filiado ao PSOL. Falou, falou e não disse nada.]

(...)

As vozes mais poderosas, sonoras e agressivas sufocam as mais sensíveis, razoáveis e sensatas. Não consigo imaginar um romance como Os Dublinenses, de James Joyce, obtendo sucesso na internet. Ou Kafka, ou Rimbaud, ou qualquer artista introspectivo e cheio de personalidade. A grande verdade é que a internet é melhor para os provocadores e para os idiotas, infelizmente. [Como qualquer veículo que proporcione acesso às massas. O mesmo vale para a televisão, por exemplo. Se você procurar, você acha. Mas se optou por ter como página de abertura do seu browser o Kibeloco, a culpa não é da Web.]

(...)

Hoje, temos grupos como o Google, a Microsoft e o Yahoo!, ou Rupert Murdoch, o dono da News Corp., que comprou o MySpace. Ao comprar todos esses blogs e redes sociais, Murdoch e o Google estão, literalmente, comprando a vida empacotada das pessoas. Eles têm acesso a nossos pensamentos íntimos, que repassam para marqueteiros. [Meu primeiro blog era publicado sem nenhum desses mecanismos, escrito no Word e publicado via FTP. Se o Google resolver criar problemas eu volto para este formato ou mudo de mecanismo. Que pensamentos íntimos são esses que você publica na Web? Se são íntimos guarde para você e seus entes mais chegados.]

(...)

Ele é assustador. O negócio do Google é comprar a alma das pessoas para depois vendê-la. O Google criou e domina a cultura dos sites de busca. Ele controla a relação entre o indivíduo, as empresas e o mercado. Seu negócio é virar as pessoas do avesso, expondo seus desejos mais íntimos para o mercado explorá-los e lucrar com eles. É terrível. Se eu fosse um neomarxista, e talvez o seja, diria que estão usando os mecanismos da democracia para criar uma forma autoritária de cultura, dominada e ditada pelas grandes [Google não faz nada disso. Ele provê serviços como uma empresa qualquer. Não quer sua vida exposta? Resguarde-se, ora bolas! Incrível atribuir a uma empresa tamanho poder sobre a vontade das pessoas.]

(...)

A internet facilita o abandono da cultura impressa e torna mais fácil fazer da distração uma nova forma de disciplina. A internet é uma criação da cultura do entretenimento. Ela força a marginalização da cultura impressa, da reflexão e dos espaços de contemplação passiva de nossa vida. [Mais uma vez, atribui à Web um defeito que não é dela. Claro que há milhões de pessoas usando a Web apenas para bobagens. Mas e a quantidade de livros que estão disponíveis hoje - principalmente no formato eletrônico - graças exatamente à Web? Se apegar a uma nostalgia pelo formato impresso é meio tolo. Em um livro o crucial é seu conteúdo. O resto é adorno. E não esqueçamos da Amazon: esta empresa fez chegar a diversas pessoas, livros que antes nem freqüentavam seus sonhos.]

(...)

Em relação ao efeito isolante da computação, quero dizer que, nos últimos 30 ou 40 anos, os americanos vêm progressivamente mergulhando num grande culto narcisista. Quando se chega ao ponto em que o indivíduo é elevado acima da sociedade, satisfazer as necessidades individuais torna-se mais importante que tentar criar relações com o próximo. A internet é o primeiro meio anti-social criado para o indivíduo anti-social. Ele está sozinho numa sala, na frente do computador, fazendo tudo o que antes requeria encontrar ou falar com pessoas, como fazer compras, reservar uma mesa no restaurante, encontrar uma namorada, se relacionar com amigos ou até fazer sexo. Pela primeira vez, pode-se obter aconselhamento médico sem consulta! É uma revolução nas relações sociais. [Creio que devem ter falado o mesmo da TV quando ela foi criada, ou até mesmo do livro ("agora todos ficarão aí lendo seus textos e não conversarão com mais ninguém"). Incrível como há pessoas totalmente avessas ao progresso. No caso da Web, que representou uma verdadeira revolução, elas se vêem completamente perdidas, sem chão. E aí fecham os olhos para os amigos que se reencontram, os casais que se encontram, os amigos e familiares que mantêm contato apesar da distância geográfica, etc. Essas pessoas se concentram apenas no aspectos negativos da Web, deixando de lado seus inúmeros aspectos positivos.]

(...)

Pode-se argumentar que os blogs são uma forma saudável de expressão para quem não tem outro lugar para exteriorizar seus sentimentos a não ser esse vazio eletrônico. Por outro lado, essa tecnologia faz com que as pessoas se aprisionem em fortalezas construídas com suas próprias palavras, tornando-se narcisistas. A tela de computador é o espelho de Narciso, onde as pessoas vêem o reflexo da própria perdição. [Vamos supor que seja assim (o que eu discordo): e daí? Desde quando uma pessoa não tem o direito de ser narcisista, anti-social, fechada, boba, vazia, etc. ?]

05 junho 2008

Elogio ou grana?

Um estudo diz que Compliments and Money Give the Same Satisfaction.

No dia em que elogios pagarem meu aluguel, minhas viagens e minhas despesas em geral, terei o maior prazer em ser remunerado dessa forma. Até lá, cash only, please!

04 junho 2008

Eu cansei de dizer isso

Por isso deixo alguém dizer para mim:

Existe uma forte correlação positiva entre arrogância e imbecilidade: quanto mais imbecil o sujeito, mais arrogante. Tal relação é tão forte que vale não apenas para indivíduos, vale também para nações: quanto mais imbecil, pobre e mediocre é um páis, maior também será sua arrogância. Isso funciona como uma espécie de mecanismo de auto-proteção. Sabendo sobre sua imbecilidade, o indivíduo ou nação se esconde sobre o véu da arrogância. Buscando refúgio em um comportamento arrogante, o imbecil espera despistar o mundo sobre sua própria ignorância.

(...)

O Brasil é um país arrogante, para mascarar nossa mediocridade educacional criamos disciplinas para dizer: somos analfabetos, não sabemos fazer contas, mas somos politizados.

Morte aos infiéis!

Não demora muito e essa idéia se espalha por aí (via Contatos Imediatos de Terceiro Grau):

An Anglican Bishop has compared people who fail to take action to prevent global warming to the Austrian man who locked his daughter up in a cellar for 24 years, repeatedly raping her and fathering seven of her children.

The Bishop of Stafford, Gordon Mursell, said that by failing to face up to the truth about climate change, we were - like Josef Fritzl - denying our children a future.

He stressed that he was not accusing those who do nothing about global warming of being child abusers, but said that shocking analogies were needed to force people to face up to the threat to the future of mankind.

02 junho 2008

Rá!

Eu morro dir quando, após cada denúncia gravíssima contra alguém do alto escalão do governo federal ou mesmo contra o próprio presidente, surge aquela esperança de que alguém irá acabar com isso tudo que está aí.

Acordem, amigos!

Lula e sua turma não seriam defenestrados do Palácio nem mesmo se matassem uma criança em rede nacional de rádio e televisão.

Isso é o que chamamos de "establilidade política".

01 junho 2008

Copa 2014

Desde já quero deixar aqui registrado meu apoio à escolha do Estádio dos Aflitos para sediar jogos da Copa de 2014.




Aquilo sim, é um pouquinho de Brasil iá-iá.

Isso sim é caso gravíssimo

Viu, senhor "repórter do crime"?

Rio teve 6.133 homicídios em 2007, quase 40 por cem mil habitantes

Isso dá a incrível média - arredondando para baixo - de 16 homicídios por dia!

Alguém me explica...

... O que o Clovis Rossi quis dizer com isso:

O grave, no caso da China, é que literalmente todo o mundo fechou os olhos a seus problemas políticos, institucionais e de direitos humanos a partir do momento em que o regime continuou comunista na política, mas virou capitalista na economia.

Foi para o lixo a teoria de que democracia liberal e capitalismo caminham de braços dados. O capitalismo, sim, caminha. Sozinho.


Será que ele é daqueles que acreditam em "capitalismo de estado" ou "socialismo de mercado"?

Na cabeça do senhor Clovis Rossi, um regime capitalista é qualquer um onde haja empresas atuando. Segundo essa definição, até mesmo o período mais radical do comunismo foi, na verdade, capitalista! Qualquer um que tenha lido minimamente sobre o assunto sabe que o capitalismo, sendo um sistema baseado na economia de livre mercado, não apenas anda de braços dados com a democracia liberal como depende fundamentalmente dela para existir.

Ameaça à liberdade de expressão uma ova!

Diz o "repórter do crime":

Esse caso é gravíssimo e deveria mobilizar não só os órgãos de classe dos jornalistas e proprietários de veículos de comunicação, como toda a sociedade e, principalmente, o poder público. O povo do Rio de Janeiro não pode admitir que seja praticada uma violência dessas.

Ah, então ESSE caso é gravíssimo? Sei, sei. Os milhares que acontecem anualmente, como diria o filósofo Kleber Bambam, "fazem parrrrte".

Engraçado querer fazer desse caso um atentado à liberdade de expressão, quando não passou de business as usual na Cidade Maravilhosa.

Segue o "repórter do crime":

Torço para que o Estado consiga realmente retomar as áreas que foram dominadas pelo tráfico e pelas milícias no Rio. Disso vai depender o futuro do estado democrático de direito e a segurança de nossas próprias vidas.

Nossas, cara-pálida? Futuro? A minha segurança já foi pro beleléu faz tempo. Só que eu não sou excluído nem tenho carteirinha de jornalista. Sou um mero pagador de impostos. No jargão de vocês, pessoas como eu sendo roubadas ou assassinadas não passam de "cão mordendo gente".

Corporate tax cut

Interessante artigo do Greg Mankiw falando sobre uma das propostas do candidato John McCain e explicando por que ela é melhor que a do virtual oponente Barack Obama, que propõe o corte de impostos para "famílias trabalhadoras" (foi o melhor que pude imaginar para working families). Um esquerdista, ao ler isso, sentirá náuseas, mas se ele fizer um esforcinho para entender a explicação, verá que ela faz muito sentido:

The answer is that while most taxes distort incentives and shrink the economic pie, they do not do so equally. Compared with other ways of funding the government, the corporate tax is particularly hard on economic growth. A C.B.O. report in 2005 concluded that the “distortions that the corporate income tax induces are large compared with the revenues that the tax generates.” Reducing these distortions would lead to better-paying jobs.

Of course, a corporate tax cut would affect the federal budget. And any change in tax policy has to be made against a background of a looming fiscal crisis, which threatens to unfold as baby boomers retire and start collecting Social Security and Medicare. In 2007, corporate taxes brought in $370 billion, representing 14 percent of federal revenue. Cutting the rate to 25 percent would seem to cost the Treasury about $100 billion a year.

Part of that revenue loss, however, would be recouped through other taxes. To the extent that shareholders would benefit, they would pay higher taxes on dividends, capital gains and withdrawals from their retirement accounts. To the extent that workers would benefit, they would pay higher payroll and income taxes. Increased economic growth would tend to raise tax revenue from all sources.

Simples assim

The Law of Demand

Qualquer semelhança...

... Com alguns defensores das pesquisas com células-tronco será mera coincidência?


31 maio 2008

Raposa de Fogo

Estava eu lendo umas coisas na Web quando vi um link do Firefox onde o navegador era chamado de "organic software". Eu tinha que ver que diabos era isso:

As software companies go, we’re a little unusual. We use the term ‘organic software’ to sum up the various ways we’re different from the other guys:

Our most well-known product, Firefox, is created by an international movement of thousands, only a small percentage of whom are actual employees.

We’re motivated by our mission of promoting openness, innovation and opportunity on the web rather than business concerns like profits or the price of our stock (guess what: we don’t even have stock).

And as a non-profit, public benefit organization, we define success in terms of building communities and enriching people’s lives. We believe in the power and potential of the Internet and want to see it thrive for everyone, everywhere.

Sei, sei. Igualzinho ao "banco que nem parece banco".

Dei umas googleadas e achei um site interessante cujo objetivo é acabar com certos mitos envolvendo a marca.

Enjoy.

Nada mais pentelho que um usuário de software que passa a ser seguidor de seita. Cara, se você usa uma versão obscura de Linux que faz sua máquina voar baixo, bom para você. Recomendar aos amigos é ÓTIMO. Fazer pregação é um SACO.

By the way, resolvi botar a preguiça de lado e instalar o Opera para ver qualé.

Sem-noção

Às vezes eu gostaria de saber o que vai na cabeça de alguém que fala isso:

Se usam de tamanha truculência com jornalistas, imagina o que elas fazem com pessoas humildes que moram na comunidade e não seguem as leis locais.

O que ele pensa? Que jornalistas estão, de alguma forma, acima do bem e do mal e que a realidade à qual estamos todos submetidos para eles não se aplica? Que os milicianos, cujo ganha-pão é expulsar traficantes de favelas, correriam assustadinhos?

Já passou da hora de acordar, não?

Num futuro hipotético

Não fumo, detesto fumaça de cigarro e fico muito puto quando alguém acende um cigarro ao meu lado, mas é impossível não imaginar esse hipotético futuro:

- Abra a porta! É a polícia!
- Pois não. Qual o problema, policial?
- Recebemos uma denúncia anônima de que havia pessoas fumando cigarro neste apartamento.
- Isso é um absurdo!
- O Senhor se incomodaria se déssemos uma olhadinha?
- Claro que não! Podem entrar... Como vocês podem ver, ali está minha esposa se injetando heroína, meu filho mais velho fumando haxixe, minha sobrinha dançando embalada por alguns comprimidos de ecstasy - ou speed, não lembro - e, sobre aquela mesa, está a carreira de cocaína que eu preparava quando vocês chegaram.
- É, parece que está mesmo tudo em ordem. Desculpe-nos os transtorno, cidadão.
- Não tem problema, mas se eu fosse vocês daria uma olhadinha no apartamento 603. O cara que vive lá é meio esquisitão...

30 maio 2008

Ameaça ou favor?

Susan Sarandon diz que deixará EUA se McCain vencer eleições

A atriz americana Susan Sarandon, uma das estrelas de Hollywood mais politicamente engajadas e que já anunciou seu apoio ao pré-candidato democrata à Presidência Barack Obama, disse que, se John McCain chegar à Casa Branca, abandonará o país e se mudará para a Itália ou o Canadá.

Em declarações ao site "Independent.ie" reproduzidas nesta sexta-feira pelos meios de comunicação americanos, a ganhadora de um Oscar por "Os Últimos Passos de Um Homem" disse: "Estes são momentos críticos, mas tenho fé na população americana".

Sei, sei... Igual a outras celebridades nas últimas eleições?

Claro que a Susy não poderia deixar passar seu momento teen:

Este papa, em especial, não é um dos meus favoritos. Suspeito bastante dele e minha única mensagem a ele é que deveria ser mais compassivo, se envolver mais nas necessidades do mundo e deixar a infra-estrutura arcaica e misógina que a Igreja tem atualmente.

29 maio 2008

Ótima

Enquanto tem gente que jura que feto não é pessoa, outros acham que macaco é.

Não entendeu? Vê isso aqui.

Células-tronco

Não tô acompanhando a questão de perto. No máximo ouço pedaços de depoimentos e reportagens aqui e ali. A única coisa que me deixa bolado nisso tudo é o fato de boa parte da galera "a favor" soar como aqueles pastores de Igrejas evangélicas que prometem fazer cego enxergar, surdo ouvir e aleijado andar.

27 maio 2008

Sowell

Nem vou falar nada, só linkar o texto, porque já está pegando mal eu, a toda hora, ficar elogiando o negão.

For people on the left, however, blacks are trophies or mascots, and must therefore be put on display.

(...)

The problem with being a mascot is that you are a symbol of someone else's significance or virtue. The actual well-being of a mascot is not the point.

(...)

Using human beings as mascots is not idealism. It is self-aggrandizement that is ugly in both its concept and its consequences.

Links

Um velho conhecido de casa nova (mais duradoura, espero).

E um blog muito interessante: Preço do Sistema.

Eufemismos globais

Vi hoje no Bom dia Brasil, a apresentadora dizer que a lei do filho único, na China, estimula as famílias a terem único filho. Isso mesmo: estimula. Vejamos:

China's one child policy was established by Chinese leader Deng Xiaoping in 1979 to limit communist China's population growth. Although designated a "temporary measure," it continues a quarter-century after its establishment. The policy limits couples to one child. Fines, pressures to abort a pregnancy, and even forced sterilization accompanied second or subsequent pregnancies.

De agora em diante podemos dizer que o ladrão estimula a vítima a se desfazer dos seus bens. Ou que o assassino estimula a sua vítima a deixar de viver.

25 maio 2008

Elasticidade da demanda II

Via Marginal Revolution:

Eleven Billion Fewer Vehicle Miles Traveled in March 2008 Over Previous March

Mais P.J. O'Rourke

Dessa vez, um texto que eu vi no Filisteu.

A introdução, no melhor estilo O'Rourke:

Well, here you are at your college graduation. And I know what you're thinking: "Gimme the sheepskin and get me outta here!" But not so fast. First you have to listen to a commencement speech.

Don't moan. I'm not going to "pass the wisdom of one generation down to the next." I'm a member of the 1960s generation. We didn't have any wisdom.

We were the moron generation. We were the generation that believed we could stop the Vietnam War by growing our hair long and dressing like circus clowns. We believed drugs would change everything -- which they did, for John Belushi. We believed in free love. Yes, the love was free, but we paid a high price for the sex.

My generation spoiled everything for you. It has always been the special prerogative of young people to look and act weird and shock grown-ups. But my generation exhausted the Earth's resources of the weird. Weird clothes -- we wore them. Weird beards -- we grew them. Weird words and phrases -- we said them. So, when it came your turn to be original and look and act weird, all you had left was to tattoo your faces and pierce your tongues. Ouch. That must have hurt. I apologize.

Vai lá ler o resto pois o texto está ótimo!

P.J. O'Rourke

If you’re electing Democrats to control government spending, then you’re marrying Angelina Jolie for her brains.

Elasticidade da demanda

Uma série de posts de Greg Mankew mostrando como os americanos estão lidando com os constantes aumentos do preço da gasolina.

Imprensa homofóbica

Claro que nada disso deve ter acontecido. Não passa de uma manobra das forças conservadoras do país para atribuir a um movimento de paz, amor e solidariedade uma conotação negativa.

O fato é que eventos como esse dariam Ibope não importa a causa que eles alegassem defender. É uma boa chance de muita gente faturar uma graninha pública, de travecos se roçarem em público e de doidões consumirem drogas sem serem importunados pela polícia.

Esse é o cara

Obama diz que EUA podem aprender com "progresso" do Brasil

Aparentemente os americanos - pelo menos os Democratas - já aprenderam muito com a gente, considerando o fato deles terem praticamente escolhido Obama como candidato à presidência.

Depois das eleições presidenciais saberemos quão parecidos conosco os americanos, de um modo geral, estão.

A síntese do Brasil

Se eu tivesse que escolher uma única palavra para sintetizar o Bananão, só poderia ser uma: cartório.

E se os números dessa reportagem estiverem corretos, podemos ver a quantia absurda de recursos que eles drenam da sociedade: 4 bi por ano.

Big Banana

Leis esdrúxulas, relativismo, proliferação de losers e crescente criminalidade.

Será a Inglaterra o Big Banana da Europa?

24 maio 2008

São Paulo II

Primeira partida das quartas de final da Libertadores. O jogador do tricolor paulista, Dagoberto, é substituído no segundo tempo e a torcida o homenageia:

"Dagoberrrrrrrto! Dagoberrrrrrrto! Dagoberrrrrrrto!"

Foi uma das coisas mais engraçadas que eu vi nos últimos anos.

O Rio de Janeiro é provinciano mas São Paulo é caipira demais, "meu"!

São Paulo

A cidade quer mostrar que é a capital do Estado que leva nas costas...

Ou melhor, leva o país nas costas.

Ideologiaaaaa, eu quero uma pra viver

Eis um argumento de base puramente ideológica:

No auge do Napster, você podia baixar praticamente qualquer música para o seu computador. E não precisava se esforçar muito para colocá-las em seu mp3 player ou gravá-las em um CD. Ambos os métodos permitiam ao usuário apreciar músicas em qualidade tão alta quanto a de um CD, mas sem ter que gastar dinheiro nenhum com isso.

Os críticos do Napster argumentavam que o Napster era um roubo. E, embora os fãs de música adorassem o Napster, os críticos diziam que um Napster próspero, legal e acessível, no fim das contas, puniria os próprios fãs. Se o Napster fosse legal e difundido, as vendas de discos zerariam e isso destruiria os incentivos para quem quisesse ser músico. O Napster significaria o fim da comunidade musical profissional.

Segundo essa visão, a única razão para alguém comprar um CD no auge do Napster era por não saber da existência dele ou por não ter acesso à banda larga. Os críticos venceram nos tribunais, o Napster perdeu força na internet e vem sofrendo uma morte lenta.

Mas será que aquele velho mundo, onde o Napster operava livremente, era mesmo o mundo do roubo? Eu não sei. Mas eu defendo uma tese segundo a qual o uso de tribunais para fechar servidores como Napster pode, no fim das contas, prejudicar os amantes da música, mesmo aqueles que, como eu, nunca usaram o Napster. Em outras palavras, eu defenderia que furtar músicas pelo Napster poderia, na verdade, aumentar a receita da indústria musical beneficiando os amantes e os criadores da música.

Afirmo isso, mesmo aceitando a visão de que o Napster era uma forma de roubo. Mas como poderia ser possível o Napster beneficiar a indústria da música?

O furto via Napster aparentemente destruiria a indústria musical. As pessoas respondem a incentivos. Certamente, a música gratuita sobrepujaria a música cara. Se for mais barato roubar música do que pagar por ela, as pessoas irão roubá-la. Mas a história não é tão simples assim.

Nós sabemos que o risco de ser pego e punido não é a única razão pela qual as pessoas pagam legalmente por um produto, em vez de roubá-lo. Existem outros custos no roubo, além dos custos monetários. Algumas pessoas se sentem culpadas por obterem algo sem dar nada em troca. A cultura e as leis podem ser usadas para encorajar um comportamento socialmente útil.

Afinal, as pessoas dão gorjetas em restaurantes e em taxis, e a freqüência de suas visitas não parecem ser explicações suficientes para tamanha generosidade. As pessoas escolhem não jogar lixo no chão, mesmo na trilha deserta de uma montanha. As pessoas votam, mesmo que os economistas continuem a afirmar que votar não é racional.

Em todos esses casos, as pessoas agem de acordo com uma gama mais ampla de custos e benefícios do que apenas os custos monetários diretos. (E, claro, algumas pessoas dão pouca ou nenhuma gorjeta, algumas jogam lixo no chão e o comparecimento nas urnas não é de 100% da população em uma sociedade livre).

Assim, embora o uso difundido de servidores como o Napster realmente causem dano às vendas da indústria musical, algumas perdas podem ser aliviadas pelas normas sociais e pela cultura. Há, de fato, uma perda de renda para os músicos, já que muitas pessoas simplesmente não pagam. Porém, muitas pessoas ainda pagarão por música. Há quem utilize esses servidores para experimentar algumas músicas antes de comprá-las.

Entretanto, as normas sociais nem sempre são eficientes. É possível que elas fracassem em deter efetivamente os ladrões de música. Na verdade, as normas sociais no auge do Napster foram em direção oposta. As pessoas reivindicavam um direito à música gratuita.

Mas é possível que mesmo que a opção da norma social fracasse completamente, os músicos e a indústria musical ainda tenham sucesso, caso se permita que servidores como o Napster operem livremente. Se fosse permitido ao Napster prosperar, é possível que novas tecnologias teriam sido criadas para permitir aos músicos cobrarem por seu trabalho ao mesmo tempo em que os consumidores teriam se beneficiado das oportunidades de acesso fornecido pelo Napster.

Assim como o socialista que imagina que as pessoas trabalhariam sem incentivos, este texto sugere que as pessoas pagariam por um produto se tivessem como obtê-lo fácil e legalmente "de grátis". Curioso é que o autor do texto não aplica sua teoria quando a propriedade intelectual é dele. Ele bem que poderia vender seus livros no esquema "Faça o download e pague o quanto você achar que deve" (se houver links disponíveis para download desses livros que passaram despercebidos, por favor me avisem. Terei o prazer de fazer a correção).

Por favor, antes de dizer "ah, mas os livros têm custos de impressão, revisão, etc." lembre-se de que uma música para ser gravada com qualidade requer um bom stúdio, equipamentos, equipe técnica, etc.

18 maio 2008

Fred se divertindo

Fred Reed divertindo-se com o non-sense dos darwinistas:

I think it a shame that discussion of evolution usually boils down to a pledge of allegiance either to Darwin or to the handling of snakes. This view admirably distracts attention from the observation that much of Darwinism doesn’t square with observation or even make sense. Religion has nothing to do with it, being an innocent bystander.

(...)

I have heard of suspension of disbelief, but I am too weak a cord by which to suspend that much disbelief. What astounds me is that evolutionists believe it without effort.

(...)

Nothing is too silly for Darwinian consumption.

(...)

The entire Darwinian structure rests on the willingness to accept wild theories without examination.

Essas explicações dos darwinistas, a posteriori, são realmente criativas. Mais engraçado é que aqueles que reclamam da inconsistência lógica ou da inexistência de evidências que comprovem a teoria são os acusados de jogar contra a ciência.

E, para matar de raiva, nem dá para chamar o Fred de fanático religioso.

Teste da Veja

A está com um daqueles testes de orientação político-econômica.

Eu acho muito complicado esses testes porque geralmente o conjunto limitado de respostas tende a enfiar-nos num grupo com o qual não estamos 100% de acordo. Por exemplo:

5 - É correto que o Estado decida se determinadas greves são ilegais ou não.

Aqui eu tive que votar sim. Como exemplo, cito setores como os controladores de vôo, hospitais públicos (podemos discutir se o Estado deve prover esses serviços, mas não é este o caso. Dentro do cenário atual eu acho correto que o Estado defina a legalidade da greve de alguns setores).

8 - Nas relações comerciais entre os países, o protecionismo é às vezes necessário.

Aqui eu balancei. Num mundo ideal eu acho que o protecionismo é desnecessário e injustificável, mas não é nele que vivemos, certo? Fiquei pensando em uma série de situações onde eu toleraria o levantamento de barreiras. O grande problema é de ordem estrutural: quando permitimos a existência de barreiras, mesmo que por motivos legítimos, elas serão usadas para criar monopólios e reservas de mercado para empresários ineficientes. Difícil essa.

9 - O Estado deveria ter controle apenas sobre as áreas de segurança pública, saúde e educação, deixando os demais setores sob responsabilidade das empresas privadas.

Questão mal elaborada por causa da "ter controle sobre." Não descarto a idéia do Estado como provedor de educação e saúde, mas não queria ele com o controle sobre essas áreas. E ambém acho que o Estado pode agir como regulador através das tais agências reguladoras.

11 - Direitos como férias, décimo-terceiro e FGTS deveriam ser retirados da lei e negociados caso a caso, entre patrões e empregados.

Num cenário mais próximo da perfeição, com oferta de trabalho mais abundante, um baita SIM. Num país como o Brasil, não consigo ser a favor disso.

Rio de Janeiro, cidade modelo

É, juro:

Under one model, local gangs have a more or less fixed ability to terrorize a neighborhood. Even if everything is legalized, the gangs will continue local monopolies to maximize tribute, subject of course to constraints from other gangs and the police. In this model, legalizing drugs doesn't do much good. The local gang either shifts its monopoly to another area (milk and sugar, if need be), or de facto the gang's local monopoly on the drug trade continues. The gang busts you if you try to get your supply of crack cocaine from Merck. I call this the Rio de Janeiro model; no, drugs are not formally legal there but I don't think it would much matter if they were.

17 maio 2008

Quem tiver saco que comente...

... A mais nova proposta do "noço" guia:

"Começa a fomentar na minha cabeça a idéia de que o Estado vai ter que fazer uma nova empresa. Não quero fazer, acho que o Estado não precisa fazer. Mas se os empresários não tiverem ousadia, vamos ter que ter ousadia pelo menos para forçá-las a fazer ou incetiva-las a fazer", afirmou.

Eu não vejo a hora de ver o transporte aéreo com a mesma qualidade e eficiência que tinha a Telerj é com os mesmos preços competitivos praticados pela Petrobras.

Nossa herança maldita

Isso que segue mostra de onde tiramos a cara-de-pau de certas pessoas ao serem pegas com dólares na cueca ou dossiês embaixo do braço (grifos meus):

A polémica foi desencadeada após ter sido noticiado que José Sócrates, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, e outros membros do Governo fumaram a bordo do avião da TAP que os transportou terça-feira até à Venezuela, onde efectuam um visita de três dias.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro, José Sócrates, pediu desculpas caso se verifique que violou a lei.

"Estava convencido que não estava a violar nenhuma lei nem nenhum regulamento. Infelizmente há essa polémica em Portugal e eu quero lamentar essa polémica. Se por algum motivo violei algum regulamento, alguma lei, lamento e peço desculpa, não voltará acontecer", declarou o primeiro-ministro, que anunciou também que iria deixar de fumar em definitivo.

Pior que é isso mesmo

Olavão sobre os debatedores de fraldas:

Primeiro: os sujeitos que menos toleravam objeções eram precisamente aqueles que mais proclamavam a relatividade de tudo e a inexistência de verdades absolutas. O mecanismo mental aí subentendido de maneira quase sempre inconsciente era no entanto simples e claro: livre de quaisquer exigências superiores que pudessem travá-lo, cada um desses fulanos tornava-se ele próprio o único absoluto. Discutir com deuses, os senhores compreendem, é cansativo e inútil.

Indeed. Indeed.

13 maio 2008

Olha a discriminação!

Em pleno século XXI ainda temos que conviver com homens e mulheres ganhando salários diferentes para desempenhar o mesmo trabalho:

Segundo Carlão, os homens recebem bem menos que as mulheres nas cenas. "Geralmente o homem ganha metade que a mulher. Mas a Leila está em outro patamar. Não sei quanto ela ganhou, mas acredito que tenha sido algumas vezes o meu cachê".

Igualdade de direitos já!

12 maio 2008

Quando é para valer...

... Assuntos "prioritários" como o Aquecimento Global ficam em segundo plano.

CLEAR FORK, Estados Unidos (Reuters) - Tanto Hillary Clinton quanto Barack Obama estão falando menos em aquecimento global e preferindo termos como "carvão limpo" ao discursar para eleitores da Virgínia Ocidental e do Kentucky - dois Estados que estão no coração da economia carvoeira dos EUA.

Política é um troço muito engraçado.

Bravo

Sabe quando você tem um texto na cabeça mas não o talento para torná-lo algo concreto? Pois bem, graças ao meu xará, descobri que alguém fez isso pra mim:

The upshot: If you and I feel equally successful but you make four times as much as I do, we will be equally happy about our lives. Of course, successful people make more money than unsuccessful people, on average. But it is the success—not the money per se—that is giving them the happiness. I have no doubt that some people do get pleasure from lording their higher incomes over others. But the evidence says this is not the biggest reason that having more than others gives us happiness.

Financial status is the way we demonstrate to others (and ourselves) that we are successful—hence the fancy watches, the expensive cars, and the bespoke suits. We use these things to show other people not just that we are prosperous, but that we are prosperous because we create value.

There is nothing strange about measuring our success with money; we measure things indirectly all the time. I require my students to take exams not because I believe their scores have any inherent value, but because I know these scores correlate extremely well with how much they have studied and how well they understand the material. Your doctor draws your blood to check your cholesterol not because blood cholesterol is interesting in and of itself, but because it measures your risk of having a heart attack or a stroke. In the same way, we measure our professional success with green pieces of paper called “dollars.”

11 maio 2008

Rio Favela

O que me espanta não é que isso aconteça numa cidade-favela como o Rio de Janeiro, mas que as pessoas ainda se surpreendam com o fato.

O carioca é um bicho engraçado demais.

JP Coutinho

Uma das grandes cabeças da atualidade (parece até panfleto promocional):

Durante cinquenta anos, a obra de Steiner perseguiu uma pergunta curial: como foi possível a uma civilização que se julgava intelectualmente avançada descer ao abismo do horror no século XX? A pergunta faz sentido sobretudo para quem sempre depositou na "cultura" uma fé profundamente optimista. E, no entanto, é possível encontrar exemplos de homens cultos que, depois de uma sonata de Schubert ou de umas páginas de Flaubert, acordavam no dia seguinte e iam gasear judeus com entusiasmo burocrático.

Se a cultura não nos torna mais "humanos", para que serve a cultura, afinal?

Disse que a pergunta é inevitável para um humanista porque ela questiona directamente a estrutura intelectual do Ocidente, isto é, a ideia de que o conhecimento é virtude. Mas a pergunta será ainda mais premente num humanista judeu: para Steiner, a identidade judaica não se define por um qualquer apelo à religião, ou à "raça" (termo equívoco, eu sei). O "judeu" é aquele que mantém com a palavra escrita uma relação vital. Foi essa relação que lhe permitiu viver, e sobreviver, ao longo de séculos de perseguições.

Resta, assim, uma última e terrível hipótese: a cultura, fonte de "humanização", pode também revelar-se um instrumento de desumanização". Essa hipótese é levantada por Steiner num breve ensaio que a Gradiva publicou entre nós. Intitula-se "O Silêncio dos Livros" e, depois de uma viagem histórica sobre a leitura e os seus inimigos (humanos, físicos, bélicos, tecnológicos), Steiner levanta esse paradoxo: o contacto habitual com a intensidade das grandes obras pode tornar os homens insensíveis à banal realidade. Num outro livro, Steiner define esse paradoxo como "o paradoxo de Cordélia", em referência directa à personagem do bardo: será que existe no mundo um grito tão pungente como aquele que Lear lança à sua filha tão amada?

Às vezes, é preferível não responder a certas questões. Como diria um velho filósofo inglês, encontrar a verdade não significa que ela será confortável.

07 maio 2008

Índio é tão legal...

... Lá em Roraima! Aqui não!

A presença do grupo de guaranis, que chegou há três meses de Paraty, no Sul fluminense, provocou insatisfação entre os moradores de Camboinhas. Foram eles que acionaram o MP por intermédio da Sociedade Pró-Preservação Urbanística e Ecológica de Camboinhas (Soprecam).

Os residentes de Camboinhas alegam que a presença da tribo está desrespeitando uma lei federal de agosto de 2006. Esta norma teria transformado o local onde está fixada a aldeia em área de preservação permanente, onde nada poderia ser construído.

05 maio 2008

Cedendo à tentação

Quando alguém adquire uma platéia - ou acha que adquiriu - fica difícil ceder à tentação de não ser desonesto, intelectualmente falando.

Reinaldo Azevedo defendeu a proibição da tal Marcha da Maconha.

Podemos passar anos discutindo essa posição, com excelentes argumentos de ambos os lados. Mas daí a afirmar que ele disse que quem a legalização das drogas deve ir preso, vai uma distância abissal.

Discordar sim, mas pelo menos discorde do que a pessoa realmente afirmou.

Fiscais do Sarney - Reloaded

Consumidor deve denunciar postos que aumentarem preço da gasolina, afirma Lula

- Feito um jogo combinado: o aumento com desconto na Cide [Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico] e isso diminui o efeito do aumento. É importante as pessoas ficarem atentas. A gasolina não aumenta nada no posto. Se algum posto estiver aumentando, as pessoas podem denunciar, porque [a gasolina] não aumenta nada e o óleo diesel aumenta 8,8% - disse Lula em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente.

E este nosso período paleocapitalista que não termina nunca?

House

Você não sabe como pode gostar tanto de uma série onde o protagonista é um tipo como House?

Talvez este excelente texto ajude a clarear suas idéias.

Homem de Ferro (a última, eu prometo)

Já perdi muito tempo com essa bobagem, mas é que ela está desencadeando uma reação em cadeia de tal magnitude que é impossível ler certas coisas e deixar passar em branco.

Dessa vez a crítica do filme é nacional:

Este trecho tem alguns acertos e um erro gravíssimo:


Pra começar, eles têm um entendimento excepcional de quem é Tony Stark e suas motivações, peneirando todas as suas fases e tirando daí para a competente trama de origem apenas o que há de mais interessante e guardando outros momentos importantes para a inevitável (e desejada, claro!) continuação. O bilionário da indústria bélica não é um herói no sentido convencional da palavra - nunca foi (ao menos quando bem trabalhado). Ele age como um herói visando o (sic) reconhecimento, saciando a própria vaidade, e não por altruísmo, como um Super-Homem. E o filme acerta esse aspecto na mosca.

Note como Stark só se envolve nos conflitos depois que eles o atingem de alguma maneira; ou como só decide sair de sua garagem, onde cria as incríveis armaduras que povoam o filme, depois de perceber que está sendo passado para trás. Stark é um vencedor, um cientista, um conquistador e, principalmente, alguém dificílimo de se relacionar.

Primeiro os acertos: Stark é, de fato, um vencedor, um cientista e um conquistador.

O erro grave na análise é a motivação de Stark: não precisa ser fanático pelos quadrinhos, está tudo lá no filme. Será que o crítico viu a película?

Tony Stark era tudo aquilo que ele falou e mais um pouco: não queria saber como o dinheiro que chegava em sua conta bancária era gerado. Se iludia com a afirmação de que era um patriota e que suas armas salvavam vidas americanas. Tudo até o dia em que sofreu uma emboscada e os soldados que o escoltavam, com os quais já estabelecera uma rápida simpatia, foram brutalmente mortos, tentando defendê-lo. A última coisa que ele viu antes de ser nocauteado foi uma bomba com o logotipo de sua empresa cair ao seu lado.

No cativeiro ele conhece a pessoa que o faz pensar sobre tudo isso. Tem contato com a lealdade e, principalmente, o sacrifício.

Quando volta aos EUA, após escapar dos terroristas, ele não poderia ser mais claro: vai parar de fabricar armamentos e sua empresa vai fazer algo mais que "explodir coisas". Sim, Tony Stark mudou sua perspectiva do mundo, mas nem por isso ele precisa se tornar um chato, uma pessoa desinteressante ou um coitadinho como Peter - chato bagaray - Parker. Ele continua vaidoso, mulherengo, bon vivant. E sim, ele gosta do reconhecimento que lhe trouxe o Homem de Ferro. Mas o filme deixa claro, mesmo para quem nunca viu o personagem mais gordo, que houve uma mudança em Tony Stark e, na verdade, a mudança mais importante.

Quando ele volta ao oriente médio para combater os terroristas, não foi porque ele foi passado para trás, mas porque as suas armas estavam sendo usadas para massacrar um vilarejo. Lá chegando ele não saiu botando tudo abaixo. Quando vidas inocentes foram colocadas na linha de fogo ele agiu com a preocupação e com a firmeza esperadas dos heróis.

Resumindo, o Homem de Ferro é sim um super-herói no sentido clássico. A única diferença é que Tony Stark não é o chato de galochas Peter Park e nem precisa fazer contas para pagar o aluguel de uma espelunca no final do mês. Isso sim, talvez gere alguma dissonância na cabeça das pessoas. Afinal, fomos treinados desde pequeninos para acreditar que pessoas ricas são malvadas ou, na melhor das hipóteses, egoístas.

Homem de Ferro dispara avalanche de tolices

Comic Books não são assuntos muito sérios. Entretanto, como tudo na vida, eles são criados dentro de um contexto específico. Alguns dos principais super-heróis da Marvel surgiram durante a Guerra Fria. Não é de se espantar que alguns deles tivessem como vilão aquilo que era visto como o Mal da época, o Comunismo.

Um leitor (valeu, Alessandro!) mandou-me um artigo da Slate sobre o filme e o personagem. O artigo poderia explorar o contexto no qual surgiu o Homem de Ferro e o fez. Mas com aquela ótica esquerdista de sempre (capitalistas são indivíduos maus e egoístas que precisam ser dominados pelo governo. Inclusive há uma citação de Alan Greespan no início do artigo defendendo esta posição).

No artigo, Homem de Ferro enfrentava os vilões apenas para favorecer as empresas Stark, destruindo os competidores da empresa. Para o autor, o fato de os vilões depois se revelarem maníacos homicidas era apenas para validar o ataque inicial do Homem de Ferro motivado pela ganância.

Empregados preguiçosos eram despedidos (Oh! Crime dos crimes!). Segundo o artigo - não lembro mais, li essas coisas quando era garoto - esses ex-empregados se transformavam em vilões o que servia para justificar a política de recursos humanos de Stark. Ora, uma coisa nada tem a ver com a outra - me supreende quão incapazes de estabelecer raciocínios lógicos são essas pessoas. Se o funcionário demitido era maluco ou mau-caráter e passou a querer matar todo mundo, deve ser impedido com todos os meios que forem necessários e para isso havia o Homem de Ferro. Eram duas esferas diferentes, embora um evento tenha disparado outro. Será que o autor estaria justificando o fato de alguém sair matando as pessoas a torto e a direito porque foi demitido do trabalho? Não creio, mas não me surpreenderia.

A conclusão do artigo poderia ser escrita por qualquer universitário brasileiro semi-alfabetizado entre uma rodada e outra de sueca no Centro acadêmico (grifos meus):

Even now, Iron Man represents Stan Lee's adolescent dog-eat-dog version of capitalism, the version that appeals to our "might makes right" monkey brains: Innovation is good; monopolies rock when we run them, suck when we don't; big corporations need CEOs rich enough to own space jets; and regulations should be a result of the CEOs' benevolence and wisdom, not imposed by outsiders. Tony Stark is a self-made man who believes that we can build ourselves out of trouble. He's one of America's romanticized lone inventors who, like Steve Jobs, solve problems by locking themselves away in secret workshops to emerge later with their paradigm-shifting inventions.

These days, the Iron Man comic book sells worse than not only the Hulk, Daredevil, Captain America, and Thor but the six different titles featuring Wolverine. So why an Iron Man movie? In a maneuver worthy of Tony Stark himself, Marvel Comics is producing Iron Man on its own after getting burned on licensing deals for the lucrative Spider-Man and X-Men franchises. Who's left in the stable? Captain America and Daredevil have already bombed on film, and the Hulk and Thor are in movies coming later this year, and so Iron Man it is. The Iron Man movie is a decision born of greed and pragmatism, a decision based on Marvel's best corporate interests. It's a purely capitalist decision, and according to Iron Man ethics, that makes it practically heroic.

Como podemos ver, não importa a bobagem, o esquerdismo pode torná-la ainda maior.

04 maio 2008

Hein?!

Onde o autor deste texto viu isso no filme Homem de Ferro?


"Homem de Ferro" é estrelado por Downey, 43, interpretando o industrial bilionário e playboy Tony Stark, que enfrenta uma crise de meia-idade conforme cria uma armadura de alta tecnologia que o transforma em super-herói.

Certamente o autor nem deu uma espiada no filme. Ou então confundiu "crise de meia-idade" com "crise de consciência."

E ainda querem questionar a credibilidade dos blogs. Rá!

Modern soylent green

Sempre que vejo aquelas passeatas, cheias de deficientes na linha de frente, com cara de cão sem dono, a favor da pesquisa envolvendo células-tronco embrionárias eu fico com aquela sensação de que já vi isso antes.

Trata-se da moderna versão do Soylent Green. Somente coroas vão lembrar desse clássico da ficção - e eu espero que assim continue - científica.

[Spoiler: o parágrafo a seguir estraga a surpresa do filme]

Num futuro - 2022, agora não tão distante - a escassez de alimentos aflige o mundo. As pessoas são alimentadas por uma ração chamada "soylent green". Para encurtar a conversa, o protagonista do filme descobre que os tabletes de "soylent green" têm como matéria-prima os corpos das pessoas vítimas de "eutanásia". Mas não se escandalize, por favor: o procedimento é realizado em clínicas do governo para garantir uma morte digna, higiênica e - aham - agradável.

É engraçado tentar imaginar o contexto político deste filme, projetando o que vemos hoje em relação à pesquisa com células-tronco embrionárias (*): a Igreja recriminando a produção de alimento a partir de corpos humanos mortos pelo governo e vários grupos políticos fazendo pressão contra o obscurantismo religioso e promovendo passeatas cheias de famintos na linha de frente. Imagino os editoriais, repletos de "intelequituais" pomposos, discorrendo sobre como a ciência não pode ser obstruída e nos lembrando que o Estado é uma entidade laica.

A vida imita mesmo arte. (sempre quis usar essa frase!)

(*) É interessante reparar que a discussão malandramente se afastou do questionamento da existência ou não de vida humana num embrião. Usar como argumento a promessa de futuras possíveis curas de doenças, desprezando o que se está atropelando para consegui-las, me parece o mecanismo que o governo do filme utilizou para produzir o soylent green.

03 maio 2008

Marketing one-to-one

Acabo de comprar dois CDs num famoso site de comércio eletrônico brasileiro. Em algum momento devo ter dado a entender que sou um consumidor extremamente eclético, pois a recomendação que eles me fizeram foi, digamos, peculiar:


Hein?!?!?

O amor $upera tudo

Família de Bia Antony perdoa Ronaldo

Rio - ”Como eu não posso querer bem a uma pessoa que só deu alegrias [!!!!] para a minha filha e para o meu País?”, disse-me ontem Magnólia Antony, mãe de Bia e sogra de Ronaldo Fenômeno. Mulher de fibra, potiguar das boas, Magui, como é conhecida por todos, diz que ama o ex-futuro genro “mais do que nunca” e que inclusive o convidou para ir à sua casa em Brasília depois do escândalo.

Grifos meus. Como se precisasse...

Guerra preventiva

Um dos principais argumentos dos liberais e libertários contra guerras preventivas é o de que uma nação somente deve se defender de ataques e nunca iniciá-los. Num passado distante eu estaria 100% de acordo. Naquele tempo era possível detectar um ataque e combatê-lo antes que ele causasse severos danos à população civil.

Nos dias de hoje confesso que não estou tão seguro dessa posição. Hoje temos armas químicas, biológicas e nucleares capazes de matar centenas de milhares de pessoas num piscar de olhos. Imagine um governante dando uma coletiva após um ataque nuclear que custou a vida de milhares de cidadãos do seu país:

- Senhor Presidente, como nossos serviços de inteligência não detectaram esse plano?
- Nós detectamos, mas não podemos atacar uma nação sem que tenhamos sido agredidos antes. Agora vamos partir para o contra-ataque!
- Agora? Depois de centenas de milhares de mortos?

Você acha esse questionamento do repórter fantasioso?

Além do avanço tecnológico das armas, há também maior capacidade logística. Uma nação pode dar pleno suporte a organizações terroristas e fazê-lo de modo totalmente imperceptível.

Tenho verdadeiro fascínio pela História americana e pelos ideais dos Founding Fathers. É um fato que a grande nação que vemos hoje foi construída naquela época por aquelas pessoas. Entretanto há que se reconhecer que aqueles tempos eram outros. Suas idéias foram ótimas para aqueles tempos e muitas delas são excelentes até hoje. Outras, porém, precisam ser ajustadas ao contexto atual.

Claro que isso não vem de graça. Uma guerra preventiva deve ser travada com o dobro, o triplo!, de cuidados de uma guerra normal. Afinal de contas, e se as informações levantadas pelos serviços de inteligência forem incorretas? São questões cruciais que devem atormentar a cabeça de quem governa uma nação: partir pro ataque e ser massacrado pela opinião pública? Aguardar a agressão para, então, contra-atacar e ser igualmente massacrado pela opinião pública?

Certamente são questões que devem tirar o sono de qualquer governante que não tenha uma imprensa chapa-branca como a nossa para lhe dar cobertura.

02 maio 2008

Dois pesos e duas medidas

Recentemente o mundo se escandalizou com o caso do austríaco que abusou sexualmente da filha por 24 anos. Casos macabros como este e o da menina que foi seqüestrada e mantida em cativeiro por oito anos podem gerar a tentação de levantar a questão: o que há de errado com a Áustria?

Antes de começar a elaborar teorias mirabolantes, reflita sobre as declarações do coordenador do curso de medicina da UFBA.

Não há como fugir: se uma área geográfica é capaz de gerar psicopatas, ela também é capaz de gerar pessoas estúpidas. Não há como aceitar a idéia de que a Áustria é um país onde seu habitantes têm tendências homicidas, mas classificar a declaração do coordenador da UFBA como absurda e obtusa.

Lamento Olavão...

... Mas eu falei isso antes. :-)

Embora sob um aspecto ou outro possamos levar desvantagem, no conjunto a depravação nacional é um fenômeno inédito, incatalogável, sem similares na história do mundo. Nenhuma nação jamais consentiu em tolerar o intolerável com aquele misto de indiferença búdica, amoralismo cínico e auto-satisfação masoquista que o Brasil chama de “normalidade institucional”.

Mas algo me diz que nossos dias de glória estão contados. Aqui e ali, aos poucos, vão despontando indícios de que certas condutas, antes julgadas inaceitáveis fora das nossas fronteiras, vão conquistando espaço nas sociedades ditas avançadas, aí encontrando a mesma receptividade cúmplice que tanto as fez prosperar no Brasil.

Na sua breve carreira de pré-candidato, o sr. Barack Obama já contou, comprovadamente, mais de sessenta mentiras só sobre a sua biografia (excluídas as mentiras políticas). Ele mente sobre suas origens, sobre sua família, sobre sua educação, sobre seus amigos, sobre o pastor da sua igreja. Nenhum político faz isso. Todos são verazes nas miudezas para poder falsificar melhor o conjunto. Obama mente no atacado e no varejo, no todo e nos detalhes, até em detalhes óbvios que não levam meia hora para ser desmentidos. Chamá-lo de mentiroso seria eufemismo. Ele é uma farsa total, uma palhaçada completa. É um intrujão desprezível que em situações normais alcançaria sucesso, no máximo, como locutor de rádio interiorana. Sua simples candidatura – para não falar da possibilidade da sua eleição – mostra que a capacidade de julgamento do eleitorado americano desceu abaixo do nível do ridículo: está beirando o tragicômico. Quanto mais se comprova que o sujeito é postiço, mais devotos se tornam os seus seguidores. Cada vez que ele é desmascarado, mais o aplaudem. Já vão para oitenta por cento os democratas que juram votar nele. É um efeito que, até algum tempo atrás, só se observava num único país do mundo. O bom e velho país dos otários que, para não dar o braço a torcer, fingem admirar o malandro que os engana.

Podem vir que "nóis é gente boa"

Disse uma colunista de economia de um grande jornal brasileiro (*):

O capital que virá é um capital que pode investir em longo prazo, exatamente por serem investidores mais cuidadosos e de olho em retorno que leve mais tempo. Os setores que podem receber recursos nesse novo momento de grau de investimento são, por exemplo, obras de infra-estrutura. Mas, ao mesmo tempo, ter grau de investimento não resolve tudo: é preciso que haja um bom ambiente de negócios e bons marcos regulatórios.

Agora responda-me você: você faria um investimento de longo prazo num país onde o governo acaba de MUDAR A LEI para favorecer a fusão de duas empresas de telecomunicações e, além disso, ainda vai financiar a brincadeira?

Você concorda com o presidente do Banco Central que disse que, com essa recomendação, o Brasil demonstra ter um ambiente de investimento estável?

(*) Colunista de economia por aqui é algo como um colunista social, só que as futricas são da esfera econômica. Não há análises com base em fundamentos da economia ou coisa parecida. É sempre "fulano me disse que..." ou "uma fonte no Planalto informou que...".

26 abril 2008

E depois reclamam dos Simpsons

Quatro policiais americanos faziam turismo no Rio quando foram abordados num táxi na Avenida Rainha Elisabete da Bélgica, em Copacabana, por volta das 3h30m, pelos soldados. Eles saíam do restaurante anexo à Boate Help. Após revistar os turistas, os PMs encontraram um canivete com o policial da Califórnia John Arthur Junior. Para intimidá-lo, um dos PMs afirmou que portar o canivete caracterizava crime. Os soldados detiveram John e o colega Carlos Arenivas Sanchez, exigindo que o primeiro pagasse US$ 2 mil em troca da liberdade de Carlos, mantido como refém. John entregou aos soldados tudo que tinha de valor no apartamento em que estavam hospedados: US$ 900 e um I-Pod novo, avaliado em US$ 259.

É mole?

A ladainha de sempre

Aí vou eu, jornalista engajado e preocupado com o direito das minorias, engarregado de noticiar a morte de um negro pela racista polícia americana, e escrevo:

Absolvidos policiais que fuzilaram negro em NY

Pronto! Uma passada de olhos, como aquelas que a grande maioria das pessoas dá nos portais da rede duranta o expediente, deixará claro quão racistas são estes americanos!

E o jornalista pode dormir satisfeito, ciente de que fez a sua parte para tenhamos um mundo melhor.

Mas espere! Alguém decidiu ler a notícia inteira:


Os três policiais que dispararam contra ele, Michael Oliver, Gescard Isnora e Marc Cooper - dois negros e um branco - optaram por não enfrentar um júri popular, escolhendo serem julgados apenas pelo juiz Arthur J. Cooperman, da Suprema Corte estadual de Nova York.

Provavelmente o branquelo disparou os cinqüenta tiros enquanto os dois negros tentavam impedi-lo.

Este pode ser um caso de despreparo policial? Sim.
Pode ser um caso de violência excessiva? Sim.
Pode ser um caso de racismo? Talvez, se os policiais negros atenderem pelo nome de Michael Jackson.

E se o fuzilado fosse branco? Seria um caso digno de nota em "O Grobo"?

Pegunta meramente retórica, claro.

21 abril 2008

Uma vez buraco, sempre buraco

Incrível como o futebol é uma das poucas coisas no mundo que não evoluem. Aqui no Bananão, nem estagnado fica. Anda para trás.

O São Paulo voltou bem mais cedo para o segundo tempo (assista ao vídeo ao lado que mostra os jogadores em campo antes da hora). Ao chegar no vestiário de visitante do estádio Palestra Itália, jogadores, comissão técnica e diretoria do clube do Morumbi se depararam com um mau cheiro de spray de pimenta.

Um dos mais revoltados com o acontecimento foi o vice-presidente de futebol do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. O chefe do policiamento, Coronel Botelho, disse que o mais provável é que a torcida tenha comprado um produto similar e atirado por uma das janelas do vestiário de visitante.

Incrível o espírito de vale-tudo que impera no nosso futebol. O jogo era para ter sido interrompido e o estádio interditado, mas não. O próprio time do São Paulo não demonstrou tanta indignação assim, já que voltou para jogar o segundo tempo.

20 abril 2008

Muita calma nessa hora...

Novamente - e como é freqüente esse tipo de coisa - estamos diante de mais um daqueles casos onde, segundo a opinião pública, todos deveríamos pular essas formalidades processuais tolas e partir logo para a condenação do pai da infeliz menina e da madrasta. Ficamos todos indignados e queremos que os safados que temos certeza de que assassinaram a criança apodreçam na cadeia.

Confesso que nada ou quase nada sei sobre este caso. Procurei, desde o início, me afastar do sensacionalismo que imperava e impera até hoje nos meios de comunicação para que eu não seja contagiado pela irracionalidade.

Em certas horas, principalmente em casos de forte apelo sentimental, é muito fácil ceder à tentação de mandar os mecanismos do Estado de Direito para os ares. Uma pessoa despreparada no lugar errado pode colocar tudo a perder.

A mistura é bombástica: meios de comunicação irresponsáveis que apelam para tudo por um ponto ou dois no IBOPE, delegados e promotores ávidos pelos seus 15 minutos de fama e um povo ignorante que vive, institucionalmente falando, na Idade da Pedra lascada.

Eu, assim como todo mundo, quero ver o responsável por essa atrocidade em cana, sim! Mas após o devido processo e com todo o direito à defesa que a lei garante. Não quero delegados ou promotores tomando atalhos para conedenar ninguém sob o pretexto de que todos sabem que ele é culpado. E não faço isso por nenhum motivo mais nobre. Faço por interesse próprio, pois um dia o alvo do linchamento poderei ser eu. Defender o Estado de Direito é, antes de mais nada, um ato de autopreservação.

Vale lembrar alguns trechos de um documentozinho que chamamos Constituição:


LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;

Creepy people

Ao ver Jurema vestida de preto, sua mãe comenta:

- Ah, Jurema, é hoje o enterro da Carminha, né? Que bom que você está indo. Vocês duas cresceram juntas; eram praticamente unha e carne! A família dela vai precisar do apoio dos amigos neste momento tão difícil.
- Que enterro da Carminha, o quê? Estou indo é para a vigília em frente ao prédio onde morava a menina Isabella. Meu cabelo está bom? E a maquiagem?

19 abril 2008

O óbvio

Em letras garrafais:

"O Exército serve ao Estado brasileiro e não ao governo."


Falou e disse (o óbvio mas nestepaiz é sempre necessário).

Triste verdade

Não há situação calamitosa que um carioca não consiga piorar.

16 abril 2008

Bush bashing - Parte II

Agradeço ao leitor Tiago pelo link com os votos dos senadores americanos em relação ao uso da força no Iraque.

Vale mencionar o voto de alguns senadores:

Clinton (D-NY), Yea
Kerry (D-MA), Yea
Edwards (D-NC), Yea

Claro que nada disso importa, já que todos eles poderão continuar chamando o conflito de "Guerra do Buxi" sem que ninguém lhes pergunte "Ué, mas você não votou a favor?"

Bush bashing: esporte olímpico

Este é o esporte preferido de 10 entre 10 intelequituais: esculachar o Jorgibuxi. Pena que muitos ditos conservadores ou "de direita" estejam caindo nessa e iniciando a prática do esporte, não pelos motivos certos, mas porque todo mundo está fazendo.

Numa era de reinado do homem-massa isso é até compreensível, afinal, como bem disse o texto:

O homem-massa adquire idéias do mesmo modo que os ratos adquirem pulgas infestadas de peste bubônica. Ele é infectado por elas.

E também:

O homem-massa é uma criatura facilmente manipulável. Ele é presa fácil dos adversários, dos vendedores de óleo de cobra e de charlatães de todo naipe.

Como é possível que ninguém faça a seguinte pergunta aos Senadores que hoje chamam a guerra do Iraque de Guerra do Bush: se a guerra é criminosa e foi apenas por petróleo, por que o senhor deu voto autorizando a invasão? Se essa guerra é de alguém ela também é dos senhores Senadores.

Entretanto essa admissão de culpa (ou reconhecimento de que havia sim motivos para invadir o Iraque) é desnecessária. O homem-massa está pronto para engolir todas as asneiras que os Michael Moores da vida vomitarem em suas boquinhas, como porcos esperando lavagem. Alguns chegaram ao limite de, após descobrirem que Michael Moore mentira descaradamente em seus filmes e livros, afirmarem "Ah, mas ele tem sua importância no combate ao Bush." E isso não ouvi de nenhum "povão" não. Foi de gente graduada e até pós-graduada. Como disse Gasset, o homem-massa transcende classes sociais.

Se Obama for eleito presidente dos EUA, estará confirmada a chegada do homem-massa ao topo do poder (*). E aí, mundo, se cuida!

(*) Não que os demais candidatos sejam espetaculares, mas o eleitorado de Obama é basicamente formado por homens-massa, essas criaturas "facilmente manipuláveis." Mantidas as devidas proporções, são criaturas como a intelequitualidade e classe média brasileiras que elegeram Lula em 2002.

Petrobras acha mais petróleo!

Petrobras achou outra reserva de petróleo, dessa vez no Alaska. Agora, para essa descoberta se converter em ganhos, só precisamos invadir os Estados Unidos, transformar o Alaska em território brasileiro, combater os ambientalistas e instalar as plataformas para então perfurar os poços.

Piece of cake!

A as ações da Petrobras vão disparar!

06 abril 2008

Reciprocidade

Uma brasileira que acusa a polícia da Suíça de maus-tratos causa polêmica no país. Jaqueline Lima, de 26 anos, foi presa por sete dias por ter vivido sem visto na Suíça e tentado retornar. Tratada como criminosa, a mulher se queixou no consulado brasileiro e na embaixada de maus-tratos. Ela afirmou que teria sofrido revista anal por parte da polícia antes de ser presa. A policia nega as acusações, mas admite que a revista completa - inclusive das partes íntimas - era "imperativo" para verificar se a brasileira levava drogas.

Os gays suíços devem estar em polvorosa:

- Aaai, vamos para o Brasil porque eles vão querer aplicar a reciprocidade!

Proud to be black

Minha metade negra se enche de orgulho, não quando ouve batuque de samba (isso qualquer tribo pode fazer), mas quando eu leio os textos deste dois negões com N maiúsculo:

Obama's Philadelphia Speech: A Theatrical Masterpiece, por Thomas Sowell

Someone once said that a con man's job is not to convince skeptics but to enable people to continue to believe what they already want to believe. Accordingly, Obama's Philadelphia speech -- a theatrical masterpiece -- will probably reassure most Democrats and some other Obama supporters. They will undoubtedly say that we should now "move on," even though many Democrats have still not yet moved on from George W. Bush's 2000 election victory. Like the Soviet show trials during their 1930s purges, Obama's speech was not supposed to convince critics but to reassure supporters and fellow-travelers, in order to keep the "useful idiots" useful.

Obama's Speech Ignores The Fundamental Issue, por Walter Williams

For the nation and for black people, the first black president should be the caliber of a Jackie Robinson and Barack Obama is not. Barack Obama has charisma and charm but in terms of character, values and understanding, he is no Jackie Robinson. By now, many Americans have heard the racist and anti-American tirades of Obama's minister and spiritual counselor. There's no way that Obama could have been a 20-year member of the Rev. Jeremiah Wright's church and not been aware of his statements.

Wright's racist and anti-American ideas are by no means unique. They are the ideas of many leftist professors and taught to our young people. The basic difference between Sen. Obama, Wright and leftist professors is simply a matter of style and language. His Philadelphia speech demonstrated his clever style where he merely changed the subject. The controversy was not about race. It was about his longtime association with such a hatemonger and whether he shared the Reverend's vision.

Obama's success is truly a remarkable commentary on the goodness of Americans and how far we've come in resolving matters of race. I'm 72 years old. For almost all of my life, a black having a real chance at becoming the president of the United States was at best a pipe dream. Obama has convincingly won primaries in states with insignificant black populations. As such, it further confirms what I've often said: The civil rights struggle in America is over and it's won. At one time black Americans did not have the constitutional guarantees enjoyed by white Americans; now we do. The fact that the civil rights struggle is over and won does not mean that there are not major problems confronting many members of the black community but they are not civil rights problems and have little or nothing to do with racial discrimination.

Todo mundo se indignou (o esporte predileto nos dias de hoje) com o personagem do ator Nicolas Cage no filme O Senhor da Guerra. De fato, é repugnante ver alguém ganhar a vida às custas da dor e do sofrimento da guerra. É uma pena que as pessoas não canalizem essa indginação para os Senhores da Guerra Racial, gente que fatura, e muito, provendo armas e inventando batalhas para manter viva uma guerra que já não tem mais sentido algum.

Corporative bitch

Um dos personagens que eu mais gosto é o Dilbert, do Scott Adams. A leitura das suas tiras fazem parte da minha rotina. O forte do Dilbert é a verossimilhança das situações absurdas vividas num ambiente corporativo.

Por várias vezes, ao ler uma tirinha, tive a sensação de que Scott Adams, na verdade, seria a identidade secreta de algum colega de trabalho.

Outra coisa que faz com que eu me identifique muito com o Dilbert, é sua resistência em aceitar o non-sense que inunda o ambiente das grandes empresas.

São tantos absurdos que, após algum tempo nesse meio, posso afirmar: o sucesso de um projeto não passa de um mero acidente, um efeito colateral.

Chega um momento na sua carreira em que você tem que escolher: (A) manter um mínimo de dignidade ou (B) se tornar uma corporative bitch. Se optar pelo primeiro, é aconselhável que você seja muito competente, a ponto de a empresa ter que te aturar mesmo que você não babe o ovo dos seus chefes. A maioria, entretanto, opta pelo segundo, o que torna seu career path muito mais fácil, embora muito mais humilhante.

Como corporative bitch, ao longo de sua carreira, seu chefe lhe dará todos os cargos inúteis mas de nomes pomposos onde sua incompetência não ofereça riscos ao projeto. Project Director, por exemplo.

Tive o desprazer de ver um profissional extremamente competente ceder aos encantos do corporative bitchness. Em vez excelência técnica, chopinho com os chefes (é assim que uma corporative bitch define Networking). Em vez de atualização, estaginação adornada com doses e doses de meaningless bullshit. Foi como ver Anakin Skywalker se entregar ao lado negro da Força.